Loucuras de Verão
11 Carol
Notas iniciais
Estava na praia ouvindo minha playlist de verão quando uma sombra entrou no meu caminho bloqueando os raios de sol. Me virei e era Layla. Ela estava com o rosto levemente avermelhado do sol.
— Levanta — Pediu. — Eu acho que já está na hora de você conhecer o Trevor. — Ela falou enquanto eu ficava de pé.
— Onde ele está? — Procurei ansiosa.
— Vem. — Ela segurou minha mão e conduziu-me para debaixo de um guarda-sol. Onde um cara bronzeado e musculoso se encontrava sentado em uma cadeira de plástico. — Esse é o Trevor. — Ela sentou em seu colo. O garoto tirou os óculos escuros para me cumprimentar. Seus olhos eram esverdeados.
— E aí? Você é Kimberly? — Ele apertou minha mão. Eu concordei — Lay disse que você estava louca para mim conhecer. — Ele sorriu.
— Disse? — Respondi sem graça querendo matar Layla.
— Chega mais Ryan. — Ele gritou quando o garoto passou por nós.
— E aí? — Se cumprimentaram batendo as mãos. — Surfando muito? — Quis saber o garoto.
— Claro, estou treinando para o campeonato.
— Já foi anunciado que ia ter esse ano? — Layla entrou na conversa.
— Em breve eles irão falar sobre isso. A prefeitura só está resolvendo uns detalhes. — Ryan respondeu. — Você tá aí? — Ele bagunçou o meu cabelo ao notar que estava sentada no pé da cadeira de Trevor.
— Oi. — Tirei sua mão do meu cabelo. Ele sorriu.
— Vocês sabem onde está Débora? A amiguinha dela chega hoje. — Layla falava com os meninos que estavam totalmente alheios ao assunto.
— Que amiguinha? — Olhei em sua direção.
— Carol. — Ela falou quase rosnando. — Ninguém merece essa garota, ela se acha de mais. — Fechou a cara. Eu apenas voltei a olhar o mar. Não teria ninguém ali que tiraria a minha paz. Além de Ryan, claro.
Sorri com esse pensamento. E logo chamei a atenção do mesmo. Ele decidiu sentar ao meu lado.
— Você não devia está trabalhando?
— Eu só tenho trabalho quando você está na água, afinal. Quem vai te salvar se não eu? — Perguntou convencido.
— Tá se achando o Clark Kent em. — Empurrei ele para o lado.
— Quem me dera fosse assim. — Disse pensativo olhando para o mar.
— Vou comprar água de côco. Quem vai junto? — Layla perguntou levantando do colo de Trevor.
— Eu — Também me levantei rapidamente quase caindo no chão.
Tivemos que sair da praia e subir o enorme muro de pedra através de uma escada lateral. Lá em cima havia um estacionamento e vários restaurantes e quiosques. Eu nunca tinha estado ali até então. Chegamos em uma barraca e logo Layla pediu sua água de côco enquanto eu escolhi uma tigela de açaí.
— Laylinha — Gritou uma menina me dando o maior susto. Ela tinha cabelos pretos até o ombro, usava um chapéu de praia com um maio branco e short jeans. Nas mãos trazia uma enorme bolsa com uma tartaruga estampada.
— Ah não — ela sussurrou fazendo uma careta.
— Quanto tempo — Ela falava de forma exacerbada dando um abraço apertado na garota que arregalou os olhos.
— Oi, eu sou amiga da Layla. — Tentei ser simpática.
— Você não está vendo que eu quero sentar aqui? — Ela me fuzilou com o olhar. — Da pra sair daqui? — Ela me empurrou e eu tive que passar para o banco do lado. — Eu trouxe um presente para você. Não sei se você sabe mais acabei de voltar do meu intercâmbio em Nova York.
— Que interessante — Layla bebeu um pouco da água de côco.
— Quanto tempo você passou lá? — Ela simplesmente me ignorou.
— Cadê a Debora, estou louca pra vê-la. Quanta saudades senti daqui. Lá em Nova York estava nevando. — Layla apenas sorriu. — Bem, agora que eu cheguei o verão oficialmente começou. Vamos sair hoje a noite para algum bar. — Sugeriu ela.
— Somos de menor — Falei arregalando os olhos com a proposta indecente dela.
— Querida — ela me encarou sorrindo — Cala a boca — Falou de forma agressiva. Voltei a comer meu açaí. — E você Layla, se arruma. Cuida do seu cabelo, você sabe que o sol e a água do mar estragam ele. — Ela pegou no cabelo de Layla e eu percebi que ela não estava nada feliz com aquilo.
— Você não que comer nada?
— Não pelo amor de Deus, você sabe que eu não como nessa espelunca. — Como Layla podia ser amiga daquela garota? Ela era tão fútil. — Já que você falou, vou procurar um lugar de qualidade para comer e vou encontrar com a Débora, ela vai ficar tão feliz em saber que cheguei. — Ela sorriu. — Tchau Layla, amei te encontrar aqui. — Ela a abraçou novamente.
— Eu também. — Eu sabia que Layla estava mentindo dava pra ver claramente em sua expressão facial.
A garota nem me deu tchau e logo sumiu. Layla revirou os olhos assim que ela se foi.
— Quem era? — Apontei na direção em que a menina tinha desaparecido.
— Carol. Meu Deus, que garota escrota — soltou com raiva — Você viu o jeito de como ela coloca as pessoas para baixo? Quem ela pensa que é pra falar do meu cabelo? — Ela estava completamente irritada o que me deixava sem entender o motivo dela dá moral para a tal garota.
— Por que você é amiga dela? — Perguntei indignada.
— Eu não sou amiga dela Kimberly — Ela estalou os dedos na frente do meu rosto — Eu finjo que sou, porque ela é popular. Os tios dela mora aqui, tem Iate e moram em uma casona. — Explicou.
— Eu não vi nenhuma casona aqui na cidade. — Intensifiquei a palavra casona.
— É porque elas ficam isoladas da cidade, quem mora lá tem praticamente uma ilha particular, pois a ralé não frequenta aquela área. — Ela voltou a falar de Carol. — Ela da as melhores festas e pega os caras mais gato daqui. Por isso temos que ser amigas dela. — Ela respirou profundamente. Parecia cansada. — Você não pode falar nada pra ela Kimberly, principalmente sobre o cabelo dela. Ela ama aquela cabelo mais que a própria vida. Até parece que ninguém sabe que ela faz progressiva, por isso que não tem movimento. — Eu ri do que ela falou.
— Tudo bem, vou tentar ficar calada, mas ela é irritante. Principalmente aquela voz.
— O sonho dela é ser cantora — Layla levantou as sobrancelhas.
— Isso seria um sofrimento para os tímpanos alheios. — Nós duas gargalhamos.
— Temos que ir cedo para casa nos arrumar. Com certeza ela vai combina algo para hoje a noite. Precisamos está bonitas. — Ela falou a última frase com desdém.
Nós duas rimos mais um vez. Pelo jeito não ia ser nada fácil lidar com Carol.
Fale com o autor