Loucuras de Verão
18 Aprendendo a nadar
Notas iniciais
Caminhamos pela praia e no meio do caminho começou a chover muito forte, eu não me importei pois já estava toda suja de molho.
— Nós temos que sair da praia e ir para um lugar seguro — Ryan falava por cima do barulho de água caindo. Era a primeira vez que ele falava algo desde que saímos do restaurante. — Nós podemos ser atingidos por um raio aqui.
— Eu não me importo — Falei com a cara fechada, mas logo em seguida um estrondoso trovão me deu um susto e eu gritei.
Saímos correndo até voltar à casa da Dona Nina, as luzes estavam todas apagadas.
— Você não que entrar e esperar a chuva passar? — Convidei.
— Claro — Ele tirou um pedaço de macarrão do meu cabelo e entrou na sala.
— É melhor eu pegar umas toalhas para gente se secar. — Falei ligando as luzes.
— Olha, até que chegaram cedo — Layla apareceu na porta do corredor de braços cruzados usando um camisa azul bebê maior que ela — Ryan, se você acha que vai dormir aqui só porque está chovendo você está muito enganado. Vaza — Falou de forma indelicada — E não ousem sentar no sofá da minha avó assim, ela vai matar vocês, se pensam que ela é um velhinha indefesa estão enganados. — Completou se aproximando de mim — O que aconteceu com seu rosto?
— Carol aconteceu — respondi exausta — ela me encheu de molho de tomate. Onde tem toalhas? — Perguntei mudando de assunto.
— Eu vou pegar. — Então ela voltou para o corredor escuro.
— Kim, eu não sei o que dizer — Ryan falou me fazendo revirar os olhos impaciente. — Eu fiquei horrorizado com toda aquela cena. Mas, acho que deveríamos tentar de novo em um lugar onde não tivesse pessoas e nem, comida. — Eu ri da forma que ele falou.
— Por que você que tanto sair comigo, Ryan? — Me apoiei em seus braços. No final eu iria voltar para casa e para o meu pequeno mundinho onde nada acontecia.
— Vamos nos conhecer melhor, não tem nada de errado com isso. Amanhã eu passo aqui para te pegar.
— Eu tenho que ver na minha agenda se tenho tempo livre — Tentei enrolar.
— Você tá de férias — Ele me lembrou.
— Droga! — Bati o pé.
— Passo aqui as oito — Ele mesmo abriu a porta. — Esteja pronta. — E então foi embora no meio da chuva.
— Cadê ele? — Layla chegou com duas toalhas.
— Foi embora — Andei em direção ao banheiro ignorando seus xingamentos.
— Acorda, Kimberly — Layla balançava meu braço fortemente.
— O que foi? — murmurei.
— Seu namorado tá te esperando ai fora. — Sentei-me na cama sonolenta.
— Eu não tenho namorado. — Falei de mal humor.
— E o salva vidas? Vocês só vivem saindo juntos agora. — Ela parecia com ciumes.
— Você fica o dia inteiro com Trevor e eu não reclamo. — Levantei ao ver que já era oito e dez.
— Ele tá te esperando no carro. — Ela deixou o quarto. Me arrumei rapidamente e saí sem ao menos me alimentar.
Ele guardava algo na mala do carro, me aproximei devagar.
— Oi — cumprimentei colocando os óculos escuros.
— Eu espero que você esteja usando roupa para nadar — Foi o que ele respondeu.
— Eu não sei nadar, Ryan — Lembrei-o.
— Mas hoje você vai aprender. — Garantiu convencido.
— Ah, ta bom então — zombei entrando no carro.
Ele ligou a rádio e começou a tocar My immortal da Evanescence. Achei meio depressivo então troquei a estação onde tocava Summer paradise do Simple Plan. O carro partiu e aquela cena era muito veraneia. Meus cabelos balançavam com o vento que entravam pela janela. Não demorou muito para que chegássemos. Ele estacionou o carro na grama e descemos. Haviam árvores enormes em todos os lugares. Estávamos em um floresta, praticamente. Eu deveria sentir medo por está sozinha com um homem em um local deserto, mas eu confiava em Ryan.
— Vamos andar um pouco até o nosso destino — ele retirou uma caixa térmica azul de dentro da mala do carro. — Faremos uma pequena trilha. — Avisou entrando na mata.
— O que vamos fazer? — Perguntei seguindo-o. As árvores eram tão grande que tapavam a luz do sol.
— Já falei, nadar.
— Se vamos nadar, por que não ficamos na praia? — Não que eu estivesse com medo, mas aquilo não fazia sentido.
— Não tem como aprender a nadar em águas turbulentas, alias falei que tínhamos que ir a um lugar onde não havia pessoas nem comida, na praia tem os dois. — Argumentou.
— Ok. — Concordei encerrando o assunto.
Continuamos andando em silêncio até eu começar a ouvir um barulho de água caindo, pensei que fosse chuva já que mal dava para ver o céu dali. Mas a medida que íamos nos aproximando o barulho aumentava e logo chegamos em uma cachoeira.
— Que lindo esse lugar — Exclamei boquiaberta.
— Vamos entrar na água, ela é gelada — Ele colocou a caixa térmica em um canto e tirou a camiseta. Eu fiz um mesmo um pouco constrangida, afinal só tínhamos nós dois ali.
Ele pulou dentro do rio eu apenas entrei aos poucos dando gritos por conta da temperatura da água. Ele então jogou um jato de água na minha cara me fazendo rir.
— Idiota — Fingi está brava.
— Vem aqui, vamos começar a aula — Ele me chamou para onde estava. Era uma parte mais funda do rio.
Eu simplesmente não pensei muito comecei a andar em sua direção, mas quando o parei de sentir o chão me desesperei e afundei. Ele logo me trouxe para a superfície.
— Você tem que mexer os pés e as mãos. Não é tão difícil assim. — Falou me segurando. — Vamos tente. — Pediu me soltando lentamente enquanto eu tentava mexer os pés. — Isso — Ele se empolgou quando eu comecei a nadar, nem eu mesma acreditei. Bati as mãos e os pés igual a um peixe — Você sabe que não precisa de todo esse escândalo, certo? — Ele falou bravo quando joguei água nele.
— Eu acabei de aprender me deixa. — Continuei nadando, até então não tinha coragem de ir muito longe dele.
— Vai até a cachoeira e volta — Ele apontou, ela estava um pouco distante. — Não precisa ficar com medo, se acontecer algo eu te ajudo. — Certificou ele.
Eu simplesmente sai nadando me sentindo uma sereia. Fui até perto da cachoeira e depois voltei ele me esperava sorrindo. Eu levantei rapidamente e me apoiei nele beijando-o por impulso.
— Desculpa, eu não queria — Falei constrangida.
Ele não falou nada apenas segurou meus braços e me trouxe para perto me beijando. Dessa vez foi um beijo demorado. Senti algo de estranho em meu estômago. Ele me soltou e saímos da água. Eu realmente não sabia como me portar perto dele. Não conseguia entender qual era a nossa relação. Estávamos juntos? Éramos apenas amigos?
— Você vai trabalhar amanhã? — Perguntei sentando-me no chão.
— Amanhã não, é natal esqueceu? — Ele mexia na Caixa térmica enquanto falava.
— Natal? Meu Deus eu esqueci completamente. — Olhei no celular e realmente hoje era 23 de dezembro. — Tenho certeza que a família de Layla ira organizar alguma coisa. — Ele se aproximou de mim com dois sanduíches enrolados em papel filme — E você? Vai passar com sua família?
— É um pouco complicado. — ele me entregou um sanduíche — mas com certeza vou preparar um frango. — Ele sentou de frente para mim olhando para o rio.
— Vai passar o natal sozinho? — Perguntei horrorizada.
— É tradição. Fazer o que? — Ele deu de ombros como se não fosse nada de mais.
— O que aconteceu? — Tentei perguntar de forma delicada, não queria que ele me achasse uma fofoqueira.
— Eu não tenho família, morei com uma por um tempo, mas vi que o melhor era ir embora. Eles não tinham a obrigação de ficar comigo. — ele comeu um pedaço do sanduíche.
— Ryan, você mora na rua? — Eu estava muito chocada, mas ele começou a rir da minha cara. — Eu to falando sério. — Falei vendo que ele não parava de rir.
— Claro que não moro na rua. Eu moro em uma pensão. Tenho um quarto só meu, bem não é o que eu queria. Mas é o que posso pagar. — Coloquei a mão no coração aliviada, meus batimentos cardíacos estavam acelerados.
— Se quiser aparecer amanhã lá na vó da Layla pode ir. Eu gostaria que você fosse — Deixei claro. — Trevor vai com certeza.
— Duvido que a mãe dele vai deixar — Ele comeu o último pedaço do sanduíche.
— Você vai ou não?
— Gostou do meu sanduíche? — Ele apontou para o que estava na minha mão.
— Não, está horrível. Onde você aprendeu a cozinhar? — Brinquei ele revirou os olhos.
— Se eu não cozinhar eu morro de fome — Admitiu.
— É melhor morrer de fome do que comer isso. — provoquei. Ele se levantou e veio em minha direção e eu sai correndo gritando.
Ele tentou me alcançar, mas eu acelerei o passo acabei tropeçando e caindo. Ele pulou em cima de mim e eu gritei. Começamos a rir. Ele tentou me beijar, mas levantei rapidamente e corri. Se ele estava pensando que ia ser fácil assim ficar comigo, estava enganado.
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