Love By Time 2
8 Último Dia
— E se, de repente, ele estiver por aí? Nunca se sabe. – Caleb disse em tom de assombro.
— Totalmente impossível, Cay. – Riu Alex.
Era noite e ambos estavam naquela praia que Koa indicou. Era, na verdade, um pedacinho do praia envolto de rochedos e uma floresta um pouco mais densa que não era tão longe do hotel. Visto que o próprio hotel era um tanto mais pro mar do que pra dentro da ilha. Eles haviam acendido uma pequena fogueira, isso após perguntar no hotel se podiam fazer aquilo e ter a permissão concedida mas que era pra evitar que fosse floresta adentro.
— Dizem que toda lenda tem uma verdade por trás. – Caleb disse, ele estava deitado na areia, de barriga pra baixo, segurando uma vareta com uma salsicha na ponta que assava no fogo estalante, estava sem camisa e usava um bermudão verde escuro.
Alex estava sentado num pequeno tronco que achou perto da entrada da floresta e também assava uma salsicha, este vestia uma regata e a camisa aberta de botões de Caleb além de shorts cor bege.
— Amor, o Stitch não existe. – Alex ria e falou mais alto, levou a salsicha até a boca e deu uma mordidinha na ponta. Caleb teimava que, de repente, o alienígena Stitch do filme Lilo & Stitch pularia pra fora da floresta para lhes arremessar um fusca.
Caleb fez bico, era claro que era uma brincadeira, olhou para cima, para o céu estrelado.
— Monstros marítimos que viram humanos ao sair do mar? – Arriscou Caleb, que trouxe a própria salsicha para perto do rosto, cheirou e deu uma mordida, queria ainda mais passada.
— Agora citando Luca. – Alex respondeu e Caleb assentiu. – Que se passa na Itália.
— Tinha um moça que parecia a Moana. Mas claro, Motunui foi baseada por essas ilhas,né?
Sim, os dois adoram filmes da Disney e suas canções que incluia dueto quando a música pedia. Caleb cantava bem e Alex se impressionava com aquilo, pediria qualquer dia para cantar alguma música de Jeon só pra ver como ficaria em sua voz. Alex, por outro lado, era uma tragédia vocal, o físico de sereia começava e terminava no lado de fora.
Caleb comeu sua salsicha quente e rolou, ficou de barriga pra cima, a nuca pousada em ambas as mãos cujos braços dobrados para isso.
— Mas é muito legal como a gente tá num lugar onde esses filmes foram inspirados, não é? – Caleb riu – Dá até vontade de assistir.
De repente Alex sentou-se rapidamente sobre Caleb, com um sorrisinho brincalhão.
— Ei ei, o que é isso? – Caleb perguntou rindo e suas mãos pousaram nas coxas de Alex.
— Eu... – Alex pousou as mãos no peito forte de Caleb e foi deslizando para baixo, aos poucos o toque macio da pele convertendo-se para o friccionar das unhas dele que Caleb se arrepiou por completo. — ... Quero mais.. ah...salsicha.
Caleb engoliu em seco e seu sorriso ficou torto de forma que estava até dizendo que ele não sabia o que fazer. Claro, tinha visto sua cota de vídeos de pornografia mas acreditava que essas coisas nunca aconteceriam com ele. Mas deslizou suas mãos para as nádegas dele onde apertou e Alex pareceu gemer e rebolou enquanto sentado sobre as partes de baixo de Caleb e rebolou, deslizou para baixo um pouco, colocou as mãos na borda da bermuda de Caleb e aos poucos foi deslizando para baixo, aos poucos dando visão aos pelos pubianos do mesmo.
— Sabe o que eu quero fazer com ele? – Alex disse, em voz baixa e sensual.
— O... o quê? – Gaguejou Caleb quando viu Alex deslizar sua mão direita para dentro de sua bermuda.
— Cay? – Alex parou do nada e olhou para ele.
— Que? – Caleb perguntou.
— Tá bem?
Caleb acordou em sua cama do hotel, já era de manhã, estava coberto até a cintura e sua regata estava suada. Alex estava de pijama ao seu lado, debruçado por cima dele, parecendo preocupado.
— Acho que aqueles frutos do mar não lhe caíram bem. Está se sentindo mal ainda? – Alex perguntou e verificou como estava sua temperatura ao colocar a costa de sua mão na testa dele.
— Hm... Ah, velho... – Grunhiu quando viu que aquilo foi apenas um sonho. Inclusive, seu “amigo” estava lá de barraca armada pronta para o maior dos acampamentos, ainda bem que Alex não percebera. – Eu to... to bem.... – Falou com os olhos semicerrados.
Haviam ido em outro restaurante da ilha, que tinha um aspecto mais suspeito. Eis que o aspecto suspeito realmente se provou quando Caleb teve probleminha de azia e até diarréia por quase a noite inteira quando voltaram ao hotel. Por sorte, Alex trouxe remédios adequados prevendo que algo assim poderia acontecer.
— Mesmo? – Alex pousou a mão direita no abdômem de Caleb e acariciou de leve. – Barriguinha ta boa? – Sorriu e Caleb não pode hesitar mas sorrir de volta mesmo enxergando Alex todo fora de foco por ter recém acordado. – Então tá, vai tomar um banho e vamos tomar café lá embaixo. Vamos deixar a camareira trocar os lençóis, você suou bastante.
— Hmmm... – Caleb resmungou e ficou naquela posição mais um pouco antes de levantar-se, pegar uma toalha rapidamente para cobrir seu volume e depois se enfiar o banheiro, Alex tinha ido lá fora novamente para admirar a vista. – Eu vou ficar de pau duro todos os dias agora, é? – Caleb reclamou quando se fechou no banheiro.
Alex esticou seu braço direito para cima e abriu a mão, ficou observando a linda aliança de compromisso que lhe havia presenteado já havia alguns dias e em breve teriam de voltar para Seattle carregando aquela fofa novidade além de contar suas experiências no Havaí onde haviam feito um pouco de tudo até mergulho para conferir a bela vida aquática animal onde viram muitas tartarugas, belos corais e muito mais. Caleb cutucava Alex dizendo que não estava afim de virar jantar de tubarão se aparecesse um pra fazer a mais nova sequência do filme clássico Tubarão de 1975 e ainda citou o infame 4º filme de 1987.
Ouviu o toque de notificação de seu smartphone e voltou para dentro, sentou-se sobre a cama e coletou seu dispositivo de cima da peça ao lado .
NISHI: E aí, garoto. Já tá queimadinho de sol?
ALEX: Estamos e é uma experiência dolorosa, mas valeu a pena kkkk
NISHI: Queremos ver esses dois bem bronzeados, ein?
ALEX: Se a gente não descascar, vai ver kkk. Está tudo bem por aí?
NISHI: Tá tudo bem, Doug saiu para fazer entregas. Ô homem gostoso esse.
ALEX: safadakkkkkk
NISHI: Com certeza. E aí como tão as coisas?
ALEX: Cay passou mal com alguma comidinha ontem e teve uma noite difícil mas ta melhor, foi pro banheiro tomar um banho. Me diz... Apareceu alguém na Angel com uma cicatriz na sobrancelha direita?
NISHI: Não que eu me recorde. Pq?
ALEX: É o cara que me deu o contato dele pra me tornar modelo.
NISHI: Ah tá. Modelo é uma vida dura mas tem uns que pagam bem, mas eu não sairia da Coffee pra ir passar fome.
ALEX: Sim. Alguma novidade daí?
NISHI: A professora do Caleb, a Jennifer, veio aqui e desse que iria enchê-lo com lição de casa pra compensar as pequenas férias. Mulher bonita, cara de professora firme mesmo. Trocamos listas de livros... interessantes.
ALEX: Meu Deus.
Caleb saiu do banheiro bem na hora, com uma toalha branca amarrada da cintura e arrumando os cabelos para trás.
— A professora Doherty foi até a Angel pra dizer que vai te passar um monte de lição de casa pra compensar nossa viagem. – Alex riu.
Caleb fez uma careta e deu uma pequena contorcida.
— Agh! – Gemeu. – Tudo bem, valeu a pena. – E se jogou na cama, bem embaixo do ventilador ligado e soltou um suspiro.
— Tá melhor? – Alex perguntou virando-se para ele e deitando-se ao lado, de barriga para baixo e se apoiando nos cotovelos, colocou a mão direita sobre a barriga dele e ele teve um pequeno espasmo que o fez levantar a cabeça.
— Eu to melhor mas se continuar a fazer isso, eu vou ficar durasso aí embaixo. – Ele disse com muita sinceridade e Alex corou, riu e tirou a mão dali. – E de novo e de novo e de novo.
— Sei que é complicado, amor. Mas é que... Sabe... Precisa ter mais idade. – Alex disse suave. – E também... Eu... Ainda sinto que eu não to pronto.
Caleb resmungou e suspirou, deitou a cabeça e olhou para Alex, sorriu.
— Não é que precisemos fazer essas coisas também, né? Se for pra acontecer, lá pra frente, então é isso. Eu não te pedi pra ser meu só pra poder fazer essas coisas. – Deslizou a mão direita por cima da de Alex que se apoiava na cama com os cotovelos ainda.
Alex sorriu.
— Obrigado por entender. – Alex engatinhou para cima de Caleb e lhe deu um selinho calmo nos lábios. – Ah que cheiroso de banho.
— Eu tava fedido antes, é? – Brincou Caleb.
— Bom, você suou né. – Alex falou e apertou os lábios mas também brincava.
— Vamos voltar na praia do Koa? – Convidou Caleb e Alex assentiu.
— Vamos aproveitar bem nosso último dia aqui.
Não demorou muito a chegarem na pequena praia indicana por Koa, passaram a maior parte do dia lá, sem nenhuma alma viva aparecer, voltaram a assar carnes simples e marshmellows na fogueira enquanto, aos poucos, os céus tornaram-se escuros e faiscantes estrelas brilhavam no teto azul escuro. Ficou um tanto frio, Caleb aproximou-se de Alex e cobriram-se os dois sob uma coberta alaranjada que foi o suficiente para se sentirem aquecidos, sobretudo com a troca de calor corporal, um do outro, além de ficarem ambos namorando ali, falando em voz baixa e tanto que as ondas se chocando quase parecia se sobressair ao som de suas falas e risadinhas. Caleb abraçou a Alex por trás enquanto ambos sentavam e eis que se lembrou do sonho erótico que tivera e tentou ao máximo não ficar com outra ereção por mais complicado que estivesse e por mais gostoso que aquele sonho fora.
— Não é? – Perguntou Alex, Caleb saiu do torpor de pensamentos que estava e ele olhou surpreso para Alex que levantou uma sobrancelha. – Ouviu o que eu disse?
— Ah... Não... Perdão, eu me distraí. – Caleb disse lentamente e Alex lhe deu uma suave mordida na bochecha e riu.
— Já tá preocupado com as mil lições da professora Doherty? Não se preocupa com isso. Eu acho que, em parte, ela tava brincando... – Alex disse e depois murmurou baixo — ... eu acho.
— Ah não, nem é isso. O que foi que disse? – Caleb deitou o queixo no ombro de Alex.
— Eu disse se... Imagina se o Stitch de repente aperece daquela clareira de árvores pra acertar a gente com um fusca. – Alex riu, de forma que parecia uma criança até.
Caleb fez bico e semicerrou os olhos.
— É impossível, o Stitch não existe e... Pera, tá invertido. – Caleb falou pensativo.
— Invertido? – De repente Alex melou os lábios de Caleb com marshmellow derretido e lambeu de forma que o outro riu.
Alex fez mênção de correr como se fosse fugir mas Caleb o agarrou bem na hora assim fazendo a ambos terminarem em queda na areia. Caleb por cima de Alex, que lhe agarrou as mãos e beijou-o amorosamente e Alex retribuiu ao beijo, mas agarrou-o e rolou, de forma cada vez mais próxima da água e, aos poucos, foram se sujando com a areia lamacenta até parte da água atingir a nuca de cada um e Alex terminar por baixo, rindo. Seus longos cabelos que volitavam na água baixa, agarrou a Caleb e o puxou de forma a beijá-lo mais mesmo enquanto sujos de areia e lama, silenciosamente com o som das águas.
— Você consegue sobreviver, por enquanto, com beijos? – Alex perguntou baixinho.
— Só se forem os seus. – Caleb respondeu e olhou para o de baixo afetuosamente.
Assim foi a última noite do casal improvável sob os céus daquele paraíso.
— Vamos indo? – Nishi falou quando Doug ajudou-a a reestocar alguns dos itens que haviam saído aquele dia, como grãos de café moídos e misturas próprias da Angel e após terem feito uma limpeza geral. Doug mexeu a cabeça positivamente enquanto sorria para ela.
Eles se arrumaram, apagaram as luzes, trocaram um sutil selinho no escuro e uma breve apalpada numa das nádegas do grandalhão que o fez dar um pulinho e rir com sua voz grossa e Nishi sussurrou algo em sua orelha direita, após ficar na ponta dos pés para quase conseguir uma altura decente para trocar aque fala, que o deixou todo animado e os dois saíram juntos da Angel após trancar tudo cuidadosamente e acionar o alarme, para depois ambos subirem na moto de Doug e sumirem ao horizonte escuro.
Um barulho estático, um som de vidro quebrado seguido de outro e, no chão do meio da Coffee Shop, emergia em flamas um inferno.
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