Loucuras Em Barcelona
2 Capítulo 2
Notei olhares tensos me mirando, alguns tentando ser neutros diante da situação que me encontrava, mas outros ali na mesa não disfarçavam a cara de indignação, afinal estava ali na frente o representante da empresa em situação constrangedora. Dei um sorriso leve e sem graça e torci para não estar sujo meus dentes.
– Onde paramos? — Disse limpando com o dedo médio o canto da boca.
Vários pares de olhos me encaravam em silêncio. Em exatos três segundos após, um som de vários vozes ao mesmo tempo surgiu, era todos na mesa respondendo minha pergunta, tentando agir como se nada tivesse acontecido.
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Cheguei na mansão de cerca de sete horas da noite, estava exausto, mal conseguia parar em pé, chegava a suar frio, afinal Betina me fez andar por todos os departamentos da empresa. Eu a conhecia em tão pouco tempo e já a odiava.
Cheguei ao quarto decidido a dormir, afinal estava exausto, mas se já não bastasse meu dia cansativo percebo meu celular vibrando e a foto de meu pai no visor da grande tela.
– Fale grande senhor Lorenzo — Eu disse revirando os olhos.
– Bela impressão você deixou para os sócios, representantes e acionistas da empresa, você me deixou em uma situação constrangedora.
– Terminou? — eu perguntei ríspido — porque eu quero dormir, estou cansado, estava naquela empresa até agora, coisa que eu não queria, até agora me pergunto onde você estava com a cabeça quando me colocou nessa merda.
– Merda? Cale a boca Rômulo, eu sei que você é capaz de fazer o certo pra empresa, agora para de ser esse moleque mimado e vá crescer e fazer o que é necessario, você é capaz.
Eu poderia ficar ali e discutir com ele por horas e no final ele estaria com a razão e eu como sempre vencido pelo cansaço, então decidi abreviar aquilo tudo para adiantar meu sono.
– ok — Respondi soltando um suspiro cansado.
Desliguei o telefone e colidi minha cabeça contra o travesseiro querendo dormir, mas naquele momento nao consegui, o sono tinha ido embora.
"Eu tenho que provar a ele que não sou capaz de tomar frente disso" — pensei.
Eu estava cansado, ainda com reçaca, mas a noite de Barcelona era uma criança, nada melhor do que uma noite de balada e muita bebedeira após um desastre desses, é claro que o grande chefe da família iria amar saber que seu filho pródigo está nas noitadas de Barcelona em plena segunda-feira.
Parei a lamborghini preta na frente da portaria da boate, onde dois funcionários se prontificaram de estacioná-lo por mim, dei a chave para o mais sorridente. Aquela house nigth não foi diferente das outras, passei na portaria sem precisar de fila, ganhando um pulseira golden vip, sem nem mesmo conhecer o dono, uma das vantagens de chegar bem motorizado.
O local não possuía a estrutura das boates de Londres, nem da Build de Marrocos, mas ainda sim um belo local onde compensaria pegar belas moças sedentas por dólares. Direcionei ao Golden vip e há poucos minutos depois já não me lembraria de muitos detalhes por estar embriagado e envolto de belas companhias femininas.
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Alguém batia na porta com certa impaciência, notei que estava deitado na cama completamente nu, minha cabeça pulsava de dor, era como se meus tímpanos fizessem minha bigorna fincar o cérebro a cada estalar daquela porta.
– Senhor Rômulo, acorde – A voz adocicada de Betina parecia cansada.
Ao criar coragem de tirar a cabeça do travesseiro notei um peso em minhas pernas, me levantei ignorando aqueles pares de pernas intrusas na minha cama. Abri a porta e notei senhorita Miller corar ao ver minha nudez, tentando manter seus olhos em meus, mas não obteve sucesso.
Soltei um suspiro profundo de cansaço
– Qual o motivo disso tudo Srta Miller? — perguntei tentando manter-me calmo diante a situação.
Ela pareceu não ouvir, seus olhos assustados estavam direcionados abaixo da minha cintura.
– Senhori... – Não obtive sua atenção – Betina! – Disse em tom bem mais alto.
Seus olhos saltaram-se e me encararam assustados, aquela moça parecia não conseguir abrir a boca, em poucos segundos depois seus passos estavam virando o corredor apressados.
– Espero que agora pense duas vezes antes de me acordar – Pensei ao fechar a porta.
Os cabelos cumpridos daquela ruiva desenhavam em sua nudez seguindo até pouco acima de suas belas nádegas, era uma linda moça, pena eu não me lembrar de nada, pelo menos as camisinhas usadas no chão provara que me protegi de trazer um novo herdeiro para os Lorenzos.
Meus pensamentos foram tomados pelo toque do celular, fui seguindo o som e notei estar na calça debaixo da cama, havia muitas ligações perdidas.
– Bom, seja o que for que eu tenha feito ontem, não devo ficar muito tempo sem saber – disse.
Era quase duas da tarde, meu estômago se contorcia de fome, desci para a sala de jantar e já havia alguns empregados de prontidão para me servirem quando necessário. Notei certo desconforto no local que deduzi ser por eu estar de samba canção para o almoço, mas mudei de opinião após entrar duas mulheres de lingerie e cabelos molhados no local.
– Oi Romeu, decidimos não atrapalhar seu sono e fomos para piscina nos refrescar – disse a garota dos olhos puxados e cabelos negros.
Realmente eu estava com o cardápio variado, uma loira, uma asiática e uma ruiva na minha cama.
– É... eu vou ter que sair agora mesmo, pedirei a alguém pra pedir um taxi para vocês, acorde sua amiga lá no quarto também.
A loira se sentou em meu colo, seus seios fartos chamavam atenção.
– Mas Romeu, achei que iríamos passar o dia juntos.
Impulsionei-a para levantar-se e me direcionei a porta em direção a saída.
– Meu nome não é Romeu, pedirei a Srta Miller para pagá-las caso eu deva alguma coisa – disse saindo.
– Por acaso está nos chamando de garotas de programa, prostitutas? – A morena dos olhos puxados perguntou com expressão incrédula, soando um pouco afetada.
– Desculpe-me é que realmente não me lembro de nada – disse saindo.
Ao passar pela sala notei um som abafado de solda vindo do lado de fora, mesmo parecendo estar longe, certa lembrança da noite passada surgiu como um flash.
Abri a porta e desci alguns degraus notando o jardineiro sem camisa retirando um pequeno pinheiro caído, não fazendo questão de demonstrar felicidade de estar fazendo aquilo. E mais a frente no portão estava alguns rapazes soldando o portão que estava destroçado, eu havia arrombado com o carro que... “Cadê o carro?”.
Fui em direção ao jardineiro da cara fechada e quase não conseguindo abrir os olhos pelo sol forte que estava naquele dia.
– Ei, você sabe onde foi parar meu carro? – Perguntei.
Ele me olhou e pensou um pouco, seus olhos pareciam duas pérolas negras e não estavam com expressão alegre, estranhamente notei uma gota de suor descendo de seu pescoço e sumindo abaixo do abdômen.
– O guincho levou mais cedo, uma moça ficou por conta de resolver esses pequenos problemas causados.
Não havia gostado de como ele enfatizou a palavra “pequenos”, mas decidi resolver isso depois, fui até o portão e notei que estavam desentortando algumas barras de metal.
– Mas afinal de contas por que já não colocam outro portão ao invés de ter esse trabalho todo? – Perguntei aqueles trabalhadores ali, todos gordões e com macacões que pareciam de mecânico.
– Ah bom dia senhor, é..., esses portões são feitos em medida, fomos auxiliado a “concertar” esse enquanto o novo é fabricado, afinal de contas a empresa não é daqui de Barcelona.
Notei certo nervosismo na voz do rapaz.
Direcionei-me a casa, mas fui surpreendido com o som de uma buzina, era o carro de meu pai entrando ali.
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