Love & Feeling
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Faltando apenas duas semanas para o casamento de Victoire e Teddy, tudo estava indo como planejado. Todos estavam animados com a grande festa que ia acontecer. A família de Rose já aceitava seu relacionamento com Scorpius de um jeito melhor do que ela esperava. Seu pai, Ron, ficou louco no inicio, visto que seu relacionamento com a familia Malfoy não era um dos melhores, mas com o tempo ele aceitou a ideia. Não antes, é claro, de fazer a filha passar por uma grande vergonha.
Faziam três semanas desde o inicio do namoro dela com Scorpius, e ela não tinha dito ao pai – esperava que sua mãe fizesse a parte difícil por ela. Durante essas semanas, ela todo dia esperava receber uma carta com raiva vinda de Ron. Por mais que ele a amasse, ela sabia que seu pai podia ser irracional as vezes. Ansiosa, depois de um tempo sem noticias ela parou de se preocupar, até que um dia algo inesperado aconteceu. Durante o café da manhã, Rose recebeu um berrador barulhento e raivoso.
ROSE WEASLEY,
SUA MÃE ME CONTOU QUE VOCÊ ESTÁ NAMORANDO UM MALFOY. VOCÊ PERDEU O JUIZO? EU NUNCA ESTIVE TÃO DESAPONTADO. VOCÊ TEM TANTOS BONS AMIGOS AI, E DECIDE SE RELACIONAR COM ALGUÉM DA SONSERINA? VOCÊ QUER MATAR SEU BOM PAI DO CORAÇÃO? ISSO SÓ PODE SER BRINCADEIRA. EU DISSE PRA VOCÊ SUPERA-LO EM TUDO QUE PUDESSE, NÃO DISSE PARA VIRAR SUA NAMORADA! SE VOCÊ ESTÁ ESPERANDO QUE ESSA RELAÇÃO VÁ HÁ ALGUM LUGAR, PODE ESQUECER, SÓ POR CIMA DO MEU CADÁVER.
O envelope vermelho explodiu em diversos pedaços, seguido por uma onda de risos que tomou todo o refeitório – e até alguns professores.
— Ora, ora... – a professora McGonagall começou, surpresa com o show que acabara de acontecer. – Manter a calma nunca foi o forte de Ron Weasley.
Humilhada – e tão vermelha quanto seu cabelo – Rose saiu correndo com tanta raiva quanto possível, querendo matar seu pai. Scorpius foi atrás para reconfortar a namorada, e logo viu que era uma péssima ideia.
— Rose, espera, fica calma...
— CALMA? VOCÊ TÁ LOUCO? QUEM ELE PENSA QUE É? ME HUMILHAR ASSIM, NO MEIO DE TODOS? EU VOU MATAR MEU PAI. ELE É UM ADULTO, MAS É MAIS INFANTIL QUE HUGO. MEU DEUS, COMO MINHA MÃE DEIXOU ELE FAZER ISSO? NÃO PODE SER VERDADE.
— Rose, eu sei que isso foi exagerado, mas...
— MAS O QUE?
— Gritar nos corredores não vai adiantar.
— Você tem razão... Desculpa, isso não é culpa sua. Você deve tá tão envergonhado quanto eu. Me desculpa, mesmo. Eu vou escrever pra ele, ok?
— Ele é seu pai. – Scorpius deu de ombros. – Você sabia que ele ia pirar.
— Mas ele não tinha direito de fazer isso.
— Talvez não, mas aconteceu. Agora se acalma e vamos voltar pro café.
— Não, eu não consigo, desculpa. Eu realmente preciso escrever pra ele. E pra minha mãe. Ela vai brigar tanto com ele por isso...
— Tudo bem. Me conte como foi, depois.
— Ok
A Weasley foi para seu dormitório furiosa.
Ron Weasley (eu me recuso a chamá-lo de pai.),
O que diabos foi isso? O que você acha que estava fazendo? Você ficou louco? Não tem vergonha do que acabou de fazer?
Primeiro, é muito errado fazer sua filha passar tamanha vergonha em frente a escola inteira. MUITO errado. Eu não vou nem começar a dizer o quanto isso é errado.
Segundo, você está julgando Scorpius sem conhece-lo. Ele não é nada do que você acha que ele é, independente do seu sobrenome. Aliás, ele é sim parecido com Draco, que foi MUITO MAIS CIVILIZADO E RECEPTIVO do que você foi sobre nosso namoro.
Eu vou sim continuar namorando ele, você só tá irritado. Eu não sou sua propriedade, e achei que mamãe tivesse te ensinado melhor que isso. Você tá decepcionado? Eu estou mais. Não achei que tivesse um pai tão preconceituoso assim. E, só para você saber, Scorpius vai comigo ao casamento, e não há nada que você possa fazer.
Rose.
A menina sabia que era uma carta extremamente desrespeitosa para enviar ao seu pai, mas ele havia agido como criança, e ela estava com muita raiva.
Passado todo o escândalo envolvendo os pais de Rose, a tensão já estava mais aliviada. Hermione tinha intermediado a paz entre pai e filha, mostrando o quão ridículo Rony tinha sido e a maneira desrespeitosa que Rose tinha tratado o pai, e tudo estava mais calmo. Faltando duas semanas para o casamento de sua prima, a menina iria passar o final de semana na mansão dos Malfoy, pois os pais de Scorpius queriam conhecê-la melhor, e ela estava muito mais calma do que quando conheceu Draco. No sábado a tarde, Rose arrumava suas coisas para passar o fim de semana fora. Uma hora depois, após serem apanhados por Draco, todos já estavam na casa dos Malfoy.
— Olá, Rose. Eu sou Astoria, mãe de Scorpius.
— Olá, é um prazer conhecê-la. – A ruiva sorriu.
— O prazer é meu. Scorpius, você quer mostrar a ela a casa? Daqui há algumas horas o jantar será servido.
— Claro, mãe. – Scorpius deu um abraço rápido na mãe e os jovens seguiram pelo tour na casa.
— Ele parece feliz. – Astoria sorri para Draco, como se compartilhassem um segredo. O marido passa um braço por sua cintura.
— Sim, ele parece.
— Então, é basicamente isso. – Scorpius fala quando ele e Rose entram em seu quarto, o ultimo cômodo não visitado.
— Sua casa é gigante. – A menina fala impressionada. Eles sentam na cama e ele dá de ombros.
— É grande. Várias gerações de Malfoy já moraram aqui. – Scorpius revira os olhos. – Eu não ligo muito pra isso, mas é legal. Tem bastante história, por mais que seja uma história meio... Obscura.
— Meus pais já tiveram aqui, sabia? Não foi muito legal, porém. Bellatriz torturou minha mãe... Quando eles e Harry estavam fugindo.
Scorpius mudara de posição, e estava mais sério. Ele não gostava quando as pessoas falavam do passado de sua familia, porque não era sua culpa e porque ele sabia que o pai tinha mudado.
— Desculpa...
— Tudo bem. Não é culpa sua. – A menina andava pelo quarto, mexendo em diversas coisas que encontrava. – É uma estante bem grande. – Ela apontou para a estante de livros no canto do quarto, e Scorpius deu de ombros.
— Foi uma infância solitária. Sem irmãos ou coisa parecida.
— Sua tia não teve filhos? – Rose sabia que a mãe de Scorpius tinha uma irmã, Daphne.
— Teve, mas não é a mesma coisa. Não é nada parecido com a sua familia. É muita gente, deve ser barulhento.
Ela riu. – É. Eu não tive um dia de paz desde que nasci.
Um elfo doméstico bateu na porta, anunciando o jantar. Os dois desceram e encontraram os pais de Scorpius esperando por eles na mesa de jantar. Logo sentaram e durante a refeição procuraram saber mais sobre a nova namorada de seu filho.
— Então... Nós não estamos acostumados com Scorpius tendo amigos da Grifinória. – aquilo podia parecer com uma provocação, a antiga rixa entre Grifinória e Sonserina, mas Rose sabia que a senhora Malfoy não planejava ofendê-la. Rose riu, sem saber direito o que dizer.
— Você tem certeza que seus pais estão ok com o relacionamento de vocês? – Draco parecia não ter muita certeza disso.
— Sim. – a menina deu de ombros. – Meu pai ficou um pouco... Incomodado. No começo. Mas nós já resolvemos isso.
— É, bom... Nós não tínhamos a melhor relação, sabe.
— É, eu imagino. – ela riu.
— Sua mãe me deu um soco uma vez. Foi forte.
— Sério? – ela riu mais. – Desculpa, eu acho? Isso não parece ela. Ela sempre é tão... controlada.
— Tudo bem, eu acho que eu merecia.
No meio do jantar, que estava sendo agradável para todos, uma surpresa apareceu.
— Hum, o senhor Lucio... senhor Malfoy... está aqui... Mestre... – O elfo doméstico que tinha chamado Rose e Scorpius para o jantar apareceu na porta, com medo, e logo foi empurrado com força por um Lucio Malfoy que aparentava desgosto.
— Ora, ora... É verdade então? Sabe, chegou aos meus ouvidos que meu neto estava envolvido com um deles, mas eu não achei que fosse verdade. Eu criei Draco melhor que isso, eu dizia, ele não deixaria o filho dele com uma...
— Scorpius, Rose, porque vocês não sobem? – Astoria parecia irritada, pois não tinha a melhor relação com o sogro.
— Pai, o que você está fazendo aqui? Nós não te convidamos.
— E eu preciso ser convidado para a casa de minha própria família? Não, não vão, crianças, eu já estou indo. Eu só precisava ver isso com os meus próprios olhos... Uma Weasley? Filha de Hermione Granger? – Ele cuspia as palavras enquanto olhava com cara de desgosto para Draco, como se aquilo tivesse partido do filho. – Eu esperava que você, sobre todos, se opusesse a isso. Você sabe o que ela é, não sabe? Draco, Draco... Eu te criei melhor que isso. Você deixa seu filho andar por ai com uma menina que não é de uma família decente? Da Grifinória, ainda por cima? Essa familia está em decadência, e a culpa é sua. Sua, e dessa sua mulher. Vocês criam uma criança dizendo que “somos todos iguais” e olha o que acontece. Ela não pertence com ele. Nós somos melhores, nós somos superiores. Você acha que ela se importa com ele, pelo menos um pouco? Eu duvido. Se não ela saberia que ninguém mancha o nome dos Malfoy. Isso nunca vai ter futuro, nem que dependa da minha vida. Meu neto não pode se envolver com uma, com uma... Com uma sangue-ruim traidora do sangue. Eu estou extremamente decepcionado.
Lucio se retira da sala, deixando um ambiente tenso. Astoria se vira para Rose, que estava com uma expressão impassível. A menina era forte, mas sabia que não iria aguentar por muito tempo. Era a primeira vez que alguém tinha coragem de chama-la de algo tão horrível cara a cara. O preconceito entre sangue era tão raro nos dias de hoje que ela não estava preparada.
— Rose, nos desculpe. Nós não sabíamos que ele teria a coragem de vir aqui. Meu pai é um idiota, e nós não concordamos com nada que ele disse. Nós sentimos muito.
A menina tirou os olhos do prato e olhou para Draco, e Astoria, e então para Scorpius. Fingindo um sorriso, ela disse:
— Tudo bem. – ela empurrou o prato. – Vocês se importam se eu me retirar?
Eles sabiam que aquilo não era fácil, então deixaram a menina subir. Scorpius foi atrás da namorada, mas quando ela chegou ao quarto não o deixou entrar. Ele passou horas batendo na porta trancada, e acabou dormindo ali mesmo. Nesse tempo, Rose pensara muito, por horas, e chegou a conclusão de que Lucio tinha razão. Apesar dela amar Scorpius, ela nunca seria uma Malfoy. Não sabia no que estava pensando quando resolveu se envolver com Scorpius. No meio da noite, com suas coisas arrumadas em sua mochila, Rose escreveu um bilhete para o namorado e o deixou em cima de sua cama.
Scorp,
Desculpa sair assim, mas seu vô tem razão. Nós não podemos ficar junto. É idiotice pensar que nós poderíamos. Me desculpe. Não me procure mais, e não venha ao casamento.
Rose.
Abriu a porta lentamente e encontrou Scorpius deitado, apoiado na parede. O menino tinha o sono pesado, Rose se abaixou e deu um beijo em sua bochecha, com lágrimas no rosto, então foi em direção a lareira. Descendo a escada, os diversos quadros dos antigos Malfoy a perturbavam.
— Sangue ruim. – Eles sussurravam. – Traidora de Sangue.
Passando direto por eles, ela atravessou a assustadora mansão e entrou na lareira, pegando um pouco de pó de flu em cima e indo para sua casa.
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