Louca Obsessão
31 Provocações
Notas iniciais
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31. Provocações
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Deixou-se afundar ainda mais no espaldar da cadeira giratória. Encarou o lugar com olhos minuciosos, e não soube dizer como Sesshoumaru a convencera de ir até aquele lugar. Todavia, se ele não a acompanhasse presumia que jamais teria coragem suficiente de ir até uma delegacia por vontade própria.
Sentado, logo a sua frente, o delegado Ookami esperava pacientemente que ela começasse seu discurso contra Suikotsu. Ela se sentia nervosa diante de uma autoridade, Rin não poderia esconder nenhuma informação que pudesse vir a ajudar nas investigações. Não poderia mentir e dizer que o namorado de sua amiga não estava fazendo o possível para ajuda-la. Até mesmo ele havia se envolvido com toda aquela loucura. Mas infernos, do que ela estava pensando? É claro que Kouga se envolveria, aquele era seu trabalho!
Balançando o envelope pardo nas mãos, o delegado Ookami iniciou seu dialogo:
— Avaliamos o que nos trouxe e há muitas coincidências aqui. Isso facilita as coisas! – os orbes azuis desviavam de Sesshoumaru e Rin, respectivamente. – Suikotsu Shichintai se tornou o nosso principal suspeito e meus homens já estão em busca de qualquer informação sobre ele.
— Suspeito?— o tom de aviso se intensificou na voz do youkai. – Ainda duvida de nossa palavra?
— Entenda-me Sesshoumaru, o que buscamos é uma comprovação. – esclareceu. – O que me trouxe se encaixa perfeitamente com o que procuramos, as investigações continuam, mas para sentenciá-lo quero algo concreto ou desde que ele mesmo confesse o que fez.
— Está se referindo a todas as vitimas que ele matou? – pela primeira vez, Rin conseguiu se pronunciar dentro da sala.
— Não estou duvidando do que aconteceu com você! – continuou o delegado. – Se ele está envolvido com as garotas mortas, eu quero exames que comprovem isso.
— Que tipo de exames? – a voz grossa de Sesshoumaru ressoou pelo recinto, logo atrás de seu pequenino corpo.
— Elas foram violentadas e o bastardo tampouco se preocupou em não ejacular dentro de seus corpos! – um arrepio lhe subiu pela espinha quando ouviu Kouga colocar todas as cartas na mesa. – Esse exame dirá ou não se foi ele quem as estuprou antes de matá-las. Se o resultado for positivo em ambas as vitimas, Suikotsu irá responder por seus crimes.
— Q-Que não são poucos... – ressaltou a única presença feminina do lugar.
— Não, não são! Ele está sendo indiciado por estupro seguido de tortura e homicídio, violência, cárcere privado e invasão de domicilio.
Mordeu o canto de seus dedos na medida em que Kouga enumerava com as mãos todos os crimes de Suikotsu. E quando ele fez a menção de indiciá-lo contra invasão de domicilio, ela se lembrou daquele dia, onde Suikotsu entrou em seu refúgio e fora surpreendido por Sesshoumaru logo em seguida.
— Não se esqueça do fato de que ele é um maldito perseguidor! – Sesshoumaru grunhiu com notória insatisfação pelo outro não ter se recordado do fato.
— Como eu disse, estamos averiguando as evidências. – Kouga se defendeu com as mãos erguidas ao alto em sinal de redenção. – Não há o que se preocupar com as investigações Sesshoumaru.
Estreitou levemente os olhos. Sesshoumaru confiava cegamente na capacidade de Ookami Kouga, ainda mais quando fora ele quem o assegurara de que colocaria aquele maldito rato atrás das grades.
— Até que parte Sesshoumaru lhe contou? – querendo acabar com aquilo logo de uma vez, Rin interrompeu a troca de olhares entre as duas montanhas de músculos que se encaravam.
O azul vivo se chocou contra o castanho de seu olhar, dando-lhe totalmente a atenção que merecia.
— Creio que apenas o necessário, o que quero aqui são os detalhes. – batucou o dedo indicador sobre o envelope pardo antes de acomodar as costas no espaldar da cadeira e cruzar os braços fortes em frente ao peito tonificado.
— O que quer saber? – foi direto ao ponto.
— Me diga quando foi que começou a notar certas mudanças no comportamento de Suikotsu.
— Enquanto ainda estávamos juntos! – respondeu de prontidão e só voltou a falar quando sentiu o aperto da enorme mão de seu youkai em seu ombro como forma de incentivo. – As perseguições só começaram quando rompemos. Antes disso, ele se mostrava muito inseguro e queria estar ciente de cada passo que eu dava e com quem eu estava. Nossos encontros deixaram de ser uma coincidência no momento em que comecei a receber bilhetes anônimos com ameaças estranhas.
Kouga balançava a cabeça a cada palavra proferida, como se gravasse cada detalhe e avaliasse com seus minuciosos olhos azuis vorazes.
— O que sabemos é que ele busca em algumas pessoas características semelhantes. – viu o delegado coçar o queixo, como se cavoucasse em sua mente alguma outra informação importante.
Mas aquilo todos já estavam cientes! Era obvio demais. Sesshoumaru quase grunhiu por isso, quase.
— Sabemos também que você não é a única vitima! – Kouga continuou a dizer.
O desconforto de Sesshoumaru se tornou evidente. Rin ajeitou-se na cadeira procurando aliviar a tensão do lugar.
— E que muitas outras vieram antes de você... – cogitou alto e em boa voz. – A data de publicação do jornal nos faz cientes de que as vitimas que ele as matou foram mortas há alguns anos antes de você aparecer.
Entre abriu os lábios estupefata. O que diabos Kouga jogava ao alto? Estava realmente escutando aquilo? Então ela não era culpada pela morte de ninguém? Suikotsu apenas... Apenas buscava semelhanças em alguém que se parecia com uma mulher de seu passado, e pelo o que acabara de descobrir, não era ela!
— O-O quê?— seus pensamentos saíram pela sua boca.
— Você teve a infeliz sorte de se parecer com alguém do passado de Suikotsu Shichinintai!
Mordeu o lábio inferior e fixou o olhar em algum ponto interessante, mantendo-o preso bem ali, como se ainda assimilasse as palavras do delegado.
— M-Mas... E-Eu... – pigarreou por alguns instantes. – Não acredito! – disparou com fúria. – Passei minha vida me culpando pelo o que Suikotsu fazia as pessoas a minha volta achando que era... Que era a minha culpa! – apontou os dedos para si mesma. – E agora você está me dizendo o contrário?
— São suposições levando em conta sobre o ano dos assassinatos. – Kouga esclareceu. – Suposições que me fazem julgar que sua obsessão nasceu a partir desta pessoa.
— Então quem é? Se eu me pareço com alguém do passado de Suikotsu, quem é essa mulher?
— É o que eu pretendo arrancar dele quando colocar minhas mãos naquele desgraçado. Eu certamente o farei dizer! – garantiu o delegado, com os olhos brilhando em antecipação pelo momento em que o pegasse.
Rin estava chocada o bastante para conseguir assimilar tanta informação. Kouga suspeitava que Suikotsu buscava em outras mulheres características que o faziam lembrar de alguém de seu passado. Então... Ela nunca foi a razão que o fez cometer todos aqueles crimes! Rin era tão vitima quanto as outras mulheres.
— Mas minha preocupação agora é outra. – continuou o delegado. – Temos que pensar sobre o casamento de Inuyasha e Kagome que está cada vez mais perto.
Kouga coçou ligeiramente o queixo, cogitando algo que apenas ele tinha o conhecimento. Franziu o pequenino nariz tentando adivinhar o que se passava na cabeça do delegado Ookami.
— O que isso tem a ver com Suikotsu?
— Teme que ele possa tentar alguma coisa durante cerimônia? – Sesshoumaru pareceu ler os pensamentos do delegado.
O estomago de Rin se revirou. Céus, ela não havia pensado nisso. Imaginou como seria o semblante de sua amiga se algo acontecesse. Não, Kagome não merecia ter sua festa de casamento arruinada. Não depois de tanto trabalho, aquele era o seu dia e ela ansiava por ele.
— Com tantas pessoas presentes? Não, ele não é tão idiota assim. – Kouga soltou uma risada irônica. – Toda cautela é pouca, por isso, colocarei meus homens dentro e fora da festa. Reforçarei a segurança! É isso o que farei.
Por um lado, Rin sentiu como se um peso saísse de suas costas em saber que Kouga não permitiria que nada de grave estragasse uma cerimônia tão aguardada por todos. Deixou sua preocupação de lado e repetiu em sua mente inúmeras vezes que tudo daria certo, como um sagrado mantra. Aquilo pareceu funcionar porque rapidamente seus receios foram esquecidos. Rin passou a confiar cegamente no jovem delegado sentado a sua frente, e a acreditar que nada impediria que aquele casamento acontecesse.
Respondeu todas as perguntas direcionadas para si, não deixando nada escapar dos atentos olhos azuis que estavam cravados em seu rosto. Rin se pôs a falar, sem deixar uma única informação de fora. Cada detalhe era extremamente precioso.
Saiu da delegacia acompanhada de seu youkai, com promessas por parte de Kouga que tudo o que acontecia em sua delegacia, ficava em sua delegacia. Sendo assim, ninguém de fora saberia sobre as coisas que lhe contara. Retornaram para a casa e o clima entre a família Taishou desde o ocorrido sobre a descoberta de Suikotsu se mostrou estranho. Apenas não se intensificara devido aos preparativos do casamento que se aproximava com rapidez. A medida que os dias se passavam o stress se acumulava em seu corpo, deixando-a cada vez mais nervosa e ansiosa pelo grande dia. Se ela se sentia daquela maneira, imaginava como a noiva deveria estar lidando com seus próprios nervos. Pobre Inuyasha por ter que aguentar uma explosão de sentimentos provinda de uma Kagome eufórica.
O tão esperado dia havia chegado e lá estava ela com seu vestido em mãos protegido por uma capa plastificada, enquanto desviava do fluxo de pessoas que ia e vinham dentro do apartamento de Kagome. Como prometido, Jakotsu seria a pessoa quem a produziria para o seu casamento. Mas com seu salão parcialmente destruído, o apartamento do casal fora o lugar escolhido para deixar a futura Taishou ainda mais bela.
— Onde posso deixar meu vestido? – sacudiu a capa de plástico ao alto assim que se aproximou de um Jakotsu concentrado em espalhar uma mascara de limpeza verde no rosto de Kagome.
Mantendo os olhos fechados e sem dizer uma única palavra, a noiva apontou para a direção que ficava os quartos do apartamento.
— Coloque em cima da cama junto com os outros. Aproveite e tome um banho Rin, as meninas farão o seu cabelo e a sua maquiagem. – Instruiu Jakotsu.
Concordou, seguindo em direção ao quarto indicado. Vendo-o tão concentrado trabalhando ela pode perceber o quanto Jakotsu amava aquilo que fazia como se tivesse nascido para exercer sua profissão. Encontrou Sango e Ayame pelo caminho e ambas também começaram a se produzir com a ajuda da equipe formada, escolhida a dedo pelo amigo. As viu esmaltando suas unhas enquanto seus cabelos estavam enrolados por toalhas brancas, deixando claro que já estavam de banho tomado.
— Está atrasada! – Sango assobiou para ela quando a viu passar.
— Sesshoumaru a segurou até o ultimo minuto? – Ayame brincou, vendo o rosto da pequena se tingir de vermelho.
— Não demorei tanto assim... – se defendeu. – Sesshoumaru estava ocupado!
— Estava ocupado, claro!— Jakotsu insinuou completamente atento as conversas ao seu redor, enquanto se dedicava em hidratar os cumpridos cabelos de Kagome.
A noiva soltou uma risada descontraída e o amigo se sentiu satisfeito por aliviar a tensão de seu corpo pelo dia estressante, mesmo que por um curto instante. Rin não se incomodou, aquele era seu jeito e nunca mudaria. Aparentemente já se encontrava acostumada e confortável o bastante com seus amigos. Deixou-os para trás e seguiu até o quarto de hospedes. Colocou cuidadosamente seu vestido sobre a cama ao lado dos outros e se manteve ocupada dentro de um dos banheiros vazios do apartamento. E pelo o que lhe disseram Izayoi e a mãe de Kagome também se aprontavam nas outras suítes.
Assim que lavou o cabelo e voltou a vestir sua lingerie, a pequena se enrolou em uma das toalhas oferecidas a ela e assim ficou. Não se incomodando por estar apenas com o seu conjunto rosa por debaixo da toalha. Quando voltou para a sala onde o salão improvisado de Jakotsu acontecia, Rin teve a sensação de que Kagome fosse algum tipo de princesa, porque todos a rodeavam, produzindo-a e cuidando-a dos pés a cabeça, cada um fazendo seu trabalho. Viu-a com os cabelos presos enquanto algum creme os hidratava, o rosto estava verde pela máscara facial que Jakotsu aplicara e suas mãos e pés eram revestidas por camadas de esmaltes brancos. Aparentemente, ela estava relaxada. Mas sabia que em seu intimo uma explosão de sentimentos acontecia. Podia ver o quanto ela se controlava para não torcer os dedos das mãos em sinal de nervosismo.
— Você quer parar com isso. – Jakotsu protestou a ela. – Se continuar atrapalhando nosso trabalho eu te juro Kagome que eu farei o penteado mais feio em você.
— Você não teria coragem... – A noiva estreitou os olhos, desafiando-o.
— Ah, eu teria! – afirmou com veemência. – E toda vez que olhar para o seu álbum de casamento vai se lembrar de quem foi a culpada por isso.
Rin segurou a risada. Não, ele definitivamente não teria coragem. Jaky fez um gesto com as mãos, chamando-a para que ela se aproximasse e se sentasse em um dos estofados para que alguém começasse a arrumá-la.
— E-Eu... – Kagome suavizou o semblante, sentindo os olhos queimarem. – Não dá pra evitar Jaky! – puxou as mãos ignorando os protestos de quem esmaltava suas unhas para agitá-las frente ao rosto procurando afastar as benditas lágrimas.
— Está com medo do quê? De inuyasha abandonar você no altar? – Jakotsu bufou em sinal de descrença. – Tire isso da cabeça. Ele não é o Miroku, você sabe.
— Eu ouvi isso! – Sango gritou de onde estava.
Jakotsu deu de ombros, segurou as mãos de Kagome impedindo que ela continuasse a agitá-las e as puxou de volta para que sua equipe continuasse a esmaltá-las.
— Já lidei com muitas noivas e acredite, eu sei bem como elas se sentem. Relaxe Kah, hoje é o seu dia e eu estou aqui para deixá-la linda, como meu presente de casamento para você. – Jakotsu afagou seu cabelo coberto pelo creme hidratante. – Vou te deixar tão linda, mas tão linda que o seu futuro marido vai querer usar todos os presentes que eu lhe dei no seu chá de lingerie.
A gargalhada foi certeira, Kagome jogou a cabeça para trás e riu sendo seguida por suas madrinhas.
— Ah, ele com certeza vai usar! – Ayame provocou.
— Não façam comentários assim, minha mãe e minha sogra também estão se arrumando nos quartos!
Advertiu a noiva com o rosto parcialmente corado, mas sem deixar o sorriso sobre os lábios. Rin contemplou o dom que Jakotsu possuía por fazer as pessoas se esquecer de seus medos e receios.
— Ahá, agora sim um sorriso. – a face de Jakotsu se iluminou. – Continue com ele durante todo o dia e o seu casamento irá durar por toda a eternidade.
O conselho de Jakotsu pareceu lhe encher de coragem, Kagome afastou os maus pensamentos mandando-os para longe e dizendo para si mesma que nada iria acabar com o seu momento.
Rin teve as unhas feitas e esmaltadas com uma cor escura, para que pudesse se contrastar com o tom de seu vestido claro. Oh céus, fazia tempos em que ela não tirava um dia inteiramente para se cuidar. Sentia falta de fazer coisas tão simples quanto aquelas. Até mesmo aproveitou o momento para aparar as pontas de seus cabelos sem alterar no cumprimento do mesmo.
Kohaku havia passado por ali para deixar o vestido que Sango havia se esquecido de trazer antes de seguir o seu caminho de volta, e foi estranho Rin se deparar com ele depois da terrível cena que aconteceu dias atrás. Era nítido o estranho clima sobre os dois, mas para o seu alivio ninguém pareceu perceber isso. E tampouco notaram os olhares que ele lhe lançou quando a encontrou apenas enrolada por uma toalha branca. Era naquele momento em que se martirizava em pensamentos por não ter vestido sua roupa de volta assim que saíra do banho.
O dia se seguia naquela mesma correria. Kagome teve seu merecido dia da noiva, com direito a esfoliações corporais, banhos relaxantes e massagens nos pés. Tudo para que a tensão se esvaísse de seus ombros. Devidamente maquiada e penteada, ela esbanjava beleza por todos os seus poros. Suas madrinhas não estavam diferentes. As três trajavam seus vestidos escolhidos, com maquiagens carregadas para a noite e os penteados perfeitamente despojados, era difícil dizer quem era a mais bonita. No entanto, era Kagome quem roubava toda a cena. Ela estava lindíssima! Era o seu dia, afinal de contas.
Assim como da primeira vez, o vestido de noiva em seu corpo tirou o fôlego de todos. O corpete bordado moldava a cintura fina e erguia os seios fartos tornando-os maiores. Seu decote não estava com exageros, deixava-a com um ar de sensualidade e beleza sem esbanjar qualquer indicio de vulgaridade. Sua calda era longa e pequenas pedrarias contornavam as rendas delicadas que a rodeavam. As laterais de seus cabelos foram puxadas para trás enquanto um topete alto se erguia e uma coroa de brilhantes mantinham os fios presos no lugar, o restante de seu cabelo caia em cascadas onduladas bem em suas costas. Ela girou no mesmo lugar para avaliar todo o trabalho que Jakotsu havia feito e inevitavelmente seus olhos marejaram.
— Se você borrar a minha maquiagem... – Jakotsu deixou a ameaça ao alto.
— Ela é a prova d’água Jaky! – Kagome lhe mostrou a língua.
— Então deixe para chorar quando estiver colocando a algema de ouro no dedo do seu futuro marido, pra jogar na cara de todo mundo que ele é seu. – choramingou. – Não acredito que perdi aquela delicia de homem, vou passar o resto da minha vida com depressão.
Jakotsu teve o braço estapeado por Kagome pela sua provocação, e ele se deixou rir pela brincadeira. Mas seu sorriso se desfez no instante seguinte que um coro de fungados se seguiu bem atrás de si.
— Ah não, vocês também! – se alarmou. – Não. Por favor, não chorem. – pediu.
— Você está tão linda querida. – Izayoi passou a ponta dos dedos bem abaixo de seus olhos, impedindo que as lágrimas borrassem sua maquiagem bem feita.
— Sim, está maravilhosa! – o soluço partiu de sua mãe e o coração de Kagome se derreteu por aquilo.
— Você é o melhor Jaky!
Kagome o puxou para um abraço tendo seu amigo sufocado pela quantidade de tecido que a envolvia.
— Você é a noiva mais quente que eu já vi, agora me solte para não amassar o seu vestido. Eu ainda preciso me arrumar antes de partir para a melhor cerimônia dessa noite.
— Não quero ser chata, mas precisamos ir. – Sango os acelerou.
— Estamos atrasados? – Kagome arregalou os olhos.
— Meu bem você esperou sete anos pra isso, pode muito bem deixar o seu noivo esperar algumas horas antes de subir naquele altar. Deixe-o ansiar para vê-la nesse vestido quente, toda noiva se atrasa!
A ideia de ter Inuyasha ansioso para vê-la a fez curvar os lábios em um sorriso provocativo. A noiva aguardou o motorista vir buscá-la para leva-la até a cerimônia, seu coração quase saltando de dentro do peito. Diferente de suas madrinhas, Kagome ficou no apartamento, enquanto elas partiam na frente.
Sesshoumaru fizera menção de buscar sua Rin para acompanha-la, seus olhos lascivos a beberam demoradamente ao mesmo tempo em que apreciava toda a produção que Jakotsu fizera consigo. Vê-la tão sensualmente dentro daquele vestido que destacava suas curvas e deixava suas costas expostas, fez seu membro se contorcer dentro das vestes. A enorme mão de Sesshoumaru a guiou para o elevador do prédio e quando se viu sozinho com sua humana ele não conseguiu manter suas mãos longe dela.
A pequena arfou quando o eixo de seu youkai foi pressionado bem atrás de si. Os lábios gulosos em seu pescoço se apressaram em lhe acender o fogo do desejo. Oh Céus, ele estava tão quente dentro do Smoking preto.
— Este Sesshoumaru está tentado a arrancar-lhe o maldito vestido. – rosnou contra seu ombro, deslizando o dedo pela abertura em suas costas nuas alcançando a tira de sua calcinha.
Um arrepio gostoso percorreu sua espinha. Os vorazes orbes de seu youkai se mantiveram fixos em seus lábios entre abertos. E quando ele se inclinou para se apoderar de sua boca rosada, ela o deteve:
— Você vai borrar meu batom! – empurrou-o gentilmente pelo ombro. – Não quero chegar uma completa bagunça.
— Está impedindo-me de beijá-la doce Rin?
— Nesse momento? Sim, eu estou!
O enfrentou com um sorriso doce. Divertia-se claramente pela contradição que encontrou no rosto de seu youkai. Dane-se se borraria o batom de Rin. Ele queria beijá-la e era isso o que faria. Inalou fortemente em seu pescoço, cheirando-a demoradamente. E quando a sentiu derreter em seus braços, Sesshoumaru avançou contra ela.
— Por favor. – Rin projetou o pescoço para trás, fugindo de sua boca.
Contrariado, ele tirou as mãos de seu corpo e ela quase se socara por tê-lo feito se afastar. No entanto, todos saberiam o que faziam quando colocasse os pés para fora do carro. Ser pega de saia justa no dia do casamento de Kagome e Inuyasha não era o que desejava para a noite.
— Você irá recompensar este youkai mais tarde. – rosnou entre dentes.
Rin sorriu por provoca-lo desta forma e saber todas as reações que causava no corpo de Sesshoumaru. Certamente ele estaria duro, pronto para aliviar-se e ela acabara por destruir todos os seus planos de conseguir uma rapidinha. Levou a mão para ajeitar sua gravata borboleta roçando os dedos propositalmente sobre sua pele exposta do pescoço grosso. Seus olhos âmbares diziam a ela que se continuasse com tamanho atrevimento, Sesshoumaru esqueceria a voz da razão e cumpriria todas as suas promessas não ditas ali mesmo, dentro do elevador.
Controlando o ímpeto de continuar com as provocações, foi que ele a guiou até sua Audi estacionada frente ao edifício. Dirigiu durante todo o trajeto não evitando em esconder dentro das calças sua majestosa ereção. O que ocasionou mais uma enxurrada de divertimento para Rin.
Quando colocou os pés para fora do carro, os flashes pipocaram em seu rosto. Os fotógrafos contratados para registrar cada detalhe da cerimônia não desperdiçavam oportunidades para clicar em suas câmeras profissionais. A decoração da entrada do enorme salão de festas era magnifica, até mesmo se emocionara por vê-la. Só esperava que Kagome fosse capaz de segurar as lágrimas antes de entrar pelas portas do mesmo.
Olhou de soslaio e viu Kouga conversando sozinho, como se uma escuta estivesse em sua orelha lhe colocando a par de tudo o que acontecia ao redor da festa. Sua presença ali apenas a fazia pensar que ele se encontraria com Ayame quando ela chegasse, e não a buscasse como qualquer acompanhante faria. Cumprindo exatamente a promessa que fizera, a área ao redor estava abarrotada de policiais disfarçados em ternos para se parecerem com seguranças comuns. Suikotsu não daria as caras por ali, não nestas condições.
— A área está limpa! – Kouga caminhou até eles garantindo que tudo estava sob controle.
— Qualquer tipo de movimento estranho, me comunique.
— Não subestime o meu trabalho Taishou.— E dizendo isto, se retirou. Caminhando para longe.
Rin prostrou-se ao lado de Sesshoumaru durante todo o tempo, cumprimentando os convidados que vinham conversar com o mesmo. Ao longe viu uma pequena movimentação, Miroku e Sango acabavam de chegar e pelo o que notava uma calorosa discussão se desenrolava. Ayame também caminhava logo atrás ao mesmo tempo em que buscava Kouga com seus olhos.
A cerimonia se seguiu adiante e assim que Kagome chegou trajando seu magnifico vestido, deu inicio ao casamento. Inuyasha já se encontrava posicionado dentro do salão, completamente nervoso pela enorme demora de sua noiva. Rin acompanhou Sesshoumaru, sendo recebidos por mais flashes que disparavam em suas direções. Os restantes dos padrinhos também caminharam pelo gigantesco tapete vermelho, e quando a tradicional musica soou pelo lugar todas as cabeças se viraram para ver uma chorosa Kagome desfilar com seu majestoso vestido branco.
Rin cutucou Sesshoumaru com o cotovelo para que ele fosse capaz de gravar a expressão no rosto de Inuyasha, e certamente pediu em pensamentos para que algum fotógrafo registrasse a cena. Os juramentos foram feitos, a troca das alianças aconteceu e com isso novas lágrimas surgiram pelo rosto da noiva em forma de cascata. Quando enfim Inuyasha e Kagome se beijaram, estava oficializada a união do casal. Tudo fora perfeito. E para o alivio de Rin não houve nenhuma intromissão inesperada que pudesse vir a terminar com a felicidade dos recém-casados.
— Tente sorrir para as fotos Sesshy. – Rin sussurrou a ele.
Sesshoumaru grunhiu baixo por ser obrigado a participar de mais uma seção de fotos com os padrinhos. Se soubesse que passaria por aquilo não teria aceitado em participar de toda aquela comemoração. Aquilo estava começando a irritá-lo, tanto barulho e comoção ao mesmo tempo. Sua sorte é que situações como aquelas só aconteciam uma vez na vida.
A tortura das fotos terminou e Sesshoumaru não via o momento em que pudesse se esgueirar com sua Rin sem que olhos curiosos se projetassem sobre os dois. A ânsia e o desejo de arrancar-lhe o maldito vestido parecia crescer a cada movimento sensual que o corpo de Rin fazia dentro do emaranhado de tecidos. Raios, ela estava provocando-o, sabia que estava. Maldita provocadora.
Passou a ponta do nariz por seus cabelos presos, agarrou-lhe a cintura quando uma tentadora ideia se apossava de si. Guiou-a até os banheiros sem dizer uma única palavra. Dispersou de lá de dentro qualquer pessoa presente e a empurrou com rapidez. Como se toda a ânsia em possuir aquele corpo chegasse ao limite.
— Tentará me impedir de beijá-la agora doce Rin? — ronronou contra seus lábios.
As pequeninas costas se chocaram com a parede atrás de si, e dois braços incrivelmente fortes a prenderam ali. Completamente sem escapatória ela se deixou levar pela situação. Seu peito subiu e desceu. O brilho lascivo brilhava nos olhos de Sesshoumaru.
— Eu vou te beijar! Aqui. Agora.
Umedeceu a boca com a ponta da língua e seu olhar caiu diretamente para os lábios de Sesshoumaru. Oh, sim, sim e sim. Ela precisava beijá-lo.
— Você tem me provocado com este maldito vestido durante toda a noite. – pressionou sua enorme ereção em seu ventre.
— Não era a minha intenção! – deslizou a palma das mãos sobre seu peitoral arfante, e ali as deixou. – Porque a pressa? Eu disse que o recompensaria mais tarde.
— Este Sesshoumaru não sabe esperar! – rosnou.
Riu maravilhada pelas reações que o fazia sentir. Enlaçou seu pescoço, trazendo-o para mais perto.
— Alguém pode entrar, você sabe.
Dane-se, grunhiu em pensamentos. Sesshoumaru mataria o desgraçado que ousasse interromper seu momento com sua garota.
Capturou sua boca com sofreguidão saboreando seu sabor com avidez, enlaçando sua língua para acompanhar o mesmo ritmo do beijo. Teve os seios apertados e massageados pelas enormes mãos, o que só se fez aumentar o formigamento em seu centro. Teve a impressão de que os fios de seu penteado se soltavam, e este foi o estepe para Rin impor uma distância entre os dois.
— S-Sesshy...— ela o afastou pelos ombros.
E seu grunhido de advertência apenas a fez se divertir ainda mais. Estava começando a gostar de provoca-lo, de vê-lo ansiar por seu corpo. E por mais que tentasse afastá-lo de si, Sesshoumaru não conseguia manter suas mãos longe de seu corpo.
— Se recomponha. – olhou diretamente para sua evidente ereção, controlando a vontade de acaricia-la por cima das vestes.
O viu se ajeitar bem ali e mordeu os lábios para não rir. Aquilo tudo não passava de um jogo, provocando-o desse jeito sabia que a noite deles seria quente, porque quando Sesshoumaru colocasse as mãos nela, não a libertaria de seu aperto tão cedo. Sorriu provocadoramente, girando nos calcanhares e saindo do banheiro. Céus, ela precisava sair dali antes que perdesse a razão e esquecesse-se da promessa que fizera de recompensar o youkai no final da festa.
Sentiu a garganta seca e um fogo se alastrou por suas entranhas. Rin precisava beber algo, só assim seria capaz de esquecer a montanha de músculos que se esfregava em seu corpo minutos atrás. Caminhou até o balcão de bebidas, onde um garçom preparava as misturas de seus drinks na mesma hora. Inclinou-se para frente e fez seu pedido.
— Lychee Margarita, por favor.
Com agilidade, Rin o assistiu preparar sua bebida como se fosse incrivelmente fácil acrescentar tantas misturas diferentes. A tequila juntamente com o suco de limão e o toque adocicado da lichia era uma explosão de sabores em sua boca. Bebericou sua bebida sentindo a garganta queimar a cada gole ingerido. Consequentemente, o liquido a deixou mais leve e relaxada.
Não estava nem na metade de seu drink quando alguém se aproximou e parou ao seu lado. Olhou o convidado de Inuyasha e Kagome por cima de sua taça com curiosidade sem deixar de observar seus traços masculinos. O homem era dono de onduladas madeixas cumpridas e olhos tão hipnotizantes quanto um sapato na vitrine de uma loja. Rin se pegou encarando-o, sem saber o motivo do tamanho interesse.
— O mesmo drink que o dela. – a voz grossa a envolveu.
O estranho homem sustentou a troca de olhares e um arrepio lhe subiu a espinha com a intensidade que ele a encarava. Não sabia por que, mas se sentia diminuta perto daquele homem. Como se uma sensação estranha e um aviso de perigo lhe gritava em sua mente.
— Apreciando a comemoração? – os orbes se estreitaram para ela
— A-Ah... Sim! – gaguejou de inicio não sabendo por onde começar.
— Mas é claro, todos estão!— a hostilidade era evidente em sua voz.
Desviou o olhar de direção, tomando consciência pelo canto dos olhos que ele não havia tirado os olhos de si. Varria toda a extensão de seu corpo sem disfarçar seu interesse pela morena. Rin se viu ansiosa para sair dali e manter distância do forte corpo bem ao seu lado.
Terminou sua bebida com rapidez, sentindo-se até mesmo tonta por tê-la ingerido de uma única vez, em um único gole. Girou nos calcanhares e recuou. Ainda sentindo toda a pele exposta de suas costas queimarem com o seu olhar. Não precisava ser esperta o bastante para saber que aquele homem a acompanhava com o olhar. Tinha algo ali que a fazia tremer.
Sustentando o peso do corpo em seus saltos altos, Rin caminhou por entre os convidados, desviando de quem estava em seu caminho. Deteve a atenção no burburinho que surgiu logo a sua frente, Izayoi parecia exaltada e rogava ao algo inúmeras pragas á alguém. De imediato pensou que algo terrível aconteceu e a razão para isso possuía um nome: Suikotsu.
— O que esse descarado faz aqui? – escutou ela dizer para Sango e Ayame que estavam bem ao seu lado.
— Algum problema Izayoi? – se aproximou das outras três.
— É muita cara de pau ele aparecer aqui! – indignação cruzou o seu semblante, substituindo toda a felicidade de mais cedo.
— De quem ela está falando? – fez a pergunta desta vez para as duas madrinhas.
— Dele!— apontou o dedo para a direção onde estava mais cedo. – Se ele quer arrumar alguma confusão, perdeu a viagem porque eu não vou estragar a festa do meu filho! Eu não vou fazer um escândalo.
Izayoi passou a mão pela testa e Rin viu seus dedos trêmulos. Engoliu em seco pelo seu nervosismo, nunca vira Izayoi tão nervosa como naquele momento.
— Eles sabem que Naraku está aqui? – um arrepio lhe correu pela espinha. Ela conhecia aquele nome... – É melhor que não saibam. Diferente de mim, meus meninos não conseguirão manter a calma.
— Fique calma Iza, se alterar desse jeito só o fará pensar que sua provocação está funcionando. Não dê esse gostinho a ele. – Sango aconselhou.
— Ah meu Deus, eu não sei o que eu faço! Este casamento esta fadado a ruir. – choramingou sua doce vizinha.
Virou a cabeça disfarçadamente, por cima dos ombros viu a figura de Naraku ainda debruçada sobre o balcão. Saboreando seu drink como se nada de errado acontecesse.
— Não deixe a presença dele acabar com a sua noite Iza. Hoje é o casamento do seu filho! – Rin voltou sua atenção para ela.
— Vocês não entendem, Inuyasha vai perder a cabeça. Ele não sabe ser civilizado!
Rin a compreendia. A presença daquele homem não passava de provocações, no entanto, não seria ele o causador da desornem naquele casamento, o próprio noivo perderia a cabeça e o colocaria para fora aos chutes. Quanta audácia por parte de Naraku Onigumo. Sua aversão por ele parecia crescer a cada instante.
— Eu preciso me sentar. – e dizendo isso, Izayoi deu as costas e foi em direção à mesa reservada para a família do noivo.
Ver sua doce vizinha tão transtornada quando deveria transbordar de felicidade, fez com que seu coração se apertasse dentro do peito.
— Vou puxar Kagome em um canto e contar a ela o que está acontecendo, quem sabe assim ela seja capaz de controlar os nervos de Inuyasha. – Sango se afastou logo em seguida, deixando-a sozinha com Ayame.
— E eu acho que você deveria controlar os nervos de Sesshoumaru. – opinou a ruiva.
Oh raios, Sesshoumaru! Suspirou para o alto. Ele também não iria conseguir controlar o peso de seus punhos cerrados caso encontrasse Naraku na festa de seu meio-irmão. Seguindo o conselho de Ayame, ela correu para procurar seu youkai antes que algo terrível acontecesse. Avistou não muito longe a figura alta de Sesshoumaru percorrendo o salão. Fez de tudo para que suas pernas não vacilassem e quase se derreteu sobre elas quando os olhos âmbares encontraram com os seus. Totalmente cravados em si.
— Sesshy...— sussurrou seu nome quando o alcançou.
Engoliu em seco quando as mãos fortes envolveram sua cintura fina a trazendo para perto, quebrando qualquer tipo de distância entre seus corpos.
— Arrependida por ter deixado este youkai sozinho?
Ele ronronou na curva de seu pescoço. Passando os caninos suavemente por sua pele sensível.
— Escute...— ela tentou avisá-lo.
Mas raios, era impossível se concentrar quando a boca de Sesshoumaru estava sobre si.
— Este vestido está no caminho doce Rin.
Sentiu-se quente e pulsante em seu sexo. Maldito provocador, ele não sossegaria enquanto não se livrasse de seu vestido.
— Me ouça... Você precisa saber qu...— foi obrigada a interromper seu discurso quando sob suas mãos sentiu todos os músculos de Sesshoumaru se enrijecerem.
Fechou os olhos com força. Sesshoumaru estava olhando para algo logo atrás de si, e ela não precisava ser esperta o bastante para saber o que se passava. Infernos, Sesshoumaru o viu!
Não teve forças o suficiente para impedi-lo de avançar, por mais que tentasse segurá-lo. Logo a frente Inuyasha e Kagome recebiam felicitações pelo casamento, e descaradamente Naraku parecia conversar com o casal desejando a eles o mesmo.
— Sesshoumaru! – Rin o acompanhou, segurando sempre os seus braços como se isso fosse ajudar em algo.
Jakotsu ajudava Kagome com sua calda do vestido, sempre muito prestativo. Mas o sorriso em seu rosto sumira quando sentiu a tensão que os rodeavam. Seu olhar se deteve exatamente nas mãos de Kagome, que também parecia segurar Inuyasha e impedi-lo de socar o homem a sua frente. Então Sango já havia lhe contado sobre a presença de Naraku e a noiva estava disposta a não acabar com a noite que planejara por tanto tempo.
— Felicitações pelo casamento. – Naraku estendeu a mão para Inuyasha, que foi prontamente ignorada por ele.
— O que infernos faz aqui? – o hanyou rosnou entre dentes.
Ergueu ambas as mãos em sinal de rendição, como se não viera até ali em busca de briga. O sorriso presunçoso nunca abandonando o rosto do outro.
— Estou prestigiando-o, apenas. Já que em menos de um mês outra comemoração está acontecendo. – abriu os braços indicando a maravilhosa festa que acontecia.
A bile subiu em sua boca e um gosto amargo se apoderou em seu paladar. A insinuação na voz de Naraku deixava clara suas intenções. Inuyasha avançou um passo a frente, Kagome o deteve segurando pelo braço.
— Inuyasha, Por favor.— murmurou Kagome contra seu ombro. – Não aqui, por favor.— ela voltou a implorar.
A carranca furiosa de Inuyasha só desviou do rosto de Naraku quando Sesshoumaru se prostrou bem atrás do corpulento homem. Sua aura emanava perigo, em cada poro de seu corpo.
— Nossos advogados não fizeram mais do que o esperado, Onigumo.— rosnou o youkai logo atrás de si.
Sua risada preencheu o lugar e Rin encolheu-se à medida que ele girava o corpo e encarava Sesshoumaru de perto. O olhar estreito detendo-se mais uma vez na figura pequena de Rin parada bem ao lado do musculoso youkai.
— Não precisamos de seus prestígios, já deveria saber disso. – fora Inuyasha quem rosnara dessa vez.
— Mas eu não pude deixar de parabeniza-los. – curvou os lábios em um sorriso. A ironia contida no tom de sua voz feria seus ouvidos. – Foi uma vitória bonita, afinal de contas.
A ira cruzou o semblante do noivo. Se Naraku estava tentando provoca-lo, havia conseguido. Com um passo a frente, o hanyou ficou a centímetros de sua face. Olhou-o de cima pela pouquíssima diferença de tamanho, e rosnou em resposta:
— Você. Não. É. Bem. Vindo. – grunhiu contra seu rosto, pausadamente.
— Inuyasha!— Kagome tentou puxá-lo para trás, em vão.
Rin apertou o braço de Sesshoumaru, também procurando mantê-lo no mesmo lugar. Apesar de que se ele quisesse avançar contra Naraku, bastasse um simples empurrar para tê-la longe de seu corpo. Olhe bem para si, com todo seu diminuto tamanho seria impossível segurar sozinha um homem cheio de músculos como Sesshoumaru Taishou.
— Não se preocupe, eu já estava de saída.
Com o olhar altivo e sem um pingo de senso de perigo em suas entranhas, Naraku despediu-se com um gesto de cabeça e se afastou, mas não sem antes dirigir um ultimo olhar para a pequena jovem agarrada nos braços do mais velho dos irmãos Taishou.
Kagome só libertou seu aperto de Inuyasha quando a detestável presença de Naraku Onigumo estava longe o bastante de seu campo de visão.
— Credo, que sinistro! Como ele conseguiu entrar na festa? – Jakotsu mordeu o canto de seus dedos, enquanto sua outra mão segurava a calda do vestido de noiva.
A pequena se deixou relaxar por nenhuma confusão ter acontecido. Certamente Izayoi estaria dando pulos de alegria por não ter que se deparar com aquele homem durante todo o restante da festa. E principalmente, por aquela cerimônia não ter sido uma tragédia no fim das contas.
— Preciso de uma bebida! – o noivo correu as mãos por seus cabelos, irritadiço o bastante para quebrar a fuça do primeiro que lhe aparecesse na frente. – Forte! É disso que preciso!
Inuyasha se concentrou em capturar um drink e Kagome o seguia com a melhor das intenções de mantê-lo calmo, e principalmente sóbrio.
De esguelha, observou o maxilar trincado de seu youkai. Sesshoumaru também parecia precisar de uma bebida.
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