#Love
3 Cyndi Lauper
— Eu estava dormindo, criatura! Você não consegue respeitar meu sono e... ESPERA, MEU DEUS — depois de um delay o querido entendeu — VOCÊ PASSOU!!
— SIIM! Eu estou muito feliz. Na realidade... Eu passei só no teste do vídeo. Agora eu tenho uma entrevista no sábado, se eu passar nela eu entro na gravadora... Eu espero.
— Mas é lógico que você vai passar! Você só precisa confiar em si mesma. A garota que estava no quarto do hospital cantando e dançando uma música da Cyndi Lauper me inspira muita confiança... — Bruno começou a rir.
— Ai meu Deus... Você ainda lembra disso... Que vergonha, apague isso da sua memória.
— Jamais!
Na semana anterior...
Acordei e eu ainda estava naquele maldito hospital, porém, sem agulhas nas mãos. Olhei para o lado e o garoto bonito que tentou me matar não estava ali, ótimo!
Bom... Eu tenho que arrumar um jeito de sair daqui e... MEU DEUS! CADÊ MEU CELULAR?
Me sentei na cama, dei uma olhada ao redor e não vi ele. Abri as gavetas da cômoda que estava ao lado da cama e nada. Será que aquele tal de Bruno pegou meu celular? Se ele deixou no meio da rua... Ah, ai sim ele vai me dar motivos para apanhar e eu não vou recusar um soco no meio do rosto dele.
Ouvi um barulho vindo da porta, a maçaneta estava se mexendo, a porta abriu e eu já estava pensando que era aquele idiota do Bruno, estava pronta para confronta-lo em busca do meu celular.
— Oi, minha pequena! — era meu pai e ele estava segurando dois copos de café. Ele sabe como me agradar.
— Pai? Como você soube que eu estava aqui? — ele me deu um beijo na testa e me entregou um dos copos.
— Sua mãe me ligou toda revoltada falando para "eu fazer meu papel de pai". Eu faço bem meu papel de pai né filha?
Meu pai nunca foi ruim. Ele sempre me levava para passear, me dava sorvetes e me lia uma história para dormir se eu tivesse pesadelos. Tinhamos uma relação boa, ele sempre desabafava comigo quando algo incomodava ou quando estava muito feliz. Lembro como se fosse hoje mesmo o dia em que ele me pediu ajuda para comprar um presente para a minha mãe...
— Sim, você é um bom pai! — ele ficou aliviado ao ouvir isso — mas por que ultimamente você anda se afastando e voltando tarde para casa? Tem dias que eu nem te vejo chegar!
— Pois então filha... Ontem, quando recebemos a ligação do Bruno falando que você estava aqui... — interrompi ele.
— Como o Bruno sabia o número de vocês, e espera, ontem?
— Ele ligou do seu celular para nós, e sim, você estava aqui em observação desde ontem — achei com quem está a biscate que eu chamo de celular.
— Ah, okay. Agora, continue contando!
— Ele ligou para nós no momento em que eu estava pedindo a separação da sua mãe — sabia que era por isso que ele estava tão distante e a mãe estava tão triste — já estavamos pensando nessa alternativa, mas ontem se tornou oficial. Então ela pediu para mim "fazer meu papel de pai" e vir aqui, pois ela tinha que processar tudo que aconteceu.
— Ela não deve estar nada bem — eu estava muito preocupada com a minha mãe.
— Já estava tudo se encaminhando para isso... — ele se levantou, pegou os copos vazios de café e ia saindo do quarto. — Ah, antes que eu me esqueça de dizer, eu estou indo para casa arrumar minhas coisas e você já ganhou alta, você só teve alguns machucados, já pode pegar suas coisas e sair daqui, o Bruno se ofereceu para te levar em casa. Beijos, fica bem.
No momento que ele saiu do quarto não consegui esconder a felicidade. Odiei o fato do Bruno me levar, mas eu ia sair dali!
Levantei da cama, troquei de roupa e comecei a arrumar minhas coisas, olhei para a poltrona que o Bruno estava sentado antes e ALI ESTAVA! Meu celular, minha biscate.
Peguei ele e coloquei a minha música favorita e que sempre defenderei, "Girls Just Want To Have Fun" da Cyndi Lauper e comecei a cantar (baixo, lógico, não estava louca de estourar os tímpanos dos outros pacientes do hospital) e a dançar também. Eu estava muito feliz.
Depois de uns minutos a música acabou e eu estava fazendo uma pose final que, modéstia a parte, eu fiquei divina, quando eu escuto o barulho de palmas. Me virei e vi o Bruno encostado na porta rindo e aplaudindo. Fiquei roxa de tanta vergonha.
— Você faz essas performances em aniversários infantis? — ele disse rindo — me fala que não, tenho medo de você assustar as crianças.
— Nossa! Que engraçado você — fui o mais irônica possível — E você finja que nunca viu isso!
— Nunca! — ele disse com um sorriso maléfico no rosto. Que raiva desse cara — está pronta? Prometi para o seu pai que ia te levar para casa.
— Só tenho que tirar essa roupa de hospital e colocar a roupa que eu estava quando você me atingiu com seu querido carro.
— Não! Seu pai deixou um vestido para você no banheiro. Não tinha como você ir com aquela roupa pra casa — milagre o meu pai lembrar desses detalhes, ele nunca lembra.
Entrei no banheiro e realmente tinha um vestido ali, porém ele não era meu. Era um vestido muito lindo, todo florido e com uns detalhes em renda preta na alça. Peguei o vestido e sai do banheiro.
— Isso não é meu!
— Só coloca ele, mas que dificuldade! — ele disse dando uma leve risada.
Voltei para o banheiro e vesti ele. O vestido coube perfeitamente em mim, milagre meu pai comprar roupas para mim, ele nunca faz isso. Sai do banheiro.
— Pronto. Podemos ir?
O Bruno olhou para mim e ficou de boca aberta por uns segundos.
— Pessoa que tentou me matar? Planeta Terra chamando Bruno! Oi? — ele levou um susto e parece que voltou a realidade.
— Ah, olá! Vamos! — ele saiu do quarto. Eu peguei minhas coisas e acompanhei ele.
Chegamos no estacionamento e ele destrancou o carro para a gente entrar. Era uma Lamborghini roxa.
— Uau... — fiquei impressionada com aquele carro
— O que foi? — ele perguntou sorrindo
— Você é rico né? Só pode. Não tem como você ter um carro desses se não for rico.
— Eu não sou rico, meu pai que é. Eu não vejo ele a 5 anos — o sorriso sumiu e ele assumiu um semblante triste — Porém, para suprir a falta de amor, ele me manda presentes.
— Sinto muito...
— Bom, pelo menos ele me da algo, né? — ele deu um sorriso forçado — Ah, ta vendo o vidro dianteiro quebrado ai na sua frente? Sua bunda bateu ai.
— Ah, bom saber que minha bunda causou um estrago tão grande — ri da situação.
Ele deu a partida no carro e saímos.
— Você sabe onde é minha casa? — eu perguntei
— Sei sim, seu pai me falou.
Estavamos chegando perto da minha rua quando ele virou para o lado oposto.
— Ei! Minha rua é aquela! — eu disse dando um tapa no braço dele.
— Eu sei disso. Seu pai disse pra mim te levar para casa, mas não disse que não podiamos tomar um café antes.
— Você é um idiota, sabia?
Paramos na frente de uma cafeteria chamada "Diamante Negro". Uma das minhas favoritas na cidade. Entramos lá, eu pedi um capuccino e ele pediu um expresso. Nos sentamos em uma das mesas da frente e ficou um silêncio um tanto quanto constrangedor de início.
— Me conta um pouco de você, quero saber um pouco da menina louca que eu atropelei — ele disse quebrando o gelo.
— Eu ainda vou te bater por isso — ele riu do que eu disse
— Duvido! — ele disse mantendo um sorriso no rosto.
— Jamais duvide de mim!
— Tá, tá. Agora me fala sobre você.
— Bom... Meu nome é Ramona Park Fernandes, sou metade Coreana, tenho oficialmente pais separados, um irmão mais velho, algumas amigas e dois olhos pretos. Mais alguma coisa? — ele riu da minha objetividade.
— Você trabalha?
— Fiz um vídeo teste para uma gravadora de música.
— Então a Cyndi Lauper aqui é cantora! — engraçadinho ele.
— Sou sim! Mas só tenho os mosquinhos do banheiro como fã — ele riu
— Agora tem mais um fã, ele é humano e lindo — ele sorriu pra mim.
— Meu pai? Ah claro, ele é meu fã sim — ele me deu um tapa no ombro.
— Ai, doeu! — coloquei a mão no ombro fingindo dor.
— Ai meu Deus! Me desculpa, eu sou um monstro... — interrompi ele e comecei a rir.
— Eu to brincando sua anta azul.
— E você nem me agradeceu pelo vestido e me chama de anta, e para variar você ainda fica linda com ele — eu não acredito que ele comprou isso.
— Eu vou tirar ele, tenho que te devolver, não posso aceitar, deve ter sido caro! — fui me levantando para ir ao banheiro.
— Não! Ele é um presente para você e ficou lindo em... — nessa hora uma garçonete que estava levando um café para a mesa ao lado bateu em mim manchando a parte da frente do vestido.
— Me desculpa, moça! Eu te ajudo a limpar — ela disse desesperada.
— Não se preocupe! Eu vou no banheiro e tento tirar a mancha. Nem se stressa!
Fui ao banheiro e tentei tirar a mancha, mas sem sucesso voltei para a mesa. Quando cheguei mais perto eu vi... O Lucas estava sentado no meu lugar conversando com o Bruno. Não acredito que aquele imbecil é amigo do Bruno, eu tava começando a gostar dele até,mas agora sabendo que ele é amigo do cara que despedaçou meu coração... Eu não quero nunca mais ver ele.
Comecei a chorar e nem sei ao certo porquê. Sai correndo em direção a minha casa, não era longe dali. Só ouvi a voz do Bruno ao fundo.
— RAMONAA!
Nos dias atuais...
— Eu vou ir aí e vou levar champanhe para a gente comemorar! — o Bruno disse entusiasmado
— AI MEU DEUS! EU AMO CHAMPANHE!!
— Estou indo aí então com a minha Lamborghini com a marca da sua bunda.
— Vem logo então! — desliguei o telefone e olhei para a Duda que estava sorrindo para mim.
— Quando que você vai parar de ser tapada e ver que esse cara ta gostando de você?
— Ele não tá gostando de mim! Pelo menos não no sentido que você está dizendo.
— Só você que não vê!
— VERDADE — gritou minha mãe da cozinha.
Será...?
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