Loucamente Megan

3 Capítulo 2- Obrigada por me largarem


She's just a girl, and she's on fire

Hotter than a fantasy

Lonely like a highway

She's living in a world, and it's on fire

Feeling the catastrophe, but she knows she can fly away

Oh, she got both feet on the ground

And she's burning it down

Oh, she got her head in the clouds

And she's not backing down

This girl is on fire

This girl is on fire

She's walking on fire

This girl is on fire.

– Desliga isso agora Megan! — Meu pai mandou irritado.

Desliguei lentamente e olhei bem nos olhos deles, mas não me contive. Comecei a rir alto, não dava para olhar para a cara de pato dele e não rir.

– Do que você tá rindo?

– Te interessa? — Perguntei rindo ainda mais da careta que ele fez.

– Já chega Megan! Você vai pro internato.

– E você para um asilo.

Sabe por que não me importei? Por que era só pedir desculpa para minha mãe e prometer ser um anjinho que não iria mais pra lugar algum. Mães ^^.

E já estava quase na hora, eu infelizmente deixei tudo pra última hora e estava correndo pra arrumar minha segunda mala. Sim, eu iria levar duas malas, a primeira para roupas e coisas necessárias. A segunda para um martelo (sim, um martelo para o caso deles me trancarem se eu fizer algo que não é de agrado), folhas (folhas? Por que folhas? Eu sei lá, vai que eu tô entendiada e quero fingir ser o cebolinha fazendo planos maquiavélicos?), repelentes (eu vou para um sítio, esperava o que?), tênis (para se tiver lama não estragar minhas sapatilhas) e algemas (eu estou dizendo, eu vou precisar. Como eu consegui? Meu único melhor amigo me conheceu assim, a mãe dele era uma policial e eu e ele precisávamos fazer um trabalho de literatura, só que eu não queria fazer, então esse peste colocou uma algema em mim e outra nele, e me presenteou com ela depois disso para termos recordações. Eu e ele somos como inseparáveis e é por isso que ainda não disse que estou indo embora, não gosto de despedidas, mas um dia ele vai saber. Quando eu estiver lutando com porcos, beeem distante daqui, e sem sinal para celular). O que poderia acontecer, indo para a casa da minha tia? Eu sabia que ela tinha filhos, mas se alguma dessas pessoas estúpidas tentarem me tornar sociável, irá acabar com uma voadora na cara e um afogamento trágico acidental.

– Filha já está pronta? — Minha mãe perguntou, enquanto eu fazia maior esforço para tentar fechar a mala. Deveria repensar nas coisas desnecessárias que estava levando. — Por que está gemendo? Vem logo!

– Espera mãe, tô parindo um filho!!!

– O queeeee?? — Minha mãe gritou lá da cozinha.

– Coooooonseeeguiii!- Ignorei o quase surto da minha mãe, dançando gloriosamente por ter conseguido fechar a mala com a etiqueta: Made in China.

Desci as escadas rindo da cara de confusão da minha mãe. Se ela ficasse mais tempo comigo, já estaria acostumada a esse tipo de brincadeira.

– Entre no carro. — Minha mãe pediu já entrando no mesmo.

Coloquei as malas no porta-malas do carro, pegando antes meu celular e meus fones de ouvido. Entrei no carro e comecei a ouvir payphone do Maroon 5.

Passei cinco minutos ouvindo música depressiva até começar Don't do Ed Sheeran. Abri a janela e senti o vento bater no meu cabelo rosa, a vista era linda, estávamos perto de uma praia. Comecei a dançar no ritmo da música e fingi estar em um videoclipe. Eu sempre acabo fazendo isso, me envolvo na música, me empolgo e daqui a pouco eu sou a Shakira (ok, não é pra tanto).

Chegamos ao aeroporto depois de eu ter que explicar para a minha mãe que eu não tava morrendo (ok, eu sei que sou péssima dançando, mas não precisa exagerar neh?).

Sentamos naqueles banquinhos maneiros que são tão bons que dá até vontade de dormir. Viram a ironia?

Esperamos, esperamos, esperamos, preciso descrever a eternidade que precisamos esperar? Me apressaram pra nada! E então depois das plantas do aeroporto fazerem fotossíntese, ouvimos finalmente aquela vozinha irritante. Sinceramente, eu sempre odiei aquela vozinha, mas nunca quis tanto ouvi-la como hoje.

– Chamada para o Vôo 247, chamada para o Vôo 247...

Eu e minha tia maluca nos despedimos dos meus pais e entramos no aeroporto. Sentei na janela (fui obrigada). Olhei para a aquela altura e... Ai meu Deus.

Não é que eu nunca tenha ido em um avião... Eu já fui uma vez quando eu tinha seis anos e era tão fácil de ser influenciada que até usava fantasia de churros. Mas depois disso, eu só acompanhava meus pais até o aeroporto e os via partir.

– Calma Megan, vai ficar tudo bem, é só uma alturinha de...- Minha tia olhou lá pra baixo, arregalou os olhos e engoliu a saliva. — Calma Megan, calma Megan, nós não vamos morrer, eu já fiz isso três vezes, está tudo bem. Calma Megan, calma Megan...

Ela começou a apertar forte a minha mão. Eu não sei quem é mais cagona, ela ou eu. Coloquei meus fones de ouvido e comecei a escutar música, tentando dormir.

Senti uma cutucada forte no meu braço, olhei para o lado e vi uma aeromoça ainda me cutucando.

– Eu to acordada. — Falei retirando os fones.

– Senhorita, poderia desligar o celular por favor?

– O que? Não! — Falei franzindo as sobrancelhas.

– O avião vai decolar e a regra diz que você deve desligar o celular. — Ela explicou calmamente e apontou para a plaquinha que dizia que o uso de celular era extremamente proibido. O que??!!!

– Mas moça, eu tenho problemas com altura e com vômito. Se eu não tiver algo pra me distrair, eu vou vomitar. — Expliquei rapidamente.

– Há sacos plásticos ao seu lado. — A mulher piscou pra mim e saiu. Estúpida!

Voltando ao meu surto inicial, eu to sentindo alguma coisa voltar. Espero não ser o meu almoço e minha janta de ontem. Respira, respira, respira! Eu to bem...

Deitei olhando para o corredor (porque se eu olhar para a janela, tá arriscado eu virar notícia, como: vômito indeterminado cai na cabeça de 50 cidadãos inocentes), ou ser presa (você feriu vomitalmente 50 cidadãos, culpada: Megan Lyne). Vomitalmente existe? Ah, foda-se, eu não posso ligar o celular para procurar na Internet.

E quando já estava no meu sétimo sono, sinto alguma coisa chutar minha poltrona. Qual ser alienígena quer morrer hoje? Nem liga, quando acordo costumo estar dopada.

– Que Inferno! Você pode parar de chutar minha poltrona ou quer que eu enfie sua perna goela abaixo? — Reclamei ao ver um garotinho que devia ter uns sei lá 9 anos?

– Tenta para você ver! — Respondeu o mesmo. Ele tá me desafiando?

– Olha só pirralho, não to afim de me estressar.- Respondi ainda considerando a ideia de enfiar sua perna goela abaixo.

– Eu tenho 12 anos. — Reclamou chutando mais forte. Ele tá me estressando.

– Ainda é um pirralho! — Gritei.

E ele chutou ainda mais forte, eu juro que queria arrancar os pulmões dele para ele parar de respirar e morrer asfixiado.

E quando eu gritei, senti que não dava mais para segurar. Minha comida fez o retorno e voou para o pirralho que tava na minha frente.

– Sua idiota, olha o que você fez! Papaiiiiiiiiiii, papaiiiiiiiiiii, minha camisa novaaaaaaaa!!!!!!! — O menino se levantou e foi para o banheiro seguido do seu pai que me olhava de cara feia. Ah, vão tomar leitinho, vão!

E finalmente dormi como o anjinho que sou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.