Love Hating You
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– ANDA LOGO PORRA. — Justin gritou quase derrubando a porta do banheiro, de tanto que batia. — QUER PERDER O ONIBUS?
– Calma, eu tô indo. — Falei abrindo a porta. — Se a gente perder o onibus a culpa vai ser sua, amorzinho. Quem mandou não me acordar mais cedo.
– Minha o caralho. São 09:20, vamo logo. — Falou irritado enquanto saia do quarto, comigo em sua cola. Quando estávamos perto da porta principal que levava ao elevador, o Golden Retriever mais lindo do planeta veio correndo em minha direção.
– BISCOITO — Quase gritei. — Que saudade de você garotão. Bom saber que você continua sobrevivendo na companhia desse aqui. — Falei afagando a orelha dele.
– Ele me ama. — Justin falou se ajoelhando ao meu lado e dando tapinhas nas costas do cachorro, que respondeu com uma lambida no rosto dele. — Ai cara, desnecessário. — Ele falou, passando a mão onde Biscoito tinha lambido e fazendo uma careta de nojo.
– Ah, como você é lindo. — Falei, agora apertando as gordurinhas do pescoço dele, e rindo. Justin se levantou.
– Vamos Katherine, é pra hoje.
– Só mais cinco minutinhos. — Falei, e voltei a conversar com Biscoito, fazendo uma voz retardada, como se estivesse falando com um bebê. Um dia eu ainda descobriria porque quase todo mundo fala assim com cachorros.
– Só falta a gente no ônibus, porra.
Revirei os olhos e me levantei. Eu sabia o quanto estar atrasado deixava Justin irritado, e estava me aproveitando um pouquinho disso.
– Tá vendo, garotão. Eu quero ficar, ele que não deixa. — Falei, morrendo de vontade de acariciar aquela gostosura novamente. Sempre foi meu sonho ter um cachorro, mas minha mãe surtava todas as vezes que eu tentava pedir por um. Justin abriu a porta e cercou Biscoito para que eu pudesse sair. No térreo, o manobrista já esperava com o Mustang Preto em frente ao prédio. Ele entregou a chave para Justin, que como sempre, abriu a porta para mim, e em seguida se sentou no banco do motorista.
Eu tinha que admitir que o cara sentado ao meu lado tinha uma beleza extraordinária. A calça jeans da Calvin Klein que aparentava ser desgastada combinava perfeitamente com a camiseta branca e o tênis Adidas Star no pé. O cabelo propositalmente bagunçado e o óculos escuro no rosto deixavam qualquer uma louca da vida, qualquer uma menos eu, lógico. Tá, talvez até tirasse um pouquinho da minha sanidade de vez em quando. Eu já tinha recebido 15 mensagens de uma Chloe desesperada quando Justin estacionou o carro em sua vaga na escola. Para variar, esperei comportadamente que ele abrisse a porta pra mim, e depois saímos correndo para o segundo ônibus, que já estava com todos os alunos sentados e impacientes.
– Espera. — Falei quando Justin estava subindo as escadinhas do ônibus. Quando ele se virou, tirei uma foto. — Tenho que registrar o dia em que Justin Dallas entrou em um ônibus.
– Vá se ferrar. — Ele falou, terminando de entrar, e eu ri. Depois de alguns aplausos, xingamentos e uma cara feia de Nate e Kimberly, fomos até o final do ônibus, onde estava nossa turma inseparável. Apenas um banco estava vazio. Justin se sentou na janela.
– Porra, não tinha lugar melhor não? — Falei com uma careta, antes de me sentar ao lado dele.
– Finalmente casal, tá todo mundo aqui faz quarenta minutos. — Logan disse.
– Casal o caralho. — Respondi.
– A culpa é dela. — Justin falou, ainda irritado pelo atraso.
– Minha teu rabo, já disse que você devia ter me acordado.
Ele revirou os olhos.
– Para de ser folgada, fiz mais do que a minha obrigação quando te levei lá pra cima quando você tava desmaiada no meu sofá. — OPA, PERA LÁ. Quem tinha me levado lá pra cima era o Logan, não era? Justin pareceu um pouquinho mais irritado quando prestou atenção no que falou.
– Tá, chega, não vou aguentar vocês dois brigando esses 15 dias nem pensar. Quero paz. — Ash falou, e os outros concordaram.
Depois de uns 20 minutos de bastante conversa, com as balançadas do ônibus e o efeito pós-festa, o mesmo estava quase totalmente silencioso. A maioria dos alunos dormia, e o resto estava quase.
– Então quer dizer que não foi o Logan que me levou lá pra cima? — Sussurrei para provocar Justin, que fazia parte do resto.
– Na verdade, quer dizer que você pedindo para que eu ficasse lá com você não foi só um sonho, amorzinho. — Ele falou antes de se virar para a janela, e dormir. Droga, 1x1 Dallas, 1x1.
Fui acordada por um monitor gritando dentro do ônibus, o que indicava que havíamos chegado.
– VAMOS ACORDAR PESSOAL, TÁ TODO MUNDO MORTO AQUI? — Ele continuava gritando, e conforme as pessoas foram acordando, as conversas foram aumentando. — Isso aí. — Agora o tom de voz dele já estava normal. — Seguinte, a primeira coisa que vamos fazer, antes mesmo de descer do ônibus, é coloca-los em duplas. Essa pessoa com que você fará dupla será do seu grupo de atividades, juntamente com duplas de outras escolas, e com quem vocês passarão a maior parte do tempo aqui, inclusive dormirão no mesmo chalé. Pelo que nossa equipe contou, serão 20 grupos e em cada grupo estarão 20 pessoas. Como vocês estão em 40 pessoas, cada dupla irá para um chalé. A sua dupla será com a pessoa que está sentada ao seu lado nesse ônibus, para que não aja confusão. — Ah, puta que pariu. Pra que que eu tô aqui mesmo? Bufei, me arrependendo de ter atrasado Justin apenas para irritá-lo, se eu não tivesse feito isso, provavelmente estaria ou com Chloe, ou com Logan. — Vou entregar duas pulseiras para cada dupla, e cada dupla tem uma cor diferente. Todas as pessoas que vocês encontrarem no acampamento que tem a mesma cor que você, pertence ao seu grupo. A pulseira só poderá ser retirada quando vocês já estiverem fora daqui. Conforme vocês forem colocando essas pulseiras, podem ir descendo e seguindo a monitora que está esperando vocês. Ela mostrara todo o alojamento. As malas serão entregues nos seus devidos chalés. À propósito, em cada chalé dois monitores dormirão com vocês.
Assim que recebi minha pulseira, que era amarela, desci do ônibus marchando de raiva, e fui na direção oposta da tal monitora, afim de ir direto pra merda do chalé. Seria pior do que eu pensei, talvez eu deveria ter ido para o Japão com a minha mãe. Não, não, mentira. Eu aguentaria Justin.
Depois de uns vinte minutos andando pelo acampamento enorme e muito bonito, consegui encontrar a área dos chalés. Quando estava passando pelo 5º, um monitor se dirigiu a mim.
– Chalé amarelo? — Ele falou e eu me virei para ele. Fui cegada pelo seu sorriso perfeitamente branco, olhos azuis e cabelos loiros típicos da California. Confirmei com a cabeça assim que consegui respirar normalmente. — É aqui.
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