Love Doesnt Exist... Does It?

1 Capítulo 1 - Amada Califórnia


Capítulo 1 – Amada Califórnia

-Não vou, não vou e já disse que não vou! – gritei-lhes mais uma vez e subi as escadas a correr para me refugiar no meu quarto.

-Joanne Forbes, vai e sem discussão! – gritou o meu pai, correndo atrás de mim com a minha mãe de seguida.

Abri a porta do meu quarto e entrei o mais rápido que podia. Preparei-me para fechar a porta, e faltava apenas um milímetro quando ele para-a e empurra-a para trás.

-Não! – gritei, fazendo força para ela se fechar, mas ele era mais forte do que eu e escancarou-a. Tropecei nos meus sapatos que estavam espalhados pelo chão e caí batendo forte e feio com as costas no chão duro de pedra.

-Mana… — sussurrou uma voz de menina que espreitava com medo para o quarto. – O que se passa?

-Nada, fofinha – falei e gatinhei até ela. – Eu e o pai cá nos entendemos.

Afaguei os seus cabelos e prendi-a contra mim, não me querendo separar dela.

-Então porque é que o papá está a fazer as malas?

Olhei para trás, completamente furiosa, e naquele momento com medo dele. Nunca tinha visto os meus pais assim e como raramente o meu pai estava em casa, não sabia o que esperar dele.

-Vou descobrir, fofa – disse, tentando controlar o meu tom de voz perto de Ashley. – Vai para o teu quarto, está bem?

Ela acenou com os olhos lacrimejantes e com medo. Muito medo. Virou-se e saiu do meu quarto. Levantei-me cambaleante e corri para a minha mala de viagem.

-Eu não vou.

-Joanne Forbes, não há discussão – disse o meu pai, mais aterrador do que nunca. – Eu não sou a tua mãe para tolerar o teu mau comportamento.

Aquilo doeu e eu afastei-me da mala, deixando-o colocar lá as minhas roupas. Porém, deu-me um certo ataque de fúria e coragem e comecei a atirar a roupa para o chão, para cima da cama, para o ar, desfazendo o que ele estava a fazer.

-O que estás a fazer? Enlouqueceste? – gritou ele, tentando parar-me, mas eu era rápida e ágil e conseguia fugir das sua mãos que me tentavam prender. – Para com isso!

-Eu não vou para uma cidade minúscula que nem sequer tem centro comercial e onde eu não conheço ninguém – balbuciei, atirando com a roupa toda para fora da mala. – Não vou, não vou e não vou!

-Joanne! – exclamou o meu pai e eu percebi que ele estava a perder a paciência comigo, mas eu era teimosa e se até me quisessem chamar isso, mimada, e eu não ia sair da Califórnia, do meu lar, dos meus amigos e das boas festas, para uma cidade onde eu só conhecia a minha prima e a minha tia. Nunca.

Fui empurrada para trás e ele começou a colocar toda a roupa que eu tinha tirado para dentro da mala.

-Não! – exclamei e fui até lá para desfazer aquilo tudo, mas ele pegou-me num braço e atirou-me para fora do quarto.

-É isso ou colégio interno! – gritou ele.

-Prefiro morrer! – gritei no mesmo tom.

Ashley abriu a porta dela devagarinho e espreitou para mim e para o nosso pai com medo.

-É isso que queres? Tens mesmo a certeza? – perguntou ele e percebi que aquela era a fraqueza dele.

-Tenho a certeza que hoje está um dia lindo para ir fazer surf e uma onda me engolir – sugeri e sabia que era verdade. O mar estava picado, era impossível fazer surf para quem só andava a aprender á três meses.

-Joanne Forbes…

O meu telemóvel tocou e eu desci as escadas a correr.

-Oi Kyle – disse manhosa. Kyle era o meu namorado, ou melhor, o meu acompanhante quando eu estava sozinha.

-Oi amor. Queres dar uma volta e ver no que vai dar? – perguntou ele. – Estou mesmo á porta da tua casa.

-Parece excelente! – exclamei e não me despedi dele porque sabia que o meu pai estava a ouvir.

Abri a porta de casa e ele desceu as escadas a correr, percebendo que eu estava a fugir dele e da sua fúria súbita.

-Joanne Forbes! – gritou ele da porta de casa e começou a correr na minha direção.

-Esse nome já está gasto! – gritei de volta e abri o portão. Kyle abriu a porta do carro a sorrir de nervosismo. Fui puxada para trás e levada para casa como um saco e batatas. – Não! Larga-me!

-Vais para Mystic Falls e acabou. Isto já passou dos limites, Joanne.

Revirei os olhos. Ele sabia que odiava que me chamassem por Joanne, Jo bastava, mas não, ele insistia com o Joanne. Sempre foi assim e sempre o será. Kyle ao ver que eu não conseguiria escapar tão cedo sorriu amarelo e arrancou o carro. Na verdade, quem é que o culpa? Kyle tinha tantos problemas ou mais do que eu. Quem me dera ter um carro como ele, ao menos podia sair sempre que podia.

Entrámos em casa e ele sentou-me no sofá da sala. A nossa criada desceu as escadas com as minhas malas e com lágrimas nos olhos.

-E a mãe? – perguntei-lhe. – Ela não concorda com isto de certeza.

-Já não cabe à tua mãe decidir o que é melhor para ti. E um aviso Joanne: se te portares mal em Mystic Falls vais para um colégio interno onde aí não terás forma alguma de escapar ao que te mandam.

Olhei emburrada para ele. Eu já não era uma criança, eu sabia o que fazia!

-Agora, vamos – mandou ele e obrigou-me a levantar.

-Não! – voltei a gritar e tentei desembaraçar-me do seu braço que me pegava no antebraço com força. – Eu não quero ir!

-Não tens escolha. Enquanto eu for vivo, tu vais obedecer ao que eu digo!

Descemos para a garagem e a empregada colocou as minhas coisas no porta bagagens do carro dele.

-Eu não quero ir! – exclamei.

Ele meteu-me no carro e depois ligou-o, furioso. Guiou com uma rapidez que de certeza que no dia seguinte iria ter multas por excesso de velocidade. Parámos no LAX (aeroporto de Los Angeles) e saímos. Ele pegou num carrinho que transportava as malas de viagem e fomos fazer o check-in. Ele sabia como eu era, ele sabia muito bem que eu não ia fazer uma birra naquele aeroporto para todos verem como eu realmente era. Quero dizer, não tenho vergonha nenhuma de ser rebelde, vestir-me mal e todos me olharem de lado na escola porque eu não vestia mini saias e fumava coisinhas que era melhor não contar. Mas também não gostava de chamar as atenções para mim e muito menos ser presa por desacatos em espaços públicos como já tinha sido. É claro que tinha sido por isso mesmo que ele me ia meter em Mystic Falls, onde ninguém me conhecia e onde espaços públicos era o que não havia porque simplesmente não havia shopping! Como é que eu iria viver sem um shopping?! Nem que fosse um pequeno, amostra dos verdadeiros, mas por favor, lá não existe nada disso! Família de militares era assim: um desacato não foi por mal, dois é algum problema pessoal e terceiro não é questionável a razão, simplesmente tem que se ir para um colégio interno porque nos metemos nas más companhias. Más companhias tinha eu, mas também não incitava os outros a meterem-se!

Fizemos o check-in para mim e só depois de eu passar pelo controlo de metais é que ele me deixou em paz. Ele sabia muito bem que se eu não embarcasse, ficaria sem roupa e isso era algo que eu não tolerava, por isso, fiquei à espera do avião que iria demorar quatro horas a chegar ao aeroporto mais perto de Mystic Falls. Que seca!

Notas finais
Oi! Espero que tenham gostado da Jo! Elijah não apareceu, mas ele está em Mystic Falls e ela vai para lá!
Posto todos os domingos, e espero ter muitas leitoras!
Bjs