Love Doesnt Exist... Does It?
30 Capítulo 30-Prato que se serve frio
Capítulo 30 – Prato que se serve frio
-Obrigado por te juntares a nós, Katerina – falei, entrando no jipe todo-o-terreno que ela tinha arranjado.
-Não é como se eu tivesse escolha – suspirou ela, entrando para o lado do condutor. – Já investiguei o que me pediste. Ou mandaste, tanto faz.
-E o que descobriste? – perguntou Kol, entrando no banco de trás do carro.
-Aquele sacana é um patife de primeira categoria. Fornece droga para as festas mais estranhas que já vi. E eu dizendo isto, que tenho 500 anos, é uma novidade. Nunca vi algo tão perverso. E em relação à violação, pelo menos duas meninas jovens, que veem com aquela suposta amiga dela, são violadas por ele. É como um ritual. Para quê, ainda não percebi.
-Nós temos um plano – afirmei quando ela saiu do aeroporto.
-E qual é?
-Vais fazer-te de vítima – respondi a ela, ao que arregalou os olhos.
-Eu não tenho propriamente uma cara de santa.
-É aí que eu entro, darling – disse o meu irmão, pendurando-se entre os dois bancos da frente. – Vamos ter uma discussão. Eu quero sexo e tu não. Então vais ficar isolada na festa e ele vai ter contigo, de certeza.
-Tenho que ir comprar roupa de santinha, não é? – ela suspirou e revirou os olhos. – Nem sei porque alinhei nisto.
-Porque não tens escolha. A não ser que queiras ser a cobaia do Klaus para toda a ocasião – falei.
Os pelos dos braços dela arrepiaram-se e os seus lábios contraíram-se.
-Matar um violador. Desde quando é que sou Oliver Queen do Arrow? – enruguei a testa, não sabendo do que ela estava a falar. – É uma série que está a ter sucesso. É um tipo que mata todos os mauzões da sua cidade.
Kol riu baixo e recostou-se no banco.
-Vamos lá arranjar umas roupas de santa para a festa – murmurou ela, virando á direita e entrando numa zona de lojas.
Katerine parou o carro num parque de estacionamento. Saímos e ela dirigiu-se a uma loja que estava cheia de pessoas. Kol sorriu e li-lhe o pensamento.
-Estamos aqui com outro objetivo – murmurei para ele e Katerina fundiu-se na multidão.
-Vamos dispersar-nos – sugeriu Kol, sorrindo debochado para mim. – Arranjar roupas para a festa.
-Eu não preciso – argumentei, olhando em redor à procura da única pessoa que podia levar este plano para a frente.
-Também não – disse ele, arqueando as sobrancelhas e eu cerrei os dentes, ainda há procura de Katerina.
-O que acham desta roupa? – indagou ela, aparecendo por trás de mim. Tinha nas mãos umas calças de ganga e uma camisola de algodão cor-de-rosa clara. – Tenho que acrescentar uns All Star e esticar o cabelo.
-Acho que vai ficar linda – elogiou Kol ao que Katerina revirou os olhos. – Um perfeito anjo inocente.
-É esse o objetivo – ela sorriu, triunfante, e depois olhou para Kol de cima a baixo. – Não vais levar essa roupa, pois não?
Kol olhou para as suas roupas e depois olhou para mim e para Katerina.
-O que tem de errado a minha roupa?
-Para Original, até nem tens muito estilo para festas – comentou ela e vi uma centelha de um início de uma discussão nos olhos do meu irmão.
-Estás a dizer que eu não tenho estilo, Katerina? – aproximou-se ameaçadoramente de Kat e eu decidi intervir.
-O que sugeres, Katerina?
-Argh, Deus, parem de me chamar Katerina! Já estou deste lado do Atlântico há muito tempo! – arqueei as sobrancelhas e ela suspirou. – Está bem, já percebi. Kol, vem comigo. Elijah, vai ter a este hotel.
Entregou-me um cartão com o nome de um hotel fino de cinco estrelas.
-Eu fico – falei para ela que estava com uma expressão enigmática. – Só para ter a certeza que não se empalam um ao outro.
Kol e Katherine iam responder, mas eu continuei com o meu discurso:
-Por onde vamos começar?
***
Os dois entraram na festa. Katerina estava muito parecida com Elena com aquelas roupas e o cabelo liso. Fez-me lembrar do dia em que conheci a 3.ª doppelganger. Ela estava aterrada de medo porque não sabia as minhas intenções. Temeu-me por muito tempo, acho que só passou a gostar um pouco de mais de mim quando Rebekah lhe contou a minha história, a história da nossa família.
A música de discoteca estava alta, tornando-se quase impossível ouvir alguma coisa, mas consegui captar a discussão deles os dois. Eles já deviam de ter avistado o tal Frank.
-Não, Kol! Já te disse que hoje não!
-E quando vai ser Kat? Tu nunca queres! Um homem tem as suas necessidades e já estamos juntos há um ano!
-Kol, tens que compreender que eu nunca fiz isto e… eu quero esperar pelo momento perfeito.
Kol bufou.
-Sabes quando é que eu acho que vai ser o nosso momento perfeito: nunca!
-Kol, não digas isso!
-Não aguento mais isto, Kat! Já não sei mais o que fazer contigo! – lamentou-se o meu irmão com um tom de desespero na voz. – Vou pegar uma bebida.
-Kol, não me deixes assim! – chorou Katerina e largou um soluço.
Foi andando para o jardim e eu recolhi-me mais nos arbustos.
-Ele está a vir? – indagou ela, logo seguido de um soluço. Ela era mesmo uma atriz nata, estava a chorar e a soluçar convulsivamente.
Então vi-o. Alto, loiro e de olhos escuros. Tinha uma expressão corporal e de olhar predatória. Aquele não ia viver para ver o sol nascer e ainda bem. Tinha magoado Jo, tinha magoado dezenas de raparigas inocentes e tinha saído impune a todos aqueles atos de violência.
-Sim, está – murmurei. Não era necessário levantar a voz, já que Katerina ouvia. Kol vinha atrás dele, com uma distância segura. Escondeu-se atrás de uma palmeira e ficou a assistir. – Kol também está cá.
-Olá – disse Frank e ela virou-se fingindo-se assustada. Era incrível a maneira como ele podia parecer tão inocente mas tão claro em relação às suas intenções. Um perfeito psicopata.
-Olá – falou Katerina, limpando algumas lágrimas.
-Desculpa incomodar, mas vi a discussão com o teu namorado e não resisti em vir cá saber se estavas bem.
-Sim, estou – disse Katerina. – Obrigada pela preocupação.
O tom de voz dela fazia-me lembrar Elena. Ela devia de estar a pegar a inocência de Elena para a personagem que estava a interpretar maravilhosamente bem.
-Ora essa. De nada. Apenas não gosto de ver raparigas lindas a chorar.
Não vi, mas tive a certeza que sorriu para ele. Ficaram uns momentos em silêncio e vi o seu rosto mudar de inocente a criminoso. Sim, porque era isso que ele era, um criminoso, que tirava a inocência a jovens sem pedir, sem pudor, sem medo e sem ressentimentos. Ele merecia morrer. E era isso que ia acontecer.
-Chamaste-me “linda” – reparou ela. – Kol nunca me chama isso.
-Isso é porque ele não te merece – disse Frank, colocando uma mão no rosto de Katerina. Apesar de saber que ela estava segura, afinal era uma vampira, aquele gesto arrepiou-me e fez-me temer pela sua vida.
-Eu amo-o – afirmou.
-Mas ele não te ama.
-Mas…
Beijou-a e Katerina recuou logo, espantada. Confesso que também fiquei devido à sua brusquidão e ansiedade.
-Que estás a fazer? – inquiriu Katerina e percebi que tinha chegado a hora. – Não te conheço de lado nenhum!
Frank voltou a beijá-la à força e aquelas mãos escorregadias dele desceram das suas costas, apertando as nádegas dela.
Estava na hora, mas Kol fez um sinal para esperar mais um pouco. Mais um pouco? Daqui a nada ele violava uma vampira! Katerina estava a confiar em nós e cabia-nos a nós a tarefa de fazê-los parar.
-Socorro! – gritou Katerina, e Frank bateu-lhe no rosto com violência, fazendo-a cair no chão tal foi a força.
Sentou-se em cima dela e prendeu-lhe as mãos por cima da cabeça. Tal como tinha feito com Jo. Cerrei os lábios e Kol finalmente acenou com a cabeça.
Avancei com toda a minha fúria a brotar por todos os poros. Ele olhou para mim surpreendido quando me viu chegar bem perto deles, mas nem teve tempo de ripostar, porque atirei-o contra o chão.
Ele gemeu de dor e tentou defender-se, mas sem sucesso. Com um golpe rápido, dei-lhe um murro no nariz. Kol apareceu e levantou-o. Ele ia sofrer bastante antes de o matarmos.
-Esta é por violares raparigas inocentes, seu cobarde – disse Katerina e chutou-lhe nas partes íntimas, fazendo-o gemer de dor e fazer uma cara de sofrimento.
-A tua sentença de morte acaba de chegar – afirmou Kol e fomos para um canto mais afastado do jardim para acabar o serviço.
-Deixem-me ir! – gritou ele, assustado.
-Silêncio – mandei, olhando-o da ponta dos cabelos à ponta dos pés.
Dei-lhe um golpe na cabeça com a minha testa que o fez ver estrelas de certeza. O seu corpo tornou-se mole e Kol encostou-o contra uma parede.
-Quem são vocês? – perguntou ele e só a voz dele enojava-me.
-O teu pior pesadelo – respondeu Katerina, cruzando os braços e arqueando as sobrancelhas.
-Talvez conheças alguém chamada Joanne Forbes – afirmei, olhando-o bem nos olhos. Ele ficou automaticamente consciente de quem era, porque riu.
-Essa Jo? A loirinha que era virgem? És o namorado dela? Olha que ela gosta que seja forte e feio.
Dei-lhe outro murro, não tendo preocupação alguma em medir a força. Mas ele era resistente e depois de empalidecer, voltou a olhar-me com uma fúria reforçada.
-Estou a ver que também gostas que seja assim.
Peguei no seu pescoço com ambas as mãos.
-Esta é pela Jo, e por todas as outras vítimas que sofreram nas tuas mãos – rodei-lhe o pescoço, partindo-o.
Deixei o seu corpo cair no chão, morto. Aquilo tinha terminado. O pesadelo das jovens violadas e das outras suas possíveis vítimas tinha acabado. E já não era sem tempo.
-Foi bom trabalhar em equipa, Elijah – disse Katerina, sorrindo para mim. – Onde deixamos o corpo?
-Aqui mesmo. Para todos verem o que lhe aconteceu – respondi, fitando-a.
A fúria ainda lá estava, mas o sentimento de injustiça já não existia. E senti que finalmente Jo estava protegida dele e que poderia seguir em frente. Podíamos seguir em frente.
©AnaTheresaC
Notas finais
O que acharam do trio? Para quem quiser mais momentos Koltherine, tenho a fanfic Devotion, em que eles fazem um par romântico ♥
XOXO
Fale com o autor