Love Go
1 Capítulo Único - Love Go
Notas iniciais
Regina ouviu o som do portão sendo aberto e soube que era Henry que havia acabado de chegar da escola. Foi até a janela e observou que o garoto entrava com o olhar fixo no celular e vez ou outra parando para usar o aparelho. Nunca havia visto Henry tão vidrado em algo dessa maneira.
— Oi meu amor, como foi a aula hoje? – perguntou enquanto via o garoto atirar a mochila no sofá.
— Oi mãe, foi tudo bem. – passou por ela lhe dando um beijo rápido no rosto e subiu as escadas.
— O almoço já está pronto, não demora pra descer! – gritou e ouviu um “ta bom” como resposta.
Após o almoço, Regina entrou na sala a tempo de ouvir Henry reclamar de algo, batendo as mãos ao lado do corpo e dizendo: “Nossa, que saco, acabaram minhas pokebólas”.
Pokebólas? Regina enrugou a testa. Que diabos eram pokebólas?
— Mãe... – ouviu ele gritar sem perceber que ela estava ali tão próxima. – Vou até o Granny’s, lá tem um pokestop, já volto. – e saiu deixando a morena confusa.
Pokestop? Que diabos estava acontecendo por ali e com seu filho que ela não fazia a mínima ideia do que era?
***
A noite, enquanto o filho tomava banho, Regina entrou em seu quarto e pegou o celular do garoto para tentar ver se descobria algo. Mas assim que ouviu os passos se aproximando, largou o celular na escrivaninha e se virou assustada.
— Mãe, tudo bem?
— Sim, eu só... eu... – sentia-se culpada por ter invadido a privacidade do filho. – Henry, eu estava mexendo no seu celular. – o olhou com receio. – Eu não vi nada, pode ficar tranquilo, eu só queria saber o quê você tanto olha nele e o quê são essas tal de pokebólas. – Henry riu entrando no quarto e sentando-se na cama.
— Mãe... é o Pokémon Go. Lembra-se que eu adorava essa série de desenho quando era pequeno, o Pokémon?
— Aquele que você tentava me explicar e eu não entendia nada, mas mesmo assim assistia com você?
— Isso, esse mesmo. Então, agora saiu esse aplicativo, o Pokemón Go que da pra gente capturar pokemóns por aí. – ele estendeu a mão para que ela o entregasse o celular. – Vem cá, senta aqui que eu vou te ensinar. – e a morena fez o que o filho pedia.
***
Na manhã seguinte Henry desceu as escadas já pronto para ir para a escola, foi até a cozinha para tomar leite e viu sua mãe vidrada no celular. Ele riu enquanto pegava uma torrada.
— Até que esse Pokemón Go é legal. – a morena comentou com um sorriso se aproximando do filho para poder lhe dar um beijo de bom dia. – Mas eu só consegui capturar Zubats até agora.
— Por essa eu realmente não esperava. – Henry riu sentindo-se feliz, e ao perceber o olhar confuso de sua mãe, continuou. – Você, viciada em Pokemón Go.
— Eu não estou viciada. – deixou o celular de lado. – Eu só achei interessante.
— Isso é legal, ver que você gostou. – ele colocou a mochila de novo nas costas, a beijou e se encaminhou para a sala novamente. – Bom, mãe, eu já vou que está no meu horário. Até a hora do almoço.
— Não, Henry, espera... – ela foi atrás do filho. – Eu queria tanto um Pikachu, como faço pra conseguir um? – mas o garoto já havia saído.
***
Já se aproximava da noite quando Henry entrou no quarto da morena todo animado. Regina assim que percebeu a presença do filho tirou os olhos dos papéis em que estava mexendo e voltou a atenção para ele.
— Mãe... vai ter disputa de Pokemón perto da torre do relógio, será que nós podemos ir?
— Henry, eu não vou participar de disputa nenhuma. – a morena riu ante o pensamento. – Eu só achei divertido capturar.
— Pois então, eu vou para a disputa e você captura quantos Pokemóns conseguir. O quê acha? – ele sentou-se em seu colo como se ainda fosse um bebê. – Vai ter bastante gente, todos os meus amigos, até a Emma pra supervisionar tudo caso aconteça alguma bagunça. Eu queria que você também fosse, vocês duas podem ficar juntas já que não vão participar de nada.
— O quê a Emma pensaria de mim se soubesse que eu jogo? – a morena falou sentindo-se envergonhada, mas ao mesmo tempo animada com o convite.
— Talvez você consiga fazer com quê ela goste também. Então, o quê me diz?
— Tudo bem, você me convenceu. – a morena o tirou de seu colo e se levantou também. – Mas só porquê quero tentar capturar outra coisa que não seja um Rattata. – disse em tom de brincadeira, mas tentando convencer inclusive a si mesma disso.
***
Quando chegaram á torre do relógio já era noite. Henry correu para junto de seus amigos e a morena começou a caminhar sozinha quando sentiu o celular vibrar avisando que tinha um Pokémon por perto. Ela logo o pegou e começou a captura.
Perto dali estava Emma, circulando por entre os garotos. Já havia dado um abraço no filho e agora apenas passeava pela rua. Quando voltou seu olhar para a frente, avistou a morena segurando o celular. Riu imaginando que Regina pudesse ter entrado naquela brincadeira também. Riu da simplicidade com o qual a Rainha se portava e da vergonha, afinal estava isolada dos garotos. Mas o quê realmente encantava Emma era o sorriso perfeito estampado em seu rosto. A loira não se lembrava de ter conhecido mulher mais linda que Regina em toda a sua vida.
Caminhou até ela sorridente e assim que a morena percebeu que Emma se aproximava tentou esconder o celular com pressa sentindo o rosto corar.
— Oi. – a loira parou a sua frente.
— Oi. – Regina respondeu nervosa.
— Não precisa ficar assim. – Emma riu. – Tudo bem você jogar Pokemón Go. – completou e viu um pequeno sorriso se formar no rosto da morena que abaixou a cabeça envergonhada. – Meu pai também está viciado nisso e pelo que me disseram, o Gold também.
— Ah, até que é divertido. Distrai bastante. – colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Você não gosta?
— Eu gosto mais de ver as crianças animadas jogando do que jogar. – pegou o celular e começou a passar as fotos de sua galeria até encontrar a que queria. Olhou mais uma vez para Regina e pensou que não podia perder a oportunidade. – Na verdade eu estou curtindo mais um novo aplicativo.
— Qual? – a morena se mostrou interessada em conversar.
— Chama Love Go. Ele te mostra onde você pode encontrar um amor.
— Emma. – Regina revirou os olhos. – Você só pode estar brincando.
— Não, é verdade, ele é feito e movido por magia.
— Swan. – Regina a advertiu segurando o riso e ao mesmo tempo tentando se convencer de que aquilo que a loira dizia era mentira.
— É, talvez você tenha razão e seja uma enganação, afinal ele nunca funcionou... não, não, espera. – a loira segurou o celular com as duas mãos eufórica e Regina sentiu o coração saltar no peito. – Ta funcionando, olha, ele ta me mostrando quem é meu amor... – e voltou a tela do celular para a morena que pode visualizar uma foto sua nela.
Regina sentiu-se gelar por completo, olhou para Emma que sorria e tornou a ver sua própria foto na tela do celular da Xerife. Sem expressão e sem dizer uma palavra sequer, se virou e saiu correndo.
Emma deu um passo a frente fazendo menção de ir atrás da morena, mas Regina já havia se distanciado. Por dentro culpava-se pela brincadeira que havia feito e isso colocou em seu rosto um semblante triste.
— O quê aconteceu? – Henry se aproximou e voltou seu olhar para o horizonte onde Emma mantinha os seus olhos fixos.
— Eu acabei de fazer a maior idiotice da minha vida e magoei a minha morena mais linda. – falou com os olhos cheios de lágrimas.
— Ah, ta explicado porquê eu não estou encontrando a minha mãe.
— Ah, Henry, de você eu não preciso esconder que sou apaixonada por ela.
— Claro que não, eu já havia percebido e eu tenho certeza de que é recíproco. – o garoto sorriu tentando lhe confortar. – Mas se acalme, nós daremos um jeito nisso.
***
Regina chegou em casa, subiu as escadas correndo e se trancou em seu quarto. Largou o celular em cima da mesinha de cabeceira, se deitou em sua cama e só então se permitiu chorar. Abraçou o travesseiro o apertando contra si e deixou que as lágrimas colocassem sua dor para fora.
Não podia acreditar no que havia acontecido. Justo Emma lhe magoara daquela maneira, fazendo uma grande piada de mau gosto sobre ela nunca conseguir um amor. E pior, usando os seus sentimentos, que só nesse momento Regina admitira para si mesma, eram verdadeiros em relação a loira. Regina a amava e por isso não podia sentir dor maior.
***
— Love Go, Emma? – Mary perguntou olhando para a filha que estava deitada no sofá com o olhar fixo no teto. – Que coisa mais cafona. – falou após ter ouvido toda a história do que havia acontecido na noite anterior.
— Eu sei, eu sei, eu estraguei tudo com essa brincadeira idiota. – sentou-se e respirou fundo. – Eu só não sabia como dizer, e com essa história de Pokemón Go eu acabei tendo essa ideia que foi ridícula. – mordeu o lábio em sinal de nervoso. – Mas, você nem falou nada sobre eu ter acabo de dizer que estou apaixonada por ela.
— Emma... – Mary sentou-se ao lado da filha e segurou em sua mão. – Nós sempre soubemos que você gostava da Regina, da para perceber pela maneira como você olha para ela e podemos te garantir que apoiamos isso, na realidade ficaríamos muito felizes que vocês namorassem. – sorriu e conseguiu fazer com que a loira sorrisse também.
— Eu só não sei o quê eu vou fazer agora, afinal eu estraguei tudo.
— Sabem de uma coisa? – David se aproximou com o celular em mãos.
— O quê? – disseram as duas em uníssono prestando atenção nele.
— Eu já consegui capturar quatro Eevees, mas ele é tão bonitinho que eu não consigo ter raiva.
Emma apenas deitou a cabeça no colo da mãe que revirou os olhos em sinal de repreensão deixando o marido sem entender nada.
***
— Mãe? – Henry entrou na cozinha a procura da morena que estava terminando de tirar a mesa do jantar. No rosto um semblante e um olhar triste.
— Oi, meu amor. – ela se virou tentando disfarçar.
— Vai ter disputa de Pokemón na praia mais tarde, será que você pode me acompanhar?
— Henry... – a morena puxou uma cadeira e sentou-se. – Se eu disser que não você vai ficar muito chateado?
— Ah, mãe... – ele se aproximou de Regina e a abraçou. – Quem sabe lá você não se anima um pouco, encontra uns Pokemóns legais para capturar. Não vi mais você jogando.
— Cansei um pouco de aplicativos. – falou tentando não pensar no que havia acontecido entre ela e a loira. – Por quê você não combina de ir com os seus amigos? Eu deixo você ir, meu amor.
— Mas o problema, mãe, é que sem você não tem graça nenhuma. – ele completou e os olhos da morena brilharam. Ela respirou fundo e se levantou enxugando a lágrima que havia escorrido por seu rosto. – Vamos?
— Vamos! – abraçou o filho. – O quê eu não faço por você? – riu enquanto ele apertava o abraço e agradecia.
***
Chegaram na praia quando a noite já havia caído, Henry conseguira convencer a morena a voltar a jogar e ela desceu do carro e caminhou pela areia com o olhar fixo na tela do celular. Quando ergueu o olhar percebeu que tudo estava deserto.
— Henry, você não disse que ia... – se virou a procura do filho, mas não o encontrou. – Henry? – voltou-se para a frente o chamando e só parou quando sentiu duas mãos tampando seus olhos. – Henry, você me assustou... – e assim que se virou deu de cara com Emma. – Emma? – engoliu em seco com a expressão séria.
— Antes de mais nada, eu trouxe isso pra você. – abaixou-se e pegou na areia uma rosa vermelha, a estendeu para Regina que mesmo relutante a pegou.
— Obrigada! – baixou o olhar. – Cadê o Henry? – tentou sair andando, mas a loira a segurou.
— Ele está bem, fui eu quem pedi para que ele te trouxesse aqui essa noite, ele só quer ajudar. – soltou o braço da morena que ainda segurava e respirou fundo antes de começar. – Eu só queria te pedir mil desculpas pela brincadeira mais que idiota que eu fiz noite passada, é só que Regina, eu não sei se você já percebeu o quanto eu sou apaixonada por você e eu queria tanto lhe dizer isso, mas eu não sabia como te conquistar, eu tinha medo de fazer tudo errado e acabei fazendo.
O coração de Regina disparara dentro do peito assim que ouviu a declaração de amor da loira e ela teve vontade de fugir dali, fugir para chorar, mas algo maior a manteve onde estava.
— Eu achei que você estivesse zoando com a minha cara porquê eu nunca tenho um amor. – falou com a voz embargada.
— Não, não, eu jamais faria isso. – se aproximou e apoiou as mãos nos ombros da morena. – Regina, eu só usei do método errado para dizer que você é o meu amor. – as lágrimas acumuladas começaram a escorrer pelo rosto de ambas. – Pode me xingar, bater na minha cara, pode dizer que nunca mais quer me ver, só por favor, diz que acredita em mim?
— Emma... – saiu como um sussurro. – Você nunca percebeu que você é o meu amor? A minha loira? – usou toda a força que tinha em si para lhe dizer aquilo e a loira riu, riu por entre os soluços do seu choro e logo em seguida foi acompanhada pela morena que também ria, antes de se aconchegar em seu abraço.
Quando se distanciaram, a loira segurou o rosto da morena entre as mãos, encostou sua testa na dela e olhando em seus olhos pediu mais uma vez.
— Me perdoa?
— Sim, te perdoo! – sorriu olhando nas íris esmeralda.
— Eu te amo, Regina!
— Emma... eu te amo! – e assim tocaram seus lábios pela primeira vez em um beijo doce e cheio de amor.
— Namora comigo? – Emma pediu sem se distanciarem.
— Namoro! – sorriu antes de se beijarem mais uma vez.
E depois disso, de mãos dadas, se encaminharam para o carro que estava estacionado perto dali, avistaram Henry no banco de trás usando o celular e entraram.
— E então? – ele perguntou contendo um sorriso. Emma e Regina se olharam de maneira cúmplice.
— E então que nós conversamos muito e chegamos ao consenso de que só vamos namorar se você ficar um mês sem jogar Pokemón Go. – Regina tentou parecer o mais séria possível. Henry se ajeitou no banco e largou o celular de lado antes de dizer.
— Se vocês quiserem eu posso desinstalar agora. – as duas trocaram outro olhar. – Porquê pra mim o mais importante é ver vocês duas felizes. – ambas o paparicaram antes de saírem dali em direção ao Granny’s.
***
Quando chegaram ao restaurante, o garoto entrou correndo na frente e logo atrás vieram Emma e Regina de mãos dadas e cumprimentando quem estava no local. Sentaram-se em uma mesa e Emma sorriu quando Mary piscou para si.
— Você não imagina o quanto eu esperei por esse momento, de poder estar aqui, junto de você. – a loira sorriu alcançando a mão de Regina em cima da mesa.
— Você não sabe o quanto eu me martirizei dizendo pra mim mesma que esse momento que eu também tanto desejava, podia ser impossível de acontecer.
— Mas é real. – a loira apertou sua mão. – O nosso amor é real, a vida que nós vamos ter juntas é real, a nossa felicidade por isso, tudo é real. – o sorriso largo estampando o rosto de ambas. – Eu te amo tanto!
— Eu também te amo, meu amor! – a morena completou e retirou o celular do bolso quando o sentiu vibrar.
— Eu só espero que você não me troque por esse Pokemón Go. – a loira fingiu estar séria olhando a morena mexer no celular.
— Eu jamais faria isso. – se inclinou em cima da mesa e a loira fez o mesmo pronta para beijá-la, mas antes que seus lábios pudessem se tocar, a morena desviou para o lado apontando o celular para frente. – Mas amor, só me da licença porquê tem um Charmander bem atrás de você e eu realmente não posso perder essa oportunidade.
Emma balançou a cabeça e riu dando espaço para a morena, mas logo todos os olhares foram voltados para a porta, de onde Gold entrou correndo assustando aos demais. Ele parou com o celular em mãos e assim que percebeu os olhares sobre si, ajeitou a gola do casaco e falou sério:
— Não se preocupem, eu só vim pegar pokebólas!
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