Louca Obsessão
9 Possessão
Notas iniciais
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9. Possessão
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Entrou as pressas dentro de sua casa, a qual carinhosamente a apelidara como seu refugio. Por onde passava, trancava todas as portas e janelas. Em questão de segundos ela havia percorrido todos os cômodos, constatando um por um de que tudo estava devidamente trancado. Levou a mão aos cabelos e os segurou com força, Rin não sabia o que fazer. Seu medo a consumia, alimentando-se da pouca tranquilidade que ainda lhe restava.
Não, aquilo não poderia estar acontecendo. Agora mais do que nunca não poderia se permitir a colocar os pés para fora de casa. As palavras de Inuyasha martelavam em sua cabeça, tentou a muito custo não transparecer seu nervosismo diante de seus vizinhos. O fato de se parecer com as vítimas era uma coincidência gigantesca! Aquela notícia a abalara e se suas suspeitas estivessem certas então... Céus, não queria imaginar isso.
Dentro da sala, vasculhou o ambiente até encontrar o que procurava. Com uma das mãos pegou o controle remoto sobre o sofá e conteve um gemido enquanto tomava coragem para ligar sua televisão.
— A policia investiga o caso que alarmou os moradores pela forma violenta com que duas jovens foram assassinadas... — O repórter dizia.
Apertou o botão do controle para mudar de canal enquanto seus joelhos não foram capazes de suportar seu próprio peso. Caiu sobre o chão, mas a dor não era nada comparada a maneira como estava se sentindo.
— Partes dos corpos das vítimas foram mutilados, o que leva os investigadores a suspeitar de que o assassino possa ser a mesma pessoa...— Em outro canal, um novo repórter falava sobre o mesmo caso.
Um choramingo ficou preso em sua garganta, Rin começava a ter dificuldades em respirar. As imagens se tornaram borrões diante de seus olhos marejados. Todos os canais falavam sobre a mesma notícia: O caso das duas jovens que foram brutalmente torturas e estranguladas. Apertou outro botão, mudando mais uma vez de canal.
— Esse tipo de crime brutal nunca aconteceu nesta região. Os moradores estão em alerta, com medo de deixar suas próprias casas...— E mais uma vez o caso das jovens vinha à tona.
Sentiu o estomago embrulhar e involuntariamente a ânsia lhe dominou. Não, não conseguia ouvir mais nada! Desligou a televisão sem pensar duas vezes e continuou encolhida sobre o chão gelado. O silencio não aliviou a confusão que estava os seus sentimentos. Não adiantava em quantos canais colocava, a mesma notícia era anunciada. Aquilo era angustiante! Uma tortura para a sua cabeça!
Precisava de seus calmantes, tinha a leve impressão que o estresse não a permitiria dormir naquela noite e tudo o que queria era esquecer-se dos últimos acontecimentos. Em um solavanco correu para a cozinha, procurou ás pressas seus calmantes que havia guardado dentro do armário e com um soluço alto, jogou os comprimidos dentro da boca e os engoliu com o auxílio de um copo d’água. Estava sozinha, sem sua família e com um louco que estava caçando-a. Precisava de ajuda, precisava se sentir segura... Correu para sala puxando a bolsa sobre o sofá e jogou tudo o que tinha dentro dela no chão, sem rodeios agarrou seu celular quando este caíra.
Olhou para o celular em mãos. Teria ele rastreado suas ligações? Teria ele encontrado-a? Pensou em telefonar para sua família, mas o pensamento de que ele pudesse estar mais perto do que desejava a assombrava. Rin precisava manter a calma. Era apenas uma suposição, uma suspeita! Não significava realmente que alguém estava tentando encontrá-la, mas havia tantas coincidências que não sabia mais o que pensar. Rin não poderia correr aquele risco, naquele momento todo cuidado era pouco. Discou o numero conhecido de sua casa na capital e quando o aparelho começou a chamar, gelou.
— Droga! – Ligar ou não ligar? Aquela pergunta a atormentava, martelando em sua cabeça deixando-a cada vez mais atordoada.
Seu celular poderia estar grampeado, ele poderia estar vigiando-a de longe e facilmente descobriria onde estava escondida. Aquela suposição a fez tremer, deixou escapar um novo gemido de seus lábios e a muito custo decidiu que o correto seria desistir. Cancelou a ligação e se jogou no sofá, exausta. Não estava aguentando mais tanta pressão, sua vontade era de fazer as malas e fugir para outro lugar. Mas para onde? Não poderia voltar para a capital, não ainda. E ela sabia que essa decisão era impensada, porque era apenas uma suspeita! E se fosse outra pessoa o assassino? Seu sofrimento seria totalmente em vão, e pensando dessa forma passou a manter a calma e controlar a respiração ofegante. Os medicamentos pareciam que estavam começando a surtir algum efeito.
Sentiu-se tonta e com o corpo mole, uma leve vertigem a arrebatou. Em poucos instantes se pegou bocejando. Não, não iria dormir! Até porque não conseguiria, mas com o auxilio dos remédios pensou que dessa vez apagaria. Teria ela abusado nos medicamentos novamente? Estava tão desesperada que havia tomado mais que o habitual. Com a intenção de manter-se desperta, voltou a ligar a televisão evitando colocar nos canais de notícia. Nada adiantou! Lentamente deixou-se escorregar até estar com o corpo totalmente deitado sobre o sofá de couro, não conseguiu prestar atenção no filme que passava, sua cabeça estava longe. Tão longe que se permitiu adormecer.
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Piscou os olhos sonolentos, lentamente despertava de seu sono. Com uma careta no rosto levantou-se devagar, nem mesmo a maciez do sofá foi capaz de espantar a dor nas costas. Dormira de mau jeito e agora sentia sua coluna protestar diante da maneira em que adormecera. A televisão ainda estava ligada, o volume consideravelmente baixo lhe proporcionou mais horas de sono. Alias que horas seriam agora? Por quanto tempo havia dormido?
Jogado ao seu lado, estava seu celular. Com o intuito de descobrir o horário, esticou-se até alcançá-lo e soltou um suspiro quando percebeu que já estava tarde. Deixou o conforto de seu sofá para trocar de roupa e alimentar-se. Apesar de que com os medicamentos que tomara não saberia se conseguiria ingerir alguma coisa, não agora. Pensando assim, decidiu trocar-se primeiro. Aquelas roupas apertavam-lhe o corpo e seu pijama confortável parecia lhe chamar no andar de cima. Subiu as escadas e se encaminhou para o quarto, em poucos segundos já estava vestida com seu baby doll verde água que possuía como conjunto um curtíssimo shorts com as barras rendadas.
Sua renda era delicada e o shorts agarrava-lhe justamente nas coxas deixando seu traseiro farto mais arrebitado que o habitual. Se não estivesse sozinha jamais o usaria! Seu shorts era demasiadamente curto, podia se ver ao longe a curva de suas nádegas e só o pensamento de que alguém a visse desse jeito já a deixava constrangida.
Casualmente passou a mão pelos cabelos e sentiu que seus fios ainda estavam úmidos. Havia adormecido com os cabelos molhados, claro que ainda estariam úmidos! Seu chuveiro ainda estava quebrado, mas seu secador funcionava muito bem e isso não a impediu de ir até o banheiro a fim de secar seus cumpridos cabelos escuros. Com os cabelos secos e totalmente vestida decidiu alimentar-se. Prometera a sua família que se cuidaria, no entanto havia ficado sem comer durante horas. Se eles soubessem...
Atravessou o quarto rumando para a saída, desceu as escadas lentamente e seus pés a guiaram até a cozinha. Precisava comer apesar de não estar com animo algum para cozinhar então optou fazer algo menos trabalhoso, um café talvez. Colocou a chaleira no fogo e o silencio constante a incomodou, a única maneira que pensou em torná-lo menos aterrorizante fora voltar a ligar a televisão da sala. Sendo assim, caminhou com passos firmes até o cômodo e a ligou. Fizera isso apenas para se sentir mais a vontade, sabia que não prestaria atenção na novela que passava e tampouco se lembraria das palavras dos atores. Aquilo certamente a distrairia e a faria se sentir melhor, pelo menos era o que pensava.
Voltou à cozinha quando escutou a chaleira apitar. Abandonando a sala e a televisão ligada, Rin passou a coar o café e se deliciou com o maravilhoso cheiro que o pó lhe proporcionava. Ao fundo podia-se ouvir o som da televisão, e ignorando completamente o barulho foi que tomara seu café em silencio. Primeiro havia devorado uma fatia de pão e no segundo seguinte saboreava o café recém-coado. O sabor não era tão tentador quanto o cheiro, disso não tinha duvidas.
Com a xícara em mãos voltou para onde sua televisão a chamava, acomodou-se no sofá de couro enquanto bebericava o liquido amargo. A xícara parou no meio do caminho em direção aos seus lábios, Rin estacou no mesmo lugar quando escutou um barulho que de inicio não foi capaz de distingui-lo. Arqueou a sobrancelha confusa, deixou o café de lado e agarrou o controle para abaixar o volume. O barulho continuou, tentou prestar atenção para descobrir de onde vinha o som. Estava assustada, admitia. Além do mais estava sozinha em seu refugio! Seria Sesshoumaru invadindo sua casa novamente? Não, o som parecia vir de seu quintal e não do andar de cima. Então que diabos de barulho era aquele? Deixou-se relaxar quando ouviu um sonoro miado.
— Um... Gato? – Perguntou-se para si mesma, o coração se acalmava aos poucos dentro do peito.
O animal deveria ter escalado o muro, pensou. Balançou a cabeça e deixou um sorriso escapar, tanto alarde para nada!
Olhou para a sua xícara e torceu o nariz quando viu o café frio. Assim que levou a xícara para a cozinha e desligou sua televisão, subiu as escadas para voltar até seu quarto. Não sabia se conseguiria voltar a dormir, mas arriscaria tentar. Escovou os dentes assim que chegara e quando pensou em acomodar-se sobre a cama, voltou a estacar no mesmo lugar. Escutou novamente outro barulho dessa vez dentro de sua casa e imaginou que o animal deveria ter entrado. Quanto atrevimento de sua parte!
— Gato abusado! – Resmungou alto.
Rin estava pronta para colocá-lo para correr. Aquele gato sairia de sua casa da mesma forma que entrara. Ainda não acreditava em seu tamanho atrevimento. Caminhou com passos firmes para sair de seu quarto, o encontraria nem que aquilo lhe custasse uma noite de sono. Atravessou o corredor dos quartos enquanto vasculhava cada cômodo e estava começando a perder as esperanças de encontrá-lo. Onde diabos ele havia se enfiado?
Escutou mais um novo barulho. Fixou seu olhar na direção do som e estreitou os olhos. Ah, então ele estava ali! Caminhou às pressas com receio de perdê-lo, mas o que encontrou estava longe de ser um felino. A silhueta alta parada no final do corredor obrigou suas pernas a pararem de se mover.
— Não tão abusado quanto você por ter fugido e se escondido!— A voz grossa preencheu seus aposentos.
Sentiu um arrepio lhe subir a espinha, aquela voz a fez tremer. Conhecia muito bem quem era aquela figura de cabelos negros parado dentro de seu refugio. Puxou o ar com dificuldade enquanto levava o oxigênio até seus pulmões. Seus olhos marejaram e em questão de segundos suas lágrimas banhavam suas bochechas delgadas. O queixo tremeu ligeiramente enquanto o medo a assombrava. A alta risada partiu da silhueta obscura e seu corpo tremeu ainda mais quando a escutou. Rin tinha medo daquela gargalhada e sentia mais medo ainda de seu dono. Teria corrido se suas pernas não estivessem tão bambas.
— Este é o gato que procurava? – Curvou os lábios em um sorriso torto e ergueu uma das mãos, um sonoro miado partiu do aparelho que segurava.
Soltou um soluço e seu desespero aumentou quando o viu caminhar a passos lentos em sua direção. Obrigou suas pernas a se moverem, precisava fugir, precisava se manter afastada daquele homem que lhe transmitia tamanha ameaça.
— F-FIQUE AÍ! – Gritou alto, alertando-o para manter distancia.
Sua ordem foi prontamente ignorada. À medida que o outro avançava, a pequena se envolvia cada vez mais em seu próprio pânico. Quando se virou para correr sentiu os cumpridos cabelos serem agarrados e puxados com brutalidade, abriu a boca para protestar, mas a grande mão cobriu seus lábios impedindo-a de gritar. Seu grito e até mesmo seu soluço foram abafados pela mão que a imobilizava. Aquela aproximação fez seu corpo miúdo convulsionar de pânico.
— Porque fugiu? – Fechou os olhos com força quando o escutou perguntar rente ao seu ouvido. – Eu disse que você era minha, Rin!
Ela tremeu, aquela possessão obsessiva lhe causava pânico. Com o auxilio de sua enorme mão sobre o queixo delicado, facilmente conseguiu fazê-la mover a cabeça para o lado para ter acesso ao seu pescoço convidativo. Passou primeiro o nariz para cheirá-la e em seguida deixou sua língua percorrer a região exposta. Ela sentiu o estomago embrulhar e uma nova ânsia a consumiu.
— N-Não... – Soltou um choramingo abafado.
— Tem ideia do tempo que eu levei para encontrá-la? Agora que a encontrei não vou deixá-la fugir de mim mais uma vez. – A frase era uma perfeita ameaça.
Rin podia sentir isso pelo seu tom de voz que a cada instante se tornava ríspido, bruto. Não precisava ser esperta o bastante para saber que sua fuga o havia irritado profundamente e temia que agora que ele a encontrara Rin sofreria em suas mãos como forma de castigo. Gemeu entre os dentes quando ele a arrastou, guiando-a para o primeiro cômodo que avistou. Empurrou-a para dentro com violência, no processo virou o pé perdendo o equilíbrio e caindo sobre o chão.
— N-Não... – O queixo voltou a tremer e ela não foi capaz de segurar um soluço. – D-Deixe-me em paz... S-Suikotsu... Já lhe pedi isso antes...
— Isso! – Ele gargalhou satisfeito. – Quero vê-la implorar! Vamos lá, continue querida! Não sabe o quanto isso me deixa excitado! – Tocou seu membro por cima da calça e se permitiu soltar um gemido rouco.
Ergueu levemente a cabeça e encontrou aqueles olhos castanhos, totalmente estreitos enquanto a encarava acompanhado de seu sorriso sádico. Sua expressão mesclava-se entre a fúria e o prazer. Rin precisava manter a calma, o conhecia perfeitamente. Sabia o quanto ele sentia prazer em vê-la sofrer, e ela não queria dar esse gosto a ele. Suikotsu não merecia suas lágrimas! Era apenas um homem doentio que teve a infelicidade de conhecer e que com o tempo adquiriu certa obsessão por ela.
— Levante! – Ordenou ele. Rin não tinha forças para se manter em pé. – Eu mandei se levantar! – Grunhiu entre dentes quando ela não moveu um único músculo.
Avançou em sua direção e ela encolheu-se sobre o chão, o que nada adiantou. Sua careta de dor se fez presente quando ele a ergueu pelos cabelos obrigando-a a se manter de pé. Ele voltou a gargalhar quando mais lágrimas trilharam sob seu rosto. Empurrou-a mais uma vez e dessa vez suas costas se chocaram com violência contra a parede do aposento. Sua respiração falhou com a dor e em questão de segundos Suikotsu voara em sua garganta apertando-a, enforcando-a, sufocando-a.
— Ah Rin, porque foi fugir meu anjo? – Ele voltou a se questionar, totalmente aturdido. – E ainda foi se enfiar nesse buraco! – Cuspiu as ultimas palavras contra seu rosto.
Automaticamente agarrou a mão que a enforcava e tentou tirá-la de seu pescoço. Suikotsu gargalhou alto quando a viu entre abrir os lábios em busca de ar e só a soltou quando Rin deu os primeiros sinais de que iria desfalecer em suas mãos. Riu mais ainda quando a viu curvada sobre o chão enquanto tossia alto e buscava desesperadamente por oxigênio. Não, ele não a mataria! Não, ainda.
— P-Porque? – Fez um esforço gigantesco para falar, a única coisa que desejava era trocar algum tipo de conversa com aquele louco. – P-Porque faz isso? P-Porque não me deixa em paz?
— Ainda pergunta meu anjo? – Ele riu sarcástico. – Você fugiu! – Grunhiu ao final, aparentemente perturbado pela sua fuga.
— E-E-C-Como? C-Como me encontrou? – Era evidente sua voz embargada pelo choro.
O viu se abaixar á sua frente, encolheu-se o máximo que conseguiu e quanto mais se encolhia mais ele fazia questão de manter seu rosto próximo á ela.
— Não foi tão difícil assim! – Segurou seu queixo com uma força absurda, a pressão era tamanha que Rin tivera que trincar os dentes. – Ligações são facilmente rastreadas e compras pelo cartão também!
Arregalou os olhos com a revelação. Ele não rastreara apenas suas ligações, mas também as recentes compras que efetuara tanto no mercado perto de seu refugio, quanto na sua ida ao shopping.
— N-Não me diga que... Foi realmente você... Q-Que matou aquelas meninas! – Lembrou-se do noticiário, se suas suspeitas estivessem certas então... Rin era a razão pela morte daquelas jovens.
Ele arqueou as sobrancelhas e como se um baque o atingisse se lembrou de quê meninas Rin se referia.
— Ah sim! – Ele coçou o queixo. Riu novamente quando pareceu se lembrar. – Foi inevitável, elas se pareciam tanto com você meu anjo. Mas relaxe, nenhuma delas me divertiu tanto quanto você me diverte! – Seu sorriso sádico custava em lhe abandonar os lábios.
Rin arfou com dificuldade. Ele as matara! Em sua cabeça passou a se martirizar pelas jovens. Duas mulheres inocentes perderam a vida por sua culpa! Chorou com o que descobrira, havia envolvido duas meninas em seu problema.
— Por quê? Por que as matou?
— Não é obvio? – Ele perguntou sem culpa alguma em seu tom de voz. – Estava com tanta raiva por você ter fugido de mim que não consegui me controlar e elas se pareciam tanto com você! Eu estava procurando-a e se as deixasse vivas dariam a língua nos dentes! As matei antes que fizessem isso. Nada disso teria acontecido se não tivesse fugido de mim querida!
Então era isso! Suikotsu as matou apenas para não ser incriminado. Fechou os olhos com força e sentiu profunda tristeza pela vida das garotas. Logo percebeu o que fazia e voltou a abrir os olhos rapidamente. Sua atitude era praticamente um pedido silencioso para um beijo, e levando em conta de que era Suikotsu quem estava a sua frente todo cuidado era pouco. A aproximação o fez encará-la com excitação, sentiu nojo quando o viu lamber os lábios como se a devorasse com o olhar.
— Ah, sua fuga me deixou em abstinência Rin! – Sua expressão de fúria mudou para uma mais carinhosa.
Encarava-a com paixão, luxuria no olhar e a pequena sentiu o pânico a assolar. Inevitavelmente ele capturou sua boca de maneira faminta, Rin manteve-se a todo o momento relutante. Cerrou os lábios para que não pudesse sentir a língua de Suikotsu a invadir o que só piorara as coisas, com certa força e brutalidade sentiu sua boca delicada ser mordida obrigando-a a parar de cerrá-la. Soluçou em meio ao beijo e sentiu o nojo a dominar quando ele introduziu sua língua em sua boca. Beijou-a com ânsia, desejo e brutalidade. Totalmente diferente da maneira como Sesshoumaru a beijava.
Tentou afastá-lo com as mãos, Rin o estava recusando e Suikotsu se corroeu de ódio por seu atrevimento. Segurou seus braços, imobilizando-a totalmente com apenas uma mão, enquanto a outra invadia sua blusa do pijama e agarrava-lhe um dos seios provocando o pequeno e delicado mamilo. Antes que pudesse tentar afastá-lo mais uma vez sua blusa do pijama fora rasgada transformando-se em simples farrapos, deixando seus seios a vista. Arfou em desespero, seu coração batia forte dentro do peito e o oxigênio não conseguia chegar até os seus pulmões, estava tendo outra de suas crises respiratórias devido ao nervosismo extremo que se apoderava de seu corpo.
Por um lado, sua situação o fizera se afastar. De inicio ele a encarou com excitação, com os olhos em chamas. Suikotsu apreciava o fato de estar tão frágil, com os bicos de seus seios literalmente apontados em sua direção, totalmente exposta para ele. Ele soltou um assobio alto, aos seus olhos Rin estava extremamente sensual. Mas não demorou a sua expressão mudar, passando a fitá-la com desanimo. Fez pouco caso do fato de que estava passando mal. Revirou os olhos impaciente, toda aquela brincadeira o estava irritando.
— Ora, facilite as coisas querida, não quer ter esse rostinho lindo machucado não é mesmo? – O sarcasmo presente em sua voz apenas a fez se contorcer ainda mais.
Lentamente deixou-se deslizar enquanto buscava oxigênio para seus pulmões. O nó em sua garganta era tamanho que a sensação custava em lhe deixar. Deitada sobre o chão Rin buscava manter a calma para normalizar sua crise, enquanto ele apenas a assistia com a impaciência estampada em seu semblante.
Rin precisava de um plano, precisava de ajuda e sabia que o meio mais rápido de consegui-la seria ir até seu quarto e implorar para que Sesshoumaru estivesse em seu aposento. Mesmo com o rosto apoiado sobre o chão, Rin foi capaz de vasculhar ao seu redor algo que lhe servisse como arma e proteção e não deixou de arquitetar um trajeto de fuga em sua cabeça. Voltou o olhar para o rosto de Suikotsu e o encontrou com os olhos estreitos, como se suspeitasse que estivesse aprontando alguma coisa.
— Mantenha a calma meu anjo.— Acariciou seu rosto delicadamente. Seu toque lhe causou um arrepio súbito. – Tenho algo que a fará se sentir melhor! – Levou a mão sobre o bolso do casaco e retirou de dentro dele uma seringa.
Gemeu em desespero quando viu o objeto no meio daquelas enormes mãos. Por Deus, Suikotsu pretendia drogá-la e sabe-se lá o que mais iria fazer consigo. O mais surpreendente é que ele agia como se aquilo fosse à coisa mais normal do mundo. Desse jeito ele a mataria! E por um momento pensou que a morte seria mais atraente do que qualquer humilhação igual a esta. Rin precisava fugir, e rápido.
Sentiu um dos braços ser agarrado e tremeu quando a fina agulha se aproximou lentamente de sua veia. Céus, aquilo era loucura! Deixou o plano de lado e simplesmente decidiu agir, apanhou o objeto mais próximo que estava ao alcance de suas mãos e sem pensar duas vezes o acertou em cheio com toda a força que ainda lhe restava. Em um solavanco se manteve de pé e correu o máximo que suas pernas conseguiam suportar.
Saiu pela porta do cômodo e correu pelo corredor de maneira desgovernada. Suas lágrimas voltaram a trilhar seu rosto, embaçando sua vista e nem por isso pensou em desistir. Um resquício de esperança era tudo o que a motivava a continuar. Além do mais, sabia que se Suikotsu a alcançasse seu castigo seria multiplicado.
— Você não irá fugir novamente Rin! Eu levei dias para encontrá-la! – Grunhiu enquanto corria em seu encalço.
Como imaginara, ele se encontrava ainda mais irritado e o corredor de seu quarto parecia mais longo que o habitual. Olhou para trás apenas para averiguar a distancia que Suikotsu estava de si e não deixou de notar no filete de sangue que escorria pela lateral de sua cabeça. Mas assustou-se quando enfim avistou a arma de fogo em mãos apontada diretamente para as suas costas. Se antes Suikotsu não a matara, agora certamente o faria.
O desespero voltara dessa vez pior, a sensação de que em breve morreria estava cravada em suas entranhas. Soluçou alto e só se permitiu parar de correr quando seu corpo trombou violentamente com uma parede rígida. Fechou os olhos com a pancada e cambaleou para trás, suas pernas bambas não sustentariam seu corpo tremulo por muito tempo e antes que fosse ao chão sentiu-se ser puxada de encontro á uma montanha de músculos. Afundou a cabeça naquele peitoral conhecido e soltou um novo soluço, desta vez de alivio.
— Se-Sesshy... – O chamou com a voz embargada pelo choro.
Não estava acreditando no que seus olhos viam, seu vizinho estava ali diante de si. Com as mãos tremulas Rin agarrou-se a ele procurando conforto e segurança e ele a trouxe para mais perto enquanto mantinha um dos braços envolta de sua cintura fina a sustentando para que não desfalecesse. Seus seios desnudos foram pressionados contra seu peitoral definido e Rin não se constrangeu um só minuto com aquilo, na realidade nunca se sentira tão aliviada em ver seu vizinho de janela como naquele momento. Ela era capaz de ouvir as batidas do coração do youkai e de sentir seu peito arfante em um ritmo frenético de sobe e desce. Um rosnado raivoso lhe subiu a garganta de Sesshoumaru e mesmo com os olhos marejados atreveu-se a olhar para cima para visualizar o youkai com maxilar trincado e as feições sombrias.
Notou seu braço livre totalmente esticado e o seguiu com o olhar até se deparar com a imagem de Suikotsu acuado sobre a parede enquanto a enorme mão de Sesshoumaru cobria totalmente o rosto de seu agressor. Voltou sua atenção á Sesshoumaru e nunca o vira perder o controle como naquele momento. Seus sinais sob as bochechas estavam mais espessos, seus olhos antes âmbares passaram a ter uma tonalidade escarlate, eram ameaçadores e estavam mais estreitos que o normal. Seus caninos apareciam levemente e um novo rosnado indicando perigo lhe escapara da boca. Sob seus dedos ela conseguiu sentir a rigidez de seus músculos, Rin teve uma leve impressão de que eles pareciam estar maiores.
Sesshoumaru a sentiu tremer em seus braços o que o obrigou a abaixar o olhar e a encará-la demoradamente como se constatasse que estivesse bem. Rin mordeu o lábio inferior quando o viu estreitar os olhos, algo em seu rosto o incomodava e Rin percebera isso. Levou a mão miúda até as bochechas e afastou algumas lágrimas e foi então que se dera conta de que eram elas as causadoras do incomodo de Sesshoumaru. Seus seios desnudos contra seu peito também pareciam incomodá-lo profundamente.
— M-Mais que merda! – Escutou Suikotsu protestar.
Sesshoumaru o encarou com fúria, apertando o aperto em seu rosto fazendo-o grunhir. Sustentou a troca de olhares ameaçadores enquanto aproximava sua cabeça em direção á sua humana, sem desviar sua atenção do maldito homem lentamente passou o cumprido nariz por seus cabelos cheirando-a demoradamente. Um alívio gigantesco o dominou. Aquele desgraçado não a tocara! Seu cheiro doce continuava extremamente intacto, mas isso não diminuía em nada a fúria que se instalava em suas entranhas. Sesshoumaru o mataria e o faria sentir toda a dor que sua Rin sentira.
Foi inevitável não permitir um rosnado baixo quando o viu curvar os lábios em um sorriso torto e soltar uma gargalhada alta no ar. A presença ameaçadora de Sesshoumaru não parecia intimidá-lo, pelo contrario. A pequena estremeceu quando o ouviu rir e o youkai apenas intensificou o aperto trazendo-a de maneira protetora para mais perto de si. Pelo canto dos olhos Rin conseguiu visualizar a figura de Suikotsu com a arma em mãos apontada para sua direção. Sesshoumaru ainda o mantinha preso e pelo jeito não o libertaria tão cedo. A troca de olhares era intensa e ela se viu em meio de uma guerra. O sorriso provocativo ainda brincava sobre a boca de Suikotsu e Sesshoumaru desejou matá-lo pela tamanha insolência.
Estreitou os olhos ainda mais quando propositalmente Suikotsu passeou o olhar pela extensão do corpo de sua humana parando apenas para apreciar seu traseiro arrebitado escondido pelo curtíssimo shorts do pijama. Ele arfou com a ousadia, sua atitude o irritou profundamente. Aquele maldito não tinha senso de perigo e tudo o que se passava em sua cabeça era nas variadas formas que o mataria. Começaria pela sua garganta, ansiava enfiar suas garras em seu pescoço e em seguida arrancaria seus braços. Desprezava aquelas mãos que a tocaram contra sua vontade, mas não faria nada de que pudesse deixar sua Rin ainda mais nervosa. Não enquanto ela ainda estivesse assistindo tudo aquilo.
— Ah, agora eu entendi tudo! – Suikotsu se atreveu em se pronunciar. Sesshoumaru intensificou o aperto em sua mão como um pedido silencioso para que o outro continuasse calado. O que foi prontamente ignorado. – Não me diga que está trepando com ele Rin! – Os olhos em fúria estavam sobre si e a pequena se permitiu tremer. – Você é realmente uma vagabunda!
Ele a chamara pelo nome, Sesshoumaru se perguntou se Rin o conhecia. Rosnou com a maneira desrespeitosa com que aquele maldito se referia a sua Rin, se ele continuasse com o seu atrevimento faria questão de arrancar suas tripas.
— Cale-se! – Ordenou o youkai.
Suikotsu parecia ignorá-lo, na sua frente tudo o que conseguia ver era apenas Rin. Seu olhar em chamas estava fixado sobre a pequena e ela sentia a pele queimar pelo ódio com que era fitada. Sesshoumaru desprezava a maneira como ele a encarava e aquilo já havia passado dos limites. Desejava colocar um fim naquela situação, mas para isso estava disposto em deixar sua vizinha de fora. Aproximou seu rosto de Rin sem desviar os olhos do outro e sussurrou perto de sua orelha.
— Vá para o quarto e não saia de lá! – Pediu á ela.
Acenou a cabeça em concordância, sentiu o aperto do braço de Sesshoumaru em sua cintura se suavizar como se a libertasse para que fizesse o que ele lhe pedira.
— Ah, mas não vai não! – Suikotsu rosnou alto.
Quando se soltou do corpo de Sesshoumaru para cobrir os seios com os braços, Suikotsu a impediu erguendo ainda mais a arma em sua direção. Rin encolheu-se de imediato e continuou no mesmo lugar temendo o próximo passo que o outro daria.
— Não se atreva! – Sesshoumaru rosnou entre dentes quando Suikotsu fez menção de engatilhar a arma.
Rin o encarou em pânico. Ele a mataria, podia ver seu desejo de matá-la em sua expressão sombria. Soltou um sonoro grito no momento em que ele puxou o gatilho, seu corpo foi abruptamente projetado para o lado chocando-se contra a parede rígida que Sesshoumaru possuía como músculos. Fechou os olhos com força e se permitir ser aninhada entre os braços do youkai. Não sentira nenhuma dor, no entanto quando fixou seus olhos em Sesshoumaru viu sua camisa manchada de sangue e o desespero a dominou. Ele a protegera e no processo se feriu. Sesshoumaru estava ferido por sua culpa!
— S-Sesshy... – Sua voz saiu trêmula.
Os olhos castanhos repletos de medo encaravam sua ferida que não parava de sangrar. Em meio à confusão, Suikotsu aproveitou e se pós a fugir. Como ele ousara levantar uma arma para a sua Rin? Aquele maldito não sairia vivo, não enquanto Sesshoumaru estivesse disposto em matá-lo. Delicadamente a afastou de seu corpo e quando estava pronto para segui-lo foi surpreendido com pequeninas e trêmulas mãos que o agarravam pela camisa o impedindo que partisse. Ele tentou novamente afastar-se e ela soltou um soluço em protesto a sua teimosia. Por Deus, ele estava ferido e ainda assim desejava ir atrás de um homem armado?
— D-Desculpe... – Um murmúrio saiu de sua boca. – Me desculpe! – Levou as mãos até o local machucado e o tocou por cima da camisa.
Ela estava em choque! Nunca imaginou que isso lhe aconteceria e principalmente que envolveria seu vizinho em seu problema. Agora Sesshoumaru estava machucado e ela se culpava a todo o instante por isso. Rin estava pouco se importando se seus seios estavam à mostra, sua preocupação maior era saber a gravidade do tiro que Sesshoumaru levara.
— Acalma-se, Rin. – Segurou delicadamente as pequeninas mãos que o tocava e roçou o nariz contra o dela procurando acalmá-la. – Você está bem?
O queixo tremeu ligeiramente, balançou a cabeça em concordância e se permitiu chorar. As pernas bambearam e só não foi de encontro ao chão porque Sesshoumaru a envolveu em seus braços antes que desfalecesse. Passou uma das mãos sob seus joelhos e a outra parou em suas costas facilmente a levantando, ergueu-a do chão e a apertou contra seu peitoral. Rin tentou lutar em seus braços, afinal ele estava machucado.
— Me coloque no chão! – Tentou falar em meio às lágrimas. – O-O seu ombro...
— O tiro pegou de raspão, Rin. – Tranquilizou-a
Atravessou o restante do corredor com ela em seus braços e só a libertou quando a colocou confortavelmente sobre a casa. Sesshoumaru procurava ao máximo manter os olhos afastados de seus seios. Tão fartos, tão rosados e demasiadamente deliciosos. Maldição, eles pareciam caber perfeitamente em suas mãos. Virou-se de costas para ela e procurou controlar sua excitação. Rin não estava em condições de suportar mais um homem a cobiçando, aquele não era o momento certo para se pensar em coisas do tipo. O pensamento das mãos daquele desgraçado percorrendo o delicado e curvilíneo corpo de Rin o fez cerrar os punhos com força. Sesshoumaru ainda estava disposto em encontrá-lo e seria exatamente o que faria.
— Fique aqui! – Aquilo estava longe de se parecer com um pedido.
— P-Para onde você vai? – Rin se desesperou apenas com a ideia de seu vizinho a deixar sozinha naquele quarto.
— Irei verificar se aquele maldito ainda está aqui. – Fez menção de se afastar, caminhando às pressas para fora do quarto.
Estufou o peito inalando fortemente enquanto tentava localizá-lo pelo cheiro, mas estava muito fraco. Suas suspeitas de que ele havia realmente fugido pareciam se concretizar a cada segundo que passava, mas isso não o impediu de verificar os cômodos da casa. À medida que atravessava o corredor dos quartos, Sesshoumaru aproveitava para arrombar as portas fechadas com brusquidão. O barulho do forte impacto das portas se chocando contra a parede ecoou pelos corredores como forma de eco. Rosnou alto quando não encontrara nada, rumou para a escada e a desceu com rapidez. O cheiro daquele maldito parecia se intensificar a cada degrau que avançava, vagou o olhar semicerrado por todo o lugar, por todos os cômodos, como um predador em busca de sua presa. Mas ele não se surpreendeu quando não encontrara nada. Ele havia fugido!
Um grunhido ficou preso dentro do peito, passou a mão na cabeça para aliviar a tensão em suas têmporas, mas nada adiantara. Nem mesmo o soco que dera na parede diminuíra sua fúria. Voltou a subir as escadas e se dirigiu para onde sua vizinha de janela estava. A imagem que avistou o perturbou, assim que entrou no quarto de Rin a encontrou completamente encolhida sobre sua cama enquanto seus braços abraçavam seus joelhos e sua cabeça se afundava no meio deles.
— Rin? – Ele a chamou enquanto se aproximava.
O chamado a fez se sobressaltar, em um solavanco Rin ergueu a cabeça e com os olhos assustados o viu se aproximar. Sua expressão se suavizou quando percebeu que era Sesshoumaru quem se aproximava de si.
— E-Ele... E-Ele as matou! – Seu lábio inferior tremeu e em questão de segundos ela voltou a chorar.
Avançou até onde Rin estava e sentou-se perto o bastante para transmitir a ela toda a segurança que a pequena procurava. Levou as tremulas e pequeninas mãos até seu rosto e afastou as insistentes lágrimas que não queriam lhe abandonar.
— De quem está falando, Rin?
— E-Ele as matou Sesshoumaru! As meninas do noticiário, ele as matou! – Uma grossa lágrima lhe escorreu pela face e morreu no canto de sua boca.
Os orbes âmbares não deixaram de encará-la um só segundo. Vê-la tão frágil e impotente o perturbava. Sua fúria dentro do peito parecia crescer a cada instante. Sua vontade era de estraçalhá-lo, de rasgar-lhe o pescoço até que todo o sangue de seu corpo fosse capaz de se esvair por entre suas mãos.
— Não há o que temer, Rin. O verme fugiu! – Sesshoumaru rosnou entre os dentes quando se referiu a Suikotsu.
Ouvir aquilo foi um alivio para ela. Sem o pensamento de que Suikotsu estivesse á menos de cinquenta metros de distância, acalmava-a. A presença de seu vizinho de janela lhe trazia uma tranquilidade e uma segurança absurda e a pequena estava grata a ele, se não fosse por Sesshoumaru temia que Suikotsu á matasse.
Relaxou os ombros e suavemente deixou os braços caírem ao lado seu corpo, o movimento fez Sesshoumaru desviar os olhos para seus seios. Percorrendo o corpo de sua vizinha com o olhar ele deteve-se em um ponto arroxeado próximo de sua clavícula. Seu olhar se focou nas marcas roxas em seu fino pescoço. As marcas dos dedos fortemente pressionados estavam ali, em sua pele clara. Sua fúria ainda não o deixara totalmente, controlava-se para não transparecer o quão irritado estava.
Rin não voltou a se cobrir e tampouco ruborizou diante da maneira como era observada. Ficaram encarando-se em absoluto silencio e Rin só voltou a falar quando depositou os olhos novamente no local onde Sesshoumaru havia sido baleado.
— Está doendo? – Perguntou, aparentando preocupação enquanto encarava o ferimento por baixo da roupa.
Rin aproximou-se de si fazendo menção de analisar o machucado mais de perto. Sentado sobre a cama de sua vizinha, Sesshoumaru a assistia desabotoar os botões de sua camisa. As pequeninas mãos deslizaram por seu peitoral afastando o tecido para ver melhor a gravidade de seu machucado. Sesshoumaru era incrivelmente forte, com ombros largos e músculos muito bem definidos. Estava difícil manter sua atenção no ferimento sem antes contemplar o maravilhoso corpo que este possuía.
— Está doendo? – Voltou a perguntar.
Meneou a cabeça para os lados, negando a ela. Acompanhou o movimento de suas mãos sobre o seu peito e fixou o olhar diretamente em seu pulso, onde jazia sua cicatriz.
— Ele que fez isso? – Perguntou de imediato.
Sem mais lágrimas em sua face, ela passou a ficar intrigada com a repentina pergunta do youkai. Não havia entendido o que ele queria dizer com aquilo.
— Isso o quê? – Atreveu-se em lhe responder com uma pergunta.
— Sua cicatriz! – Seguiu o olhar de Sesshoumaru e se deu conta de qual cicatriz ele se referia. Escondeu-a rapidamente e em seguida soltou um suspiro demorado. – Responda-me, Rin.
Ela não o respondeu, no entanto afirmou com a cabeça em confirmação. Diante da atual situação o que mais poderia esconder de Sesshoumaru? Sabia que ele voltaria a questioná-la e dessa vez exigiria que lhe contasse tudo. Ele estava mais envolvido nessa historia do que ela realmente gostaria.
Sentiu uma mecha de seu cabelo ser agarrada, delicadamente o youkai levara os fios cumpridos em direção ao nariz para cheirá-los e sem desviar os olhos de Rin ele continuou a apreciar o seu perfume adocicado. Semicerrou os olhos quando mais uma vez se permitiu observar as marcas no pescoço de sua menina, tocou a região avermelhada e passou levemente as garras pelos hematomas. Rin inclinou a cabeça para o lado permitindo que Sesshoumaru explorasse seu pescoço com mais facilidade e a sensação de suas garras sobre a pele fez seu corpo miúdo se envolver em um arrepio. O arrepio se intensificou quando Sesshoumaru aproximou-se de si e permitiu que sua ávida língua passeasse por cima dos hematomas causados por Suikotsu. Arfou e involuntariamente sentiu o formigamento no meio de suas pernas.
— Onde mais ele a tocou, Rin? – Sussurrou em meio à curva do pescoço de sua Rin.
— Hãn?— Foi tudo que saíra de sua boca. Temia que seu corpo a denunciasse, se aquilo continuasse provavelmente gemeria em resposta as provocações de seu vizinho.
— Foi aqui? – Distribuía lambidas e beijos enquanto trilhava um caminho até seus seios desnudos.
Seu corpo cedeu, caindo de encontro à cama macia. Deixou-se levar pela caricia erótica e em nenhum momento o afastou. Sentiu os seios doloridos, seus bicos rosados enrijeceram e Sesshoumaru rosnou contra sua pele quando os encarou totalmente apontados para a sua direção. Lindos e incrivelmente fartos! Ele deliciava-se em apenas contemplá-los. Lentamente, levou os lábios em direção aos seus seios e os beijou carinhosamente. Rin estava entregue á aquele homem, sem um pingo de vergonha diante da maneira como ele a tocava. Sesshoumaru lhe proporcionava sensações que jamais se permitira sentir com outro homem.
Ela contorceu-se de baixo de seu corpo robusto quando o sentiu agarrar um dos seios para massageá-los. Como suspeitara, lhe cabiam perfeitamente em suas enormes mãos. Passou a língua levemente contra um dos bicos rosados e ela gemeu com a ousadia do youkai. Sesshoumaru parecia estar limpando-a, limpando-a dos toques de Suikotsu, era exatamente desse modo que enxergava sua atitude.
— Ele a tocou aqui também? – Levou a mão grande até seu centro e o massageou por cima do shorts que era conjunto do pijama, agora destruído.
— N-Não! – Conseguiu dizer em meio ao êxtase.
— Então onde mais ele a tocou? Diga-me para que este Sesshoumaru possa limpá-la! – Retirou a mão de seu centro e a sensação de abandono lhe dominou.
— E-Ele... – Pensou se contaria ou não, o momento que havia sido beijada contra a sua vontade ainda estava fresco em sua cabeça.
Podia sentir o gosto de Suikotsu presente em seus lábios.
— Ele? – Incentivou-a continuar a falar. – Ele o quê? O que mais ele fez, Rin?
— E-Ele... Beijou-me... – Revelou, por fim.
Encontrou os olhos âmbares cerrados encarando sua boca entre aberta. Inesperadamente Sesshoumaru colou sua testa contra a dela e de maneira sedutora passou a ponta de sua língua por cima de seus lábios rosados antes de enfim tomar-lhe a boca por completo, totalmente faminto pelo seu gosto adocicado. Rin entre abriu os lábios permitindo passagem para que a língua de Sesshoumaru invadisse sua boca, o envolveu com ambos os braços e o trouxe para mais perto de seu corpo miúdo.
Com um dos braços, Sesshoumaru apoiou-se sobre a cama sustentando o próprio peso para que não a machucasse enquanto a mantinha sob seu corpo. O gosto de Suikotsu em sua boca aos poucos desaparecia. Sentiu uma das coxas ser agarrada e em seguida Sesshoumaru guiou sua mão atrevida até o bumbum arrebitado de Rin. Ele puxou-a de encontro a sua rigidez com a mesma mão que agarrava e apertava suas nádegas. A pequena arfou em meio ao beijo quando os caninos de Sesshoumaru capturaram seu lábio inferior e de forma provocante ele os mordeu delicadamente para em seguida puxá-los com os dentes.
Abriu os olhos devagar quando se viu livre daquela tentadora boca e encontrou os olhos âmbares fixos em seu rosto. Sesshoumaru moveu a cabeça em sua direção e novamente passou a cheirar os seus cabelos.
— Ele a tocou em mais algum lugar? – Perguntou em meio aos seus fios negros.
Sentiu a garganta seca. Rin não conseguia falar, não depois de ter sido beijada daquela forma pelo youkai. Permitiu apenas balançar a cabeça para os lados negando a pergunta que ele acabara de fazer.
— Então conte-me, Rin. – Sesshoumaru voltou a falar enquanto se afastava para fitar-lhe o rosto. – Quem era aquele maldito que parecia lhe conhecer?
Segurou a respiração. Esperava que Sesshoumaru fosse questioná-la, mas não imaginava que seria tão cedo. Diante de tudo o que aconteceu, como seria capaz de mentir mais uma vez?
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