Loucuras de Verão

9 O lugar certo


— Qual é o seu problema, Kimberly? — Perguntou Layla nervosa.

— Agora a culpa é minha? — Sentei na cama com raiva.

— Claro, você é uma irresponsável.

— Agora a irresponsável sou eu? Você é bem responsável né? — Ela não poderia por a culpa em mim. — Você nunca está comigo quando essas coisas acontecem Layla. — Rebati.

— Eu não sou sua mãe, você tem que ser madura e fazer as escolhas certas. É isso que da ter pais protetores, a pessoa cresce sem saber se virar. — Eu me irritei com o fato dela ficar atacando minha família.

— E você é perfeita né? — Joguei uma almofada nela. Que me atacou de volta.

Eu fui para cima dela e começamos a nos bater, Ela começou a fazer escanda-lo eu derrubei-a em cima da cama e sai revoltada. Ela não podia por a culpa em mim se ela estivesse comigo nada disso teria acontecido.

Peguei uma cadeira de praia e um livro que estava em cima da estante de madeira da sala e sair sem falar nada. A avó de Layla apenas me acompanhou com os olhos.

Era fim de tarde a maré estava bem baixa, coloquei a cadeira perto do mar e dei play na playlist do Spotify. Começou a tocar November rain — Guns and roses. Observei o livro, falava sobre como manter a vida sexual ativa dentro do casamento. Comecei a rir sozinha daquilo. Quando alguém me cutucou.

— Você não pode ficar aqui, é contra as regras da praia. — Falou o salva vidas de mais cedo. — Você já infringiu uma das regras hoje.

— Não enche o saco. — Falei folheando o livro. — Não se pode fazer nada nesse lugar. — Reclamei.

— Você está exatamente onde as pessoas andam, que causar um acidente? Você está vendo mais alguém sentado aqui? — Ele falava como se fosse o fim do mundo.

— Quanto drama — Levantei da cadeira sentindo meu estômago roncar de fome. — Você sabe onde tem um restaurante por aqui? — Perguntei olhando em volta é só encontrando casa.

— Sim, aqui perto deve ter alguma grama. — Ele apontou para em direção as residências.

— Você tá me chamando de vaca? — Gritei horrorizada.

— Se você se incomodou. — Ele deu de ombros.

Joguei o livro que devia ter unas quatrocentas folhas nele que caiu no chão com o impacto. Desatei a rir. Quando ele levantou me perseguindo corri pela praia gritando.

— Eu to falando sério, eu briguei com a Layla e não quero voltar para casa agora e estou morrendo de fome — Fiz uma careta e pus a mão na barriga.

— Bem, eu já te ajudei de mais, na verdade ainda não me esqueci o dia em que cheguei em casa todo molhado. — Ele falou isso e logo conectei tudo.

— Você era o cara que tentou me ajudar quando eu estava bêbada? — Perguntei chocada.

— Eu tenho os meus motivos para não gostar de você. — Respondeu ele convencido.

— Sabe, eu me sentir mal por ter feito aquilo, mas agora que eu sei que foi você estou de boas. — Respondi fazendo ele fechar a cara.

— Saiba que eu só te salvei hoje cedo porque é o meu trabalho. — Ele cruzou os braços.

— Então iria me deixar morrer? Você não conhece minha mãe, ela ia te processar.

— É mesmo? — Falou com indiferença. — Hey, é a sua primeira vez na cidade não é? — Seu tom de voz e sua postura mudaram.

— Por quê? É contra as regras vim aqui pela primeira vez? — Pergunte ironicamente.

— Amanhã vai ter um city tour pelo centro da cidade. — Ele me entregou um panfleto. — É promovido pela prefeitura, para estimular a cultura local.

— Você vai está lá? — Perguntei ainda lendo o papel.

— Sim.

— Então não vou. — Ele riu sem vontade. — Na verdade vou pensar se vale a pena olhar pra essa sua cara logo cedo. — Fiz uma expressão pensativa.

— Afinal, tem um ótimo restaurante de frutos do mar ali naquela rua. Tem um letreiro enorme. Você vai achar facilmente. — Ele apontou para o que mais parecia um beco.

— Obrigada, tenho um ótimo fim de tarde. — Respondi ele apenas concordou com a cabeça. E segui o caminho.

☀️

Saí do quarto aflita, que atitude mais infantil de Kimberly. Ela não tinha maturidade nem para argumentar, por isso me atacou daquele jeito. Deixei o quarto me deparando com minha avó sentada no sofá.

— Layla, vem aqui — aproximei-me dela. — Que gritaria foi essa de vocês aí? Você é lesbia? Por isso que não que mais nada com o bonitão? Saiba que se for não tem problema. — avisou ela de forma fofa.

— Primeiro vó, não é lesbia e sim lésbica. E eu não sou não. Kimberly é a minha melhor amiga, por enquanto. Do jeito que ta chata vai acabar perdendo o posto. — Expliquei — Sabe pra onde ela foi?

— Está na praia. — Respondeu ela mexendo no vestido. — Seu tio que fazer um churrasco aqui hoje, então não demorem. — Anúncio antes deu sair.

— Hey, você. — Avistei o salva vidas quando desci as escadas da varanda que dava para praia.

— Acabei de encontrar sua amiga. — Ele estava impaciente. — Ela está no restaurante Zé do camarão. — Avisou ele cortando a conversa.

— Obrigada. — Continuei a andar pela areia.

— Amanhã vai ter um city tour e queria saber se você.

— Não, não, não. — Gritei jogando o panfleto que ele queria me da no chão. — Não estou interessada nessas suas porcarias. — Falei de forma agressiva enquanto ele pegava o papel do chão. — Tenha um bom dia. — Sorri e continuei a andar.

— Que garota louca — Rosnou ele atrás de mim. Eu apenas dei dedo.

☀️

Eu estava olhando o cardápio do restaurante que o garoto me recomendou. A decoração era bem praiana, os móveis eram de madeira escura havia uns peixes decorativos nas paredes e outras coisas que remetiam ao fundo do mar. Era um local agradável. Vi que alguém sentou na minha frente levantei os olhos e vi Layla. Voltei a olhar o cardápio ignorando-a.

— Deixa de ser criança Kimberly. — Não respondi. — Kim, Kimzinha — Chamou docemente.

— O que você tá fazendo aqui? — Tentei parecer chateada. — Eu to com fome — reclamei.

— Eu também, pede um rango aí pra nós, mas você vai pagar. Eu deixei meu dinheiro em casa. — Ela sorriu.

Fiz o pedido quando o garçom se aproximou.

— Como você me encontrou aqui? — Bebi um pouco do refrigerante que havia no meu copo.

— Eu encontrei com o seu salva vidas. — Ela deu uma risadinha. — Vocês bem que se combinam.

— Claro. Ele só fala de regras. Você infringiu as regras. — Tentei imita-lo. — Ele é muito chato.

— Super chato. — Falou ela num tom alto. — Hiper chato — gritou jogando as mãos para o ar. Todas as pessoas do restaurante nós olhava. Começamos a rir dos olhares repreensíveis.

Nosso pedido chegou e comemos desesperadamente. Pedi um camarão empanado com coco. Nunca comi algo tão bom.

— É Trevor, o nome dele. — Ela falou do nada. — O cara com quem eu estou quando deixo você sozinha.

— Meu Deus, eu estou sendo trocada por um cara. — Dramatizei.

— Nem vem, já basta minha avó com esse papo de lésbica. Se você for avisa logo, se estiver apaixonada por mim saiba que eu gosto de rola. — Olhei para ver se alguém mais tava ouvindo. Todos pareciam alheios a nossa conversa.

— Eu também — falei por impulso. — Eu não sei ainda, mas acredito que sim. — Me recompus.

— Não pode dizer se ainda não provou. — Ela espetou uma batata frita com o garfo.

— Eu sei do que gosto. — Rebati. — Eu espero que esse Trevor seja bonito. Não aceito ser trocada por qualquer um.

— Por que você acha que minha avó o chama de bonitão? — Ela arqueou a sobrancelha. — mas ele está com umas paradas estranhas querendo casar. Olha pra mim, você consegui me imaginar casada? — Ela riu e eu não sabia o que dizer.

— Qual é o problema? — Perguntei enquanto limpava as mãos no guardanapo.

— Ele que casar comigo, está me pedindo para ficar aqui com ele. — Eu não entendia o que havia de errado.

— E daí? Seria ótimo para você ficar aqui construir uma família. — Argumentei.

— Você sabe os tipos de empregos oferecidos aqui? Eu não nasci para morar em uma cidade pequena. Eu quero mais do que isso. — Ela apontou para a mesa.

— Eu acho isso suficiente. — Fui sincera, não havia nada de errado com a cidade.

— Então porque não fica aqui e casa com o salva vidas? — Ela me provocou.

— Acho que você está apaixonada por ele. Não deixa o garoto em paz. — pedi a conta.

— Eu já tenho um crush. — Respondeu ela tomando o último gole do seu refrigerante.

Caminhamos pela praia e quando chegamos em casa estava rolando um pequeno churrasco na varanda. O tio de Layla como sempre foi super simpático conosco. Quando o sol estava se pondo todos se reuniram em volta da mesa para cantar músicas antigas. Eu achei aquilo muito incrível. Minha família nunca fez esse tipo de coisas, nossas reuniões eram sempre algo muito formal. Não sei porquê, mas naquele momento eu senti que fazia parte de algo. Como se meu lugar fosse ali. Como se estar ali fosse a coisa certa.

Notas finais
Vocês também tão shippando Kim e o salva vidas??