Love Hate
1 Único
Notas iniciais
Eu espero que gostem da ideia da fic. :3
Boa leitura! ;)
O céu escuro não impedia em nada a ele continuar seu árduo treino, esforçando-se além dos limites que outro ser humano qualquer alcançaria. O Sunny estava quieto, considerando que já passava das duas da manhã e todos os tripulantes haviam ido dormir àquela hora. O único que permanecia acordado era o espadachim do bando, que como de costume, ficava responsável pela vigilância noturna do Thousand Sunny Go.
Zoro se sentia bem ao receber aquela missão, visto que estaria sozinho a noite toda, sem ninguém a lhe perturbar, treinando como sempre se esforçava em fazer em todos os momentos que fosse possível. Essa realidade havia mudado, entretanto, a partir do instante em que aquela mulher resolvera criar uma armadilha sem saídas e ele caíra como um pato na mesma.
Roronoa Zoro sequer sabia quando havia sido pego. Não fazia ideia de quando a desconfiança inicial tornara-se companheirismo. Visto isso, também não lembrava quando havia se transformado em algo ainda mais difícil de distinguir.
Por todos aqueles meses antes do bando se separar, o único sentimento que o espadachim acreditava reinar com relação à arqueóloga era irritação e um ódio-não-ódio. Ela o irritava e ele a odiava por isso. Ponto. Porém, no final das contas, quando ela corria perigo de alguma forma, ele sempre era o primeiro a querer salvá-la. Não pergunte o porquê disso. Nem ele mesmo havia percebido o fato, era algo subjetivo demais para ser identificado.
Passaram-se então os dois anos separados. Cada um por si.
Seria mentira dizer que ele não sentia curiosidade em saber o que seus amigos faziam. Queria saber até mesmo por onde o cozinheiro pervertido andava. Quando pensava sobre isso, no entanto, seu tempo maior perdido nos devaneios sempre acabava sendo ocupado pela arqueóloga que tanto o irava. Mais uma vez, ele nunca nem mesmo notou tal acontecimento rotineiro.
O reencontro talvez fora o ponto de início para ele finalmente cair em si de que aquela situação estava muito mais complexa do que ele pensava e havia percebido. As coisas haviam ficado mais confusas e, por mais que ele até tivesse se acostumado com isso, ainda o irritava. Estar confuso irritava pelo simples fato de não poder definir seus objetivos e controlar suas próprias emoções. Aonde já se viu isso?! Um cara absolutamente sóbrio (no sentido subjetivo da palavra, por favor), dono de si mesmo, não compreender seus próprios sentimentos?
Dessa forma, com o decorrer dos meses seguintes, tudo tinha se tornado uma massa tão absurda que nem a ciência mais era capaz de tentar compreender 1/3 do que era aquilo. Àquele ponto, o homem de cabelo verde já tinha desistido de não admitir sua afeição pela morena. Àquele ponto, toda a confusão havia evoluído para uma forma de ódio-amor que fugira de seu controle. Ele a odiava tanto, que acabara se apaixonado por seu ódio.
A partir do momento que teve a oportunidade de tê-la em seus braços, porém, a coisa mudou drasticamente.
Bufando, o espadachim deixou seus exercícios, sentando de forma brusca no chão frio, logo pegando a garrafa de sakê pela metade que havia ali perto. Correu seus olhos pelo ninho da gávea somente para pará-los na imagem que surtia tantos efeitos contraditórios sobre si.
Nico Robin dormia sobre o sofá confortável e largo que existia no cômodo. Deitada de bustos, suas curvas eram cobertas apenas por um fino lençol, enquanto a brisa fresca ia de encontro com os cabelos soltos, que acabavam caindo sobre seus olhos. O perfume que sua pele exalava invadia o ambiente, adentrando às narinas do guerreiro, o remetendo às horas anteriores, quando sentira aquele cheiro tentador se misturar ao seu.
Infeliz. Até dormindo aquela desgraçada conseguia irritá-lo.
Já tinha perdido as contas de quantas vezes prometera cortar os vidros de perfumes e hidratantes da mulher. Sempre o faziam sair da linha de raciocínio, o levando a se perder entre os lábios sedutores e sorridentes da morena.
Observou mais uma vez o sono tranquilo que ela tinha.
O demônio de Ohara possuía a fama de ser observadora e perspicaz. Mas não sabiam os outros que a denominavam assim, que existiam muitas coisas as quais ela não conseguia observar ou nem mesmo sabia de sua existência.
Robin não sabia, por exemplo, como ela ficava ainda mais bela quando adormecida; não sabia que enquanto respirava lentamente, os olhos escuros do espadachim acompanhavam o ritmo de seus músculos femininos; não sabia que a imagem dela dormindo despertava um sentimento indescritível no imediato: desejo de proteger uma mulher tão forte que parecia tão frágil em momentos como aqueles.
Romântico demais? Definitivamente.
Aquele não era Roronoa Zoro e era por isso que ele a odiava tanto. Diabos. Por que ela tinha que bagunçar tudo?
Ficou de pé e seguiu em direção ao outro lado, querendo ignorar a presença da mulher.
― Beber durante seu turno de vigia não me parece uma boa ideia. – a voz melódica ecoou no silêncio do cômodo.
― Como se eu me importasse com isso. – resmungou rabugento, observando o mar noturno por meio de uma das janelas.
― O que te incomoda? – perguntou serena, sentando-se enrolada no lençol bege-claro.
― Você me incomoda. – ironizou, ainda sem olhar em direção à mulher.
― Hum... bem, caso queira, posso descer para o quarto. – sugeriu gentilmente.
― A sua existência me incomoda, mulher. Não tem como mudar isso. – bufou em irritação.
― Minha existência sempre foi um incômodo para a maior parte do mundo, então acho que já me acostumei. – comentou serena, levantando-se e começando a se vestir.
O comentário, todavia, surpreendeu ao homem, fazendo-o por algum motivo sentir-se culpado. Nem mesmo percebera o significado do que havia acabado de falar.
― Ótimo— comentou mentalmente com desgostoso sarcasmo. ― Não foi isso que quis dizer. – explicou mais sério.
― Eu sei. – respondeu, sorrindo, assim que ele virou-se para si. Uma veia saltou na testa do guerreiro.
― Maldita. Some daqui antes que eu te corte, mulher. – ameaçou irritado, fazendo a morena soltar uma de suas risadas baixas.
― Já estou descendo, não se preocupe. – respondeu sem alterar seu tom em nada, pegando seu livro e seus óculos de leitura, que estava no chão, ao lado do sofá.
― Tsc. – saiu da janela, se aproximando da mulher. ― Você é insuportável de um modo que nem eu consigo definir. – acusou, de frente para a arqueóloga.
Ela apenas sorriu consigo mesma.
― Ser um incômodo às vezes pode ser algo bom, não acha? – comentou distraidamente, dando os primeiros passos em direção à saída. Não conseguiu continuar, no entanto, pois Zoro a puxou pelo braço, aproximando seus corpos.
― Não acho. – baixou a voz. ― Não quando me irrita tanto. – declarou, encarando as orbes turquesas. ― Eu realmente te odeio. – lembrou-a e, mais uma vez, ela apenas sorriu. Era bom receber declarações amorosas de vez em quando não é mesmo?
Não precisou ser dito mais nada depois daquilo. Seus lábios apenas se juntaram num só, revelando o quão complexo era aquele sentimento por parte do Roronoa. Sentimento evoluído da desconfiança, tornado em ódio-não-ódio, depois em ódio-amor, e agora amor-ódio.
Ele a odiava simplesmente por amá-la demais...
― Vamos mesmo fazer isso? Acabei de me vestir. – comentou assim que abandonaram o beijo por falta de fôlego.
― Quem se importa?
Notas finais
Até mais, pessoas. ♥
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