Love Is Not Easy

1 Prólogo - Luana


Desde pequena tive que aprender a me comportar como uma adulta. Perdi minha mãe muito cedo e meu pai sempre foi muito ocupado para dar a atenção que minha irmã e eu precisávamos. Mas nunca reclamarei disto, pois sei que isso nunca foi proposital, eu tenho certeza. Sempre tive uma vida um pouco incomum, estudando muitos anos fora do país, vendo o meu pai uma vez ao mês quando ele me visitava e passando as minhas férias no Brasil. Agora que fiz quatorze anos, resolvi voltar a morar com o meu pai. Eu só não sabia o que estava me esperando aqui.

Mas antes de contar minha história de amor, quero lhes contar um pouco da minha vida e da minha família. O meu pai, Robert Becker, é australiano e exercia o cargo de diretor executivo de uma das gravadoras mais importantes da indústria musical mundial, por isso estava sempre viajando e foi assim que conheceu a minha mãe. Seu nome era Eduarda, uma linda brasileira de cabelos negros e olhos azuis, e meu pai se apaixonou perdidamente. Eles namoraram durante um tempo, se casaram e o meu pai acabou se instalando no Brasil. Os dois eram completamente apaixonados e desse amor nasceu Luíza e eu, Luana. Quando minha mãe estava grávida da minha irmã, foi aconselhada pelos médicos há não ter mais filhos, pois sua gravidez era de risco, e traria sérios danos a ela. Todos achavam que ela não conseguiria segurar outra criança em seu ventre. Passaram-se sete anos e minha mãe engravidou novamente. A gestação foi cercada de todos os cuidados, e para a surpresa de todos eu, Luana D’Abreu Becker, nasci forte e sadia e minha mãe resistiu bem ao parto, superando as expectativas de todos.

Minha mãe era uma mulher de saúde muito frágil, e quando eu tinha seis anos, ela desenvolveu uma doença muito seria e de sintomas desconhecidos. Meu pai fez de tudo para salva-la, contratando os melhores médicos e levando-a para fora do país, mas minha mãe não conseguiu resistir e acabou falecendo. Ainda me lembro de algumas coisas dela, como o cheiro de seu cabelo ou quando ela cantava para eu dormir e me fazia cafuné.

Com a morte da minha mãe, minha família ficou desnorteada, meu pai caiu em depressão e Luíza teve que segurar a barra sozinha, pois eu ainda era uma criança. Ela tinha apenas treze anos e tentou ser o mais forte possível, para tentar passar força para mim, que só sabia chorar de saudades da minha mãe. Meu pai tentou nos ajudar, mas ele parecia sofrer mais do que nós duas juntas. O amor que os dois tinham foi o amor mais lindo que eu já vi.

Luíza não estava conseguindo suportar tudo sozinha, então surgiu a ideia de encontrar uma pessoa para nos ajudar. Meu pai contratou a Glenda, a mulher mais incrível que eu conheço. Quando ela chegou na minha casa, mostrei uma certa resistência, pois estava acostumada com a minha mãe e com Luíza apenas. Lógico que tínhamos empregadas, mas nenhuma fiscalizava meus deveres, me mandava tomar banho e escovar os dentes. Eu cheguei a pensar “ Quem é esta mulher? Mal chegou na minha casa e já esta querendo mandar em tudo, até em mim!”. Lembro-me de ficar furiosa e pedir chorando para o meu pai despedi-la, mas ele me disse que com o tempo aceitaria ela e até conseguiria amá-la. Achei um absurdo! Já Luíza se deu muito bem com ela, pois sempre foi muito amável com todos que a cercavam, ao contrario de mim, que sempre fui arredia e nunca gostei muito de gente estranha. Mas meu pai estava certo, me adaptei a Glenda, passei a gostar dela e hoje eu a amo, como minha segunda mãe.

Luíza e eu sempre fomos muito diferentes em tudo. Nem parecíamos irmãs, inclusive pela aparência. Ela é loira, olhos verdes, estatura e corpo de modelo ( sempre a achei linda) . Eu tenho cabelos castanho escuro, olhos azuis, não sou muito alta e não me acho nada além do normal. Luíza se parece muito com o meu pai e eu pareço com a minha mãe, numa versão piorada, é claro! Minha irmã e eu também temos personalidades muito diferentes, eu desde criança nunca fiz muitos amigos, sempre tive a fama de ser a mais metida da escola, esnobe, a maioria das minhas colegas me odiavam, porém isso nunca me incomodou. As poucas amigas que fiz, são minhas amigas até hoje. Ao contrário da Luíza que sempre conseguiu ser super popular no colégio, tinha seguidores, milhares de amigos e monte de pretendentes a namorado. Namorado para mim também não era a coisa mais importante do mundo. Tive alguns pretendentes, mas nenhum nunca me interessou. Sempre me achei muito criança para isso.

Nunca precisamos morar no internato que estudávamos, tínhamos uma casa separada e Glenda sempre viveu com a gente. Vínhamos passar as férias com o meu pai, mas dos seis aos quatorze anos eu não morei com ele. Apesar da falta que sentia dele, eu gostava de estudar em um lugar diferente. Mas agora que Luíza está terminando a faculdade, ela resolveu fazer um curso de especialização na Espanha e morar sozinha para ter um pouco de independência. Eu dei meu total apoio, ela está há anos tentando fazer a minha vida melhor e me colocando a frente de qualquer plano seu. Foi aí que tomei a decisão de voltar ao Brasil. Também estava sentindo muita falta do meu pai e ele de mim e estava me fazendo apelos insistentes para eu voltar a morar com ele, pois Luíza iria se estabilizar na Espanha e já era uma mulher. Ao contrário de mim, que ainda era a “garotinha do papai” (meu pai sempre me chamou assim). Então resolvi ceder aos pedidos dele e voltar ao Brasil. Eu e minha querida Glenda. Aí começa a minha historia. A historia de um amor que ultrapassou os limites de uma mentira.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.