Notas iniciais
Esse capítulo é narrado pelo nosso Sasuke. Obrigada a todos que vem comentando e me acompanhando. Bom capítulo.

Depois de semanas pensando decidi comprar uma casa mais afastada da cidade para minha esposa. Eu sabia que ela ficaria feliz em ter um lar de verdade. Mas meus planos eram outros, lá eu poderia manter ela segura e longe de qualquer ameaça, de qualquer um que quisesse tira-la de mim. Contratei Juugo como seu motorista e vários seguranças para a casa.

Proibi Sakura de sair de casa sem Juugo, o qual só poderia levar aonde eu autorizasse. Jamais confessaria, mas tinha medo que ela me abandonasse. Muito medo. Eu via que ela estava nervosa comigo. Um dia Itachi resolveu me ver.

–Não sabia que agora mantinha prisioneiras Sasuke.

–Como assim Itachi?

–Sua esposa. Sasuke você a está matando aos poucos.

–Não se meta em minha vida.- Itachi respirou fundo.

–Cuidado Sasuke para não machuca-la. Ela é apenas uma menina.

Estava nervosa depois que ele foi embora. Pouco tempo depois Sakura entrou no meu escritório.

–Sasuke, precisamos conversar.

–Diga meu amor- tentei ser carinhoso.

–Sasuke eu me sinto uma prisioneira nessa casa.

–se não gosta daqui podemos comprar outra meu amor.

–Não é isso Sasuke. É você.

–Eu?

–Você me trata como um objeto, algo que você quer controlar.

–Sakura eu apenas quero protege-la.- não queria perde-la.

–Não Sasuke, você está ficando louco. Procure um médico, quando você estiver bem talvez possamos voltar a conversar.

–O que está querendo dizer ?

–Eu vou embora dessa casa Sasuke. Não quero mais viver aqui.

Como assim ela queria me deixar. Não podia permitir, ela ficaria comigo nem que fosse a força.

–Escuta aqui Sakura. Você não vai me deixar entendeu. NUNCA. Você é minha. Minha! Se ousar passar por aquela porta eu te mato, entendeu? Você e toda sua família.- não sei o por que de dizer aquilo, mas não me controlei. Ela chorava muito, então apenas a levei para nossa cama e esperei que dormisse.

No entanto voltei para a sala. Sentei em frente a lareira e comecei a beber e pensar. Meu pior pesadelo estava virando verdade. Nem eu mesmo me reconhecia mais. Estava virando um mostro para manter minha esposa ao meu lado. Bebi mais do que o normal até que resolvi subir para o quarto, me deparando com o ser mais angelical dormindo. Ela era linda eu seu sono, não resisti e a toquei, afagando os cabelos. Seus lábios estavam tão convidativos que acabei a beijando. Não lembro de nada depois daquilo.

Quando acordei na manhã seguinte, ela já estava desperta. Minha cabeça doía muito. Como estávamos nús, achei que finalmente havíamos feito as pazes.

–Pelo visto nossa noite foi boa amor.- disse tentando a beijar. Ela se afastou de mim e se sentou- Você está Sakura?- Não respondeu, mas eu pude ver aquela imensa mancha de sangue no colchão. Eu não poderia ter feito aquilo. Me sentia o pior dos homens do mundo, e tudo apenas piorou quando escutei seus soluços de choro vindos do banheiro. Meu coração estava apertado, queria entrar lá e acabar com seu medo e sua magoa. Quase uma hora depois ela saiu do banheiro. Seus olhos inchados e sua pele vermelha.

–Fui eu que fiz isso não foi?

–É isso o que acontece quando se é estuprada Sasuke.

–E..eu não poderia ter feito isso Sakura.

–Pois fez.

–Mas você é minha mulher.

–Não Sasuke eu não sou. Sou sua prisioneira.

–Não fale assim Sakura, não sabe o quanto te amo- fui até ela, mas ela se afastou como se tivesse medo.

–Me perdoa por favor?- ele disse me aproximando novamente.

–Um dia quem sabe Sasuke.

Ela saiu porta afora. Fiquei mais um tempo no quarto tentando me recuperar e depois decidi sair. Passei a manhã no escritório. As semanas seguintes foram piores ainda. Não conseguia mais tocar nela com medo que ela me odiasse, mas sentia falta de seu corpo toda noite e de seu sorriso quando eu chegava em casa. Sakura continuava a me desafiar e cheguei até a bater nela sem nem perceber. No dia do meu aniversário fomos jantar, na volta ela tentou fugir. Mesmo assim eu não a deixei ir e a trouxe de volta para casa.

Alguns dias depois chegava em casa mais cedo, quando fui subir para o quarto vi Sakura no topo da escada, sua face estava pálida e ela cambaleava. Tentei correr mais não cheguei a tempo, ela tombou pela escada. Meu coração praticamente parou ao ver aquela cena.

–Sakura! Não ouse me deixar.

A peguei no colo e a levei para o hospital. Não de deixaram ficar na sala em quanto ela era examinada e faziam os devidos exames. Meu mundo estava parado, ela estava tão machucada.

Depois de um tempo Itachi chegou.

–Vim o mais rápido que pude.

Eu não conseguia dizer nada. Itachi respeitou meu silencio. Quase duas horas depois a médica veio conversar comigo.

–Senhor Uchiha sua esposa está fora de perigo. Fora alguns roxos e um tornozelo torcido ela parede estar ótima. O que me preocupa é sua imunidade. A senhora Uchiha está com anemia e sua imunidade está extremamente baixa, até mesmo um gripe agora a deixaria na cama por varias semanas, ela me parece não estar dormindo bem também e está abaixo do peso. Muitos desses sinais combinados podem significar um quadro de depressão. Ainda não tenho todos os exames em mãos, mas sua esposa necessita de cuidados. Ficará no hospital essa semana tomando vitaminas até que sua imunidade aumente.

Aquilo acabou comigo. Ela caiu da escada por estar fraca e o culpado era eu. Eu e Itachi entramos em seu quarto. Ela dormia como um anjo.

–Sasuke, olhe bem para Sakura. Ela está muito magra e possui olheiras. Sua pele perdeu a cor e até mesmo seus cabelos me parecem sem brlho. Não vejo mais aquela menina bonita que me apresentou como sua esposa Sasuke. Me diga, acha mesmo que ela é feliz com você? Não a machuque mais.

Itachi tinha razão, eu não fazia bem a ela. Todos tinham razão. Eu estava mesmo louco.

–Vá para casa Itachi, eu vou ficar aqui com ela. Diga a Yori que venha amanhã com Aika. Não se preocupe, as coisas vão mudar.

Não dormi a noite toda observando Sakura e pensando em tudo que estava acontecendo. Quando peguei no sono, senti que ela se mexia na cama e acabei acordando. Minha cabeça estava encostada em sua cama, quando vi que seus orbes verdes me encaravam nervosos e preocupados, não resisti e a abracei.

–Não sabe o susto que me deu meu amor.

A apertava contra meu peito, a amava tanto que tinha medo desse amor. Ela se afastou de mim, como se tivesse medo. Eu sabia que ela não me queria mais por perto.

–Me perdoa. Você ficou doente por minha culpa.

–Não peça perdão se não vai mudar Sasuke.

–Eu te prometo que tudo vai mudar meu amor.

As duas semanas seguintes ela permaneceu no hospital, estava mais calada do que de costume, mas parecia melhorar. Tomava vitaminas e alguns outros remédios. Aparentemente estava e tinha ganho algum peso. A médica lhe deu várias recomendações.

Quando recebeu alta a levei para casa. Ainda era cedo e o sol brilhava no céu, meu coração estava partido, mas eu precisava tomar essa decisão. Quando entramos em casa eu a segurei pela mão.

–Sakura, precisamos conversar.

Seus olhos tinha medo. Medo de mim.

–Por favor, não me olhe assim.

–Então devo lhe olhar Sasuke. Olha o que você fez com minha vida.

–Você está livre Sakura.

–Como?

–Pode ir embora se quiser. Peça o que quiser dos meus bens e lhe darei de bom grado.

–Não quero nada seu Sasuke.- sorri de canto.

–Eu sei, por isso já depositei dois milhões em sua conta.

–Não é necessário.

–Sim é. São para seus estudos e para que tenha uma boa vida.- não resisti e a abracei.

–Não sabe o quanto te amo Sakura.

–Você não me ama Sasuke, é obcecado por mim.

A peguei no colo e sentei no sofá com ela em cima de mim.

–Me diga, o que vai fazer?

Ela relutante, pensou por longos minutos.

–Sinto muito Sasuke, mas eu preciso ir, preciso respirar e viver.

–Eu sei.- a abracei mais forte para sentir seu cheiro, ela pareceu querer se afastar- me deixa apenas te abraçar um pouco- ela pareceu ceder. Não suportei e lágrimas teimosas começaram a brotar de meus olhos. Sakura passava as mãos pelos meus cabelos como em sinal de restante do carinho que sentia por mim. Nenhuma palavra era dita.

–Eu preciso ir Sasuke.

Ela arrumou suas malas, cada peça de roupa e cada objeto que a pertencia. Um a um ela foi guardando. Assistia a tudo como em um filme, meu corpo estava alí, mas minha alma não.

Então ela se foi, entrou no carro com Juugo e se foi de casa. Seus olhos aliviados me dizendo adeus. Fiquei parado por quase quatro horas na frente de casa. Quando consegui entrar dentro de era como se aquele lugar não me pertencesse mais. Um vazio enorme tomava conta de mim. Aquela noite esvaziei varias garrafas de bebida daquela casa e ordenei que todos os empregados fossem embora.

A quase um ano atrás eu conheci Sakura. Seus olhos verdes e jeito doce me encantaram. Ela não percebeu, mas me fez apaixonar e lhe amar. Pela primeira vez desde a morte de minha mãe me senti amado. Ela era o ser mais especial do mundo, mas eu a destruí. A forcei a casar comigo, fui egoísta e a afastei do mundo e isso quase a matou. Eu não a mereço e nunca vou lhe merecer. Quando lembro de tudo que lhe fiz meu corpo queima de arrependimento. Queria poder fazer tudo de novo.

Morar naquela casa não tinha mais sentido, pensar em ter um lar não tinha mais sentido. Nada tinha mais o menor sentido sem ela. Então fiz o que tinha vontade de fazer. Espalhei os vinhos e whiskys da minha adega pessoal por toda a casa e ateei fogo aquela cenário de horror que criei para a pessoa que mais amava nesse mundo. Via aquela prisão queimar diante de meus olhos e prometia no alto da minha loucura ,que um dia ela seria minha novamente.