Love, Cameras And Action.
13 Capítulo 13 - Music and Feelings
Notas iniciais
Cameron’s POV
Eu não sabia o que se passava na cabeça de Suzzie, esse problema de nunca lidar com suas emoções me deixava possesso de raiva, por mais que tenha seus motivos, uma hora ou outra ela tem que aprender a lidar com tudo isso.
Depois que ela saiu do hospital sem dizer nada fui atrás dela, sem muita certeza de onde ela iria ou se estava em estado catatônico e apenas andava sem rumo pela cidade, eu particularmente apostava na segunda opção, mas seus passos apurados mostravam-se saber o caminho que Suzzie queria fazer.
Não sabia se a impedia ou se a deixava seguir, estava aflito com o que ela podia fazer a si mesma no estado em que se encontrava, mas sei que se a impedisse de algo quem levaria seria eu, então me mantive alguns passos distante dela, mas atento a qualquer coisa que pudesse ocorrer a ela, principalmente carros que passavam, já que ela parecia nem se importar com o trânsito, só andava.
Depois de alguns minutos de caminhada nos encontrávamos em uma espécie de porto, onde tinham vários containeres, geralmente as pessoas alugavam alguns para deposito, os apartamentos de L.A não são grandes, o de Suzzie principalmente, não me surpreendeu ela ter um container aqui, mas o que ela guardava neles aguçava minha curiosidade.
Ela se direcionou até seu container sem nem perceber minha presença ali, o que não sei se era bom ou ruim, logo que chegou no container desejado ela retirou as chaves do bolso e o abriu, pra minha surpresa nele se encontravam instrumentos musicais, um piano, um violoncelo, alguns violinos e violões, eu sabia que era um momento intimo seu estar ali, afinal ela não suportava nem falar sobre violinos, imagine estar em um ambiente que tenha um. Mas eu não conseguia ir embora, eu tinha medo dela fazer alguma bobagem, tinha medo dela se trancar dentro daquele container e morrer sem ar, várias coisas absurdas se passavam pela minha cabeça, mas essa foi descartada, porque assim que entrou ela deixou uma das portas abertas para ventilação.
Encontrei um ângulo no qual pudesse ver o que acontecia dentro do container, sem que Suzzie me visse. Assim que entrou ela pegou o primeiro violino que viu na frente e começou a tocar, era uma melodia bonita, triste, mas bela, creio que é arranjada com piano, mas não conseguia me concentrar na melodia, ela era tão linda tocando, ela passava os sentimentos pra música, bem o que eu admirava e buscava fazer sempre, mas ela fazia com uma naturalidade, como se tivesse nascido tocando, como se o violino fosse todos os seus sentimentos transformados em melodia, agora eu entendia o porquê ela não sabia lidar com seus sentimentos, eles eram todos expressos na música e não em palavras, me forcei para me concentrar na melodia que ela tocava, tentando buscar de onde era, se eu a conhecia, mas meu repertório musical não encontrava nada nem semelhante, seria composição sua?
Antes que eu me desse por mim eu estava dentro do container, me sentando ao piano e tentando acompanhar a melodia, por sorte reparei que as partituras que estavam posicionadas no suporte eram dessa melodia, então me pus a tocar junto, pensei que ela me expulsaria na hora, mas ela não se importou, continuou tocando, como se não houvesse nada além daquele container.
Depois que a melodia acabou ela se deixou cair no chão, chorando, me sentei ao seu lado e a abracei, mais uma vez ela chorou em meus braços, e isso despertava emoções que eu não sabia quais eram emoções diferentes de qualquer coisa que tenha sentido antes, não era como paixão que sentira por outras mulheres, tinha uma confidencialidade diferente, era tudo diferente, e me deixava sem palavras e pior ainda, me deixava sem ação, a mercê de suas reações, a mercê do que virá.
Suzzie’s POV.
Eu não sabia quais eram minhas emoções ao sair daquele hospital, eu mal sabia o que fazer, mas de uma coisa eu tinha certeza, só o meu container me daria a luz sobre o que fazer, sem dizer nada, sem olhar pra trás, desligando-me do mundo eu segui até lá.
Quando entrei foi automático, minhas mãos caíram em um de meus violinos, não sabia o que queria tocar, se ainda sabia como tocar, foram anos sem nem pegar em um violino, mas como estava compondo uma música no piano, decidi tocá-la no violino, não a mesma canção, mas um complemento dela, um acompanhamento, imaginando o piano apenas em minha cabeça.
Eu não me atrevia a tocar nada há anos, mas depois que Anne viera pra cá, minhas emoções se tornaram confusas, eu não sabia como lidar com elas de outra maneira então voltei ao piano, mas jamais pensei que voltaria para o violino, tantas lembranças ruins acompanham ele, mas assim como a minhas emoções se descomplicavam com ele. Após de algum tempo tocando escutei alguém entrar e se sentar ao piano, eu sabia quem era não precisava nem olhar, era Cameron.
Ele se sentou e logo se pôs a tocar como eu imaginava, a música tinha se tornado perfeita com o piano e violino, um instrumento complementando o outro, formando a mais bela sinfonia, mas eu não sabia se isso era a sinfonia ou meus sentimentos se permitindo aflorar.
Quando a música terminou desmoronei no chão, mais uma vez chorando aos braços de Cameron, isso estava se tornando normal, e eu não sabia o que significava, mas era tão reconfortante estar naqueles braços, era como se tivesse nascido pra ser abraçada por ele, e isso me apavorava, essa sensação de fragilidade, de vulnerabilidade, essa não era eu, não era o que eu desejava.
– Porque parou de tocar? Você é talentosa. – Exclamou Cameron depois de um tempo, pro meu desprazer, ele tocara no assunto, o que não era surpresa.
– Não vamos tocar nesse assunto, por favor – Pedi, sem forças para brigar
– Como queira, mas eu acho que você foge das coisas, principalmente dos seus sentimentos.
– A Cameron, qual é? – Disse me desvencilhando de seus braços e me levantando – Vai ficar pegando no meu pé mesmo?
– Sim Suzzie, pegarei no seu pé sim. Fugir não vai fazer as coisas desaparecerem, muito menos melhorarem – Falou com aqueles olhos profundos nos meus, me fazendo tremer.
– Eu não funciono assim Cameron, entenda de uma vez por todas – Falei começando a me irritar – Eu não sei lidar com meus sentimentos, então os deixo pra lá – Disse por fim, sentando na banqueta do piano.
– Isso eu já entendi há eras atrás, Suzannah, mas você expressa seus sentimentos com sua escrita, com a música – Disse me encarando
– Escrita? E você lá sabe como é minha escrita Cameron? – Perguntei rindo
– É eu suponho que tenha seus sentimentos em seus roteiros, não? – Disse engolindo seco
– Supõe? Você supõe? – Pergunto desconfiada
– Eu li um de seus roteiros – Confessou por fim
– Um de meus roteiros, mas eu não te dei nenhum roteiro pra ler – Falei logo me lembrando da noite em que ele dormira em meu apartamento – Você não fez isso – Falei brava
– Eu achei que você estivesse filmando ele, não sabia que era pessoal – Falou choramingando
– Mesmo se eu tivesse filmando, isso não te dá o direito de ler as minhas coisas, quem você pensa que é? – Urrei de raiva
– Ninguém Suzzie, eu sou ninguém, você já deixou isso bem claro – Disse rumando em direção a porta.
– Cam, espere – Chamei – Me desculpe, por tudo.
– Tudo o que? – Perguntou erguendo uma sobrancelha
– Tudo, da forma que te trato desde que nos conhecemos, e-eu... Eu não sou educada, nem carismática, sou o completo inverso de você.
– Deve ser por isso então – Disse
– Por isso o que? – Perguntei intrigada
Cameron’s POV
– Tudo, da forma que te trato desde que nos conhecemos, e-eu... Eu não sou educada, nem carismática, sou o completo inverso de você. – Disse ela me olhando, seus olhos castanhos estavam vermelhos da noite mal dormida e do choro, mas mesmo com olheiras e com o rosto inchado ela continuava linda, isso não era normal.
– Deve ser por isso então – Falei sem pensar, as palavras apenas saíram da minha boca, mas eu sabia o que significavam, deve ser por isso que estou completamente louco por você, essa seria a frase completa, mas não sei se minha boca a pronunciaria, na verdade duvido muito que fosse capaz.
– Por isso o que? – Perguntou ela me olhando, eu sabia que não seria capaz de falar, e nesse momento meus músculos travaram, me deixando com cara de bobo, parado ali a encarando. – Cam? – Chamou trazendo-me a mim, lentamente, como minhas pernas me permitiam caminhei em sua direção, respirando toda vez como se essa fosse a minha última respiração, tentativa falha de me acalmar, quando estávamos um na frente do outro eu parei, ainda a olhando, seus lábios tremiam de nervosismo, será que ela se sentia da mesma forma que eu? Será que isso não era uma loucura minha?
Antes que eu pensasse demais e me arrependesse ou desistisse eu a beijei, por sorte fui retribuído, aliviando assim minha tensão, um beijo sem pressa, mas com urgência, como se estivéssemos esperando por isso há anos, senti seus dedos se enroscando nos cabelos da minha nuca, apertei sua cintura com leveza a puxando pra mais perto de mim que fosse possível, e novamente ela não demonstrou resistência ou relutância, continuou a me beijar cada vez mais intensamente, levantei suas pernas até minha cintura e a sentei sobre o piano, senti suas pernas se cruzarem em volta de mim, me deixando preso a ela, não reclamei, muito menos achei ruim.
Não sei se o sol da manhã estava deixando esse container mais quente ou se era só o calor que estava rolando entre a gente, mas como se lesse minha mente Suzzie tirou o paletó do meu terno, o deixando cair no chão, então suas mãos desceram acariciando minhas costas, senti um arrepio percorrer todo meu corpo, nesse momento, um barulho do lado de fora assustou ambos, interrompendo o beijo bruscamente.
Ela descruzou as pernas e coçou a garganta, como se pedisse pra eu me afastar, assim o fiz, a deixando descer do piano.
– Deve ser por isso então – Falei de novo
– Por isso o que Camerom? – Perguntou com uma leve irritação, que me fez sorrir.
– Deve ser por isso que você não sai da minha cabeça – Falei pegando meu paletó e me direcionando a saída do container.
– Aonde você vai? – Perguntou pasma
– Comer alguma coisa, estou faminto – Disse me encostando na porta fechada do container – Quer me acompanhar? – Perguntei sorrindo pra ela.
Seu jeito constrangido e atrapalhado me fez sentir vontade de rir, mas me contive, não era um bom momento. Era como se eu pudesse sentir o cheiro da fumaça de seu cérebro tentando processar o que acabara de acontecer, se ela devia ou não me acompanhar, mas assim como eu ela desistiu de pensar, guardou o violino no lugar certo e me empurrou pra fora do container, saindo e trancando ele em seguida.
– Pra onde vamos? – Perguntou corando
– Eu tenho um lugar em mente – Disse oferecendo o braço a ela, que aceitou relutante.
Notas finais
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