Notas iniciais
Look da Jo no Memorial: http://asminhasfanfics.blogspot.pt/2013/01/love-doesnt-exist-does-it-fanfic-look.html

Capítulo 28 – Memorial

Fiquei a olhar para ele por longos momentos, tentando a todo o custo não chorar. Os meus olhos queimavam, ameaçando ceder a qualquer momento.

-Eu nunca faria isso contigo – falou ele, abraçando-me com força, surpreendendo-me.

-Eu acredito em ti, mas eu não consegui ter mais nenhum relacionamento equilibrado e ter algo mais íntimo com alguém. Espero que compreendas.

-Compreendo, meu amor – beijou-me os lábios com ternura e as suas mãos percorreram o meu rosto com uma suavidade que me fez sentir como se fosse feita de porcelana. – Eu espero. E espero também que confies em mim quando esse momento chegar.

O seu maxilar endureceu.

-Jamais faria o que aquele... patife te fez.

Acenei com a cabeça.

-Eu sei.

-Chegaste a fazer a denúncia, certo?

Acenei com a cabeça.

-Mas ele foi absolvido. Vinha de uma boa família e teve um bom advogado.

O seu olhar ficou frio e eu abracei-o com força.

-Por favor, não fiques assim! Não te quero ver assim.

-Jo… esse violador mudou a tua maneira de ser. Mudou a tua maneira como confiavas nas pessoas. Como esperas que eu fique?

-Não me deixes – implorei e as lágrimas desceram para o meu rosto. – Não faças nada contra ele.

-Não te posso prometer isso, desculpa.

Largou-me com delicadeza e saiu da pequena lagoa. Segui-o. Ele enrolou-me na manta e vestiu-se. A sua camisa ficou molhada, mostrando o seu corpo escultural e elegante.

-Levas-me para casa? – perguntei e ele acenou com a cabeça, entregando-me as roupas.

Vesti-as e entrei logo de seguida no carro, ligando o aquecimento.

O caminho foi silencioso. O seu maxilar estava tenso. Estacionou o carro em frente à minha casa. Continuámos em silêncio.

Eu não queria sair do carro sabendo que ele estava daquela maneira, precisava de sentir que ele não iria fazer nada estúpido nem vingativo. Eu já tinha superado, ele tinha que fazer o mesmo. Se eu tinha ultrapassado, porque não esquecia ele?

-Elijah…

-Não adianta dissuadires-me – interrompeu ele, olhando com os seus olhos castanhos gélidos. Um arrepio percorreu a minha espinha. Nunca o tinha visto assim e isso assustava-me. – Vou vingar-me daquele bastardo.

Suspirei. Sabia que tinha perdido aquela batalha. Ninguém o iria demover de fazer sabe-se lá o quê contra Frank.

-Amanhã é o memorial ao Pastor Young e das outras pessoas que morreram. Tenho que estar presente, April e eu somos amigas desde pequenas.

Ele acenou com a cabeça e deu-me um beijo na testa.

-Até amanhã, então.

Olhei para ele e vi quanto estava abatido com tudo o que lhe tinha dito. Mas por outro lado, a sua expressão corporal também demonstrava uma fúria e uma necessidade de vingança sobrenatural.

-Elijah, eu amo-te – falei e dei-lhe um beijo nos lábios. – Por favor, não faças nada de que te venhas a arrepender.

Abri a porta do carro e depois entrei em casa. Acenei-lhe com a mão, e ele seguiu no carro, com o rosto tenso.

-Estás aqui! – exclamou Caroline, abraçando-me. – Não sabia onde estavas, fiquei preocupada.

Sorri fraco.

-Estava com Elijah. Com quem mais imaginavas que estava?

O seu olhar escureceu e percebi que ela pensava que eu estava com Rebekah, a sua inimiga imortal.

-Estou bem, vês? Humana, saudável e feliz. Como foi o teu dia?

-Normal. Mas agora tenho que ir. Tyler está á minha espera.

Os seus olhos azuis-escuros brilharam de felicidade.

-Não te empato, prima! – disse e dei-lhe passagem para a porta de casa.

-Não vou demorar, prometo – deu-me um beijo no rosto e foi-se embora, toda saltitante.

***

Acordei cedo e preparei o pequeno-almoço para a tia Lizz, Caroline e Ashley. Seria um pequeno-almoço em família. Já há algum tempo que não dedicava o meu tempo a Ashley, precisava de falar com ela sobre várias coisas, incluindo sobre os acontecimentos dos últimos dias. Será que ela suspeitava de algo? O pensava ela de tudo isso?

-Que cheiro bom! – exclamou Tia Lizz, entrando na cozinha, sendo seguida de Ashley.

Caroline apareceu pouco depois, e estava com um ar abatido.

-O que aconteceu, Car? – perguntei baixinho, para Ashley não ouvir.

Caroline tirou as canecas do armário.

-Tyler foi atacado ontem à noite. Temos um caçador de vampiros na cidade. E este é um dos maus – disse ela, no mesmo tom.

-Céus… — murmurei e sentei-me na cadeira para tomarmos o pequeno-almoço.

***

Ashley saiu da casa de banho com o seu vestido simples preto, uns collants opacos brancos e uma fita no cabelo preta. Os seus cabelos loiros estavam ondulados e ela parecia um pouco triste.

-O que foi, fofinha? – indaguei, colocando-me de joelhos para a olhar melhor.

-E se o papá ou a mamã morrerem?

-Isso não vai acontecer, Ashley – sosseguei-a. – Eles estão bem, são saudáveis.

-Mas o papá da April estava bem.

-Foi uma coisa do momento. Ele esqueceu-se de mandar fazer a inspeção à linha do gás. Nas casas mais velhas, isso tem que ser revisto com muita frequência – abracei-a. – E tens-me a mim. Sempre, fofinha.

Dei-lhe um beijo na testa e depois saímos de casa, com Caroline e Tia Lizz. O caminho foi rápido e silencioso. Tia Lizz conhecia aquelas pessoas desde que era pequena, pelo que não devia de ser fácil para ela ir ao funeral.

Mal saí do carro, vi-o. Elijah estava impecavelmente elegante e lindo. Aproximei-me silenciosamente dele, mas para quem ele abriu os braços foi para Ashley. Ela saltou logo para o seu colo e ele abraçou-a com ternura.

Sorri e Caroline parou perto de mim.

-Deve ser difícil para ela – comentou.

Acenei com a cabeça e fiquei a ver Elijah acalmá-la um pouco. Nunca pensei que a Morte pudesse abalá-la tanto.

-Tyler chegou. Vou ter com ele – informou Car, pousando uma mão no meu ombro e entrando na igreja. Tia Lizz estava a cumprimentar algumas pessoas que chegavam, conjuntamente com Mayor Lockwood.

Elijah pousou-a no chão e pegou-lhe na mão. Os olhos da minha irmã estavam húmidos, como se quisesse chorar.

-Ei.

-Olá – falei e dei-lhe um beijo casto nos lábios. – Vamos andando lá para dentro?

-Claro – ele deu-me a outra mão e entrámos na igreja.

Sentámo-nos algumas filas atrás de Elena, Jeremy e Matt. Ele olhou para trás e sorriu-me. Acenei-lhe com a mão.

-Onde está Rebekah? – indaguei.

-A remodelar a sua nova casa – respondeu e eu arregalei os olhos. – Ela e Klaus tiveram uma discussão. Rebekah saiu de casa.

Mayor Lockwood aproximou-se do microfone e a plateia calou-se.

-Antes de começarmos, gostaríamos de abrir espaço para quem quiser partilhar uma lembrança sobre os nossos falecidos amigos do Conselho da Cidade. Sei que April Young quer dizer algumas palavras sobre o seu pai. April? – ninguém respondeu ou se levantou. – April? Estás aqui, querida?

Olhei em volta. April não estava em lado nenhum.

-Tem mais alguém que queira partilhar um momento ou uma lembrança sobre o Pastor Young?

Elena levantou-se e eu arregalei os olhos. Ela não parecia bem, parecia surpreendentemente frágil e vulnerável. Damon apareceu e sentou-se no banco à nossa frente, onde estava Stefan.

-Quando falei com April mais cedo, ela estava nervosa sobre vir aqui e discursar, e agora também estou um pouco nervosa – ela apoiou-se na mesa. – O pior dia de amar alguém, é o dia em que a perdemos.

Olhei para Elijah. Ele estava tenso e pegou na minha mão.

-Ninguém se mexe. Não se virem, é uma armadilha – ouvi Damon sibilar e Stefan levantou-se.

-Eu… — disse Elena e Stefan apareceu no palco, pegando nos ombros dela e tirando-a dali.

-Elijah…

-Sangue. Alguém está ferido – respondeu ele à minha pergunta não formulada.

-Por favor, abram os vossos livros na página 42 e juntem-se a nós na canção – pediu o novo Pastor da Cidade.

Levantámo-nos e eu peguei no livro, mas não estava a prestar atenção nisso.

-Eu ajudo – falou Elijah, mas eu não percebi nada.

-Elena… ela é nova, pode perder o controlo! – exclamei num sussurro desesperado e Elijah abraçou-me a cintura, passando a sua mão para cima e para baixo numa tentativa de me acalmar.

Os minutos pareciam uma eternidade, estava a dar comigo em doida, com Elijah a abraçar-me cada vez com mais força, Ashley a olhar para o livro das canções, alienada de tudo o que se estava a passar, Caroline do outro lado do corredor com o seu olhar alerta, Damon estático à nossa frente e de repente, Elena abraça Matt.

-Ela vai matá-lo! – disse para Elijah num sussurro, apertando a sua camisa com força.

-Não, não vai – assegurou ele. – Ela tem Stefan e Jeremy mesmo ao lado dela.

Elena finalmente largou-o passados alguns segundos e depois Stefan abraçou-a.

-Com licença – disse Tyler ao microfone e eu olhei para Caroline. Ele tinha sido atacado ontem, e estava ali, completamente exposto ao caçador. Os cânticos pararam e as pessoas sentaram-se. Segui-lhes o movimento mecanicamente. – Gostaria de dizer algumas palavras sobre o Pastor Young.

-O que está ele a fazer? – perguntei a Elijah e ele encostou a minha cabeça no seu coração.

-Não levantes a cabeça. Isto está prestes a virar um banho de sangue – murmurou ele e eu mantive-me muito quieta.

-No primeiro ano, eu era um rapaz que não se importava com desportos de equipa. Não me importava com nada que não me afetasse. Mas foi ele que me fez entender a importância de fazer parte de uma equipa, de uma comunidade. De nos sacrificarmos pelo bem da… — ele foi atirado para o chão por tiros que vinham do nada.

As pessoas começaram a gritar, a entrar em pânico e a tentar sair o mais rápido possível da igreja. Elijah pegou em mim e em Ashley e afastando as pessoas do nosso caminho, tirou-nos dali.

Mal chegámos ao exterior, abrandámos o passo e parámos junto a uma árvore.

-Tenho que voltar lá para dentro – disse ele, pegando no meu rosto com as duas mãos. – Fiquem aqui.

-Elijah, não, fica connosco! – implorei, um pouco assustada. Pronto, está bem, muito assustada.

-Eu já volto. O caçador não me pode matar, eu sou um Original.

Acenei com a cabeça e ele beijou-me como se fosse um beijo de despedida.

-Toma as chaves do meu carro – ele colocou-as nas minhas mãos trémulas. – Guia o mais rápido que puderes para saíres desta confusão. Eu vou ter convosco. Prometo.

-Elijah! – gritei, mas ele voltou a correr lá para dentro.

E aquilo parecia outra vez aquele dia no Grill em que ele me pediu o mesmo, mas não voltou para me ver.

©AnaTheresaC

Notas finais
O que acharam? Haverá um capítulo especial, narrado por Elijah, onde irá mostrar a vingança dele...
XOXO,até próximo domingo!
PS - eu AMO Kol em TVD. É bom que não o matem ou empalem, porque eu quero-o no spin-off! Quem concorda comigo?