- Deseja mais chá ?


- Não obrigada.


Minha história começa em um castelo, no jardim, com meu criado, ou como gosto de chamá-lo, “Damo” de Companhia.


- Está meio quieta hoje Alteza. – ele chamava-se Hitomi, Hitomi Aoi – Aconteceu algo com você ?


- Apenas estou... preocupada.


- Com o que ?


- Nada demais... – na verdade talvez fosse algo de importante. Logo seria meu aniversário de 15 anos e provavelmente meus pais façam com que eu toque meu violino – Acha que eu toco bem violino ?


- Perfeitamente bem Madame, do jeito que se esforçou para aprender.


- Espero que não erre.


- Em seu aniversário ? Logicamente você se sairá muito bem e depois isso vai ser uma lembrança feliz.


- Não é totalmente feliz, sinto que me falta algo.


- O que seria ? – ele inclinou-se um pouco na mesa para ouvir.


Logo me inclinei também, coloquei a mão do lado da boca e cochichei:


- O meu Violinista Azul.


- E o que é isso ? É de comer ? – ele cochichou também.


- Não, é uma pessoa.


- E aonde você o viu ?


- Quando era mais nova, ele tocou para mim quando eu chorava.


- E porque estamos cochichando Alteza ?


Por um breve momento eu fiquei calada:


- Eu não sei.


Nós dois começamos a rir, meu “Damo” concerteza era minha melhor companhia nesse castelo.


- Já vou me retirar.


- Precisa que eu a acompanhe ?


- Não, eu apenas vou para a sala de música treinar um pouco, sabe, preciso me esforçar!


- Boa sorte, qualquer coisa, chame.



Naquela sala enorme, havia todos aqueles instrumentos, apenas um eu conseguia tocar. Meu violino. O peguei e lentamente passei o arco pelas cordas. Aos poucos aumentava a velocidade, queria tocar como meu Violinista Azul, encantar apenas com a música. Talvez assim, conseguisse encontrá-lo, através da música que sai dessas cordas.