Loucas no AP
15 Quinze
Notas iniciais
POV Anne
YES!! Até que enfim uma coisa divertida para fazer, eu devo estar sonhando o mais belo sonho do mundo, uma convenção do Harry Potter aqui nessa cidade maravilhosa. O mais legal é que eu posso ficar vestida como minha personagem favorita (apesar de odiar peruca). E eu devo dar os parabéns aos organizadores, o lugar está PER-FEI-TO, tem um mini beco diagonal muito do bem feito onde vários fãs compram artigos relacionados à série de livros, local em que eu estou nesse exato momento, cheia de sacolas e sem conseguir parar de comprar... OH MY GOD! Aquilo é um pomo de ouro?
Adentrei a loja no momento que vi o pomo, tentei pegá-lo, mas minha mão se fechou no ar porque um garoto pegou segundos antes de mim e, droga, aquele pomo era o último... Eu acho que vou chorar... É, eu vou chorar, meus olhos já estão marejados enquanto olho a bolinha dourada nas mãos do garoto. Eu quero um pomo daquele.
– Você está bem? – Diz o garoto me olhando, mas não respondo e continuo olhando o globo dourado com asas em suas mãos – Ei! Você quer que eu chame um médico? Você ta chorando?
– Não, um diabrete idiota cutucou meu olho. – Falo com voz chorosa, limpando os olhos enquanto o garoto, de aproximadamente 20 anos, começa a gargalhar.
– Essa é a melhor desculpa que eu já ouvi. – Murmura se recompondo – De onde você tirou essa?
– Sei lá, entrei no personagem. – Explico me virando para o ladrão de pomos. Ele tem os olhos verdes ou castanhos, não tenho certeza, e cabelos tão pretos que dá até agonia. Enquanto o observo ele começou a abrir os olhos, parecendo até os olhos do Dobby (agora entendo porque olhos arregalados deixam a Emily nervosa). Sério eu fiquei meio assustada. – Você ta bem?
– C-Claro... Eu to de boa... N-Nice... É que v-você é... – Começou a gaguejar ainda me observando com olhos daquele primata zoiudinho do filme Madagascar. – Você é a Luna? A Lovegood?
– Não, eu não posso ser, apenas estou vestida como ela. E você é quem? – Pergunto olhando a fantasia do menino. Ele usava o uniforme amarelo da Lufa-lufa.
– Só um estudante de Hogwarts, nada de mais. – ‘’Nada de mais’’? Perae que ser estudante de Hogwarts seria fabuloso e não ‘’nada de mais’’. Ele fica com a minha bolinha dourada e ainda diz isso? É um crime, santo Potter. – Mas vem cá, por que você estava chorando?
A verdade deve prevalecer.
– Um Diabrete cutucou meu olho, eu já disse. – Ele me olha desacreditado – Ai ta bom, eu queria o pomo de ouro que você pegou, mas tudo bem, eu sobrevivo nesse mundo cruel e tedioso na qual um pomo de ouro seria ótimo para me distrair. – Credo! Preciso parar de andar com a Emily. Ela fica me ensinando essas coisas.
– Ah! Pode ficar. Você parece ser bem mais fanática que eu. – Fala me entregando o pomo e rindo. Esse menino merece uma Ferrari. – Meu nome é Tom Jerry, tipo o desenho. Triste isso não é? Odeio o meu nome.
Quase começo a rir quando ele falou o nome, não por ser feio e sim porque é estranho e engraçado, mas fui bem educada.
– Prazer em conhecê-lo, Tom Jerry, meu nome é Anne Weints. – Digo sorrindo e apertando a mão do garoto – Devo dizer que seu nome é... Exótico.
– Pois é... Minha mãe não tinha o que fazer na vida, sofro bullying até hoje. Bem que você disse que a vida é cruel.
Sinceramente esse garoto é muito legal, mas gosta de falar que nem minha avó. Conversamos por um tempo e descobri, sem nem perguntar, que ele tem 21 anos, faz faculdade de administração, adora barcos, tem uma irmã de 9 anos muito fofa, é um sedentário de carteirinha e gosta de games de guerra como eu. Enfim achei um ser digno.
[...]
Oh Pai! Obrigada por me deixar chegar em casa. Depois de um trabalho cansativo resolvendo as últimas coisas para a aprovação do projeto e uma aula chata e horrível na faculdade enfim estou em casa, lar doce lar. Espero que a Emi já tenha chegado em casa, preciso de combustível para enfrentar mais um mês de aula e trabalho até as férias.
Chegando em casa, infelizmente a Emily não está, vou ter que pedir meu alimento. É até estranho não ter ninguém em ca...
– Buuuuu – Grita um ser, surgindo atrás do balcão, vestido de preto.
No susto acabo jogando a chave do carro, que estava na minha mão, e acerto em cheio o rosto da criatura.
– AAAAIIIII, meu nariz.
– Seu imbecil, o que te deu nos miolos pra me assustar assim? – Digo com a mão no peito tentando me acalmar – Tem sorte de eu não estar carregando o livro da faculdade.
– Era só uma brincadeira, sua magricela, meu nariz ta sangrando? – Pergunta meu irmão apontando o nariz. Jisuiz! A situação do nariz não é das melhores.
– Só um pouco, não está tão feio. – Murmuro sem convicção enquanto ele pega uma bandeja prateada para verificar o estrago – Agora falando sério, parece o nariz de um troll das montanhas.
– Haha muito engraçado, respeite os mais velhos. Olha esse troço, parece um repolho roxo. – Exagero a gente se ver por aqui. – Como eu vou pegar as gatinhas?
– Larga de ser chato e põe um curativo. – Falo deixando ele sozinho e indo para o quarto.
Esse meu irmão tem essa chatice desde que eu me entendo por gente. Vaidoso e egocêntrico, a aparência é tudo, ele sempre diz que parece com a minha mãe, porém eu o acho bem mais parecido com meu pai, não que o meu pai seja feio. O Arthur é 4 anos mais velho que eu e sempre vem com a desculpa ‘’Respeite os mais velhos’’ o que é tremendamente irritante. Mas é um bom irmão.
Depois de ter tomado um bom banho e trocado de roupa, vou até a sala para ver o que o senhor Weints está fazendo. Corro os olhos pela cozinha e depois a sala, encontrando-o deitado no sofá com o controle da TV na mão. Sento no outro sofá. Ainda tenho que esclarecer uma coisa.
– Arthur?
– Diga.
– Sobre o seu diário... – Inicio e recebo uma encarada do meu irmão que está com um curativo da Barbie no rosto. – Que diacho de curativo é esse?
– Eu peguei no quarto da Emi, não achei outro. Mas o que tem meu diário?
– Bom, lembra quando a Emily pegou ele? – Ele balança a cabeça afirmando – Pois é, eu meio que li uma parte dele.
– Você leu meu caderno de lembranças? – Eleva o tom de voz – Como? Que parte você leu?
– Eu tirei foto de uma das páginas e depois li. A parte que eu li foi... Bem, você confes...
– FALA POVO LINDO! – A doida chegou, e tinha que chegar gritando. Arthur e eu nos entreolhamos e depois viramos para ela. Sinceramente me sinto aliviada por ela ter chegado.
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