Notas iniciais
Olá, como estão?

POV: Maggie.

Enfeitiçado! Eu só posso ter mijado nas barbas de Merlin. Como o Snape pode me dar o gostinho de encontrar o seu diário pra depois eu descobrir que o maldito está enfeitiçado? Tenho que fazer algo! Definitivamente irei fazer algo.

– Pense Maggie... Pense. — Repetia isso como um mantra. Abri o diário outra vez, e apenas mais uma mensagem idiota apareceu:

"Presada Senhorita Adams, peço encarecidamente que use sua cabeça-oca para estudar, em vez de ficar bisbilhotando por aí".

Como se eu não estudasse. Que ofensivo.

Já sei!

Um feitiço que revele tudo. É apenas isso que eu preciso, e é claro, eu sei quase tudo sobre feitiços, mentira, eu sou péssima em feitiços, mas pelo menos eu sei fazer um "revelium" facilmente.

Apontei a varinha para o diário e coloquei toda minha confiança nesse feitiço. Espero que funcione. — Revelium. — E de repente eu sou jogada brutalmente para o outro lado da sala. Meu cabelo ficou um ninho de cobras, mais do que já era. Minha roupa uma bagaça, e meus sapatos voaram não sei para onde.

Fodida, eu estava fodida. Além de não ter conseguido abrir o diário, acabei derrubando alguns frascos de poções, tá, não foram alguns, foram muitos. E eu achando que poderia voar na minha nova vassoura hoje. Minha mãe comprou-me com tanto carinho. Agora nem terei tempo para almoçar... Ops, como eu posso ser tão burra? O Severo falou para eu não usar magia, mas ele não pegou a minha varinha... Ou seja, ESTOU LIVRE.

Concertei tudo o que eu havia quebrado, e movimentei todos os frascos devolvendo-os em seus devidos lugares. Fácil, simples, rápido. Tá, não tão rápido, mas foi mais fácil do que eu pensei. E agora eu posso ir para a minha maravilhosa aula de vôo.

Saí da sala em passos rápidos e calculados, não queria que o Snape me pegasse antes mesmo que eu pudesse dizer "Suba", e também não queria que ele visse que eu trouxe o diário junto comigo. Corri até ficar ofegante para a área de vôos. A professora Hooch é a minha professora favorita. Quando eu crescer quero ser tão habilidosa na vassoura como ela.

Os alunos já estavam em suas vassouras. Hoje teria treino de Quadribol, e sim eu estou no Quadribol como rebatedora.

– Desculpe pelo atraso professora. — Mordi o lábio inferior, envergonhada.

– Tudo bem querida, apenas pegue sua vassoura e treine com seus colegas. — Ela deu um sorriso amigável.

Dei apenas dois assobios para que a minha coruja trouxesse minha vassoura, e a repousasse ao meu lado.

– Obrigada Misty. — Sorri para a minha coruja, que apenas eriçou suas penas em retribuição.

– O Snape te deixou de detenção antes do horário novamente, não é? — Bonnie gargalhava já sabendo minha resposta. — Tadinha.

– Sim... Mas eu consegui algo. — Falei animadora. — Só preciso saber como abri-lo.

– Ah é? E o que você conseguiu? — Antes que eu pudesse responder, tive que desviar rapidamente de um balaço que quase me acertava.

– Preciso treinar. — Avisei, já dando vôo a minha vassoura.

É um pouco incômodo voar com um diário guardado em minhas vestes, mas tudo bem. Voar fazia com que eu me sentisse livre, solta, sem nenhum problema aparente. Afastar os balaços dos jogares era o meu talento natural, talvez porque eu sou muito perspectiva e atenciosa. Eu não era assim, porém acabei ficando mais observadora por conta do meu Snape. Até porque observar cada movimento dele requer muita atenção.

Alguns garotos da Grifinória são um pouco machistas em relação a garotas participarem do Quadribol. Mas quer saber? To nem aí, sou bem melhor do que eles, e se eu ofendo tanto a 'masculinidade' deles, o problema não é meu.

Coloquei uma das minhas mãos em meu rosto, tampando a luz solar que estava na minha direção, e facilitando a minha visão do campo. Ótimo! Outro balaço vindo até mim, quer dizer, dois balaços vindo até a mim. Peguei o meu taco já preparada para devolver com muito carinho o balaço. A única coisa que eu não sabia é que os balaços estavam vindo juntos, ao mesmo tempo. Acabei acertando um, porém, recebi o outro bem na minha barriga. Dei voltas e voltas com a minha vassoura, sentia que iria vomitar, apenas via o vento passando por mim, e fiquei agarrada a minha vassoura. Por sorte e muita força consegui pará-la antes que eu me arrebentasse no chão. Suspirei aliviada por não ter me machucado, e pelo diário do Severo ter ficado intacto.

– Você tá bem Maggie? — Lily gritou. — Tá machucada?

– Não, tá tudo bem. — A tranqüilizei. — Isso já aconteceu antes. — Muitas vezes, na verdade. — Eu já vou entrar para almoçar. — Desci da vassoura, e senti meu estomago reclamar de fome, e olha que eu já comi 3 vezes apenas de manhã.

Fui até o salão com Bonnie e Lily, cada uma do meu lado. Segurava o diário do Snape com uma das mãos, enquanto a outra eu carregava a minha preciosa vassoura. Avistei o precioso bolo de chocolate que estava posto sobre a mesa, eu com certeza iria engordar 2 kilos. Apressei os meus passos, olhando fixamente para o bolo, porém, acabo por bater em algo duro, intacto, porém, bastante cheiroso. Com o impacto acabo caindo de bunda no chão.

– Menos cinco pontos por tamanha falta de atenção. — A voz que tanto me perseguia. Rouca, grossa... Incrivelmente viciante. Meu Snape.

– Desculpa. — Levantei-me sem a ajuda dele. — Ownnn você estava tão bonitinho sem a capa. — Senti minhas bochechas ficarem quentes.

– Com quem acha que está falando? — Ele olhou-me quase que me matando pelo olhar. — Acha que eu não percebi o quão mal feito você limpou a minha sala? Acha que pode me enganar, senhorita Adams?

– N-n-não. — Confesso que fiquei morrendo de medo. Não posso me mijar agora, não na frente dele.

As poucas pessoas do salão nos olhavam abobalhados. Já era normal para eles as freqüentes discussões que eu tinha com o Severo.

– E ainda teve coragem de sair sem a minha permissão? — Ele olhou-me de cima a baixo, como se estivesse me avaliando.

– Eu tinha quer ir para o treino de Quadribol, amanhã a Grifinória e Corvinal terá um jogo. — Fiz um bico emburrada.

– Oh, é mesmo? — Falou sarcástico. — Veremos como conseguira jogar sem a vassoura, Senhorita Adams. — Snape pegou minha vassoura de uma forma um pouco bruta.

E eu dei o grito mais alto da minha vida.

Snape quebrou minha vassoura na minha frente, sem nenhuma piedade ou dó. Juntei minhas mãos próximas ao meu queixo e abri os meus olhos o máximo, que estes estavam cheios de lágrimas. Olhei com uma cara de cachorro pidão para ele. Um cachorro triste.

– Maggie! — Bonnie e Lily foram até o meu lado.

– V-v-você... — Gaguejei, pensando em algo para dizê-lo. — P-p-por que você...

E eu comecei a chorar, não um choro normal, um choro alto, típico choro de bebê.

– Você fez ela chorar! — Bonnie gritou, irritada.

Agora o salão estava mais cheio. Dumbledore ria de toda a situação; alguns alunos me olhavam com dó, outros com satisfação. Snape ficava com a mesma expressão fria e indecifrável.

Eu não parei de chorar nem um minuto. Severo deu as costas para mim, e eu, é claro, segurei na borda da capa dele.

– O que acha que está fazendo? — Virou o rosto para mim. — Acha mesmo que irie me comover com isso?

– V-v-você quebrou a minha vassoura. — Respirava com dificuldades e soluçava mais do que o normal. — Minha mamãe demorou um ano para comprar uma vassoura para mim. — Nesses momentos minha linguagem ficava muito infantil, eu sei. — Eu te perdôo porque eu te amo, mas eu ainda estou triste. — Passei uma das minhas mãos livres em meu rosto, limpando as lágrimas.

– Que isso te sirva de lição, senhorita. — Ele voltou a andar, porém, eu continuei a segurar sua capa, seguindo-o.

– Estou triste! Estou triste! Estou triste! — Fiquei repetindo isso como uma criancinha mimada. — Estou triste! Estou triste!

– Solte-me! — Severo puxou sua capa com certa violência.

– Estou triste e até que eu fique feliz de novo irei chorar até ficar rouca. — O desafiei.

– Quer perca a voz, garotinha patética. — Voltou a andar, enquanto eu o segui, chorando e gritando "Estou triste!"

As pessoas comentavam e alguns professores até tentavam impedir a minha perseguição, mas é claro que foi em vão, nada me impedia de perseguir o meu ranhoso.

Snape sentou-se em sua cadeira, e eu fiquei ao lado dele, chorando e o irritando. As pessoas continuavam com o olhar voltado a nos, não me importei. Eu pudia ficar rouca ou qualquer coisa, mas não deixaria essa passar. Minha mãe é uma enfermeira trouxa, e foi muito trabalhoso para ela conseguir essa vassoura para mim.

– Custou muito caro, e eu tive até que trabalhar na época. — Quando Snape ouviu isso, ele virou-se para mim, me olhado novamente de cima a baixo.

– Fique calada pirralha! — Eu não sei de onde veio, só o vi enfiando um pirulito delicioso em minha boca.

O olhei emburrada, mas contente por ele ter me dado um pirulito. Dumbledore que estava ao meu lado olhou-me de soslaio.

Passei minha mão em meu nariz, e aos pouco fui parando de soluçar. Fiquei até envergonhada por ter feito essa baderna toda.

– O-o-obrigada. — Segurei o pirulito com as duas mãos.

– Detenção... -Ele colocou outro pirulito em minha boca. — Detenção pirralha.

Notas finais
Esse capítulo foi fofo, ushausah. Até o próximo.