Loucuras de Verão
20 Piquinique
Notas iniciais
Agora que eu finalmente havia aprendido a nadar entrar no mar era uma diversão. Corri pela areia enquanto Ryan me seguia. Era dia 25 de dezembro, ou seja, feriado. Então Ryan não estava trabalhando. Mesmo assim ele insistiu em passar o dia de folga na praia.
Entrei no mar espirando agua para todos os lados logo ele me alcançou e caímos dentro da água, começamos a rir incomodando outros banhistas que nos olhavam com cara feia.
— Vamos ver se você realmente aprendeu. Quero que nade até aquela pedra e volte. — Ele apontou para a pedra que estava no meio do oceano.
— Eu sou quase o Michel Phelps. — Avisei virando na direção apontada. Inspirei enchendo meu pulmão de ar e em seguida mergulhei.
Movimentei minhas mãos e minhas pernas rapidamente pela água. Se minha mãe me visse agora ela ficaria incrédula. Cheguei ao lado da pedra com vigor. Ryan sorriu orgulhoso do seu próprio trabalho. Nadei de volta para perto dele.
— Vai fazer o que hoje a noite? — Perguntou.
— Nada. Por quê? Está pensando em ser expulso de mais um restaurante? — Perguntei enquanto sorria.
— É por isso mesmo que eu pensei em algo diferente. Vamos se encontrar aqui na praia. Agora se você for expulsa da praia também vou ter que parar de andar com você. — Gargalhei alto.
— Não me subestime, você não sabe do que sou capaz. — Ameacei.
— Eu sei sim. — Ele rebateu espirando água em mim. Eu devolvi. Ele começou a tossir, pois a água caiu dentro da boca dele. O que me fez rir descontroladamente. — Isso foi uma tentativa de homicídio. Só porque agora não precisa mais de mim para salva-la.
— Acertou — Gritei. — Vamos comer alguma coisa — Chamei quando vi que as pessoas não conseguiam disfarçar suas caras feias para a gente.
Saímos da água e fomos até a parte dos quiosques que ficava junto do estacionamento. No mesmo lugar onde eu havia conhecido a adorável Carol.
— Duas aguas de côco. — Pediu ao garçon. Que trouxe o pedido logo em seguida.
— Eu quero uma porção de macaxeira frita. — Falei bebendo a água de côco que estava super doce. — Estou morrendo de fome — Expliquei quando Ryan me olhou assustado.
— Você vai comer fritura as nove da manhã? — Ele continuava de olhos arregalados.
— Como até as cinco. Me deixa — reclamei chateada.
— Não sou eu quem vou ter colesterol alto daqui a dois anos. — ele começou a rir da minha cara.
— Pois é, então não se mete — Respondi de forma grosseira.
— Então nós encontramos lá embaixo hoje a noite, certo? — Ele confirmou.
— Pode ser — Dei de ombros. Logo o garçom trouxe meu pedido e fiquei feliz. Ryan balançava a cabeça negativamente e sorria enquanto eu comia feliz. — Tem certeza que não quer? Está ótimo. — Provoquei.
— Não obrigado. — Falou gesticulando com as mãos.
— Tudo bem — dei de ombros.
— Eu já estou indo. — Ele terminou de tomar a água de côco e olhou o celular levantando da mesa. Se esticou em minha direção e beijou o topo da minha cabeça. — Eu vou deixar tudo pago. — Avisou indo até o caixa.
— Meu Deus — Exclamou Layla ao me ver. Ela estava comendo pizza com Trevor e Nina. — Vai ser hoje? — perguntou animada.
— Vai ser hoje o que? — ela estava fazendo muito alarde em vão. Eu estava usando um conjunto dela. Um cropped branco de renda e uma saia colada de mesmo modelo.
— Você vai fazer sexo com Ryan hoje, por isso está vestida assim. — Os três me olharam esperando uma resposta. Mas só da possibilidade disso acontecer me deixava apavorada.
— Você está ficando louca. Vamos só sair juntos, em local público — Enfatizei o local público.
— Isso não impedi nada — Respondeu a avó dela.
— Gente, parem — Pedi desconcertada — Quando isso acontecer eu peço dicas a você Layla, já que é bastante experiente — Trevor franziu o cenho.
— Como assim? — Perguntou ele.
— Você não sabe? — Levei a mão a boca.
— Não sei de que? — Ele olhou para Layla esperando uma resposta.
— Kimberly — Rosnou.
— Ryan está me esperando. Tenho que ir. — Andei em direção a porta e sai correndo. Desejando que as coisas ficassem bem entre eles.
Andei alguns passos até encontrar Ryan parado no meio da praia observando o mar. Estava escuro então não consegui reconhece-lo facilmente. Caminhamos em silêncio ouvindo apenas o barulho das ondas. Eu estava um pouco apreensiva. Tudo era muito novo para mim.
Quando chegamos no local que ficava do outro lado paredão de pedras. Haviam algumas velas iluminando o lugar. Elas faziam um caminho até a toalha de cor vermelha estendida no chão.
— Você é o rei do piquenique — Brinquei.
— Você não imagina. Eu sou formado na escola dos piqueniques — Fiz uma careta.
— Nossa, isso foi horrível. — Confessei e logo em seguida começamos a ri em conjunto. — E a comida? Estou com fome — Reclamei sentando-me na toalha. Fiquei observando ao redor enquanto ele mexia em sua caixa térmica.
Tirou de lá algumas vasilhas e colocou em cima da toalha junto com um refrigerante.
— Pensei em vinho, mas não posso embebedar uma de menor. — Ele fez uma expressão que parecia estar me chamando de criança.
— Eu tenho quase dezoito — Retruquei com ênfase no quase. Faltavam poucos meses.
— Nossa que adulta — Fechei a cara diante de sua ironia. — Eu estou brincando — Se explicou.
— Você diz isso como se fosse o ancião do rolê. Quantos anos você tem? — Franzi a testa e cruzei os braços esperando uma resposta.
— dezenove. Mas me sinto como uma pessoa de quarenta. — Ele alongou ós braços antes de sentar ao meu lado. — Chega dessa conversa de idade. Você não vai beber porque você e álcool não combinam. Não quero ter que resgata-la uma hora dessa. — Eu não falei nada. Fingi interesse na comida.
— Ok, senhor salva vidas. — Respondi olhando para meu prato.
— Gostou da comida? — Ele apontou para o prato enquanto bebia o refrigerante.
—Aham — Respondi mastigando.
— E então? Você já sabe o que vai fazer quando for embora? Digo, que caminho irá seguir? — Ele perguntou casualmente.
— Não é hora para falar sobre isso. Não quero pensar em voltar, não quero pensar em ter que enfrentar minha mãe. Nesse tempo que eu estive aqui eu mudei muito. Sinto que sou independente agora. Não preciso mais que me digam o que devo fazer. Eu sei o que devo fazer. — Respondi entusiasmando. — Eu devo fazer o que é melhor para mim.
— Com certeza, não deixe seus pais escolherem por você, no futuro será você quem irá lidar com essas escolhas sozinha. — Sorri com o seu apoio.
— Obrigada — Agradeci. Ele deu de ombros e sorriu de volta.
— Eu sou muito feliz fazendo o que eu gosto. Gosto do mar, gosto de mostrar minha cidade para os turistas. — Começamos a rir juntos.
— Você é uma inspiração. A melhor coisa que aconteceu nessas férias. Não — Gritei levantando a mão para o alto. — A melhor coisa que aconteceu na minha vida. — Confessei.
Ele me beijou e ficamos assim por um tempo. Deitamos lentamente sob a toalha e ele começou a passar a mão na minha coxa. Isso desencadeou uma sensação estranha. Algo que eu nunca havia sentido. Era bom e assustador ao mesmo tempo. Me afastei rapidamente.
— Algo de errado? — Perguntou ele desconcertado.
— Nada — sentei arrumando a saia. Eu estava ofegante. — Eu nunca nem cheguei perto de alguém do sexo oposto antes. Minha única amiga é a Layla. Minha mãe não deixaria eu me aproximar de um garoto. Você foi o primeiro que eu beijei. — expliquei.
— Eu lembro — Ele arqueou as sobrancelhas e meneou a cabeça lembrando da caótica cena no iate.
— Eu gosto de você, e eu to sentido algo que nunca pude sentir. Quando estávamos nos beijando foi incrível, mas ao mesmo tempo eu não sei. — Ele ouvia atentamente.
— Está tudo bem, eu entendo. Não precisa se preocupar, eu não sou um psicopata. — Brincou quebrando a tensão que eu estava sentido.
— Obrigada por existir — segurei sua mão.
Voltamos a nos aproximar, e eu o beijei novamente, afinal não sabia qual seria a próxima vez que isso iria acontecer na minha vida. Que era totalmente sem graça.
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