Loucuras do Amor
3 Não ao Jimmy
Notas iniciais
O dia seguinte estava ainda mais frio. Coloquei o casaco mais quente que tinha e fui caminhando até a escola. Sophia e Gabriela estavam conversando na entrada, o que eu achei um pouco estranho, mas fiquei feliz com a novidade.
– Já são amigas? – perguntei, dando um beijo no rosto de cada uma.
Elas apenas sorriram enquanto entravamos na recepção. Conversamos e descobri que Gabriela estava na mesma série que nós, só que não na mesma sala. Fui até o armário e peguei os livros daquele dia. Combinamos de se encontrarmos no intervalo e fomos para nossa sala.
As três primeiras aulas passaram rápido, e logo estávamos sentados nas mesas do refeitório.
– Então, onde você morava em Nova York? – perguntei para Gabriela.
– Manhattam – ela respondeu.
– E por que veio pro Canadá? – Sophia continuou.
– Meus avós maternos moram aqui. Minha mãe queria ficar mais perto deles.
– Gabriela. Não é um nome muito comum nos Estados Unidos – comentei.
– Ah, é o que sempre me dizem – ela sorriu. – Meu pai é brasileiro. Eu morei lá até os dois anos, em São Paulo. E, bem, o “Gabriela” veio de lá.
– Legal – disse.
Jimmy aproximou-se da mesa e sentou, olhando para Gabriela e depois para mim, com um sorriso patético no rosto. Estreitei os olhos para ele.
– Então, não vão me apresentar a moça bonita? – ele perguntou.
– Gabriela, Jimmy. Jimmy, Gabriela – Sophia disse, enquanto os dois diziam “oi” para o outro.
– Uma brasileira? – ele perguntou.
– Exato – Gabriela respondeu, arqueando as sobrancelhas.
– O que faz no Canadá?
Ela olhou para nós, como se quisesse dizer “Vou ter que explicar tudo novamente?”. E começou a contar a sua história. Jimmy sorria em cada palavra dela. Aquele cara tinha mesmo uma namorada?
Faltava pouco para o intervalo acabar quando Jimmy disse para Gabriela:
– Se vemos em alguma lanchonete no final da aula?
– Hoje não vai dar – ela respondeu, aparentemente mentindo.
– Sério? Que pena! Amanhã talvez? – ele insistiu.
– Há quanto tempo eu te conheço mesmo?
Quase me engasguei com a comida. Jimmy ficou vermelho.
– E-eu só queria ser seu amigo – gaguejou.
– Bom saber. Quando eu tiver livre eu te aviso, ok?
Jimmy olhou para nós e saiu para o corredor. A cena foi um tanto divertida, mas consegui sentir pena dele.
– Mandou bem, Sra. Ignore! – exclamei.
– Ele sempre é assim? – Gabriela perguntou.
– Às vezes – Sophia respondeu. – Com esse fora ele aprende a ser fiel a sua namorada. Ou pelo menos um pouco...
O sinal soou. Combinamos de se encontrar no portão ao fim da aula e voltamos para a sala. Jimmy estava quieto no canto, com sua namorada sentada ao seu lado. Pensei em fazer alguma piada, mas sabia que era melhor deixa-lo quieto e não desafiar a sua paciência.
Fale com o autor