Notas iniciais
Olá amores s2 Estão todos preparados para as emoções finais de Louca Obsessão ? Eu, particularmente, não estou nenhum pouco preparada D: Eu cheguei ontem á noite de viagem e tomei a decisão de ajuntar os dois últimos capítulos em um só, o que seria justo com vocês já que fiquei alguns dias ausente, portanto ele está com o dobro de palavras que costumo colocar. Espero de coração que todos apreciem o último capítulo dessa fanfic que tanto amei escrever. Tenham uma boa leitura, estarei ansiosa para ler os comentários de vocês sobre o final! Ps:. Dedico este capítulo para a linda da Natasha pela maravilhosa recomendação que me deixou. Muito obrigada meu amor *-* Espero que goste do capítulo s2

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33. Entrelaçados

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O aperto em seu braço se manteve firme pelos dedos cumpridos de um dos homens que a arrastavam com extrema facilidade. Seu coração martelava freneticamente contra o peito, quase saindo pela boca. Pelo canto de seus olhos as lágrimas se formavam e um nó gigantesco crescia em sua garganta. Havia acabado de descobrir sua recente gravidez e agora estava sendo conduzida por um dos homens que a abordara. Rin fora colocada de qualquer jeito dentro da SUV escura enquanto o desconhecido a conduzia por um caminho incerto. Sua bolsa estava nas mãos de um deles e seu celular foi descartado no instante seguinte, evitando que alguém pudesse rastreá-la. Céus, aquilo era um sequestro! Ela não precisava ser esperta o bastante para se dar conta disso.

Controlou durante todo o caminho sua vontade de soluçar e agiu da forma mais racional possível. Rin precisava pensar também na vida de seu filho que ainda crescia dentro de seu ventre. Manteve-se atenta por onde o carro seguia a fim de gravar o percurso em sua cabeça e por mais que não transparecesse em seu semblante, o desespero a acompanhou e pareceu aumentar quando as casas ficaram para trás.

E agora, ela se encontrava sendo arrastada de forma bruta pelos dedos que envolviam seus braços finos para o interior de uma casa bonita afastada da costumeira movimentação da cidade. Não soube como ainda conseguia se manter de pé, suas pernas estavam moles e seu nervosismo alcançara o seu ápice.

Respire, Rin. Isso não faz bem para o bebê. Repetiu em sua cabeça, uma, duas, três vezes como um sagrado mantra.

Ela não se surpreendeu quando fora deixada em uma sala bem arrumada, onde duas figuras já a esperavam. Seu estomago se contorceu quando mais uma vez Suikotsu estava diante de seus olhos, com um sorriso gigantesco por vê-la novamente. O arrepio se intensificou por toda a sua espinha quando os conhecidos olhos escarlates caíram sobre si e Rin os reconheceu no mesmo instante.

Com um meneio de cabeça por parte do mais poderoso entre eles, o homem que a trouxera libertara sua amarra de seu braço e abandonara o recinto. Suikotsu foi o primeiro a se aproximar e ela recuou para trás sem desviar os olhos dele. Seu nervosismo voltara, dando os primeiros sinais de sua crise.

— Ei, querida. – Suikotsu usou o seu tom mais manso para falar com ela.

Rin via todo seu amor doentio refletido em seus brilhantes olhos escuros. Continuou a caminhar para trás, até que se viu encurralada por uma das paredes. Seus joelhos perderam a força e não foram mais capazes de aguentar o peso de seu corpo, ela deslizou pela superfície plana até se sentar no chão. Suikotsu continuou a avançar, mas foi detido pelo outro:

— Você não vai encostar um dedo nela Suikotsu. – a voz estrondosa soou em forma de repreenda. – Preciso dessa maldita para recuperar meu dinheiro roubado.— disse Naraku.

Meu dinheiro roubado? Rin balançou a cabeça para os lados, em completa descrença. Pelo o que sabia o dinheiro era de Inu no Taishou e quem havia roubado fora Naraku! Uma tontura a envolveu. Fitando a figura do imponente homem bem a sua frente, Rin começou a ligar os pontos. Porque os encontrara juntos? Suikotsu e Naraku não possuíam qualquer tipo de vínculo, o que a fez compreender o que se passava ali. Arregalou ligeiramente os olhos, tampando a boca aberta com uma das mãos em sinal de surpresa. Mas é claro! Sentia uma aura estranha vindo de Naraku Onigumo, e desde que o vira no casamento de Inuyasha e Kagome um sentimento estranho a envolveu. Como se o perigo irradiasse de todos os poros daquele homem. Então ele era o cúmplice de Suikotsu?

— Não me diga o que fazer ainda mais agora que a tenho novamente! – Suikotsu rosnou em resposta. Sua fisionomia se transformou completamente, dando lugar para uma carranca enraivecida.

— Apenas quero garantir que meu dinheiro não será afetado no seu envolvimento com a garota de Sesshoumaru.— Naraku deu de ombros.

O corpo de Suikotsu tremeu quando as palavras atingiram seus ouvidos com força.

— Ela não é a garota daquele youkai!— O grunhido que partiu da garganta de Suikotsu fez os vidros das janelas tremularem.

Em três passos, o homem enraivecido se aproximara do outro o apanhando pelo colarinho de sua cara camisa e o prendendo contra a parede, enquanto seu maxilar trincado evidenciava perigo. Entretanto, nada pareceu abalar o poderoso homem que mantinha a mesma expressão impassível em seu rosto. O que pareceu tirar ainda mais Suikotsu do sério.

— Rin é minha e sempre foi assim! – rugiu contra o rosto do outro. As veias de seu pescoço se destacaram à medida que pronunciava suas palavras. – Diga a ele, Rin. Diga que você continua sendo minha, querida.

Engoliu em seco assistindo aquela cena. Umedeceu os lábios com a ponta de sua língua, sem saber se deveria falar ou não. Levando em consideração seu atual estado, ela teria que ser obrigada a fazer tudo o que dissessem, se desejasse se ver livre de Suikotsu de uma vez por todas. Sesshoumaru a encontraria, mas é claro que encontraria!

— Não me importo de quem ela seja! – Naraku retrucou. Com um movimento rápido tirou a glock cromada presa á seu cinto da calça e direcionou-a no centro da testa de Suikotsu. – Aqui dentro você segue tudo o que eu mandar! – rosnou. – Quando eu puser minhas mãos naquela bolada você pode fazer o que quiser com ela, mas enquanto isso não acontece você não coloca as mãos na garota de Sesshoumaru. Entendeu bem?

Sua respiração ficou presa dentro do peito. A contra gosto Suikotsu largou o colarinho de Naraku e se afastou, sem desviar os olhos do outro. Como se nada acontecesse, ele voltou a guardar sua pistola e a arrumar a bagunça que Suikotsu deixara em suas vestes amarrotadas, alisando o colarinho da camisa.

— Pare de agir como se não fosse capaz de racionalizar. Eu concordei em ajuda-lo caso eu recuperasse o que é meu por direito, e não será um doente de merda que vai conseguir acabar com os meus planos. – Naraku continuou a desafiá-lo. – Coloque-a em um dos quartos e verifique se há algo perigoso dentro de sua bolsa ou que possa ser usado para rastreá-la. – ordenou. – Se você tentar desacatar alguma ordem minha, eu te mato Suikotsu!

E como da primeira vez, ela se sentiu mais uma vez desconfortável sempre que Onigumo Naraku colocava os olhos sobre si. Encolheu-se quando o viu caminhar em sua direção e passar por ela saindo do recinto, deixando-a completamente sozinha com seu ex-namorado doente, louco e obsessivo.

Suikotsu correu as mãos por seus cabelos, em seguida fechou as mãos em punhos e mordeu o punho cerrado com força, como se aquilo fosse capaz de levar sua raiva embora.

— Você ouviu o que ele disse querida, preciso te colocar em um dos quartos. – a frase sugestiva e o sorriso malicioso a fez desejar continuar onde estava.

Suikotsu ainda estava exaltado pelo atrevimento de Naraku, mesmo que seu tom de voz tenha mudado consideravelmente quando voltara a falar consigo. Mas se seu cúmplice não estivesse com a arma em punho, Suikotsu o teria agredido sem sombra de duvidas. E se sua ira alcançasse o ápice, Naraku seria um homem morto.

Seu estomago se manifestou com a possibilidade daquela sala se tornar um campo de guerra. A ânsia lhe subiu pela garganta e Rin só não vomitara porque fazia horas desde a última vez em que se alimentara. Os passos ecoaram por todo o ambiente, cada vez mais próximos do lugar onde se encontrava.

— Se levante! – ele ordenou.

Com extrema dificuldade em sustentar o próprio peso de seu corpo em suas pernas, Rin se colocou de pé antes que ele lhe puxasse pelos cabelos e a arrastasse como uma boneca de pano. A bolsa que trouxera consigo estava em uma de suas mãos, enquanto a outra agarrou seu braço sem nenhuma delicadeza e a guiou pelas escadas. Céus, aquilo a deixaria com marcas arroxeadas mais tarde por toda a extensão de sua pele clara.

A casa emanava luxo por todos os seus cantos, aquilo só poderia significar que era uma das tantas propriedades do homem que acabara de sair por uma das portas do recinto.

— O-Onde está me levando? – arriscou em perguntar, apesar de já saber que Suikotsu a enfiaria em um quarto qualquer como lhe fora ordenado. – Porque está junto com Naraku? Q-Que tipo de acordo fez com ele?

— Isso é favorável para todos nós. – se surpreendeu por Suikotsu a ter respondido. – Naraku vai recuperar o seu dinheiro e eu a levarei de volta.— sua mão se libertou de seu braço e se encaminhou para suas nádegas, apertando-a fortemente. Suikotsu inclinou-se sobre si para afundar o nariz em seus cabelos e inspirar seu cheiro doce, o ato fez com que o gosto da bile chegasse até sua boca, enojada. – Agora continue quieta e obedeça tudo o que eu disser.

Arrastou-a pelas dependências da residência, percorrendo os corredores do andar superior até se deter em uma das portas fechadas. Suikotsu empurrou-a para dentro no minuto seguinte em que a abrira, fazendo-a se sentar sobre a cama e permanecer parada, quieta, bem diante de si, como se ela fosse ser capaz de fugir a qualquer momento caso tirasse os olhos de sua Rin.

— Ah, eu esperei tanto por tê-la de novo. – semicerrou os olhos, apreciando a visão que possuía de Rin sobre a cama de casal. – Eu te amo tanto querida, tanto...— admitiu em um rosnado.

Seu corpo gelou quando as palavras deixaram os lábios de Suikotsu. Não! Aquilo não era amor! Suikotsu jamais compreenderia o sentido daquelas palavras. Nunca saberia.

A expressão severa se derreteu e ele olhou-a novamente com perturbadoramente e possessiva adoração. Um beijo foi depositado em sua testa e ela fechou os olhos o mais forte que conseguira, voltando a abri-los apenas quando ele se afastara.

— Eu tenho tantos planos para nós, querida! – Segurou seu rosto em forma de concha, idolatrando-a de maneira doentia. – Eu vou ser bonzinho dessa vez e vou esquecer que você tentou fugir de mim com aquele cara. – acariciou sua bochecha direita, e Rin estremeceu com o arrepio que lhe subia a espinha. – Seu lugar é junto a mim, anjo. Vamos recomeçar, só você e eu. Eu já pensei em tudo. Talvez uma cirurgia plástica nos faça tão irreconhecíveis que ninguém vai nos achar. – seu estomago se contorceu, Suikotsu arquitetara tudo como o maldito doente que era. – Uma nova vida, com novos nomes e documentos. Seremos casados e então vamos viver em uma cidade tão longe que ninguém vai desconfiar de nada. Eu já tenho tudo planejado! – cobriu-lhe o rosto com inúmeros beijos e ela manteve os lábios unidos para impedir de colocar seu café da manhã para fora. – Você entende o que eu estou dizendo? Nenhum youkai idiota vai tirar você de mim, porque você é minha!

Céus, ele estava ficando cada vez pior! Sua louca obsessão chegara ao ápice naquele momento. E infernos, Rin se via completamente sem saída. Atada pelos domínios daquele homem.

Suikotsu afastou-se de si e o alivio momentâneo a preencheu. Como lhe fora ordenado, Rin o assistiu despejar todo o conteúdo de sua bolsa sobre o chão, sem nenhuma delicadeza. Simplesmente virou-a de cabeça para baixo e deixou que tudo caísse de dentro dela. Todos os seus pertences se espalharam e Rin se sentiu impotente por vê-lo xeretando sua privacidade, como há tempos vinha fazendo.

Não havia nada ali que pudesse despertar a atenção de Suikotsu, ou que possuísse algum tipo de rastreador que fosse útil para alguém encontra-la. No entanto, o envelope branco se destacou em meio aos objetos e quando Suikotsu o apanhou nas mãos Rin sentiu o mundo girar bem diante de seus olhos.

Girou o envelope nos dedos, não satisfeito, Suikotsu o abriu deparando-se com a pior notícia que ele poderia ter recebido naquele dia. Seu sangue ferveu, assim como sua visão embaçara com a palavra que gritava sobre o papel branco.

Que. Merda. É. Essa?— perguntou pausadamente. Ofegou, seu peito subia e descia com rapidez.

Sua pergunta soou tão ameaçadora que Rin ficou aterrorizada com o próximo passo que aquele maldito homem faria em sua direção.

— Como você pôde foder com aquele youkai, meu anjo? — seus dedos apertaram a folha do exame, amassando-a e fazendo o nó de suas mãos ficarem brancos. – Como você permitiu que ele tocasse no que é meu? Eu vou fazê-lo pagar por tocar em você, querida.— rugiu.

S-Suikotsu, ouça...— ela tentou falar, mas foi surpreendida pela mão dele que agarrou seu rosto e o apertou com força, impedindo-a de falar.

Infernos, aquilo lhe deixaria marcas!

Suikotsu se aproximou mais ainda de si quebrando a distância de seus rostos, a fúria em seu olhar era palpável. Suas lagrimas queimavam seus olhos.

Por quê? — seus dedos voltaram a apertar o rosto de Rin com mais força. – Por quê fez isso comigo Rin?

Suikotsu a segurou ainda mais apertado, em seguida mostrou cada nuance de dor e raiva e sua boca se moveu de forma silenciosa, mas ela pode captar seus movimentos e entender o que diabos ele sussurrava. Eu vou matar aquele desgraçado, eram as suas palavras.

Rin não teve tempo de se afastar do perigoso aperto de Suikotsu assim que ele libertou seu rosto, quando ele a soltara sua mão voou em direção á sua face, as costas de sua enorme mão bateram contra sua bochecha com violência. A ardência do tapa lhe queimou a face quando o peso da mão dele caiu sobre seu rosto.

Por quê?— ele trovejou.

O baque contra o seu rosto foi violento. Rin sentiu o gosto do sangue em sua boca, ela havia mordido a parte interna de sua bochecha no momento em que as costas das mãos de Suikotsu se chocaram contra a maciez de sua pele delicada. Caindo em si pelo o que acabara de fazer, Suikotsu voltou a agarrar seu rosto, desta fez com delicadeza, e acariciar o lado da bochecha com a mesma mão que a golpeara. O contado da mão dele contra sua pele a fez se arrepiar da cabeça aos pés, seu rosto ainda latejava sob seus dedos ásperos.

— Por que me obrigou a fazer isso com você meu anjo? Merda Rin... Você é minha!— sua voz agora era gentil, completamente oposta há um minuto atrás. – E agora está carregando a prole do maldito youkai que lhe tirou de mim!

Escuridão nublou os olhos enraivecidos de Suikotsu. Ele largou o papel com o resultado do exame para correr suas mãos em seus cabelos, puxando-os com agressividade. Como se descontasse toda a raiva que sentia em seus fios escuros.

— Você vai se arrepender por me trair abrindo a porra das suas pernas! – ele girou no mesmo lugar, socando a própria cabeça com um dos punhos. – N-Não aguento pensar em você junto com ele. Não consigo imaginá-la montada em cima do seu pau. – resmungou ao alto.

Rin encolheu-se, cada parte de seu corpo estava tensa. Sentiu-se ainda mais perturbada quando ele jogou a cabeça para trás, mirando o teto do quarto com os olhos e soltando uma audível gargalhada como se toda aquela situação fosse engraçada e que tudo não se passava de uma mentira de mau gosto. Como podia? Sua Rin estava carregando um filho de outro homem! Um filho que não era seu, e sim de outro homem! Infernos, aquilo o estava deixando enlouquecido!

A pequena assistiu o lábio de Suikotsu se curvar em um sorriso. Ela conhecia bem aquele sorriso. Era um sorriso sádico. O mesmo sorriso que ela tanto desprezava e que ainda possuía o poder de fazê-la se tremer por inteira.

— O que vamos fazer agora com você nesse estado? – As narinas dele queimaram e sua boca se comprimiu em uma linha rígida, apertada. – Minha vontade é de arrancar isso para fora de você querida. – ameaçou.

As lagrimas nublaram sua visão e seu lábio inferior tremeu diante da ameaçada do doentio homem. Não! Ele não teria coragem de fazer algo á uma criança inocente! Uma criança que não possuía culpa alguma por toda a merda que a rodeava. Abraçou sua barriga, protegendo-se das ameaçadas do outro. Se fosse para manter seu filho em seu ventre, Rin lutaria com unhas e dentes, como uma leoa defendendo sua cria.

— V-Você precisa de ajuda! – sua voz tremulou.

— Que merda você está dizendo? – o músculo de sua mandíbula saltou.

— Eu disse que você é doente! – enfrentou-o com os olhos raivosos. – Eu estou cansada de você Suikotsu! Me deixe viver minha vida, me deixe ser feliz! Você já levou muito de mim. – gritou em plenos pulmões.

Seus olhos escuros se cravaram nela, não acreditando que pela primeira vez Rin estava lutando, finalmente reagindo. Era loucura enfrentá-lo usando aquele tom de voz, ela sabia. Mas Rin se sentiu muito mais encorajada quando viu a expressão do outro em completo choque. Suikotsu parecia estar recuando? Era isso mesmo o que via em sua reação? Sua pose raivosa de macho traído havia se desfeito no instante seguinte em que o confrontou. Rin nunca o enfrentou daquele jeito, e aquilo parecia ser novo para ele.

— Você é louco!— continuou ela. – Um doente obsessivo que não foi capaz de superar um relacionamento conturbado do passado e decidiu perseguir qualquer mulher que o fizesse se lembrar dela! A diferença Suikotsu, é que ninguém será igual a ela! Por mais que você procure.

O semblante de choque logo se transformara quando as palavras se chocaram contra seus ouvidos. Seu peito deu um salto, subindo e descendo freneticamente conforme levava o oxigênio em direção aos seus pulmões. Passou as mãos por seus cabelos curtos e seu temperamento chegou ao limite quando explodiu mais uma vez:

— Você não sabe de nada! Não fale dela como se a conhecesse. – rugiu entre dentes.

Bingo, ele havia admitido! Rin cutucara em sua ferida. Então as suposições de Kouga eram verdadeiras! Havia algo escondido nisso tudo que se ligava em uma única afirmação: uma mulher! Uma mulher que fizera parte da vida de Suikotsu e que ninguém a conhecia. A razão para transformá-lo em um homem obsessivo que buscava em alguém algo que o fizesse se lembrar dela. Da mulher que Suikotsu amou verdadeiramente.

— Então me conte! – Rin arriscou, amansando a voz.

Aquilo era perigoso, ela sabia. Lidar com Suikotsu era como pisar em um campo minado, um movimento em falso e tudo se explodiria. No entanto, Rin precisava saber o que diabos aconteceu na vida de Suikotsu antes dela ter o conhecido.

— Cala a boca. – ameaçou.

Seus olhos negros faiscavam de raiva.

— M-Me dê motivos para entendê-lo Suikotsu! – tentou mais uma vez.

— Para de falar!

Suikotsu tampou os ouvidos com as duas mãos e andou de uma extremidade para a outra dentro do aposento, na intenção de que a voz de Rin não voltasse a perfurar seus ouvidos como lâminas afiadas. Ele parou abruptamente, girou nos próprios calcanhares e deixou escapar o que tanto queria descobrir:

— Vocês duas não são tão diferentes assim! – Suikotsu gritou com Rin. – Correram para o primeiro merdinha que apareceu.

Rin se encolheu com seu tom de voz. Parecia começar a compreender um pouco a cabeça de Suikotsu. Ele havia sido traído, e isso o levou a loucura. Ele deveria amar verdadeiramente aquela mulher, isso explicava a forma como se comportava e como buscava em outras mulheres algo que lhe fizesse se lembrar dela.

— O q-que... Aconteceu com ela? – insistiu mais uma vez.

N-Não fale dela... Pare de falar dela...

Seu olhar se perdeu pelos cantos do quarto, completamente perdido, destruído e em pedaços. O viu balançar a cabeça para os lados e soltar um grito de dor a plenos pulmões, antes de correr para fora do aposento, atordoado, perturbado, e aparentemente, angustiado. Suikotsu era alguém difícil de se ler quando inúmeros sentimentos o invadiam ao mesmo tempo.

Rin se sentiu mais tranquila quando ficou sozinha, longe da presença daquele homem. Não soube onde encontrara tanta coragem para confrontá-lo. Algo havia mudado dentro de si, e sabia que Sesshoumaru era a razão de suas novas mudanças.

— Por todo o inferno que me fez passar, eu tenho que te agradecer! – a morena resmungou ao alto antes de acariciar sua lisa barriga por cima do tecido de sua roupa. – Se não fosse por você, eu nunca teria saído da minha cidade e jamais teria conhecido Sesshoumaru. – admitiu.

Ela se viu trancada mais uma vez, e tudo o que poderia fazer era rezar em pensamentos para que saísse de lá com vida e que Suikotsu não retornasse para o quarto que a trancara tão cedo. Rin só queria voltar para casa, para os braços de seu youkai, junto com o filho que carregava em seu ventre.

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Mordeu o canto de seus dedos evidenciando sua ansiedade e nervosismo. A matriarca caminhava pela sala de um lado a outro, sempre olhando em direção à janela na esperança de que Rin pudesse chegar a qualquer momento. Sentiu-se nervosa, ansiosa o bastante para recebê-la de braços abertos na intenção de fazê-la confirmar a suspeita que possuía. Sua euforia era quase palpável. Izayoi não via a hora de tê-la em seus domínios para abraça-la com toda a força de seu corpo.

Um neto! Céus, o pensamento a enchia de felicidade e seu amor incondicional parecia não ter limites. No entanto, as horas pareciam correr de forma lenta e a impressão que possuía era que Rin estava demorando a retornar mais que o esperado. Não deveria tê-la deixado ir sozinha. Izayoi deveria ter a acompanhado. Rin era tão nova, pegou-se pensando nas inúmeras coisas que se passavam por sua cabeça caso o resultado fosse confirmado. E se isso estivesse acontecendo, Izayoi faria o possível para tirar as caraminholas de sua cabeça e fazê-la entender de uma vez por todas que ela já fazia parte da família e que a vinda daquela criança seria o ápice da felicidade para eles.

Amaria seu neto com todo o amor e carinho que sabia que tinha, e ajudaria sua nora a cuidá-lo sempre que ela precisava sem tirar sua autoridade de mãe. Imaginou-se segurando o pequenino em seus braços e Izayoi explodiu em alegrias mais uma vez. Rodopiou no mesmo lugar sonhando acordada, e foi nesse momento que a porta da frente se abriu e ela estancou no mesmo lugar com os olhos esperançosos por pensar que Rin enfim acabara de chegar. Seu sorriso foi desfeito no instante seguinte que Sesshoumaru passou pela porta sendo seguido por seu marido. A decepção em seu rosto não passou despercebida por eles.

Os olhos de Sesshoumaru se mantiveram sobre a matriarca, depois se arrastaram pela sala quando notou que Rin não estava junto a ela.

— Onde está Rin? – foi a primeira coisa que lhe perguntara.

Izayoi engoliu em seco. Como mãe, sabia que quem deveria dar-lhe a noticia era Rin, seja qual fosse o resultado de seu exame. Mas ela não estava presente, e a pobre matriarca não queria dar a língua nos dentes sem ter uma confirmação.

— Ela deu uma saída, mas não disse aonde iria!

Ocultou algumas informações, tornando-se uma pessoa mentirosa. Seus olhos se estreitaram levemente. Como assim sua Rin saíra? Sem ao menos lhe avisar? Havia algo estranho nisso e o youkai não parecia satisfeito. Tentando aliviar a tensão do ambiente Izayoi foi para perto do marido que analisava um envelope pardo em suas mãos, enlaçou seu pescoço e depositou um rápido beijo sobre seus lábios.

— Teve um dia difícil sem a ajuda de Inuyasha?

— Nada que Sesshoumaru não pôde resolver, não se preocupe, deixe Inuyasha aproveitar sua lua de mel.

Inu no Taishou ronronou contra seu pescoço e um riso baixo partiu da boca dela pela sua demonstração de afeto. Sesshoumaru assistia a cena em silêncio. Seu pai sempre esteve aos pés de Izayoi, e mesmo que no começo não aprovasse a relação dos mesmos, hoje ele enxergava o quanto ela o fazia feliz.

— Porque está com esse sorriso desde que chegamos? – Inu no Taishou a indagou.

— Sorriso?

Izayoi tocou os lábios com uma das mãos. Ela estava tão transparente assim demonstrando sua felicidade? Seu único filho se casara na noite anterior, e agora descobrira a possibilidade de ter um neto. Claro que estaria feliz! Izayoi estava na borda, transbordando de tamanha alegria.

— Nosso filho se casou ontem, quer outro motivo?

Aceitando a resposta que ela lhe dera, Inu no Taishou afastou-se de sua esposa apenas para estender o envelope em direção ao seu filho mais velho.

— O que é isto? – indagou.

— Está destinado a você, encontrei na entrada assim que chegamos.

— Deve ser o extrato deste mês. – Izayoi apanhou o envelope, e o abriu sem cerimonias. – Engraçado, não deveria ter chegado tão cedo e sim só na metade do mê... – sua frase morreu no meio do caminho.

Seus doces olhos se detiveram nas palavras impressas no papel branco. Sua respiração ficou presa na garganta e uma súbita tontura a envolveu. Sua mudança de comportamento deixou Inu no Taishou com os músculos rígidos e Sesshoumaru intrigado pelo o que tinha naquele papel que fizera a mulher de seu pai se exaltar de uma hora para outra.

— O que tem ai Izayoi? – o patriarca quase lhe arrancara o papel das mãos.

Seus olhos âmbares se estreitaram e um rosnado deixou sua boca. Estavam mexendo com sua família, e isso ele não poderia admitir.

— Quanto atrevimento! – Inu no Taishou trincou o maxilar.

— O que aconteceu? – Sesshoumaru exigiu saber.

Q-Querido...— a voz de Izayoi saiu tremula e foi naquele momento que percebeu que algo estava malditamente errado.

Seja lá o acontecera, sabia que o causador dessa mudança era o bendito envelope que seu pai segurava. Sem rodeios, arrancou o papel de suas mãos e descobriu por si só o que diabos havia tirado a paz de Izayoi e de seu pai. Leu a mensagem silenciosamente e seu sangue ferveu em suas veias. Seu peito subia a descia de forma desenfreada e um grunhido se instalou em sua garganta.

A exigência da quantia do dinheiro a ser depositada não fora o maior motivo que o fizera se descontrolar. Eles haviam pegado sua Rin e negociavam para que a polícia não fosse envolvida no meio. Infernos, aquele maldito doente colocara suas mãos podres em sua menina. Sesshoumaru o mataria! Arrancaria seus braços e quebraria seus dedos, os mesmos dedos que ousaram tocá-la. Entretanto, a mensagem lhe dizia informações preciosas. Os pontos pareciam estar se ligando, o quebra-cabeça se conectando. O mais velho dos Taishou custou em enxergar o que estava tão claro para si. Diabos, porque não pensara nisso antes? A quantia desejada, imposta no bendito papel branco era a mesma que Naraku Onigumo arrancara de seu pai!

Seu peito se inchou e seu maxilar se contraiu. Os músculos se tornaram rígidos e sua fisionomia emanava perigo. Agora parecia compreender melhor o porquê da presença de Naraku no casamento de seu meio-irmão. Aquilo não era uma simples provocação, supunha mentalmente.

Naraku está por trás disso! – rugiu com veemência.

Mas é claro! Por que não colocara a cabeça para pensar? Tudo parecia fazer sentido agora.

— M-Meu Deus... – a voz de Izayoi embargou. – P-Precisamos fazer alguma coisa!

Sim, Sesshoumaru sabia bem o que iria fazer. Faria Suikotsu e Naraku pagarem pelo inferno que faziam de suas vidas.

— N-Não podemos ficar aqui parados, temos que agir! – Izayoi continuou a tagarelar, ao mesmo tempo em que agarrava um dos braços de seu marido. – Eu não deveria tê-la deixado sair sozinha, ainda mais quando Rin carrega um filho no ventre!

A notícia o nocauteara com força. Sua mente se tornou um borrão. Um filho? Sua Rin esperava um filho seu? Seu peito se encheu de satisfação. Havia engravidado sua humana! Percebera as mudanças sutis nas curvas de Rin e no aumento de seus seios, até mesmo ela o questionara sobre o seu peso. Mas não havia se passado por sua cabeça a possibilidade de sua Rin estar gerando um filho seu. Porque infernos ela não lhe contara?

Dando-se conta do que acabara de falar, a matriarca tampou a boca com ambas as mãos. Martirizando-se a si mesma por não conseguir manter a língua dentro da boca.

— O que está dizendo Izayoi? – Inu no Taishou a segurou pelos ombros.

— Desde quando sabe disso? – Sesshoumaru estreitou os olhos para ela.

— E-Eu... – pigarreou quando começou a gaguejar. – Eu disse a ela para procurar um médico esta manhã, ela nem ao menos chegou a suspeitar de nada! – continuou. – Estive esperando ela retornar, mas Rin não voltou até o momento!

Sua revelação apenas o fez constatar de que aquilo não era uma mensagem qualquer. Levando em conta o tempo que Rin saíra, seus instintos lhe diziam que algo acontecera a sua menina. Seus músculos se retesaram, seus punhos se fecharam rente ao corpo. Se algo acontecesse a ela... Sesshoumaru deixou a ameaça ao ar.

— A traga de volta. – Izayoi implorou, arrancando-o de seu torpor.

— Este Sesshoumaru não voltará sem a Rin dele! – garantiu em meio á seus grunhidos roucos.

— Eu irei acompanha-lo, filho. – Inu no Taishou se prontificou.

— Sim, faça isso meu bem. – Izayoi o apoiou.

— Não, este youkai irá sozinho. Fiquem aqui e se souberem de algo, não hesitem em me comunicar!

Ele sabia o que fazer. Possuía uma carta na manga e nem mesmo seus adversários tinham consciência sobre ela. Mesmo que as exigências fossem claras, ele não daria ouvidos á elas. Naraku não colocaria as mãos em Rin enquanto não recuperasse seu dinheiro. Tudo o que precisaria era de um maldito telefonema á Kouga e em questão de minutos estaria cara a cara com os causadores de sua dor de cabeça. Se eles fossem espertos, descartariam o celular de Rin com receio de que ela pudesse ser rastreada pelo mesmo, todavia, o motivo de presenteá-la com um anel não fora apenas para reivindica-la como sua posse. O youkai fora cuidadoso o suficiente para pensar nos mínimos detalhes, e implantar um rastreador na jóia.

Naraku não conseguiria seu dinheiro, e Suikotsu não iria mais interferir em seus assuntos com sua humana. Ele faria tudo ao seu alcance, para voltar com sua Rin e seu filho nos braços. E foi pensando desta forma que ele alcançou o celular no bolso traseiro e digitou o numero de Kouga às pressas, ao mesmo tempo em que atravessava a porta da sala e caminhava até o carro de seu pai. Girou a chave na ignição e cantou pneus quando deixou os domínios de sua residência. O celular ainda preso contra sua orelha, enquanto rosnados abandonavam sua boca pela maldita demora do outro em atender sua ligação.

Sesshoumaru?— a voz de Kouga soou do outro lado.

— Está na delegacia Ookami? – exigiu de imediato, sem ao menos cumprimenta-lo quando ele atendera sua chamada.

Não, estou em casa com Ayame!— o lobo de farda soltou um suspiro ao alto.

Sesshoumaru escutou uma risada feminina ao fundo e quase entortara o nariz quando se dera conta de que havia atrapalho algo.

Está acontecendo alguma coisa?- o outro youkai questionou, sabendo que ele não lhe ligaria caso algo não houvesse acontecido.

— Suikotsu fez seu movimento! – Sesshoumaru despejou de uma só vez.

Acelerou com o carro, ziguezagueando entre o transito, ultrapassando alguns veículos enquanto procurava pegar os semáforos abertos.

O quê? Que tipo de movimento?— Escutou o farfalhar de roupas e um resmungo por parte de Ayame, julgou que ele estivesse se vestindo as pressas.

— Rin foi sequestrada! – rosnou quando as palavras deixaram sua boca, a realidade lhe chocando com força. Oh, Sesshoumaru o mataria por tirar sua humana de si. – Tenho meios de rastreá-la e será questão de tempo para este Sesshoumaru colocar as mãos naquele maldito verme e você ter o seu caso solucionado.

O delegado tomou suas palavras como musica para seus ouvidos. Solucionar aquele caso era como um objetivo, tudo o que mais ansiara deste que ele chegara a suas mãos.

— Me encontre na delegacia, chegarei em cinco minutos.

E dizendo isso, Sesshoumaru finalizou a ligação. Mudou seu percurso e se dirigiu para o lugar combinado. Pisou no acelerador e contornou pelos carros não se importando pelas buzinas acionadas em seu encalço. Apertou o volante com força sentindo o sangue correr com mais rapidez, o peito subir e descer com violência, a fúria crescente dentro de suas entranhas. Ele precisava aliviar a rigidez de seus músculos, precisava socar alguma coisa e não via a hora de ter Suikotsu a sua mercê para que pudesse descontar suas frustrações.

Chegara à delegacia em poucos minutos, Kouga chegou logo em seguida não ultrapassando o tempo que dissera que chegaria. O delegado mantinha o maxilar rígido a cada passo que dava para se juntar ao youkai. Sesshoumaru foi logo despejando sobre Kouga o envelope pardo destinado á si.

— Dê uma olhada nisso. – jogou o papel em branco em direção ao delegado.

Kouga correu o olhar pelas linhas impressas, assobiou alto quando viu o valor que exigiam para que Rin fosse entregue em segurança.

— Você está ciente do nosso problema com Naraku Onigumo! – afirmou o mais velho dos Taishou.

— Ayame comentou a respeito do que aconteceu. Mas o que isso tem a ver com o sequestro de Rin? – o delegado indagou, captando qualquer tipo de informação preciosa.

— Ele é o cumplice de Suikotsu! – grunhiu entre sua afirmação.

— O que o faz ter tanta certeza disso?

— A quantia exigida é o mesmo valor que Naraku nos roubou.

Fazia sentido! Talvez Naraku estivesse ajudando Suikotsu como forma de acordo. Ele conseguiria seu dinheiro, e o outro a garota.

É uma informação que não se pode ser descartada...— Kouga cogitou em voz alta.

Infernos, só descobriria toda a verdade quando colocasse as mãos em Suikotsu. Kouga o faria falar, prometera a Sesshoumaru que o faria dizer. O delegado o viu digitar em seu celular e enrugou a testa pensando no que diabos ele estaria fazendo.

— O que está fazendo Sesshoumaru?

— Localizando-a. – respondeu, simplesmente. – Este Sesshoumaru já tem todas as informações que precisa, Rin está sendo mantida presa em uma casa á alguns quilômetros da cidade.

— E como presume que o lugar está correto?

— Não me subestime lobo de farda, eu fui cuidadoso o bastante para implantar um rastreador no anel que dei á ela.

— Estou agindo com racionalidade, como fui treinado. – defendeu-se.

— Então use seu maldito treinamento á seu favor. – rosnou o youkai.

Kouga soltou o ar de seus pulmões com força. Lidar com Sesshoumaru nunca foi uma tarefa fácil, mas parecia ainda mais terrível quando ele se sentia ameaçado tendo sua garota nas posses de outra pessoa.

— Você está pronto?

— Sesshoumaru, as coisas não funcionam desse jeito! – Kouga o impediu de avançar em direção ao carro. – Precisamos de reforços, não podemos chegar ao local sem saber o tamanho das proporções deste sequestro.

— Está com medo de que um exército esteja na porta pronto para nos matar? – desdenhou o youkai.

Exatamente.— Kouga o enfrentou, sendo tão irônico quanto o outro. – Não sabemos com quantos homens teremos que lidar.

— Então reúna os seus. – ordenou.

— Se me permite... – Kouga desviou-se de seu campo de visão e sumiu pelos arredores da delegacia.

Sesshoumaru grunhiu em pensamentos de que se ele demorasse em montar seus reforços, o deixaria ali e iria sozinho acabar com a raça de qualquer verme que ousara cruzar o seu caminho.

Uma rápida reunião se seguira e Kouga colocara seus homens a par do que acontecia. Voltou trazendo algumas armas e lançou-as para Sesshoumaru, como precaução e segurança. Seus homens o seguiam logo atrás, todos fortemente armados, obedecendo todas as suas instruções. Foram divididos em grupos, seus reforços estariam espelhados ao redor onde Sesshoumaru dissera que Rin se encontrava, enquanto ele averiguaria mais de perto se havia empecilhos que pudessem vir a dificultar aquela ação.

Escutas foram acionadas, seus homens pareciam preparar-se para uma guerra como se caminhassem em direção ao corredor da morte. Ginta e Hagaku, o braço direito de Kouga, fora juntamente á eles dentro do carro, e durante todo o percurso o delegado instruía seus homens pela escuta escondida em seus corpos.

À medida que o GPS os guiava pelas ruas, Sesshoumaru se tornava ainda mais impaciente. O desejo de encontrar sua humana o corroía e o pensamento de que Suikotsu estava a poucos metros de si o enchia de ansiedade em destruí-lo.

— “Você chegou ao seu destino.”— o GPS indicava as coordenadas.

— Então ela está sendo mantida presa nessa casa? – Ginta analisou o perímetro com olhos atentos, aparentemente nada fora do comum.

Kouga instruía o restante de seus homens, informando os detalhes da casa que a vitima era mantida presa.

— É difícil saber se há homens ao redor quando os portões são completamente fechados. – Fora Hagaku quem se pronunciara desta vez.

Basta apenas descobrir, Sesshoumaru pensou enquanto arquitetava mil e uma maneiras de entrar nos domínios daquela residência. A casa de luxo apenas comprovava mais uma suspeita de que Naraku estaria envolvido com Suikotsu.

Olhou o portão fechado, observando sua soldagem e o material do mesmo. Ele não era tão resistente, pensou. Sesshoumaru estava cansado de esperar e acatar ordens vindas de um delegado enquanto aguardava o próximo passo que dariam, não era o tipo de coisa que o agradava. Girou o volante com agilidade em direção aposta á casa, sendo confrontado pelo delegado e seus dois homens presentes.

— O que diabos você pretende fazer? – Kouga alarmou-se quando o viu engatar a ré. Ele parecia ler os pensamentos do youkai e não estava gostando nada do rumo que aquilo se seguia.

— Vamos invadir, coloque seus homens á postos e preparem suas armas. – ordenou com um grunhido.

Ignorando os protestos do lobo de farda, Sesshoumaru acelerou. Criando velocidade para que a traseira do carro se chocasse contra o portão. O estrondo alto ecoou pelo lugar, até mesmo foi capaz de ter um vislumbre de alguns pássaros fugindo das copas das árvores ao redor. Kouga lançou a ordem para que seus homens se colocassem á postos, ao mesmo tempo em que abandonava o carro e empunhava sua arma. Sendo imitado por Ginta e Hagaku que seguiam logo à frente, dando-lhes cobertura.

Passaram pela abertura que a traseira do carro escancarara, o baque forte havia derrubado alguns dos seguranças e Sesshoumaru apreciou por vê-los estirados ao chão, inconscientes ou talvez mortos. No entanto, o restante deles foram detidos pelas balas precisas de Ginta e Hagaku. Com um meneio de cabeça, pediram para que Kouga e Sesshoumaru os acompanhassem enquanto averiguavam se havia mais perigo ao redor. E foi apenas fazer menção para se aproximar que Ginta foi levado ao chão com um tiro no ombro.

— Merda! – escutou o braço direito de Kouga resmungar.

Com raiva nítida em seu olhar, Hagaku o puxou para fora do alvo de dezenas de tiros projetando-se a sua frente e disparando contra o agressor de seu irmão, levando-o ao chão.

— Há mais lá dentro! – Kouga escondeu-se atrás de uma coluna protegendo-se das balas e verificando sua pistola carregada.

Resmungou algo para sua escuta, preparando seus homens para invadir o lugar quando fosse necessário.

O pensamento de ter sua Rin assistindo aquele massacre, sendo o alvo de alguns dos tiros o obrigou a mover-se para dentro da casa e enfrentar qualquer um que ousasse lhe atingir. Seus músculos se enrijeceram, pulsando mediante a tamanha adrenalina que corria em seu corpo. Seus lábios se tornaram uma linha firme, dura, enquanto as veias do seu grosso pescoço vibravam sob sua pele. Uma de suas mãos pousou na arma presa ao seu coldre.

— Me dê cobertura. – rosnou antes de apanhar a Coonan automática que Kouga lhe entregara para caminhar em meios aos tiros.

Em outra extremidade da casa, a pequena levava as mãos aos ouvidos, tampando-os para que não fosse capaz de escutar o barulho dos tiros. Rin puxou o oxigênio com força, o nó em sua garganta parecia querer estrangulá-la. O medo a assolava lentamente corroendo suas entranhas e fazendo seu estomago se revirar com violência. Seu coração galopava dentro do peito e tudo o que ela queria era que o barulho parasse, que os gritos cessassem e que pudesse sair daquele lugar o quanto antes.

Como se alguém lesse seus pensamentos, a porta do quarto se abriu com um estrondo e ela teve que encontrar a coragem para abrir os olhos e ver quem acabara de entrar no quarto que estava sendo mantida presa. Os olhos carmesins a procuraram por todo o recinto e só pararam de mover-se quando se detiveram em seu corpo miúdo, todo encolhido sobre a cama. Rin engoliu uma respiração quando a figura forte de Naraku caminhava com toda a sua destreza pelo quarto, em suas mãos empunhava uma arma e só de olhá-la Rin sentia o estomago gelar e uma fraca pontada de dor em seu baixo ventre.

Com um movimento de mãos, balançando a Glock para cima e para baixo, Naraku pedia pacientemente para que ela se mantivesse de pé. Entretanto, suas pernas estavam tão bambas e moles que Rin não iria conseguir sustentar o peso de seu corpo sobre elas. O barulho dos tiros parecera cessar, mas nem por isso conseguiu se manter calma e aliviada pelo fim da terceira guerra mundial que acontecia bem abaixo de seus pés. Sem conter sua curiosidade, Rin o questionou com a voz tremula:

— O-O que está acontecendo lá embaixo?

— Parece que alguns ratos cismam em atrapalhar os meus negócios. – a frase soou baixa, ameaçadora, ríspida. O que a fez se encolher ainda mais.

Seu coração se encheu de esperanças com aquela revelação. Estaria seu youkai mais perto do que ela imaginava? Mas após se lembrar do arsenal de armas que dispararam instantes atrás, sentiu-se desesperada por pensar que ele pudesse estar ferido. Quem sabe até mesmo morto. Os homens de Naraku não pensariam duas vezes antes de cumprir suas ordens e ferir o único homem que amara.

Não! Céus, não. Sesshoumaru precisava estar vivo!

Seus olhos ficaram turvos, sua respiração ficara presa na garganta, o gosto da bile impregnado em sua boca. A ânsia lhe subiu pela garganta e ela não foi capaz de se segurar, inclinou-se para frente colocando tudo o que comera para fora. Naraku assistia aquilo com evidente nojo em seu semblante, ele começava a perder a pouca paciência que ainda lhe restava.

— Ande logo, mulher! – ele rosnou ameaçando-a com a arma.

Rin olhou de seu rosto para a Glock prateada que ele segurava. Estava com medo, ela não queria ir com aquele homem. Mas aquela era a sua única chance de conseguir fugir para longe. Fora dos domínios daquele aposento, Rin poderia driblar a segurança daquela casa e fugir como se sua vida dependesse disso. Encontrando forças que pensou que não possuía, ficou de pé, em seguida teve o braço agarrado por Naraku. O forte homem a puxou para sua frente, imobilizando seu braço direito em suas costas, enquanto sua outra mão empurrava a arma contra seu cós.

Sem saída, permitiu que Naraku a guiasse para fora do aposento. O coração ainda batia com força dentro do peito, como se ela correra uma maratona inteira.

— Não diga um piu, entendeu bem? – chacoalhou-a pelo braço que a imobilizava ao mesmo tempo em que sussurrava em seu ouvido. – Qualquer coisa que fizer, se tentar fugir ou gritar, eu te mato. Você entendeu?

Engoliu em seco.

S-Sim... — sua voz vacilou.

— Eu disse para ficar quieta! – apertou seu braço com força, em sinal de aviso.

Mordeu o lábio inferior, impedindo que qualquer resmungo de dor escapasse de sua boca. Apenas acenou com a cabeça, concordando com todos os termos impostos por Naraku.

— Ótimo! – resmungou entre dentes.

Empurrou-a silenciosamente até o pé da escada e ela teve um rápido vislumbre do que acontecia no andar de baixo. Alguns corpos ainda com vida se encontravam estirados no chão e assim que ela se deu conta de que eram os seguranças de Naraku Onigumo, um alívio percorreu seu corpo.

Há trinta e sete degraus abaixo de onde se encontrava, em um ponto onde sua visão não era capaz de enxergar, estava seu youkai. Empunhando a Coonan automática em uma das mãos, Sesshoumaru dera conta de deter o restante dos seguranças de seu adversário. Ginta, ferido em um dos cantos, olhava surpreso o desempenho do jovem Taishou ao manusear uma arma.

— Chefe, acho que você deveria contratá-lo! – lançou o comentário em direção á Kouga que não parecia satisfeito por ter seu treinamento rebaixado pela inexperiência do outro.

— Pare de me irritar e vá fazer a verificação do lugar. – grunhiu sua ordem. – Um tiro no ombro não irá impedi-lo de fazer isso, você já passou por coisa pior Ginta.

Seu amigo e braço direito, jogou a cabeça para trás e riu de sua irritação. Acatou sua ordem, não sem antes fazer um sinal de continência com a mão movimentando o braço que não havia sido baleado. Hagaku o ajudou, colocando-se a sua frente e o acompanhando. Um homem ferido poderia ser um alvo fácil.

Kouga juntou-se para perto de Sesshoumaru, sua pistola ainda em riste, pronta para qualquer movimento estranho. Percorreu o lugar com os olhos minuciosos, deu novas informações sobre o caso aos seus reforços que rodeavam cada perímetro da casa pedindo para que alguns deles se juntassem ao lado de dentro, enquanto o restante se prontificava de que ninguém seria capaz de fugir pelos fundos.

— Encontramos um! – a voz de Hagaku se sobressaiu diante de suas coordenadas.

Os punhos de Sesshoumaru cerraram rente ao corpo, sua veia do pescoço voltou a pulsar sob a pele. Ginta e Hagaku surgiram em seu campo de visão ao mesmo tempo em que arrastava um Suikotsu perturbado. O maldito homem teve o corpo empurrado com força, fazendo-o tropeçar aos próprios pés e cair de joelhos.

O maxilar do youkai se contraiu, seus olhos escureceram quando os colocou sobre ele. Tudo o que Sesshoumaru via era apenas Suikotsu, como se ele fosse o único presente naquela sala. Um rugido ficou preso na garganta, suas próprias garras feriam a palma de suas mãos tamanha a força com que cerrava os punhos. Seu enorme corpo tremeu, Kouga deu um passo atrás observando o youkai perder completamente a sua compostura. Pela reação do seu corpo, o delegado se deu conta de que aquele homem ajoelhado sobre o chão era Suikotsu Shichintai.

A reação por parte do outro não havia sido diferente. Suikotsu o encarava com um ódio crescente em seu olhar, chegando a ser reciproca a tamanha intensidade com que se fuzilavam. Em um pulo, ele se manteve de pé. Seu peito subia e descia freneticamente enquanto uma das mãos corria por seus cabelos castanhos.

— Seu youkai fodido! – ele rugiu em plenos pulmões.

Kouga manteve sua arma em posição, assim como seus companheiros. Alguns de seus homens entraram um a um dentro da casa, todos posicionados em seus lugares. O primeiro movimento que Suikotsu fizesse, ele seria presenteado com uma bala alojada em seu corpo.

— Você a sujou com seu maldito corpo! – Suikotsu demonstrava alteração.

A menção á sua humana quase o fizera perder a cabeça. Seus sinais das bochechas se intensificaram, seus orbes ameaçadores estavam ainda mais estreitos. Sesshoumaru o viu gesticular com as mãos, entrelaçando os dedos em seguida como um sinal claro de cacoete. As mesmas mãos que a tocara... Oh, infernos. Sesshoumaru quebraria seus malditos dedos.

— Você trepou com a minha garota. – rugiu a plenos pulmões.

Sustentou a troca de olhares ameaçadores. Suikotsu não possuía senso de perigo.

Sua garota?— Sesshoumaru o desdenhou.

— Você a tirou de mim! – apontou o dedo em riste para o youkai.

— Não. Foi você quem a afastou com a sua louca obsessão, seu maldito doente de merda.

Seus caninos apareceram levemente e um novo rosnado indicando perigo lhe escapara da boca.

— Você não sabe de nada! – rugiu. – Ela é tão fodida quanto você. Abriu as malditas pernas para o primeiro que apareceu, putinha barata. Sua prole cresce no ventre da minha Rin, eu vou acabar com a sua raça seu youkai desgraçado.

Suikotsu deu um passo à frente. Kouga trocou olhares com seus homens ordenando de forma silenciosa que se preparassem para detê-lo. Sesshoumaru ergueu uma das mãos e ordenou assim que pressentiu o movimento do delegado:

— Não se atreva Ookami. Ninguém encosta nele.

Kouga tivera que revirar os olhos pela clara demonstração de território.

— Por mais que o bastardo mereça ganhar uma surra, você sabe que é meu dever leva-lo da forma como ele está!

Por um lado compreendia Sesshoumaru, se algo como aquilo acontecesse com sua Ayame, seria ele a matar o desgraçado, e mais ninguém. Entretanto, o youkai não parecia disposto em não fazer nada quando Suikotsu dizia palavras tão baixas a respeito de Rin. Sesshoumaru o faria engolir cada uma delas, e após receber olhar estreito juntamente com um sinal de aviso, Kouga cedeu a sua vontade.

— Abaixem as armas. – instruiu o delegado.

Devagar, seus homens acataram sua ordem e um a um abaixou sua arma mirando-a ao chão. Com um sorriso imperceptível, coberto de sadismo Sesshoumaru fez o primeiro avanço. O disparo da Coonan ecoou pelo recinto, assim como o grito que partiu da garganta de Suikotsu. Sesshoumaru o levara ao chão. Sua perna se tornara uma bagunça de cor carmesim.

— O jogo virou maldito verme! – Sesshoumaru dera o primeiro passo. – Este youkai o fará engolir suas palavras.

Kouga soltou um pigarro o detendo primeiro, completamente contra a forma como o youkai lidava com a situação. Sesshoumaru acabaria matando a única evidencia que possuía para resolver aquele caso.

— Só não o mate, tudo bem? Preciso dele vivo, Sesshoumaru! – kouga interveio.

— Farei este sacrifício, não se preocupe Ookami.— rosnou entre dentes. Em dois passos Sesshoumaru o alcançou, suspendendo-o pela garganta lançando seu corpo contra a parede mais próxima. – Este Sesshoumaru ansiou em colocar as mãos em você, rato traiçoeiro.

— Ei, tire suas mãos de mim. – a cor sumia do rosto de Suikotsu, o deixando com um aspecto pálido, doente. Talvez fosse pela perda de sangue que se esvaia pelo belo buraco que fizera em sua perna. – Me solte, caramba.

Oh, como quisera colocar as mãos naquele maldito verme. Apertou sua garganta com força ouvindo-o gemer por ter sua respiração interrompida, e diabos, como ele gostava daquele som. Desde quando se tornara alguém tão sádico?

— Limpe essa sua boca antes de falar da minha humana.— rosnou rente ao seu rosto.

Ele debateu-se tentando se libertar, sua perna boa balançando no ar. Prevendo seus movimentos, Sesshoumaru o imobilizara impedindo que a movesse para atingi-lo.

— O quão covarde consegue ser? – Sesshoumaru o questionou tendo como resposta um grunhido por parte de seu adversário. – Olhe para você, encurralado como um rato. Reaja maldito verme, enfrente alguém que possa se defender.

Suas garras perfuraram o seu pescoço e um filete de sangue escorria por entre elas. Seu grito de dor o preenchia. Mas aquilo não era o bastante, não. Sesshoumaru não se sentiria totalmente satisfeito enquanto não desfigurasse cada centímetro de Suikotsu. Ele ainda o faria gritar, e muito. Libertou seu pescoço deixando-o cair aos seus pés. Suikotsu tossia e puxava o ar com força, recuperando o oxigênio perdido. Não permitiu que ele pudesse se recuperar, um grito agudo abandonou sua garganta quando outro disparo foi efetuado, desta vez na outra perna. Suikotsu não seria capaz de correr, suas pernas eram inúteis agora. Faltava-lhe apenas ter os membros superiores arrancados, e foi arquitetando a maneira que Sesshoumaru os arrancaria que ele puxou ambos os braços do outro para trás.

— Você a tocou com essas mãos sujas? – Sesshoumaru manteve sua agarra firme dos braços do homem, ao mesmo tempo em que depositava o pé em suas costas e impulsionava a perna para frente, empurrando-o. – Colocou suas patas sujas em minha mulher?

Seus músculos estralaram, protestando. Raios, aquele youkai iria quebrar os seus braços!

— Você não a ama! – Suikotsu gritou em plenos pulmões, não se abatendo pela ameaça do maior. – Você não a ama como eu!

Estreitando os olhos ameaçadoramente, foi que Sesshoumaru tomou o impulso de empurrar ainda mais sua perna com força tendo os braços e os ombros de Suikotsu projetados para trás. O urro de dor ecoou por cada recinto da casa. O estalo que se seguiu confirmou suas suspeitas, os ombros do maldito verme estavam deslocados e consequentemente a dor se extinguia em direção aos braços. Libertando um deles de suas garras, Sesshoumaru usou a mão livre para agarrar-lhe a face obrigando-o a encarar seus mortíferos olhos âmbares.

— Não se atreva a comparar este youkai com alguém como você! – quebrara qualquer tipo de distancia, olhando-o de cima bem próximo a sua face contorcida pela dor, seus narizes quase se tocando.

Suikotsu teve o corpo fortemente despejado contra o chão. O chute que o atingiu nas costelas o fez interromper sua respiração, o outro se encaminhou para o seu rosto. Sesshoumaru pareceu ter visto um de seus dentes voar ao mesmo tempo em que o carpete era manchado pelo sangue que escorria de seu nariz e de seu supercilio rasgado.

— Isso não é o bastante? – o delegado que assistia a cena toda interveio. – Acho que ele já aprendeu a lição.

— Este Sesshoumaru ainda não terminou. – rosnou para o delegado.

— Merda, você vai deixa-lo inconsciente desse jeito Sesshoumaru! – Kouga o repreendeu. – O que mais pretende fazer com esse cara?

— Ainda não quebrei seus malditos dedos.

— Vai com calma, ok? Eu preciso dele vivo!

Kouga lhe refrescou a memória. O delegado não possuía um pingo de confiança em suas palavras. Sesshoumaru não parecia ser alguém que acataria algum tipo de pedido, ainda mais vindo de alguém como ele. Seus músculos rígidos e saltados apenas comprovavam o que já sabia. Ele não pararia. Não enquanto Suikotsu conseguisse respirar.

— Qual é o seu maldito problema? – Sesshoumaru grunhiu entre dentes. – Não é tão corajoso quanto aparenta?

Mantendo sua promessa, o youkai atreveu-se em quebrar dedo por dedo das mãos de Suikotsu. O pensamento de que aqueles mesmos dedos ousaram tocar sua humana, – que agora carregava seu fruto dentro de si – o obrigara a utilizar mais força do que o necessário.

— Onde você a enfiou? – puxou a cabeça do quase desfalecido homem com violência, apreciando vê-lo quase se afogar em seu próprio sangue.

— Vai. Para. O. Inferno. – Suikotsu conseguiu falar pausadamente, por mais que a dor o obrigasse a continuar calado.

Sua ousadia o fez receber o impacto do punho do youkai contra a sua mandíbula banhada pelo próprio sangue.

— Este Sesshoumaru não gosta de repetir. – ameaçou. – Onde ela está?

Aparentemente tonto, Suikotsu entre abriu os lábios soltando coisas desconexas e palavras balbuciadas. O rosto estava banhado pelo sangue, e o inchaço em seus músculos aos poucos começava a aparecer.

— Será difícil ele responder alguma coisa, mal consegue falar depois ter sua cara chutada. – Ginta observou. – Céus homem, você desfigurou o rosto dele! – assobiou em aprovação.

— Ele vai falar! – Sesshoumaru rosnou.

— Arrancar informações desses caras é o meu trabalho, você sabe. – Kouga pigarreou chamando sua atenção. – Deixe que eu assumo a partir daqui.

O delegado recebeu como resposta um rosnado de aviso. Não, aquilo não era o bastante. Os poros de Suikotsu não transbordavam a quantidade de sangue que desejava ver. Alguns socos e pontapés não o faziam se sentir mais satisfeito por deixa-lo irreconhecível sobre o chão. Aquele homem era a escória! E precisava sentir na pele todo o sofrimento que ele causara em sua Rin. Olhando-o assim, era irônico vê-lo estirado ao chão sem conseguir lutar para salvar a própria pele.

Com um movimento rápido, encostou o cano quente da arma contra sua pele, apreciando o grito de Suikotsu por ter a pele de seu braço queimada.

— Deixarei você fazer o seu trabalho dentro da sua delegacia, Ookami. Mas fora dela, eu cuido do verme.

Kouga soltou um suspiro ao alto.

Com um sorriso imperceptível coberto de sadismo, Sesshoumaru se abaixou agarrando-o pelos cabelos sem se importar de ter suas mãos manchadas por seu maldito sangue.

— Vamos lá Suikotsu, você ainda não me disse onde enfiou a minha Rin.— bateu com o cano da Coonan em seu rosto em sinal claro de ameaça, ouvindo-o resmungar de dor.

Se ele não começasse a falar, explodiria seus miolos.

Suikotsu teve a cabeça pendida para trás, seus olhos se reviraram. O infeliz estava a ponto de perde a consciência. Chacoalhou-o com brusquidão, sentindo seu corpo inteiro tremer sob seus dedos.

— Não ouse fechar esses olhos, responda a pergunta que este youkai lhe fez. – grunhiu contra seu rosto lavado pelo sangue.

— Ele mal se aguenta de pé. Como acha que vai conseguir responder suas perguntas? – Kouga ironizou. – Obrigado Sesshoumaru, você acabou de tornar o meu trabalho ainda mais difícil. Vou ter que esperar esse idiota recobrar a sanidade para lhe arrancar toda a merda que ele fez!

— Ele continua vivo! – Sesshoumaru cuspiu ao alto, sem ao menos se virar para encarar o delegado. – No entanto, posso tornar seu trabalho ainda mais complicado o impedindo de abrir os olhos uma vez mais.

Kouga manteve sua boca em uma linha firme, não duvidando das ameaças do outro. Conhecendo Sesshoumaru, sabia que ele lhe dizia a verdade. O viu exigir novamente por respostas, chacoalhando a cabeça do desfalecido homem com violência.

— Responda!

Suikotsu entre abriu os lábios, mas nenhum som provinha deles. Sesshoumaru obteve sua resposta na direção em que ele olhava. Pescando seu olhar, Sesshoumaru olhou em direção as escadas. Seu peito se acalmou e seu sangue correu de forma lenta, sua Rin se encontrava a poucos passos de si e a ânsia de averiguá-la e tirá-la daquele maldito lugar o fez abandonar o corpo inerte de Suikotsu, em inicio de um estado vegetativo, para seguir seus instintos e subir as escadas.

Entendendo seu movimento, Kouga fez um sinal para que seus homens ficassem a postos enquanto seguia Sesshoumaru para lhe dar cobertura. Sua arma sempre em mãos, pronta para qualquer estranheza aos seus olhos.

O que encontrou fez seu sangue correr com mais rapidez, seu peito se comprimiu com violência. Seus vorazes olhos âmbares se mantinham presos em sua humana que estava parada ao final do corredor juntamente com a figura de Naraku logo atrás de si. Seus músculos se mantiveram em alerta. Vê-la imobilizada pelo homem que o fizera quase perder a empresa de seu pai fez com o seu senso de proteção atingisse o ápice. Aquele desgraçado ousara apontar uma arma para sua humana?

Ele mataria Naraku Onigumo!

Kouga manteve sua arma em riste, obtendo Naraku como o novo alvo dela.

— Estou impressionado. – a risada que partiu dele fez o corpo de Rin gelar. – Pelos gritos, você fez um bom trabalho lá em baixo. Suponho que o tenha deixado bastante irreconhecível, Sesshoumaru. – a voz de Naraku quebrou o silencio. – Eu sabia que Suikotsu não seria capaz de fazer seu trabalho direito.

Rin não conseguiu desviar os olhos da cena toda, imobilizada por Naraku sendo mantida presa por uma arma, ela assistiu tudo ao pé da escada. Seu estomago se agitou com a quantidade de sangue impregnado sobre o carpete claro. A cena iria demorar a sair de sua cabeça, levaria dias. A primeira coisa que viu quando Naraku voltou a arrastá-la para o fundo do corredor foi o par de sapatos conhecidos. Subindo o olhar, deslizando pela perna alcançando o tronco forte, ela encontrou o dono deles. Sesshoumaru estava a poucos passos de si e pelo o que analisava, parecia averiguar se não havia nenhum buraco em seu delicado corpo. Os orbes que tanto amava lhe pediam para manter a calma.

Seu youkai deu o primeiro passo em sua direção, sendo impedido pelas ameaças de Naraku que posicionava a arma contra sua cabeça, um sinal claro de que estava armado.

— Ninguém se mexe! – encostou o cano da pistola em sua têmpora.

— Não ouse... – o youkai soou em tom de ameaça.

Se Naraku pensasse em disparar aquela arma... Sesshoumaru o reduziria a migalhas. Os olhos do youkai iam de Naraku para Rin. E sempre que os posicionava em sua humana, ele tentava transmitir á ela toda a segurança que ela buscava. Dizendo-lhe com o olhar que tudo estava sob controle, e que ele a tiraria de lá em breve.

— Largue a arma. – Kouga tentou controlar a situação.

— Porque ser tão apressado? Ainda não chegamos na parte das negociações.

— Você não tem o direito de exigir negociações, Naraku Onigumo.— Kouga soletrou seu nome com desdém. – Você está encurralado por meus homens e será levado por eles em flagrante.

— Não enquanto eu manter ela sob minha mira! – empurrou a arma contra a cabeça dela e Rin sentiu o sangue sumir de seu corpo. – Você não pode fazer nada delegado. Se mover um dedo eu explodo os miolos dela. Quem é que está em vantagem aqui? – ele se vangloriou por ter aquela batalha nas mãos.

Droga, ele estava coberto de razão. Enquanto não arranjasse um meio de ter Rin longe das amarras de Naraku, ele não poderia fazer nada. Negociações poderiam funcionar naquela altura do campeonato.

— No entanto, você não tem escapatória. Se fugir será atingido pelas costas. – Sesshoumaru o fez quebrar qualquer tipo de esperança em sair dali inteiro. – Não me surpreendo Naraku por estar envolvido nessa história. Se envolver com um doente? A que ponto chegou para conseguir ver a cor daquele maldito dinheiro?

Os ombros de Naraku tremeram. A reação de seu corpo despertou o interesse do delegado. Kouga começava a entender as táticas de Sesshoumaru. Tocar na ferida do outro parecia ser uma boa maneira de desestabilizar suas barreiras.

— Onde está o meu dinheiro? – exigiu.

— O dinheiro nunca foi seu! – Sesshoumaru o enfrentou vendo a careta pela resposta que dera estampada no rosto do outro.

— Vamos lá, Naraku. Solte-a. Agora. Você não vai querer ver os meus homens em ação. – o lobo de farda deu seu último aviso.

Naraku Onigumo estava cercado. Recuou alguns passos para trás vasculhando ao seu redor algum meio de fuga. Ele precisava pensar racionalmente e obter alguma vantagem sobre aquela situação, não havia meios que o levassem para fora por aquele corredor onde se encontrava. No entanto, ele sabia que por mais que tentasse fugir levando a garota de Sesshoumaru como um escudo de tiros, ele seria pego. Quando abaixasse sua guarda, alguém o atingiria. Ignorando a voz da autoridade foi que Naraku fez um movimento rápido de mãos obtendo outra pessoa em sua mira. Rin fechou os olhos com força recusando-se em ver o que aconteceria. Sesshoumaru entrou em seu campo de visão, e era só ele puxar o gatilho para ter aquela montanha de músculos aos seus pés. Todavia, seus planos foram mortalmente interrompidos com o som de outro disparo. Um grito estrangulado deixou o corpo da única presença feminina no recinto, seus ombros começaram um balanço ritmado ao mesmo tempo em que um soluço cortava sua garganta.

Quando sentiu o aperto de Naraku se afrouxar, foi obrigada a abrir os olhos e presenciar a nova cena. A arma dele estava ao chão e sua mão sangrava abundantemente. Suas pernas fraquejaram e Rin atingiu o chão quando escorregou pela parede, ainda tremula.

— Desgraçado! – Naraku rugiu disparando olhares raivosos em direção ao delegado que baleara sua mão.

Ferido e desarmado, o empresário não passava de um alvo fácil. Foi assim que Sesshoumaru avançara lhe desferindo o punho em seu rosto para levá-lo ao chão. Agarrou-lhe pelo pescoço levantando-o com violência, aproximando seu rosto do dele para lhe cuspir ameaças:

— Nunca mais ouse colocar suas malditas mãos na minha humana, eu fui claro? – chacoalhou-o ao alto antes de soltá-lo com brusquidão o fazendo cair aos seus pés como o maldito merda que era.

— Naraku Onigumo, você está preso sob acusação de formação de quadrilha, sequestro e cárcere privado. Você tem o direito de permanecer calado, tudo o que disser pode e será usado contra você no tribunal. – o delegado narrou seus direitos antes de algemá-lo e arrastá-lo em direção as escadas.

Suikotsu tivera o mesmo fim, no entanto, sua lista de acusações fora muito mais extensa em comparação com a de seu cumplice. A pequena pode enfim, respirar mais uma vez.

Acabou.

Parecia que sonhava. Estava livre! Livre de Suikotsu e de qualquer tipo de ameaça por parte do mesmo. Havia acabado.

Sua primeira reação foi chamar o nome de seu amado e se jogar sobre ele quando firmou suas pernas e se manteve de pé, circulou seu enorme corpo com seus pequeninos braços, apertando-o contra si com força. Como se sua vida inteira dependesse disso.

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— S-Sesshy...— seu nariz se afundou no conhecido peitoral malhado.

Ali, nos braços de Sesshoumaru Taishou, Rin se sentia em casa.

— Acabou! – ele lhe sussurrou no ouvido. – Suikotsu não poderá fazer mais nada, doce Rin.

Sim. Acabou!

Fechou os olhos e inalou o cheiro de seu amado. Seu miúdo corpo foi acolhido pelos braços do youkai, rodeando-a pela cintura para impedir que suas pernas fraquejassem. Sua Rin ainda estava tremula e assustada. Ajudou-a descer as escadas, sem tirar os braços que a seguravam tão possessivamente. Ela escondeu o rosto em seu peitoral quando se viu em meio ao tormento que acontecera na sala. O carpete manchado de sangue fez com que sentisse náuseas.

— C-Como você me encontrou? – curiosa, quis saber.

— Seu anel!

Franziu o cenho em sinal de confusão. Ela fitou o anel que ele a presenteara por alguns instantes, sem ainda compreender o que Sesshoumaru queria lhe dizer com aquilo.

— O que tem ele?

— Este Sesshoumaru foi cuidadoso o suficiente para colocar um rastreador nele. – ronronou em seus cabelos escuros, levando seu cheiro doce em direção aos seus pulmões.

Claro! Era a cara de seu amado fazer algo como isso. Agora tudo parecia fazer sentido. Porem, um lampejo lhe atingiu com força e ela estremeceu com o pensamento:

— O que você teria feito se eu não estivesse usando o anel?

— Ainda assim teria encontrado minha Rin. Colocaria esta cidade a baixo até que a encontrasse e a tivesse de volta. – rosnou, abaixando o rosto para afundá-lo na curvatura de seu pescoço.

Um pigarro baixo bem atrás de si fizera com que Sesshoumaru erguesse a cabeça a contra gosto. Diferente dele, Rin continuou abraçando-o enquanto ignorava quem houvesse os interrompido. Não, ela não queria soltá-lo. Não agora.

— Sesshoumaru, eu tenho que agradecê-lo. Sua ajuda foi muito proveitosa neste caso. – a voz de Kouga anunciou que fora ele quem os chamara a atenção. – Com suas preciosas informações, tudo foi solucionado.

— Não deixe de fazê-lo confessar por seus crimes. – instruiu o youkai.

— Eu já te disse que tenho meus métodos. Eu vou fazê-lo abrir a boca de um jeito ou de outro, não se preocupe. Ele terá um tratamento especial.— garantiu o delegado. – Ela vai ficar bem? – indicou Rin com um meneio de cabeça.

— A partir de agora, sim. Se depender deste youkai. – puxou-a levemente contra si, evidenciando a posse que tinha sobre aquela mulher.

Kouga pareceu se sensibilizar pela garota. Deixou os ombros caírem, confiando nas palavras de Sesshoumaru.

— Se souber de qualquer outra informação importante a ser acrescentada nas acusações desses bastardos, entre em contato comigo. – Kouga se prontificou em se despedir. – Preciso voltar á delegacia para dar entrada nesses dois. E eu também tenho que lidar com um dos meus homens baleados. Não se preocupe com a bagunça que causou, eles continuam vivos, mas meus homens darão um jeito de limpar essa sujeira.— indicou os corpos caídos pela sala.

O delegado correu o olhar pelo lugar coçando ligeiramente o queixo quadrado enquanto presenciava a guerra que acontecera mais cedo. Kouga retirou-se logo em seguida, deixando o casal para trás e seguindo em direção à saída juntamente com seus homens.

— Minha Rin está mais calma? – seu nariz percorreu toda a extensão de seu pescoço, buscando seu cheiro, necessitado por ele. – Suikotsu lhe fez alguma coisa? – grunhiu com o pensamento.

Afastou devagar correndo os olhos por todo o seu corpo, atrás de algo que o avisasse de que aquele maldito verme a tocara. Seu olhar se deteve em sua bochecha avermelhada e a fúria atingiu os olhos âmbares. Tocou seu rosto com suavidade acariciando o local atingido. Infernos, ele deveria tê-lo espancado mais.

— Não, eu estou bem! – a pequena tentou tranquiliza-lo. – O argumento que Naraku usou para controla-lo foi que enquanto não estivesse com o dinheiro nas mãos, Suikotsu não poderia tentar fazer nada. Você chegou a tempo Sesshy, eu estou bem. Nós estamos!

A menção da palavra encheu o peito do youkai de satisfação. Acabara de ouvir da boca de sua própria humana que ela carregava um filho no ventre. O seu filho!

— Este Sesshoumaru veio buscar sua Rin. – seu nariz se chocou contra o dela, suas testas se colaram e a enorme mão do youkai se infiltrou dentro de suas vestes, acariciando a barriga lisa. – Ela e o filho que cresce em seu ventre.

Rin sentiu um arrepio lhe subir pela espinha, uma sensação gostosa se instalando em suas entranhas. Com delicadeza, ela empurrou o corpo recheado de músculos com ambas as mãos. A pequena tivera que piscar os olhos repetidas vezes para espantar as lágrimas que começavam a nascer. Céus, desde quando ele sabia sobre sua gravidez? Como Sesshoumaru descobrira?

— V-Você... – ela estancou no mesmo lugar, umedeceu a boca com a ponta da língua antes de continuar. – Foi Izayoi quem te contou, não foi? – arriscou o palpite.

A imagem de sua doce vizinha foi a primeira coisa que invadiu seus pensamentos. Mas é claro que havia sido ela! Quem mais além de Izayoi Taishou desconfiava de sua gravidez?

— Diga-me o que diabos Izayoi Taishou não conta? – comentou conseguiu arrancar um sorriso de Rin.

— Eu queria ter sido a primeira a te contar! – confessou. – Mesmo não sabendo se a notícia o agradaria.

— Este youkai está feliz, minha Rin!

Sua voz soou tão doce que a pequena não foi capaz de se questionar sobre a sinceridade de seu amado. Ele lhe dizia a verdade! Seu queixo tremulou e seus olhos transbordaram com a intensidade de sentimentos que se emaranhavam em seu coração. Oh céus, isso eram os primeiros sinais de seus hormônios da gravidez?

— Mal vejo a hora da minha barriga começar a crescer. – admitiu. – Eu vou ficar enorme de gorda, você sabe! – torceu o nariz ao lembrar-se deste fato. – Ainda assim você iria me querer?

Inconsciente de seus atos, Sesshoumaru a pegou acarinhando seu ventre por cima da roupa.

— Torná-la uma Taishou responderia sua pergunta, doce Rin? – o aperto em sua cintura se intensificou no momento em que ele a trouxe para mais perto de si.

Seus olhos lacrimejaram um pouco mais. A pequena levou a mão até a boca para aplacar o seu espanto. Aquilo era o que estava achando que era?

— E-Está me fazendo um pedido? – sua voz tremulou. – A-Aqui? N-Nesse lugar? Isso não é romântico! – abafou a risada no peitoral malhado de seu youkai.

Naquele momento, Rin o amou um pouco mais. Perdeu-se no fogo que cruzava o olhar vibrante daquele enorme homem e mergulhou de cabeça nos sentimentos que nutria por ele.

— Este youkai precisa levar sua noiva de volta para casa, vamos sair daqui. – ele cheirou-lhe os cabelos, rosnando em resposta após inalar seu fabuloso cheiro.

Noiva?— a palavra brincou em sua boca. – Eu nem ao menos disse sim ao seu pedido.

Aquela palavra soava com tanta naturalidade que ela pegou-se imaginando a sensação de carregar o sobrenome de Sesshoumaru Taishou e se sentir ainda mais acolhida por aquela família que aprendera a amar com o tempo. Apenas a imagem em sua cabeça fazia com que suas emoções voltassem a transbordar por seus olhos amendoados.

— É claro que dirá! – o youkai afirmou com veemência e a pequena quase tomara o impulso de revirar os olhos devido ao seu enorme ego.

— E quando será o nosso casamento? Ele será grande? – seus olhos brilharam em expectativa.

— Será do jeito que minha Rin desejar. – garantiu ele.

Nas pontas dos pés, ela alcançou seus lábios e aquilo foi a confirmação que Sesshoumaru precisava. De maneira silenciosa, ela aceitara seu pedido. Aceitaria se tornar a mulher daquele homem quantas vezes fossem necessárias. Suas línguas se entrelaçaram, unindo-se em um ritmo apenas deles. Um ritmo que jamais encontraria nos braços de outro. Agarrou-se em sua boca faminta, apreciando um beijo carregado de sentimentos como amor e a saudade. Oh céus, como ela o amava! Rin não conseguiria mais se manter longe de Sesshoumaru, seus corpos se atraiam como imãs.

— V-Vamos embora daqui Sesshy! – chupou o ar com rapidez, retomando o folego perdido sem se afastar dos braços que a envolviam e da habilidosa boca que insistia em se manter colocada a sua.

Rin entrelaçou seus dedos com os dele, juntando suas mãos. Deixou-se ser guiada em direção á saída, ao mesmo tempo em que um gigantesco peso saia de suas costas. Acabou. Ela estava dando o primeiro passo em direção ao seu futuro, e nele não existia mais as ameaças de Suikotsu Shichinintai, apenas a majestosa presença de Sesshoumaru Taishou, o homem que a tirara da escuridão e lhe mostrara o quanto valia a pena lutar por sua liberdade.

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Notas finais
Ah meu Deus, eu estou com o coração nas mãos!! Eu espero, de todo o coração, que vocês tenham apreciado o desfecho desta estória!! E raios, como eu vou sentir falta das cenas quentes desse casal, dos irmãos delicia, da nossa doce vizinha e de seus bolos maravilhosos, do nosso Jaky á qual apelidou carinhosamente cada personagem presente. Mas calma que ainda tem mais por vir, em breve postarei um epílogo (especial) para fechar a estória com chave de ouro, então aguardem só mais um pouquinho. É tudo o que eu peço á vocês! Me sinto triste e feliz ao mesmo tempo, triste por finalizar mais uma obra e feliz pela sensação de dever cumprido. Eu não teria chegado até aqui se não fosse pelo incentivo de todos vocês, foram 33 capítulos postados, e eu nunca pensei que chegaria tão longe. Agradeço a cada um que acompanhou a fic desde o inicio e nunca desistiu de mim. Por toda a paciência e carinho, vocês são os melhores leitores que eu poderia desejar. E eu vou sentir uma saudades imensa de cada um que deixou um significado muito grande para mim. Obrigada s2 Eu os amo eternamente, um grande beijo a todos. Anny Taishou