Love At First Sight
4 Capítulo 4: Primeira "Viagem"
Notas iniciais
–--SEGUNDO ARCO: TRANSFORMAÇÃO---
Relatos de Alexandre #3
Depois daquele pesadelo não consegui mais dormir. Sentei-me na cama e perguntei a Creation's Key:
–Você... viu o meu sonho?
–Sim...
Silêncio por dez segundos.
–O que achou? — perguntei
–Achei que deves tomar cuidado com aqueles assassinos.
–Quer dizer que...!?
–Exato. Eles são reais e querem te matar. E eu que incentivei sua alma a ver aquela cena. Entretanto, como não estás acostumado, parece que não conseguistes enxergar totalmente o ocorrido. Por não conseguistes identificá-los e para proteger-se, deves treinar a fim de me utilizar de forma correta. Chamarei Natan imediatamente.
–Peraí, agora mesmo?
–Claro que sim! Depois voltarei-te para este mesmo momento, nesta mesmo segundo. Agora vá.
–Tsc! Tá bom, vamos.
Então fui envolvido pelo poder brilhante da Creation's Key e então simplesmente surgi em um lugar totalmente diferente do meu quarto... Eu estava em um lugar totalmente branco que não parecia ter limites. A Creation's Key surgiu com um brilho intenso na minha frente. Logo após o surgimento da chave, Natan aparece vestindo roupas negras, dizendo:
–Está pronto para dominar totalmente a Creation's Key?
Hesitei por um momento. Aproveitando minha hesitação, descreverei ele. Natan tem aparentemente, catorze anos; altura de 1,74 m; peso de 66 kg; cabelos cor de mel, um misto de louro com preto; e olhos verde-escuros. Aparentemente não possui um hobbie. Voltando a história, pensei que, se eu aceitasse, provavelmente voltaria... diferente. Porém eu não podia recuar. Afinal se eu recuasse não poderia ajudar a Makyou.
–Mas é claro! — finalmente respondi
–Você hesitou. — observou Natan — Mas tudo bem...
–Ugh! — engoli em seco, abismado pela sua percepção.
–Então... — ele continuou — o primeiro passo é entender que, a partir do momento em que encontrou essa chave, não é mais um ser ser existente. Você não existe mais. Ou melhor, nunca existiu.
Fiquei atônito. Eu nunca existi estando bem na frente dele. Isso é possível?
–Como assim?! — exclamei confuso.
–Ora, essa chave agora é você, e você é ela. Vocês são um só. E ela não existe pois é uma constante muito volátil na criação. Algo tão impreciso que não pode ser contado como elemento do universo. Mais insignificante que um íon abandonado, e mais importante que Deus. Até porque ela permite que o usuário viaje no tempo-espaço, o que proporciona essa crise existencial.
Fiquei mais confuso, mas decidi não comentar sobre isso por alguns segundos. Tentei engolir a explicação. Não estava muito entusiasmado para fazer isso, mas precisava.
–Não entendi muito bem, mas... vamos logo com isso.
Natan riu fracamente, depois continuou:
–O próximo passo é... — ele desapareceu de minha vista, apavorando-me — ESTAR PREPARADO PARA MORRER!! — e reapareceu atrás de mim, ficando uma espada em minhas costas.
Senti uma dor mortal por dois segundos. O tempo parou junto com a dor, e depois retrocedeu, retornando ao momento final em que Natan estava na minha frente.
–O próximo passo é...
Antes de ele desaparecer, usei meus poderes da Creation's Key, surgindo atrás dele e completei apressadamente:
–Estar preparado para morrer!
–Impressionante! — comentou Natan — Você aprendeu o "Retrocesso Instantâneo" rapidamente!
Fiquei meio assustado pelo treino ter começado pela minha morte, mas decidi continuar. "Os próximos passos não devem ser tão estranhos...", pensei.
–E qual é o próximo passo? — perguntei após alguns segundos de silêncio.
–Conseguir abrir o Túnel das Eras. — respondeu Natan imediatamente.
–Túnel das Eras?– repeti sem entender
Ele pigarreou e depois respondeu:
–Sim. Uma espécie de buraco de minhoca que interliga todo o espaço-tempo e todas as dez dimensões. Tem a forma de uma espiral. É a parte interna da Espiral da Criação. Para cumprir o próximo passo, você tem que viajar por ela e chegar à dimensão I. Lá deve impedir Sasuke Akaho, de cabelo preto, de matar seu amigo, Ryuuki Raiko, de cabelo louro.
–Peraí! – exclamei – Quem são esses mesmo? E aonde devo ir?
–Verdade, você precisa dos dados certinhos. – ele observou – Os nomes são Sasuke Akaho e Ryuuki Raiko. Eles são o reflexo de uma anomalia na linha do espaço-tempo. Devemos corrigi-la.
–Espera... Devemos aniquilar as dimensões?
–Se preciso, sim. Porém se você impedir a morte de Ryuuki Raiko, tudo se resolverá. A paz na dimensão duplicata será tanta que o processo de correção será natural.
–Entendo. Agora os dados específicos.
–Dimensão I, Universo 1.1, planeta Terra, ano 3003 d.C., dia 27 de setembro, Tóquio, Japão, às 11:52, em frente ao castelo supremo dos Hunters e a abertura para a Soul Society.
–Peraí! São muitos dados. Vai ser difícil!
Natan concordou com a cabeça. “Mas mesmo assim, eu adoro coletar dados e informações! Isso não será tão ruim!”, pensei. Após absorver todas as informações, imaginei um cenário em minha mente a partir daqueles dados e ordenei:
–Creation’s Key, abra o Túnel das Eras!
–Sim, senhor. – consentiu a Creation’s Key, abrindo um portal na nossa frente.
Eu e Natan entramos no portal e quando minha visão focalizou no ambiente estranho, surpreendi-me com o que visualizei. No Túnel havia milhares de buracos negros que não sugavam e portais disformes distribuídos nas paredes de um longo corredor à Grécia Antiga. Cada buraco e portal exibiam imagens rápidas, como se fossem filmes acelerados, de locais, pessoas e situações em que eles provavelmente transportam. Continuei pensando nos dados de minha missão, e então de repente surgi na frente de um portal. Mesmo sabendo que devia entrar nele e evitar a morte de Ryuuki Raiko, hesitei por um instante. O suficiente para meu fracasso.
–Cuidado! Atrás de você! – gritou Natan atrás de mim.
Quando me virei para ver o que era, foi tarde demais. Uma pessoa esticou a mão esquerda até o meu peito, e repentinamente surgiram selos nele. Não consegui ver quem era o sujeito, e então o mundo fechou a cortina para minha visão e consciência.
Relatos de Natan #1
Mesmo Alexandre ter surgido na frente do portal instantaneamente e me deixado para trás, demorou demais para entrar, e por causa disso uma mulher surgiu e quase o matou com uma adaga.
–Cuidado! Atrás de você! – gritei roucamente
Ele, como sempre, foi lerdo em reagir, o que me obrigou a usar meu Space’s Lock para surgir entre eles e tomar a adaga dela. A mulher não tentou se defender, pelo contrário, praticamente me deu a lâmina. Como fiquei sem reação, ela aproveitou e selou a Creation’s Key que estava no peito de Alexandre, e ele apagou. Enquanto estava caindo, ela o pegou e levou consigo. Tentei impedi-la de escapar, porém ela aparentemente utilizou a lendária Fairy Key para criar um portal no Túnel das Eras e desaparecer sem deixar rastros. Com a ausência de Alexandre, o Túnel rachou e se autodestruiu, e eu fui sugado por um buraco negro. Sorte que ele me levou para um local próximo ao quarto de Alexandre: o quarto de Mariana. Acabei caindo bem em cima dela... Ou melhor, minhas mãos e rosto caíram bem em cima de seus seios. Ela gemeu como se sentisse prazer por eu ter os apertado sem querer, mas logo abriu os olhos, encarou-me apavorada e gritou:
–AHHHHHH!!!
E em seguida empurrou-me violentamente da cama. Caí no chão gelado e ganhei um olho roxo. Após recompor os sentidos, subi na cama novamente e tentei informar:
–Calma, eu sou...
–TARADOOO!!! – gritou ela, erguendo um frasco de spray de pimenta na direção de meus olhos.
–Espera, eu... – tentei novamente, porém dessa vez levei um spray na cara.
Ardeu mais do que eu imaginava. Ah, se eu ainda tivesse a Time’s Key em minha posse...
–ARGH! – exclamei de dor, apalpando os olhos. As lágrimas ardidas escorriam pelo meu rosto rapidamente, porém tinham dificuldades de sair de meus olhos feridos.
Mariana saiu do colchão. Eu deitei nele, esfregando o rosto e agonizando. Ela pegou um molho de chaves para abrir a porta do quarto, porém Makyou a interrompeu, dizendo:
–O que tá fazendo, Mari?
–Maky? – exclamou Mariana – Como você acordou?
–Assim que você começou a gritar, ora! – respondeu Makyou, como se fosse óbvio. Se bem que ela tem razão – E por que fez isso com ele? – ela apontou para mim. Ainda não havia me recuperado.
–Ele apareceu do nada em cima de mim e apertou meus peitos! Você queria que eu reagisse como?! – questionou Mariana, praticamente berrando.
–Levantando da cama e acendendo a luz para analisar a situação. – respondeu Makyou, ou melhor, Benkyou. Estava assistindo ao Alexandre e Makyou/Benkyou no telhado, então descobri a diferença de olhares/personalidades. Depois de dizer isso, voltou a ser Makyou.
–Tsc! Que saco... – reclamou Mariana, acendendo a luz. – Ainda não sei quem é ele. Será que pode fazer o favor de dizer quem é?
–ARGH! – ainda reclamava da ardência nos olhos. Sentei-me na cama, ainda apalpando os nervos ópticos feridos. Tentei abri-los, mas não deu certo. Contudo a dor aliviou um pouco, então consegui responder: — Eu sou Natan, o viajante do tempo-espaço. Sou um amigo de Alexandre e...
–Mentira! – cortou Mariana.
–Calma, Mari! – Makyou a repreendeu – Ele diz a verdade.
–Como assim?
Makyou ruborizou um pouco. Após alguns segundos mentiu:
–Fui treinada na... Alemanha para... ouvir a... a... a frequência cardíaca das pessoas e afirmar se sua pulsação indica verdade ou mentira.
Por mais incrível que pareça, Mariana acreditou na mentira de Makyou, afirmando:
–Tá bom, então continue, Natan.
Ela e Makyou se sentaram na cama onde Makyou dormia.
–Sim, com certeza. – respondi, e dessa vez eu consegui abrir os olhos.
Ainda ardiam, mas dava para vê-las. Mariana estava em um pijama azul-claro composto por uma blusa de maga curta e um short pequeno, além de conter várias imagens de Arisato Minato, o personagem principal de Persona 3, segurando sua arma Evoker. Makyou usava um pijama branco, meio surrado, sem estampa, composto por uma blusa de magas curtas e uma calça. Ele caiu bem em Makyou, com exceção da região dos seios e do quadril... Como eu posso dizer? Ficou justo, tão justo, que me perdi olhando para os seios, principalmente... Aquele par maravilhoso, gigantesco... Como que Alexandre ainda não tirou proveito deles? Não, tem algo errado. Ele prefere que ela durma trancafiada com sua irmã ao invés de dormir com ela e aproveitar as maravilhas que Makyou poderia prom...
–Natan! – gritou Mariana – Para de olhar tão fixamente para os peitos da Maky!
–Ahh... É que... – tentei dizer, mas o que realmente surtiu efeito foi um suspiro. Então voltei à missão. – Bem, seu irmão, Alexandre, está em graves problemas. Hoje de manhã ele se fundiu a Creation’s Key, a chave da criação. Ela é capaz de fornecer ao portador o controle do tempo-espaço da forma que bem entender.
Distrai-me com os seios macios de Makyou e com a lembrança dos de Mariana também. Bem, os desta não são tão extravagantes, mas são bons o bastante! Cabem na palma da mão, perfeitos para...
–Continue! – pediu Mariana, claramente irritada.
–Desculpem-me. – pedi – Agora eu poderia dizer que ele é um usuário permanente, pois agora ele é a chave, e a chave é ele. O usuário anterior sou eu, e por isso meu dever é ensiná-lo a utilizar a chave de forma correta. Porém, durante o treinamento, ele se descuidou por um tempo e foi sequestrado por uma misteriosa mulher que surgiu do nada portando uma Fairy Key. Essa é outra chave, capaz de criar portais instantaneamente. Além disso, a desgraçada usou um selo no peito dele, onde está a Creation’s Key, inibindo seus poderes por um período de tempo, impedindo ele de voltar. Temos de resgatá-lo.
Mariana ficou olhando para meu rosto por alguns segundos. Talvez ela pense que sou um retardado ou apenas um mentiroso, mas Makyou não me desmentiu. Depois de me encarar, por um tempo, a irmã revoltada levanta-se da cama e grita:
–Vou conferir para ver se é verdade! – então pegou o molho de chaves, destrancou a porta e saiu do quarto.
Enquanto Mariana estava fora, Benkyou fitou-me por um tempo. Tentei olhar para seus olhos, mas os seios não deixavam...
–Pare de me encarar desse jeito, insolente!
–Desculpe-me! E-eu...!
Ela suspirou, fechando os olhos e colocando a mão na testa. Depois me encarou novamente com aqueles olhos dourados que me perfuravam a cada segundo, e após um curto silêncio, ela perguntou:
–Por que está se revelando a Mariana? Ela poderia muito bem ficar fora disso.
–Eu sei. Mas...
Se eu contasse a verdade, ela ficaria contra mim, então resolvi mentir:
–Ficaria mal se ela não soubesse de tudo.
–Mas ela correrá riscos. – lembrou Benkyou – Sabes muito bem disso.
–Sim, mas ela tem o direito de saber sobre seu irmão.
Ela não respondeu por vários minutos. Passos apressados se aproximavam do quarto. Benkyou suspirou pesarosamente e disse:
–Faça do jeito que quiser...
Ela voltou a ser Makyou quando Mariana entrou no quarto correndo. Estava bastante suada, provavelmente procurara por toda a casa várias vezes correndo. Ela me encarava como se eu tivesse matado Alexandre. Fechou a porta lentamente e a trancou, mas continuou olhando para mim como se eu fosse a pior pessoa de todas. Talvez estivesse de TPM pela primeira vez...
Mariana saiu de perto da porta e se aproximou de mim, e ainda em pé e me fuzilando com olhares soberbos, me perguntou:
–Mesmo que ele não esteja aqui, não posso acreditar na sua história louca.
–Acredite nele, eu não sou... – Makyou já iria dizer quando intervi.
–Ela não é quem parece ser! Ela é uma princesa!
–O quê?! – exclamou Mariana – Como assim? Não, tem alguma coisa errada... Vocês tão de sacanagem comigo.
–Não estamos. Quer ver uma prova de que eu disse a verdade sobre o Alexandre? Pois bem, aqui está! Space’s Lock, Art nº 006: Distorcion!
Declarei o comando utilizando os poderes do Space’s Lock para transformar um ursinho de pelúcia que estava na cama de Mariana em um notebook com Windows 8, processador Intel Core i7 Black Generation, RAM de 8 GB, placa de vídeo de 32 GB de RAM e HD de 5 TB.
–Meu ursinho...! – reclamou Mariana
–Agradeça! – pedi – Eu te dei um notebook novo de última geração!
–Não é isso! É que... como você fez...
–Com este objeto aqui. – mostrei o cadeado para ela. – Este é um objeto mágico que modifica o espaço. A chave que se fundiu com seu irmão é mais poderosa, pois pode controlar totalmente o tempo-espaço. Porém ele não sabe dominá-la, e deixou sua guarda baixa, sendo capturado por uma desconhecida. Bem, te informei tudo isso porque achei que não deveria ficar sabendo. Agora estou indo... Ah, sim, vim para pedir ajuda, não é? Makyou, você pode vir comigo?
–Sim! – respondeu Makyou animada – Faço tudo pelo Alex!
–Ótimo. – comemorei com um sussurro por Benkyou não ter ido contra.
Mariana parecia perplexa, sem entender nada. Levantei-me da cama, e então perguntei:
–Pode abrir a porta, por favor?
–Por quê? – ela perguntou claramente confusa.
–Porque eu não quero destruir a sua porta. – respondi rapidamente.
–Ah, sim...
Ela abriu. Olhou-me por um instante e então puxou a manga comprida de minha blusa. Eu estava prestes a ignorar esse gesto e ir, mas ela perguntou:
–Por que eu não posso ir? Quero... resgatar meu maninho...
“Ela ficou acanhada de repente?!”, estranhei em pensamento. Olhei para ela, e acabei gamando. Ela estava linda envergonhada!
–Ei! Para de me encarar assim! – ela tentou bancar a durona, mas seu rosto estava igual um tomate.
–Tá bom... – disfarcei. – Bem, é muito perigosa essa viagem. Não será fácil, então não. Você não deve ir.
–Não importo com o perigo! Eu vivo pelo meu irmão! – ela estava gritando.
–Cuidado! Você pode acordar seus pais... – avisei, diminuindo o tom de voz a cada palavra.
–Se você não me deixar ir, gritarei mais alto ainda!
–Okay... você venceu... – admiti, e então recomendei que viesse com roupas de frio. O mesmo para Makyou.
Saí do quarto e aguardei as duas trocarem de roupa. Os sons delas se trocando me excitavam, mas eu não podia me distrair, tinha que me focar na missão, depois na diversão...
Assim que elas saíram do quarto, partimos usando o carro de Pedro, o pai de Alexandre, e logo estávamos chegando. Makyou sentou no banco de trás, eu no motorista e Mariana no carona. No caminho, Mariana perguntou olhando atentamente:
–É certo roubarmos esse carro? Ele é do MEU PAI!! Além disso, você tem licença para dirigir?
–Temos que salvar Alexandre a qualquer custo, além disso, eu dirijo melhor que seu pai, então nem preciso fazer autoescola.
Ela ruborizou, desviando o olhar de mim. Quando chegamos à mansão de meu pai, parei no portão de grades. Uma secretária eletrônica que estava ao meu lado ordenou com uma voz metálica:
–Identifique-se.
–Natan Przévodowski Tebaldi. – respondi a máquina.
–Reconhecimento de voz concluído. Senhor Natan, entre em sua residência em até vinte segundos para medidas de segurança. Seja bem-vindo!
Dei partida e entramos logo que os portões abriram. Logo que passamos com o carro, os portões se fecharam automaticamente. Havia um caminho de asfalto de dois quilômetros por entre o jardim até chegar à mansão colossal. O jardim tinha bastantes flores, arbustos e pequenas árvores, aparadas e bem cuidadas. A grama verde vivo era rasa e cortada igualmente a cada mês. Um sistema de irrigação auxiliava os jardineiros a cuidar do jardim magnífico. A mansão em si possuía diversos quartos e cinco andares, contando o térreo, visíveis através das janelas frontais e laterais. Tem seis andares subterrâneos, e uma porta dupla gigantesca na entrada, que leva a uma sala de recepção igualmente grande. Mariana olhava de um lado para o outro, maravilhada com o que via.
–Que mansão incrível! Seus pais trabalham com o quê?
–Minha mãe... faleceu...
–Ah, desculpa. – pediu Mariana, meio sem jeito.
–Que isso, não há do que se desculpar! E meu pai... digamos que ele forja possessões...
–Como assim?
–Ele é, digamos, Marechal do Tempo-Espaço. Ele pode ter qualquer coisa material em suas mãos só de desejar tê-las. Mas com pessoas é mais complicado...
–Não entendi muito bem, mas não precisa dizer mais nada. Só me diga uma coisa: do que adianta a gente vir aqui às quatro da manhã se temos que resgatar Alex?
–Bem, digamos que meu pai vai me dar algo para nos ajudar.
Ela ficou emburrada, provavelmente porque não estava entendendo a situação muito bem, mas eu não podia explicar demais também. Tudo que tinha que seguir como meu plano...
Quando chegamos à entrada da mansão, estacionei o carro e saí com as garotas atrás de mim. Toquei a campainha, causando stress nos vizinhos, pois um alarme estrondoso explodiu nossos tímpanos. Não se podia esperar menos de um gênio geneticista e cientista louco chamado Mateus Tebaldi. Ele vivia mexendo com radiação, então ficava no subsolo. Razão para a campainha ser um alarme... Sua loucura genialidade é tanta que ele foi capaz de retirar poderes do Centro da Criação, ou Creation’s Center. Assim, ele mesmo fabricou as originais Time’s Key e Space’s Lock, que se fundiram e viraram Creation’s Key. Ah, sim. Era três e dez da manhã. Claro que o alarme iria ser mais alto...
Logo guardas armados surgiram de todos os cantos e sombras, obrigando-nos a erguer os braços. Um deles perguntou:
–Quem são vocês? Identifiquem-se! – reconheci como sendo o ignorante líder de patrulha, César.
–Eu já me identifiquei na entrada! – respondi – Mesmo assim, obedecerei. Sou Natan...
–Porra, cara. Como você não reconheceu o filho do chefe? – questionou outro guarda, que depois reconheci como Sérgio.
–Mas caralho, tá escuro! – reclamou César, finalmente percebendo quem eu era. – Nos perdoe. Deixem-nos passar! Abra-te, Sésamo!
Os guardas abriram passagem, e a grande porta dupla abriu lentamente ao comando clássico que só César e meu pai podiam realizar com sucesso, e então entramos. Passamos pela sala de recepção enorme e seguimos pelo corredor central, de aproximadamente 400m, no fim dele estava o Salão do Trono, um salão onde todas as imagens das câmeras são transmitidas por diversos monitores em volta de um trono de ouro, cujo é decorado por relógios de ponteiro de ouro e platina reluzente, diamantes e outras preciosidades. No trono, estava meu pai de olhos fechados e pensativo, parecendo aguardar nossa presença.
–Pai? – estranhei – O que está fazendo a essa hora da noite acordado?
–Pergunto o mesmo a vocês. – respondeu ele, abrindo os olhos lentamente. Seus olhos esmeraldas brilhavam no breu da mansão, e esse brilho foi refletido pelos materiais preciosos do trono, iluminado levemente o Salão.
Houve uma pequena pausa, e após ela a impaciência dele se mostrou visível.
–Como pode permitir que um Shadow obtivesse posse da Creation’s Key, Natan? E o que elas estão fazendo aqui?
Makyou e Mariana me encaravam com olhares de suspeita. Desviei o olhar delas e encarei meu pai, respondendo em seguida:
–Desculpe-me pela falha, Marechal do Tempo. O que aconteceu foi que assim que vim para esta dimensão à chave fugiu de mim por motivos desconhecidos. Ela afirma que isso é necessário, mas não informa como. Por isso não posso matá-lo. Ele foi sequestrado, e tenho que resgatá-lo, pois ele agora é o pilar. E elas são garotas que influenciam no comportamento do Shadow Alexandre, e por isso eu tenho que permanecer perto delas. Makyouvolowschi Makenshiec III – apontei para ela – será útil, pois suas habilidades extraterrestres me auxiliaram. Enquanto Mariana Paula Pereira de Souza será útil para o lado sentimental de seu irmão.
Ele me analisou por alguns segundos com um olhar furioso. Mariana parecia confusa, então chegou a perguntar:
–Como assim meu irmão é uma sombra? E Makyou é alienígena?!
Ignorei a pergunta e continuei:
–Pai, ou melhor, Marechal do Tempo, necessito de uma réplica da Time’s Key para resgatar o Shadow. Sem ela, o esta dimensão...
–Inaceitável! Pelo que percebi essa menina chamada Mariana só fez birra e acabou vindo. Quanto a lhe dar a chave, não! Suas falhas são incríveis! Você não quer ressuscitar sua mãe? – ele já bufava de fúria...
–Mas é claro! Por isso mesmo que preciso da chave! Prometo-lhe que desta vez não falharei! Dê-me uma chance!
Ele pensou por um momento longo. Mariana só não soltou outras perguntas porque Makyou segurava sua boca e cabeça com uma gravata, fazendo-a se contorcer para se libertar. Após alguns minutos de silêncio, a Lua iluminou o recinto e o rosto de meu pai por uma pequena janela no alto, e então ele respondeu:
–Está bem. Mas se falhar de novo...
–Não falharei. – prometi – Juro pela minha vida!
–Isso não é válido!
–Ah, é... Juro pela nova vida de minha mãe então!
–Certo... – ele estendeu a mão à luz da Lua e uma chave dourada surgiu flutuando sobre a palma. Ele a assoprou, e ela voou em minha direção. Peguei-a e guardei no bolso. – Tenha cuidado. E após o resgate, livre-se desta sombra.
–Sim.
Isso era ruim. É o método mais rápido, mas pelo que entendi não é o melhor. Eu não podia aniquilar...
–Livrar-se do quê? – perguntou Makyou, séria pela primeira vez na vida.
–Depois te explico. Temos que partir. – respondi, virando as costas para meu pai e correndo pelo corredor.
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