Love As Sick
9 Alice no País do Machado
Notas iniciais
Como eu odeio bebês! Como minha tia dizia: "Eles são apenas máquinas barulhentas de chorar, dormir e fazer cocô"! São insuportáveis! Não entendo em que universo eles podem ser "fofinhos", onde será que as pessoas estão com a cabeça para decidir ter filhos?! Coisisnhas irritantes! ...
– Leah! — Jéssica, a enfermeira chefe me chamou.
– Sim? — sorri amarelo como estava me acostumando a fazer.
– Tome! — ela me estendeu uma seringa e alguns frascos de remédios — Está na hora de aplicar os remédios da Alice!
Ela se virou e continuou andando enquanto eu me segurava para não estrangulá-la e acabar com meu estágio.
Alice era uma das pacientes mais temidas entre os enfermeiros, antes de ser sedada não havia problemas, mas depois ela começava a delirar e se tornava incontrolável...
– Alice? — chamei empurrando a porta lentamente.
– Pode entrar!
– Hora do remédio! — disse e ela parou de mexer no armário.
– Ótimo!
Ela simplesmente me deixou aplicar os remédios enquanto eu repetia um "Como foi fácil!" em pensamento.
– Vou trocar de roupa! Preciso tirar esse pijama logo!
Minha vontade era sair assim que ela fechou a porta, mas decidi seguir — ao menos uma vez — o protocolo e esperar os quinze minutos. Ela abriu a porta e eu me assustei ao vê-la com um vestido igual ao da Alice do filme da Disney...
– Continuo tentando encontrar a Dinna... — disse mexendo embaixo da cama — Ela sumiu há algum tempo...
– A-a... Dinna? — gaguejei.
– Isso! Minha gatinha! Você a viu?
– A-alice, olha... — eu já estava tremendo — Você está delirando e...
Ela subiu na cama.
– Você está me chamando de louca?! — esbravejou- Eu não sou louca!
Ela começou a pular na cama como uma criança birrenta enquanto repetia que não era louca e então, de repente, ela simplesmente parou e começou a me encarar com um sorriso cínico.
– Na verdade... Acho que você faz o estilo louco com a cabeça presa ao corpo... — disse descendo da cama — Talvez você a esquecesse em algum lugar se ela não estivesse presa... Vamos fazer o teste?
Ela ria feito uma maluca correndo atrás de mim assim que disparei porta a fora, eu achei que estava segura quando me escondi num canto e não estava mais escutando sua risada, fechei os olhos e agradeci mentalmente...
– Pensou que tinha se livrado de mim? — ouvi-a perguntar e abri os olhos já em pânico para me deparar com um machado em suas mãos — Vamos brincar de um novo jogo? — ela levantou o machado e gritou — "Cortem a cabeça!"
Consegui desviar do golpe por poucos centímetros e corri o mais rápido que pude em direção ao consultório de Carlisle enquanto ouvia a risada maníaca cada vez mais longe como em um filme de terror. Alec e Carlisle me olharam assutados e assim que recuperei o fôlego disse:
– Alice está descontrolada e quer cortar minha cabeça com um machado!

***
Anda do pelo corredor vazio com um machado nas mãos, era assim que eu estava. Era divertido! Igual ao caçador dos Looney Tunes procurando o Perna-Longa, mas ao menos eu falo direito...
– Não pode se esconder de mim pra sempre! — cantarolei ao encontrar a primeira porta aberta e a empurrei gritando — Ahá!
– Você demorou... — foi tudo que ele disse sentado em posição de meditação sob a cama.
Ele era bonito, cabelo claro, olhos azuis e um rosto que parecia de modelo; estava sem camisa, o que deixava os músculos à amostra e... Foco Alice!
– Sim, mas já estou de saída! — corte o assunto e me virei pra porta.
– Onde conseguiu o machado? — encarei meu "brinquedo novo".
– Sei onde Carlisle guarda o material pra incêndios... — dei mais um passo.
– Vestido legal! — sorri e me virei.
– Sério?
– É... Parece com aquele filme da Disney... Qual era o nome mesmo?
– Alice no país das maravilhas?
– Isso!
– Meu nome é Alice!
– É, combina... Serial Killer com roupa de bebê chorão!
– Eu não pareço um bebê chorão! — reclamei emburrada — Isso é bonitinho!
– Na verdade é... Você parece ter seis anos e o seu tamanho ajuda muito!
– O que?! — esbravejei, corri até ele e o empurrei pra fora da cama — Não se atreva a falar do meu tamanho,
– E você não se atreva a me empurrar! ... — ele pausou pra se arrumar e completou com voz de provocação — Nanica!
Isso foi suficiente pra que eu pulasse nele e lhe desse um soco antes dele me imobilizar usando a cama como apoio, me prendendo sob seu corpoe segurando meus pulsos...
– Me solta! — gritei enquanto me debatia.
– Você tem um soco forte... Além de ser bonitinha...
E então ele... Ele estava me beijando?! Isso é sério?! Que nojo!
– Se você quiser eu bem que podia ser seu principe encantado, e você seria minha princesa...
– O.K.! — disse.
– Sério? — ele me soltou e rapidamente fiquei de pé.
– Claro só tenho um aviso... — ele se aproximou e pôs a mão no meu rosto, eu gelei, FOCO!
– E o que seria? — sussurrou sedutor, ai minha santa Gossip Girl! Daí-me forças!
– É que eu pretendo danificar as joias reais — esbravejei e o acertei, nos "países baixos", com meu joelho — Por que você tinha que ser tão bonito? — disse segurando seu queixo e então lhe dei um soco.
Ele começou a gemer e eu decidi que meu jogo ficaria pra mais tarde, era melhor correr e não voltar tão cedo...

Fale com o autor