Love Doesnt Exist... Does It?
27 Capítulo 27 - Violação
Notas iniciais
Capítulo 27 – Violação
Califórnia, 2009
-Anda, Jo! – incentivou a minha amiga, Claire. Ela era dois anos mais velha do que eu e tinha bastante experiência neste género de festas.
Entrei na casa que tinha três andares. Se a música já se fazia ouvir do lado de fora, do lado de dentro o barulho era ensurdecedor. Aquele lugar estava cheio de jovens mais velhos do que eu e a sensação de claustrofobia assolou-me. Parei de respirar e olhei em redor.
-Anda! – mandou Claire, pegando na minha mão e fazendo-me descer um lance de escadas. – É nas caves que a ação acontece.
-Que ação? – perguntei, assustada com o seu tom misterioso.
Não me queria meter em confusões, já sabia que ia sobrar para mim. De alguma forma, Claire conseguia sempre escapar ilesa das confusões, e com aquele cabelo loiro de anjo e olhos celestiais, quem iria desconfiar dela? Claro que eu, a sua seguidora, é que arcava com as culpas.
-Já vais ver – disse ela.
Entrámos na cave. Não se via quase nada devido à pouca iluminação e à névoa de algo que cheirava muito mal. Tentei abrandar o passo, mas Claire puxou-me com mais força e eu lá fui.
-Claire! – exclamou um rapaz loiro de olhos azuis-acinzentados. Era muito alto e tinha um sorriso travesso nos lábios. Um arrepio percorreu-me a espinha.
-Steven! Esta é a Jo, uma amiga lá da escola – Claire apresentou-me entusiasmada.
-Olá – cumprimentei eu, tímida.
-Oi, Jo — ele deu-me um beijo na face que resvalou para o canto da boca.
Corei imediatamente. Claire gargalhou com a minha atitude, envergonhando-me ainda mais.
-O que se joga por aqui?
-Tu sabes o quê, Claire, não te faças de santa – entregou-lhe o copo vermelho de plástico que tinha nas mãos, que só naquele momento tinha reparado.
-Mas eu sou uma santa, Steven – respondeu ela, dando um gole na bebida (sabe-se lá o que era). – Do pau oco.
Ele riu alto, atraindo vários olhares.
-E a tua amiga sabe o que é este jogo?
-É por isso que ela está aqui.
Steven olhou para mim de uma maneira que me senti exposta, como se estivesse nua.
-Então vamos devagar. Não vamos querer assustar a principiante.
O jogo era a coisa mais pervertida, sexual, nojenta e primata que alguma vez tinha visto. Era um tabuleiro de jogo, como o Jogo da Glória ou o Monopólio, ou seja, com várias casas. Os peões eram copos de tequila com etiquetas em papel como invólucro a dizer o nome dos participantes.
-Ei, pessoal – chamou Steven, alertando quase toda a cabe. – Esta aqui é a Jo e é a primeira vez que vai jogar.
Já não tinha tanta a certeza de que queria jogar. O que cada casa pedia era deveras repugnante.
-Oi, Jo – disseram todos em coro e Steven colocou um braço por cima dos meus ombros, deixando-me ainda mais desconfortável.
-Vamos explicar-lhe as regras? – disse Claire.
Sentámo-nos no chão, com o tabuleiro no centro. Steven escreveu o meu nome num papel e colou-o com fita adesiva num copo de tequila.
-As regras são muito simples – começou a explicar uma morena, com olhos castanhos-escuros e cabelo perfeitamente ondulado e sedosos. – Lanças o dado e andas x casas. Tens que fazer o que a casa te diz ou então tens que beber a tequila que está no teu copo. Só podes beber três vezes. Ganha o jogador que quando chegar ao fim, bebeu menos vezes. Simples.
Acenei com a cabeça, num jeito em como tinha compreendido as regras.
-Começo eu – falou Steven e olhou para mim. – Nasci em janeiro. E tu?
-Outubro – murmurei.
-Então és a última – disse uma rapariga que tinha olhos azuis, loira e com uma pele morena clara. – Chamo-me Sarah.
Steven lançou o dado e andou cinco casas, como exigia o dado.
-Beijar a mais gira para ti do jogo – informou um rapaz moreno, de olhos castanho-escuro, lendo o que a casa dizia.
-Com todo o prazer – disse Steven e foi até Sarah, que estava do outro lado do tabuleiro. Todos começaram a rir-se e a aplaudir por causa do beijo, mas eu olhei para o chão, envergonhada.
O jogo era asqueroso e quando chegou a minha vez, eu só queria fugir dali para fora, mas o olhar de Claire fez-me ficar. Ela conseguia ser muito persuasiva quando queria.
Lancei o dado. Calhou-me seis. Andei com o meu copo de tequila até ao número.
-Esta promete! – exclamou o rapaz que estava do lado direito de Claire. – Beijo lésbico!
Neguei com a cabeça. Jamais faria isso.
-Vá lá, Jo! – incentivou Claire, mas eu estava determinada. – Até pode ser comigo. Vá lá!
-Não – neguei e peguei no copo de tequila, engolindo o líquido de uma só vez. Queimou-me a garganta como se fosse álcool puro, mas preferia isso a beijar alguém.
-Minha vez – disse Steven, visivelmente zangado por eu não ter beijado alguém.
O jogo continuou por mais uma rodada, até chegar novamente a mim. Steven tinha feito um strip, Claire tinha beijado Sarah, Frank (que estava ao meu lado) tinha tirado a parte de cima da camisola e Sarah tinha tirado o seu sutiã, ficando com a camisola a cobri-la. Já sem falar dos outros, que tinham feito coisas que eu nunca ousaria fazer.
Lancei o dado e calhou-me quatro. Oh não, isso não.
-Como é que é, Jo? – desafiou Steven. Ele tinha ficado furioso comigo por não ter feito o que o jogo mandava. – Fazes ou voltas a beber como uma cobarde?
O que a casa pedia era demasiado para mim.
-Não, não faço, e sabem que mais? Estou fora!
Levantei-me de rompante, deixando todos espantados.
-Vais perder a boleia – ameaçou Claire, com os olhos a fumegar.
-Não quero saber – pela primeira vez enfrentei o seu olhar de cobra venenosa. – Eu cá me arranjo.
Peguei no meu casaco e subi as escadas. O lugar estava ainda mais cheio do que quando tinha chegado, e a música estava bastante mais alta. Precisava de sair dali e depressa.
Encontrei uma daquelas janelas que corriam para o lado para as pessoas irem para o jardim, e assim fiz. Assim que cheguei ao centro do lindo jardim e o ar frio me bateu, descontraí imediatamente. Ninguém estava ali, já que a festa era em casa, e sendo finais do outono, estava demasiado frio para alguém se aventurar a ir para o jardim para se divertir.
-Oi.
Virei-me de repente, não esperando ver alguém ali. Era Frank, o que estava ao meu lado esquerdo no jogo pervertido.
-Oi. Não devias de estar a jogar?
-O jogo acabou para mim – respondeu ele descontraído, mas não me deixando relaxada.
-O que fazes aqui? – perguntei, cruzando os braços sob o peito.
-O que tu fazes aqui? – retornou ele, deixando-me alerta.
-Apanhar ar. E tu?
-O mesmo – o seu olhar mentia e algo dentro de mim gritou para fugir dali. Todos os meus músculos retesaram-se prontos para, ao mínimo movimento dele, começar a correr.
-E os outros?
-Bem, Claire ficou profundamente zangada contigo.
-Talvez deva ir pedir-lhe desculpa – eu sabia que ele não me ia deixar ir embora, já que: a) estava a proibir-me a passagem para a casa e b) cruzou os braços e empinou o nariz.
Virei-lhe as costas e comecei a correr o mais rápido que podia. O enorme jardim devia de ter fim, uma cerca para estranhos não passarem. Eu só precisava de ser rápida como quando corria na pista de atletismo.
Ele caiu sobre mim e arquejei de dor. Tinha partido uma costela, de certeza.
-Sua cabra – disse ele, girando-me com brusquidão. Eu ia dar luta, era a única maneira de sobreviver.
-Não! – exclamei, começando a bater-lhe no peito com força e mexendo as minhas pernas, tentando acertar-lhe nalgum lugar sensível.
-Quieta – murmurou ele, tentando pegar nas minhas mãos para eu parar, mas era rápida, apesar da dor intensa que a costela partida fazia.
Eu tinha que lutar, eu tinha que sobreviver àquilo.
As suas pernas fecharam-se com força, imobilizando as minhas.
-Larga-me – gritei e cuspi-lhe para a cara.
Ele ficou surpreendido, mas depois a fúria continuou. Num gesto rápido pegou nos meus dois pulsos e colocou-os por cima da minha cabeça.
-Se depender de mim, não sais daqui viva hoje – disse ele, com uma fúria controlada na voz, perto do meu ouvido.
Despedaçou as minhas roupas e senti os botões do meu casaco a voarem.
-Não! – exclamei, tentando livrar-me dele, contorcendo-me debaixo dele, para fugir.
-Só assim é que vais aprender – desapertou o botão das minhas calças.
***
Foi-se embora, deixando-me ali, no relvado húmido.
Tudo o que sentia era dor e nojo. Nojo de mim mesma, do que tinha acabado de acontecer. E frustração. Muita. Por não ter conseguido defender-me.
-Jo! – gritou uma voz feminina ao longe, e em pouco tempo vi o rosto de uma antiga amiga minha, Julie. – Meu Deus, o que te fizeram?
Fechei os olhos, querendo a todo o custo que a dor passasse, que as imagens torturantes desaparecessem da minha cabeça.
-Veste isto – disse ela, tirando o seu casaco de inverno e fazendo-me sentar. Vestiu-mo e forçou-me a levantar.
Ardeu e eu arquejei.
-Anda – murmurou ela, abotoando os botões do seu casaco, cobrindo-me.
Tudo em mim ardia e doía e as imagens não paravam de passar na minha mente. Quando notei, estávamos na entrar num lugar branco.
-Boa noite – disse Julie à rececionista que intercalou os olhares entre mim e Julie. – Ela precisa de ver um médico. E chamem a polícia.
A dormência em que estava desapareceu, quando ela mencionou a polícia.
-Qual é o motivo? – indagou a rececionista, mas vi pelo seu olhar que ela já sabia a resposta.
-Violação – respondeu a minha amiga.
©AnaTheresaC
Notas finais
O que Elijah fará? E o que aconteceu a Frank?
Todas as perguntas respondidas nos próximos capítulos!
XOXO
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