Loucuras do Amor
2 Capítulo: Desabrochando a amizade.
Notas iniciais
Tudo começa a ficar estranho, o mundo vira de ponta cabeça...
Você conhece seus amigos? Claro, talvez fosse a resposta de vários, mas... E se o que aconteceu, acontece e vai acontecer com seu "querido" amigo fosse absolutamente inacreditável? Você acreditaria nele?
Escola logo cedo, tem algo pior? Pelo menos no dia Misaki não teria que ir para a escola. Doente? Não, era um feriado. Não sabia nem que feriado era, nem se importava com isso, sabia que estava entediado de ficar o dia inteiro deitado em sua cama, esparramado dobre ela. Resolveu mandar uma mensagem para as meninas: "Hey, garotas! Se vocês também não tiverem mais o que fazer, vamos dar uma passada na casa Mio?" Assim foi respondido. Nana e Keiko haviam aceitado o convite e marcaram de passar na casa de Misaki para buscá-lo as 11:00 da manhã.
Chegaram pontualmente, exatamente na hora marcada pelo garoto, mas Misaki não estava pronto. Pediu para elas entrarem e se sentarem, entregou o controle da TV na mão de Keiko e subiu as escadas correndo.
Tentava ficar o mais apresentável o possível, queria que Mio tivesse uma otima pimeira impressão e que se interessace pelo rapaz, mas suas roupas e seu cabelo rebelde não ajudavam. Então teve uma ideia. Pegou escondido do irmão um terno e gravata, que comprara para usar no casamento de sua tia, mas uma semana antes da cerimônia o casal teve uma briga feia e desmancharam tudo. Misaki ainda não havia comprado o seu então foi um alívio não ter que gastar dinheiro com uma roupa que nunca usaria, que ficaria dentro do armário mofando, até ficar pequeno. Enfim, se vestiu, passou gel nos cabelos penteando-o para trás e desceu, com receio de estar muito exagerado e pela primeira reação de Nana e Keiko. Desceu de vagar para não assustar muito, mas quando viram-no daquele jeito olharam uma para a outra tentando segurar o riso e desabrocharam na gargalhada. Viu que fizera uma grande besteira e bufou, se virando e correndo novamente ao seu quarto. Colocou suas roupas normais e bagunçou o cabelo. Desceu de cabeça baixa, pegou suas chaves e foi saindo, escondendo seu rosto de tanta vergonha que passava.
Apressaram a chegar e já estavam na frente da casa de Mio, tocaram a campainha... — Ding dong — Quase caíram no chão quando viram a garota vestida de empregada. Misaki pensou consigo mesmo: "Que bom foi eu ter desistido da ideia do terno, não tinha nada a ver e ainda deixaria a menina com vergonha, comigo estando todo arrumado, e ela de empregada!". Ela também ficou surpresa com a visita e tratou de mandá-los entrar, porém com certo receio de Misaki ir junto. Ia ter que se explicar, mas faltavam palavras, até que apareceu um garoto de traz do sofá, cara meio emburrada e autoritária, parecia ser mais novo que Mio:
– Ela perdeu a aposta que fez comigo, esse é o castigo: ser minha empregada por uma semana, — Deu um sorrisinho maléfico de canto, — mas como ela tem visitas, deixarei ela livre por um tempo.
A garota suspirou de alívio e tirou o avental, confirmando o que o pirralho havia dito. Estava tudo bem até que deixou cair sua peruca, mostrando seus cabelos lindos e enormes. Ao perceber se assustou e não soube o que fazer com os amigos que estavam a olhando como se não entendessem nada, sentiu muita vergonha e corou um pouco:
– É... agora já sabem a verdade.
– Mas por que esconder seus cabelos? Eles são PERFEITOS! — Disse Nana.
– Não tenho como explicar, o que importa é que não é mas segredo pra vocês. Então prometam-me guardar segredo! — Disse com um tom desesperado.
Todos balançaram a cabeça de cima para baixo e assim se aliviou, sorrindo.
Reparando novamente na presença de Misaki, que olhava-a com admirado com sua beleza, o encarou com um olhar de: "O que você esta fazendo aqui?", mas desfaçou olhando para Nana e Keiko com um sorriso enorme em seu rosto. Enfim, olhou para o lado, onde tinha um gato branco. O pegou no colo confortavelmente e chamou as visitas para seu quarto, onde haviam alguns puffs para sentarem-se, e ela se sentou na cama com o gato em seu colo, de forma que dava vontade de apertá-lo de tão fofo.
– Aquele era Masami, irmão mais novo que eu. O mais velho deveria estar cuidando de todos, não sei como o pestinha escapou...
Estranharam na frase o termo "de todos," porque até agora só haviam à visto na casa e o garoto do sofá. De repente, no mesmo momento, misteriosamente alguém bate na porta. A menina deixa o gato em cima da cama e corre para abrir. Deixou eles entrarem, duas crianças entre uns 7 á 9 anos, que de tão parecidos pareciam gêmeos e tinham um tipo de colar que parecia uma coleira. Traziam varias bandejinhas com pedaços de bolo de chocolate, que saíram distribuindo entre as garotas e Misaki. Mio se sentou e pegou novamente o gato no colo. Todos comeram, inclusive os pequenos, conversando com as visitas e se conhecendo, eram realmente fofos. Lembrando-se, Mio apresentou-os:
– Esse é meu forte cavalheiro Yukio e minha princesa Yuko, os gêmeos de 8 anos. — Falava enquanto fazia carícias nos dois. — Foram adotados um pouco antes de nossos pais morrerem. — Todos ficaram apreensivos, os garotos quase choram com as palavras da irmã. Então, percebendo as caras de choro dos pequenos, tentou aliviar o clima: levantou-se da cama, deixando o gato em cima de uma cômoda e chamando-os parra ir ao jardim da casa.
As crianças foram embora, despedindo-se e deixando Mio somente com as visitas. Depois de alguns segundos, desceram em seguida. Nana e Keiko começaram a andar mais na frente, distraídas com a conversar, até que dali aparecera do nada, mas ninguém sabia de onde... Mio virou-se e viu que andava ao lado de Misuki, que tentava ficar o mais próximo da menina possível. Começou a estremecer e tentou andar na frente junto das meninas (que haviam parado) para se afastar dele, mas antes que as alcançasse voltavam correndo gritando para todos os vizinhos escutarem:
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! UM TIGRE!!!
Mio continuo andando desconfiada e Misaki a seguindo. Era realmente um tigre branco! A garota botou a mão na cabeça com uma cara de "Puts":
– Meu Deus! Ok, devo explicações mas é bem complicado... Por onde eu começo? Eu vou direto ao ponto mas não estranhem ... — Respirou fundo, pensou... — Meu gato se transforma em outros animais... — Teve muito medo da reação dos amigos.
Ficaram aliviados, afinal de contas coisas estranhas assim as vezes acontecia... Não, espera ai! Coisas estranhas assim não acontecem nunca, pelo menos não esse tipo de coisa. Keiko demonstrou medo e queria sair dali, ou se não era uma mentira da garota sem pé nem cabeça, mas Nana segurou-a ali para escutar o que a menina tinha a dizer. Sentaram-se na grama e ela teve que explicar:
– Bem, digamos que eu vim de um "país" um pouco distante daqui, onde é normal ter bichinhos assim, mais aqui eles não existem. Agora não é o melhor momento mas qualquer dia eu explico melhor... Mas guardem segredo, por favor! Digamos que é um "segredo do país" para... — Não sabia o que dizer, não podia dizer tudo de uma vez para não ser um choque para eles... Ela teria que mentir... — Aaaaaaaaan.... digamos, para evitar a caça desse animal...
Claro que ela deu uma enrolada nos seus amigos, afinal ela escondia muita coisa mas agora não estava muito disposta para contar...
– Como assim?! — A primeira vez em que Misaki abriu a boca para falar algo, deixando Mio trêmula — Não faz sentido nem um! Como po...
– MISAKI!!! Cale-se. — Disseram Nana e Keiko ao mesmo tempo com cara de furiosas.
O menino se sentiu um idiota, planejava conquista-la e tinha passado o tempo todo sem falar nada até que quando falou... claro que saiu besteira. Era a pergunta errada, no momento errado e com a garota errada.
Passaram a tarde juntos sem tocar mais naquele assunto, Nana trouxe um filme mas não dava pra disfarçar a tensão daquele lugar e logo foram embora.
A garota se sentiu um pouco mais aliviada depois que eles saíram, sabia que uma hora teria que se explicar e realmente queria saber como eles não se espantaram a ponto de sair da casa por acha "aquilo" estranho. Muitos pensamentos tomaram a cabeça da garota mais não ficaria só nisso, resolveu mandar uma mensagem para Nana: "O que vocês virão aqui hoje... Você não acharam estranho?" Esperou algum tempo pela resposta e logo veio: "Nós confiamos em você e se tem algo que você não queria contar agora tudo bem, aceitamos sua decisão, nós somos seus amigos. Acredite, nós confiamos."
Uma lágrima escorreu de seus olhos, nunca havia se sentindo tão feliz em toda sua vida, ela agora sabia que tinha alguém para confiar mais... Porém era muito cedo para eles descobrirem tudo sobre ela, muito cedo.
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