Loucuras de Verão
8 O afogamento
Notas iniciais
O dia estava ensolarado, eu usava óculos escuro e enchi minha pele de protetor solar. Observei o céu azulado ouvindo o barulho do mar enquanto esperava Layla se vestir. Nós finalmente íamos para praia.
— Vamos? — Ela apareceu sorrindo. Usava um maiô azul, chapéu e óculos escuros.
— Claro. — Desci as escadas da varanda chegando na areia. Eu estava muito feliz.
Caminhamos pela areia quente por um tempo até chegar em uma parte da praia onde não haviam casas. Apenas um grande muro de pedra. Essa parte estava lotada de cadeiras de praia e guarda sóis. No meio da multidão havia um cara, de cabelos pretos entregava um panfleto com as regras da praia. Ela usava uma regata branca e um short vermelho.
— As regras da praia — Falou entregando um papel para mim e outro para Layla.
— Vem cá, você é salva-vidas, bombeiro? O que você é? — Perguntou Layla grosseiramente.
— Eu sou voluntário. — O menino respondeu dando o panfleto para um casal que passou por nós.
— Ah é mesmo? — Ela rasgou o papel e jogou em cima dele.
— Regra número nove, não deixar lixo na praia. — Falou o garoto seriamente fechando a cara. Apesar de estar usando óculos escuro dava para ver que sua expressão tinha mudado.
— Então o que você está fazendo aqui? — Layla perguntou e saiu andando. Eu observei as regras.
— Regra número um, se não souber nadar não entrar na água. Isso não é óbvio? — Perguntei surpresa.
— Não sou eu quem faço as regras. — Ele respondeu irritado. Saí andando sem lhe da atenção.
Nunca na minha vida vi praia ter regras, mas aquela cidade era pequena de mais, vai ver era por isso. Tinha tanta gente que eu nem conseguia encontrar Layla. Onde será que ela havia se metido?
— Hey — Ouvi alguém gritar — Vem ficar com a gente. Olhei e me deparei com Débora. Ela estava sentada em cima de uma toalha junto com seus amigos, um garoto loiro estava com o braço em volta da sua cintura. — E aí? Cadê a Layla? Não a vi ainda.
— Eu me perdi dela. — Comentei sentando-me ao seu lado. — Daqui a pouco ela aparece.
— Que PT foi aquele que você deu? — Perguntou um cara que estava mais afastado fazendo todos sorrirem.
— Desculpa, isso nunca havia acontecido — Me esclareci sem graça.
— Eu já fiz coisa pior acredite. — Disse Débora e todos queriam falar sobre suas experiências alcoólicas.
— Uma vez eu vomitei em cima da menina que eu gostava, passei três semanas tentando sair com ela. — Falou o menino que estava afastado.
— Uma vez eu fui presa bêbada e achei que o policial fosse meu pai, então me joguei em cima dele. — Começamos a rir. De fato o depoimento de Débora foi o pior.
— Alguém que entrar na água? Deve está bem gelada. — Uma garota asiática sugeriu e todos se animaram com a ideia.
— Não é melhor esperarmos pela Layla? — Eu estava um pouco nervosa de ter que ir sem ela.
— Se ela aparecer nós chamamos ela. — Falou o garoto loiro levantando e puxando Débora junto.
— Você vem? — Débora perguntou quando todos se levantaram e eu continuei sentada.
— Claro — Respondi sem saber se era uma boa ideia, mas não queria que pensassem que eu era medrosa então caminhei em direção ao mar sendo guiada pelo vento.
☀️
A praia como sempre estava lotada, procurei Trevor por todo canto, mas não achei. Talvez ela tivesse chateado pelo que aconteceu naquela noite ou talvez estivesse ajudando seus pais com alguma coisa. Senti alguém me agarrar por trás e sorri, reconheci muito bem aquelas grandes mãos.
— E aí gata? — Ele sorria como se estivesse tudo bem entre a gente.
— Oi — Eu o beijei recebendo alguns olhares curiosos. — Vamos para um lugar menos movimentado, essa cidade é conservadora de mais. — Ele riu mais concordou.
— Se você quiser podemos ir até depois do muro, lá não tem quase ninguém. — Ele apontou o caminho, mas eu já sabia da onde estava falando.
— Só os maconheiros e os surfistas ficam naquela área — Lembrei-o.
— Isso mesmo, só gente do bem. Sem conservadorismo, certo? — Eu o beijei novamente, segurei a sua mãos e fomos até lá.
Realmente não havia quase ninguém naquela parte da praia, entramos na água e ficamos agarrados por um tempo. Até Trevor começar a falar.
— Agora que você terminou a escola, deveria ficar aqui. Nós podemos nos casar, eu arrumo um emprego e compramos uma casa em frente a praia. Vamos acordar todos os dias olhando para o mar. — Eu rir com a possibilidade de casar com ele. Isso nunca passou pela minha cabeça.
— Você sabe que isso não vai rolar. — Alertei-o.
— Por quê? Você tem sua avó e eu tenho os meus pais, eles vão nos ajudar.
— Trevor, sua mãe me odeia. Sendo que eu não tenho culpa nenhuma da minha mãe ter pegado o seu pai. — Lembrei a briga que nossa família tinha.
— Eu não estou nem ai para o que minha mãe pensa, e a sua mãe não deveria ter provocado ela daquela forma, foi isso que a deixou irritada. — Ele me lembrou da briga que minha mãe teve com a mãe dele no meio da praça.
— Agora a culpa é da minha mãe? — Apontei a mão em minha direção.
— Eu só to querendo dizer que não dá mais pra ficar desse jeito, não podemos viver o resto da vida esse romance de verão, estamos virando adultos Lay, precisamos decidir o que queremos para nossa vida. Na verdade eu já decidi, quero você. — Ele falou de forma seria e sexy. Não tinha como resistir a isso. — Eu te amo, muito. — Completou.
— Eu te amo — sussurrei o beijando.
Ele me puxou para dentro do mar e quando voltamos a superfície vimos uma pequena movimentação dentro da água.
— Tem alguma coisa acontecendo — Trevor franziu a testa preocupado. — É melhor irmos até lá.
Corremos para fora da água.
☀️
Senti a água bater nos meus pés, era uma sensação agradável, eu via os meninos entrarem no mar sem temer então não tinha com o que me preocupar, eu não sabia nadar e minha mãe nunca me deixou chegar muito perto da água. Então aquela sensação de liberdade me deixou corajosa e eu continuei entrando seguindo meus novos amigos. Se acontecesse algo eles iriam me ajudar, certo? Meus pés ainda tocavam a areia olhei para trás e vi que a praia estava ficando cada vez mais distante , sorri.
Quando me virei uma enorme onde veio em direção a mim. Arregalei os olhos sem saber o que fazer. Meu corpo foi envolvido pela onda. Eu comecei a rolar dentro dela perdendo o controle do meus corpo. Me desesperei sem saber o que fazer eu não sabia como sair dali. Ela me arremessou para o fundo. Meus pés já não encostavam mais no chão. Tentei voltar a superfície várias vezes, mas meu esforço só fazia meu corpo cansar. Não conseguia mais ficar sem respirar e quando eu tentei, meus pulmões se encheram de água. Era o meu fim.
Senti alguém me puxar de volta. Eu emergi me sentindo fraca. Tentei cuspi a água salgada que estava dentro de mim, mas não consegui. Fui arrastada de volta para a areia. Deitei-me no chão e vi Layla correndo para perto de mim, ela ajoelhou ao meu lado, não parecia feliz em me ver, pelo contrário.
— Como vocês deixaram ela entrar na água? Kimberly não sabe nadar, a mãe dela não deixa ela entrar nem em piscina infantil. — Ela se voltava para Débora e seus amigos. Que nos olhavam de longe.
— Eu achei que a regras estavam clara para você — O salva vidas respondeu. Era o mesmo que havia nos entregado as regras. — E você deveria ficar de olho na sua amiga — Ele falou grosseiramente para Layla.
— Cala a boca. —Gritou ela.
— Agora já sabem, Se não souber nadar não entre na água — Ironizou ele.
Encostei minha cabeça na areia cansada de tudo aquilo.
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