Loucas no AP
22 Vinte e dois
Notas iniciais
POV Emily
É a Anne tem razão, ela está morta. Devem estar se perguntando por que eu não queria vir, é muito simples: só tenho lembranças ruins dos meus pais juntos e do meu pai separadamente, ver todos eles como uma linda família feliz machuca. Claro que Anne não sabe disso, eu até entendo, ela quer que eu venha porque seus pais gostam de mim, eu também gosto deles e sou sua melhor amiga e tal, mas me amarrar já é demais. Definitivamente ela perdeu a noção do perigo.
[...]
Já é noite, todos estão dormindo inclusive Anne. Que tal uma caça ao tesouro? Pego todas as roupas de Anne e enterro em um bosque próximo. De manhã cedo, antes de amanhecer por completo, pego o carro do Arthur e vou até um shopping 24 horas (que conveniência ter isso aqui, nem sabia que existia shopping aberto forever) e compro roupas novas para minha querida amiguinha.
– Posso ajudar? – pergunta uma simpática vendedora.
– Quero comprar vestidos rosa e floridos. – digo a ela.
A vendedora assente com a cabeça e me guia a seção mais gay da loja. Nossa, devo dizer que era gay até para mim, mas mesmo assim segui com meu plano, comprei somente vestidos blusas e saias com bastante renda e decote, todas rosas com flores e muita purpurina. Ai ai a vingança é rosa e tem brilho (e não pode ser lavada a seco).
[...]
De volta à casa do lago, todos ainda estão dormindo... Bem quase todos.
– Onde você estava? – pergunta Beto, o traidor.
– No lugar onde não é da sua conta, seu traidor. – respondo irritada e sigo ao quarto com as compras, mas ele me segura.
– Ei Emi! Perai, eu te amo menina, sabe que só fiz isso para ganhar uns pontos com a Anne, ela me odeia tanto... – diz ele.
– Não, eu sei não, e se quer ganhar pontos com ela arranje outro jeito. Te odeio, caramba! – falo e em seguida chuto sua perna. Ele faz careta e pega na parte afetada, mas logo se vira para mim sorrindo.
– Oh minha morena! Também te amo. – diz B me abraçando.
– Ta, ta, ta para de viadeza me solta que ainda estou com raiva. – dou as costas para ele e sigo para o quarto, mas do corredor consigo ouvir aquela risada engraçada dele.
Chego ao quarto e Anne está dormindo calmamente, pobrezinha, mal sabe o que lhe espera. Começo a acordá-la, assim que ela me vê, arregala seus olhos azuis grandões e se afasta um pouco.
– Bom dia girafinha querida! – falo deitando em cima de sua cama.
– B-Bom dia... Emi você está bem? – pergunta ela desconfiada.
– Claro que estou! Porque não estaria? – pergunto fingindo inocência.
– B-Bem, e-eu te amarrei e trouxe a força para a casa de lado do papai. – diz ela recuando mais ainda.
– Ah! Isso? Não se preocupe eu estou bem, estou tão bem que resolvi comprar umas coisas para você. – digo virando as sacolas que por sua vez todas as roupas fofinhas caem na cama.
– Tem certeza que comprou para mim? Não uso nada disso. – disse intrigada.
– Claro que é para você sua boba. Já que você não tem roupa, eu resolvi comprar essas para usar durante TODO nosso tempo aqui. – falo com um sorriso um tanto que do mal.
– Eu tenho roupas, as minhas roupas... A não, não, não, não Emi cadê minhas roupas? O que você fez com elas? – pergunta Anne desesperada.
– Não é da sua conta girafinha linda, agora veste isso ai que você só vai ter essas roupas durante um bom tempo, tem sorte de eu não ter sumido com suas roupas íntimas também. – digo apontando para a pilha de calcinhas e sutiãs de super heróis. – Mas como sou muito boazinha, conforme seu comportamento durante está viagem, lhe devolvo gradativamente suas roupas... Ou faço você as procurar igual um caça ao tesouro, pode ser divertido. – digo com um ar de tédio.
– Meu santo megazord! Não acredito que você fez isso comigo. Eu não vou sair do quarto. – anuncia Anne cruzando os braços.
– Ah você vai sim, ontem quando você estava distraída, eu chamei todos inclusive você para um jantar e um loooongo passeio. – disse com o sorriso maior que o gato de Alice no país das maravilhas.
– Você é a pior pessoa da terra... Não, da galáxia... Não, do universo! – diz Anne bufando de raiva, o que claro me faz morrer de rir.
– Obrigada, mas elogios não me fazem voltar atrás. Sugiro você melhorar seu comportamento, do contrário fica sem suas queridas roupas. – digo.
– Ta legal, vamos logo acabar com isso. – diz Anne se acalmando por fim.
Até que ela está mais bonita com essas roupas vomitadas por unicórnios de tão gay. Ela colocou um vestido branco de alça com várias flores estampadas e uma sandália de tiras rosa. Acho que fiz uma boa ação. Anne e eu saímos do quarto e nos direcionamos a cozinha (de onde vinha um cheiro maravilhoso, definitivamente tio Túlio estava acordado), assim que entramos todos param de comer e olham boquiaberto para Anne que rapidamente fica vermelha e me dá um chute (haha vale a pena).
– Nossa filha você está linda! – diz tia Melissa assustada.
– Concordo! – diz tio Túlio e Arthur em coro.
– Uau! É mesmo você Anne? – pergunta B, Anne ri sem graça e assente com a cabeça.
[...]
Deve ser 12h00 e eu estou sozinha vendo filme, todos foram comprar comida e Anne foi arrastada junto, Beto foi fazer alguma coisa que eu não sei dizer o que. Na melhor parte do filme alguém bate na porta (eita chatice), vou caminhando lentamente para a porta e quanto mais a pessoa bate eu caminho mais devagar ainda. Chegando à entrada abro a porta tediosamente e tenho uma surpresa.
– O que está fazendo aqui? Não deveria está aqui! Por que você está com esse buquê? – pergunto para assustada a criatura.
– Terminou com o chilique? Essas flores são para você, quantas vezes já disse que odeio brigar com você Emi. – digo B me entregando o buquê e alguns DVDs.
– Que DVDs são esses? – pergunto fingindo não ouvir o que ele disse.
– Dia da pizza, mas como não é hoje e também não trouxe pizza, vai ser Dia de, por favor, perdoa o B seu melhor amigo. – diz ele fazendo uma cara tristonha, de verdade odeio aquela cara, sei que vou cair nela.
Virei as costas e coloquei um DVD, na metade do filme Beto estava do meu lado com sua cabeça perto da minha, me afasto dele e dou um beijo na sua bochecha.
– É meu melhor amigo, já te perdoei faz tempo, só estava fazendo ceninha seu bobo. – digo abraçando ele. Ficamos ali até a turma chegar com o almoço (atrasado).
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