Louca Obsessão
23 Dependência
Notas iniciais
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23. Dependência
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Engoliu em seco, puxando o ar para os seus pulmões com extrema dificuldade. A pressão em sua garganta se intensificou na medida em que os compridos dedos envolviam seu pescoço. Seu coração falhou uma batida, seus lábios tremeram ao mesmo tempo em que os abria a procura de oxigênio. O maldito sorriso perverso a fez estremecer e Rin não sabia o que era pior, o sorriso diabolicamente torto ou fato de estar quase perdendo a consciência aos poucos. Seu peito subia e descia de forma frenética, enquanto o desespero consumia suas entranhas.
Um novo aperto em sua garganta, dessa vez mais forte que o anterior, bloqueou de imediato qualquer resquício de oxigênio que ainda pudesse invadi-la. Agarrou os pulsos da enorme mão que esmagava seu pescoço, procurando coragem e toda a força que possuía para fazê-lo se afastar. Mas de nada lhe adiantara, suas tentativas de se libertar daquele esmagador aperto de nada adiantara. E quanto tentou mais uma vez puxar o ar pela boca aberta, sua vista escureceu e a ultima coisa que conseguiu vislumbrar antes de ser levada por sua inconsciência, eram aquelas malditos olhos que tanto desprezava.
Remexeu-se ofegante. Seus orbes se abriram com rapidez e ela se pós a sentar-se sobre o colchão macio. Passou as tremulas mãos por seus cabelos e afastou alguns fios que colavam em sua testa pelo suador que lhe arrebatou. Sua respiração falhou, e Rin sentiu no canto de seus olhos algumas lágrimas se acumulando. Olhou ao redor com extrema cautela e só relaxou quando reconheceu onde estava. Seu estomago se agitou. Que horas seriam agora? Uma, ou talvez, duas da manhã? Não sabia ao certo, mas tinha a impressão de que já passara da meia-noite.
— F-Foi um sonho... M-Mais um maldito sonho!— Repetia inúmeras vezes à mesma coisa, como um sagrado mantra.
Fechou os olhos e respirou fundo. Inspirou e expirou, diversas vezes até perceber que obtinha resultados em controlar a sua crise. Fazia tempo desde a ultima vez em que seus pesadelos vieram lhe assombrar. Devido a sua crise na noite passada, foi inevitável não ser consumida por seus medos. A única diferença era que agora não estava dependente de seus calmantes, Rin conseguia controlar-se apenas usando sua respiração. E sabia qual foi o motivo maior que a ajudou a superar esse lado. Seu calmante natural era feito de carne e ossos, possuía um nome e um corpo recheado de deliciosos músculos. Calmante este que não compartilhava a mesma cama que ela naquele momento. O espaço ao seu lado estava vazio. Olhou ao redor e não o encontrou. Rin precisava de Sesshoumaru, sua dependência por aquele homem a assustava.
Pensando assim, foi que ela se levantou decidida em procurá-lo. Percorreu o aposento, indo desde o banheiro até o closet e nada. Sesshoumaru não estava no quarto, não estava em lugar algum. Parou no meio do quarto tentando pensar onde ele estaria. Levando em consideração pelo horário, ele não havia saído e era muito provável de que não estivesse na sala ou muito menos na cozinha. Ele parecia não ser o tipo de pessoa que acordava no meio da noite e assaltava a geladeira. Conhecia-o bem, Sesshoumaru iria preferir estar em algum aposento silencioso, onde apenas os seus pensamentos lhe faziam companhia. Foi então que Rin imaginou que talvez ele pudesse estar no escritório, mas é claro! Era o único lugar da casa onde imaginava que Sesshoumaru estaria durante aquela madrugada.
Decidida em ir até o escritório, Rin abriu a porta do quarto devagar evitando fazer o máximo de barulho possível. Pelo silencio da casa, julgou que todos já haviam se recolhido. Nas pontas dos pés ela caminhou tomando cuidado para não esbarrar em nada, e muito menos bater o dedinho do pé em algum móvel colocado estrategicamente a sua frente. Quando se viu finalmente em frente à porta de madeira, soltou um suspiro de alivio por nada ter acontecido no caminho. O que com certeza ocasionaria no despertar do restante dos moradores.
Do outro lado da porta, estava Sesshoumaru. O youkai mirava seus olhos para a pilha de papeis espalhados em sua mesa, compenetrado o suficiente para ser capaz de desviar sua atenção diante de tanta informação. Sesshoumaru analisava arduamente todo o conteúdo do envelope pardo que Toutousai lhe enviara, como ele mesmo o havia solicitado. Ali, em suas mãos, estavam todo o tipo de informação que Toutousai conseguiu juntar sobre as vitimas de Suikotsu. Relatórios e fotos eram analisados com atenção por seus olhos âmbares. Sua expressão era indecifrável, no entanto, Sesshoumaru repudiava o maldito ser que fizera aquilo com as jovens que possuíam tamanha semelhança com a sua menina. O corpo de ambas as vitimas tiveram seus membros arrancados e seus pescoços quebrados, para logo mais serem deixados ao relento a espera de que alguém que as encontrassem.
Toutousai fizera um excelente trabalho deixando consigo tanta informação, o que com todo certeza evitaria a sua morte. Jogou as fotos sobre a mesa e elas se espalharam por toda a superfície da madeira plana. Nem mesmo ele se dera conta de quanto tempo passara naquilo tudo. Leves batidas foram depositadas sobre a porta e ele teria rosnado em resposta se não conhecesse bem o cheiro de quem o interrompia. Ergueu os orbes das fotografias a sua frente e encarou a porta em silencio, esperando a entrada da pessoa que anunciava sua chegada. A maçaneta foi girada, e pela estreita fresta que se abriu uma jovem de cabeleira negra mostrou á face, introduzindo apenas sua cabeça para dentro do aposento.
— Não consegue dormir! – A frase de Sesshoumaru soou de maneira afirmativa.
Sim, ela não conseguia. Não quando acabara de ter um pesadelo e quando não o encontrara deitado ao seu lado.
— Está trabalhando? – Sentiu as bochechas quentes.
Imaginou que estivesse, já que o encontrou sentado frente à mesa de escritório. Ela ainda se sentia constrangida quando se lembrava do que havia feito com Sesshoumaru na ultima vez em que estivera dentro daquela sala, ele conseguia sentir toda a sua vergonha.
Quando ela fechou a porta pesada atrás de si caminhou até onde ele estava, sentindo toda a intensidade que aqueles olhos lhe transmitiam. Com um erguer de mãos, Sesshoumaru a puxou de encontro a si quando a viu cada vez mais próxima. Seu corpo acomodou-se sobre as torneadas pernas de seu youkai, enquanto seus braços rodeavam seu pescoço grosso e suas mãos se afundavam em seus cabelos platinados.
— Como se sente? – Roçou seu nariz por seus cabelos e ela se permitiu estremecer.
— Melhor...— Murmurou com doçura.
E lá estava mais uma de suas mentiras. Não queria contar a ele sobre o sonho que a despertara. Ele fungou contra a curvatura de seu pescoço, o que a fez inclinar a cabeça. Deixando o pescoço completamente acessível para ele. Ela precisava disso, precisava senti-lo para voltar a ter paz novamente. Rin dependia de seu cheiro, dependia de seu calor, dependia de sua calmaria, de sua presença. Tudo nele a acalmava! E foi nesse exato momento que seu corpo tremulou. Seus olhos caíram de imediato para o conteúdo espalhado sobre a mesa. Para ela, foi inevitável não deixar seu queixo cair, o que a obrigou a cobrir a pequenina boca com ambas as mãos.
— O-O que é isso? – Sua voz saiu arrastada. – Porque está vendo tudo isso?
As fotos, bem ali na sua frente, a fez lembrar-se imediatamente do desagradável sonho que acabara de ter. Sesshoumaru ergueu o olhar e soltou um impropério por entre os dentes cerrados. Sua menina puxou uma foto dali e ela sentiu seu estomago se movimentar bruscamente com a imagem de uma jovem garota mutilada. Seu rosto se contraiu e Rin teve o impulso de jogar a foto sobre a mesa virando-a para baixo, fazendo o mesmo com as restantes.
— Onde conseguiu isso? – Perguntou de imediato, incomodada o bastante por encontrar aquilo.
— Toutousai! – Sesshoumaru a respondeu sem rodeios.
Apenas a menção no nome do outro fez a pequena Rin compreender completamente por qual meio de pesquisa Sesshoumaru utilizou para obter tantas informações. E novamente Toutousai estava envolvido em seus assuntos.
— Eu devia imaginar...— Seu sussurro saíra como um lamento, e apenas ela deveria ter escutado-o, mas sabia que Sesshoumaru a ouvira alto e em bom som. – Você não pretendia me contar, não é?
— Contar o quê?
— Que tomou o impulso de pesquisar sobre a morte dessas garotas. – Respondeu o obvio.
— Qualquer coisa que envolva minha Rin, é de meu interesse. Este Sesshoumaru não é de desistir. – Respondeu, simplesmente.
Ela entre abriu os lábios para retrucá-lo, mas desistiu. Batalhar contra Sesshoumaru era inútil. Sabia que cedo ou tarde perderia. Cruzou os braços frente ao peito e seus fartos seios se sobressaltaram com o movimento. Sesshoumaru estreitou os olhos pensando na tamanha ousadia que Rin possuía pela sua evidente provocação. Desviando os olhos dos macios montes que sua Rin sustentava em seu tronco, ele procurou em meio às tantas informações sobre sua mesa um pequeno pedaço de papel que a seu ver, era de extrema importância.
Sentiu o corpo de Rin instável ao seu lado, sua menina estava desconfortável à medida que passava os olhos rapidamente pelos papeis espalhados. Quando finalmente o achou, Sesshoumaru anunciou:
— Aqui está o endereço da casa de shows que aquela garota trabalhava. – Estendeu-lhe o papel, que parecia sumir entre seus cumpridos dedos.
Rin piscou os olhos atordoada. A maneira como ele falava aquilo lhe dava a entender que...
— Espere um pouco. – Ela ergueu ambas as mãos em sinal de rendição. – Você não está querendo dizer que nós... – Rin gesticulou com as mãos em seguida.
— Sim, iremos até lá! – Afirmou ele com veemência.
— Quando?! – Sua voz soou mais alta que o normal. – Hoje? – Não, ela não estava com cabeça para se aventurar em outra investigação. – Céus Sesshoumaru... Nós mal saímos da casa de Tsubaki e...
— Este Sesshoumaru prefere o quanto antes. No entanto, agora quero que descanse. – Interrompeu-a.
Rin se calou. Por mais que tentasse colocar uma mascara, um sorriso nos lábios que alegasse que estava bem, para Sesshoumaru, nada passava despercebido. Ela soube naquele momento que ele sabia, que ele sentia que não estava em condições de continuar com tudo aquilo. Que precisava esfriar sua cabeça antes que outro ataque de nervosismo a dominasse. Ele tinha que ir devagar, sua Rin possuía seu próprio tempo e ele respeitava isso.
— Você vai voltar pra cama? – Deslizou um dedo por suas marcas nas bochechas, trilhando um caminho até o queixo quadrado.
— Você me quer lá? – Semicerrou os olhos, seu olhar estava febril o suficiente para que ela fosse capaz de sentir uma leve comoção entre suas pernas.
Mordeu o lábio inferior, reprimindo um sorriso. Ora, mas que pergunta. É claro que Rin o queria lá!
— Eu senti sua falta quando acordei... – Confessou, colando sua testa contra a dele e se perdendo na imensidão de seus olhos dourados. – Você não vai mais avaliar esses papeis, certo?
Oh, inferno! Como conseguiria avaliar aquelas malditos papeis quando sua Rin se mostrava tão sinuosa para si? Seria impossível se concentrar quando aquele convite se mostrava tão tentador.
— Que de dane essa merda! – Rosnou contra seu pescoço e em um solavanco, ele se manteve de pé ao mesmo tempo em que a amparava em seus braços.
Segurou-a com firmeza quebrando qualquer distancia entre seus corpos, colando-os de forma desavergonhada. Sesshoumaru era dependente de seu cheiro, dependente de seu corpo, de seu calor. Rin era como uma maldita droga que a cada dia o viciava. Ela arfou quando sentiu os lábios de seu youkai na base de seu pescoço enquanto distribuía breves beijos por toda a extensão de pele exposta. Ele puxou a alça de seu sutiã com os dentes, soltando-o com delicadeza sem desviar os olhos do rosto de sua menina. Não tinha duvidas de que seu ataque a deixaria com os ombros avermelhados, mas quem disse que Rin se importava? Com promessas não ditas refletidas nos olhos âmbares de seu youkai, foi que Rin o deixou carregá-la de volta para o quarto.
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Remexeu-se sobre a cama, em busca de alguma posição que a fizesse se sentir confortável. Mas nada era mais confortável do que o peito arfante de Sesshoumaru Taishou, era ali que costumava se aninhar. Era ali que a fazia se esquecer de seus problemas e sonhar que no final tudo se resolveria. Era justamente ali, que Rin encontrava toda a paz que desejava e que a libertava de seus medos e receios. Esfregou a bochecha contra a costela do youkai e sorriu quando o sentiu remexer-se embaixo de si como resposta ao seu movimento.
Os raios do sol adentravam as frestas da janela e da porta fechada do banheiro, o que a fazia enxergar em meio à escuridão do quarto apenas a silhueta do rosto de Sesshoumaru. Seu rosto se contraiu, fazendo suas sobrancelhas se arquearem e sua cabeça desencostar do macio travesseiro. Levantou a cabeça de seu peito não entendendo o que se passava com seu youkai, parecia que Sesshoumaru mantinha sua guarda em alerta.
— O que foi Sesshy? – Indagou demonstrando curiosidade.
Sua reação foi inesperada, sem ao menos respondê-la ele apenas puxou os lençóis envolvendo seu corpo exposto enquanto ordenava em seguida:
— Cubra-se!
Rin piscou os olhos ainda tentando assimilar sua atitude. E foi naquele momento em que ela começou a entender o porquê da reação de Sesshoumaru. Sobressaltou-se quando a porta do quarto foi aberta com violência e ela foi obrigada a puxar os lençóis ao corpo como se sua vida dependesse daquilo. Mas o que estava acontecendo? Entendia agora que Sesshoumaru fizera aquilo apenas porque se dera conta do barulho dos passos do outro lado do seu aposento. Céus, a encontrariam naquele tipo de situação e nada era mais envergonhante do que passar por algo como aquilo. Antes que pudesse cobrir sua própria cabeça, Inuyasha invadiu o quarto como um touro e pela a expressão que carregava em seu rosto ela julgou que havia algo muito, mas muito errado para ele estar daquele jeito.
— Qual é o maldito motivo que o fez invadir meus aposentos? – O grunhido alto escapou da garganta de Sesshoumaru.
— Que merda é essa? – O hanyou jogou o envelope pardo sobre a cama, bem aos seus pés cobertos pelos lençóis, o que fez Rin desejar abrir um buraco no chão e se esconder dentro dele.
Sentiu seu coração falhar e sua respiração parar. Oh droga, mil vezes droga! Aquilo parecia ser...
— Onde encontrou isto? – Sua voz soou ameaçadora.
Inuyasha havia encontrado o envelope pardo, o mesmo envelope que Sesshoumaru analisava durante a madrugada. Seu olhar foi de imediato para Sesshoumaru que agora estava em pé e vestido com uma calça de moletom. E infernos, ela não havia reparado quando ele se colocou de pé e se vestiu.
— No escritório! – Inuyasha cuspiu suas palavras. – E eu não entendi porque isto estava fazendo lá. Que merda você se envolveu dessa vez?
Rin encolheu-se diante da ferocidade com que Inuyasha cuspia suas palavras. Sentia-se em meio a uma batalha, uma batalha que envolvia dois homens com músculos proeminentes. Os olhos estreitos, os punhos cerrados, pareciam que a qualquer momento eles se enfrentariam.
— Não se intrometa em meus assuntos! – Sesshoumaru o aconselhou.
— Não se intrometer? – Inuyasha torceu o nariz em sinal de desgosto. – Mas que... Merda Sesshoumaru! Você é meu irmão! Como eu posso ficar de braços cruzados quando sei que há algo de muito errado acontecendo?
Rin encolheu-se ainda mais. Oh Inuyasha, você não imaginava a metade das coisas que aconteciam. Seu movimento sobre a cama despertou a atenção daquele hanyou. E quando os olhos âmbares, tão parecidos com os olhos de Sesshoumaru posaram sobre si, Rin teve a impressão de ver a expressão fechada no rosto de Inuyasha se suavizar. Suas bochechas esquentaram. Ainda não havia se esquecido de que estava ali, nua, diante dos olhos de seu cunhado quando apenas um fino lençol envolvia o seu curvilíneo corpo. Sim, ela desejava desesperadamente se jogar dentro de um fundo buraco escuro.
— O que está acontecendo? – Ele insistiu em perguntar, dessa vez com a voz mais controlada.
— E-Eu... – Rin pigarreou para fazer sua voz soar mais firme. – Ao menos posso me trocar Inuyasha?
Sentiu o rosto quente e pediu aos céus para que seus mamilos não estivessem visíveis sob o lençol de cama. O olhar duro que Sesshoumaru lançou a Inuyasha deixava claro o seu desgosto pela invasão em seu quarto. E se ele não fosse seu meio-irmão, Sesshoumaru o teria matado por expor sua menina aquele tipo de situação ridícula.
— Me desculpe por isso, Rin. – Desculpou-se por tê-la encontrado daquele jeito. – Estarei esperando no escritório! – Anunciou ele, apanhando o envelope que jogara e dando-lhe as costas para sair do quarto.
A pequena fechou os olhos, exasperada, soltando um suspiro para o alto. Aquilo apenas a fez pensar de que Inuyasha não iria desistir até descobrir o que tanto escondia. Sentiu vontade de rir ironicamente, isso a fazia se lembrar de Seshoumaru quando o conheceu com o seu absurdo interrogatório sobre sua vida. Era exatamente o que Inuyasha fazia agora, não podia negar que ambos os irmãos não eram parecidos apenas em suas aparências, seus trejeitos e sua gigantesca curiosidade também se assemelhavam. Deixando de lado suas comparações, Rin se perguntou o que diabos iria fazer. Não queria envolver mais ninguém, então o que diria para o seu cunhado? Cobriu o rosto com ambas as mãos e sua voz saiu abafada:
— Vamos contar a ele? – Indagou, imaginando que mentir naquela altura do campeonato seria burrice.
Inuyasha não era burro! Seria difícil driblar a esperteza do hanyou, quando menos esperava ele desconfiaria de suas mentiras.
— Até que demorou pra tudo ser colocado em pratos limpos...— Rin sussurrou a si mesma, jogando os lençóis para o lado e se levantando da cama, enquanto praticamente arrastava suas pernas para o closet.
Enquanto caminhava, pelo canto dos olhos viu Sesshoumaru passar as enormes mãos por seus cumpridos cabelos e amaldiçoar seu meio-irmão por exigir de si tantas informações. Mas que inferno, aquilo era seu assunto seu e não dizia respeito a mais ninguém.
— Foi de minha imprudência ter deixado o envelope no escritório. – Escutou-o dizer quando colocou os pés dentro do closet.
Sim, foi realmente uma enorme imprudência. Mas adiantaria chorar agora pelo leite derramado?
— N-Não foi sua culpa... – Sua pequenina voz se arrastou.
Por um lado, Rin agradeceu mentalmente por estar dentro do espaçoso closet. Assim Sesshoumaru não notaria seus olhos lacrimosos e a batalha interna que acontecia dentro de si. Seu medo não era o fato de Inuyasha ter descoberto seus erros do passado, mas sim quem mais saberia quando ele desse a língua nos dentes. Em sua cabeça, a expressão desolada de Izayoi lhe veio a mente e sua garganta se fechou quando imaginou a cena. Pegou a primeira roupa que viu na frente, puxando um cabide pendurado e se pós a se vestir. Vestiu um conjunto de lingerie e quando o tecido do vestido lhe cobriu a pele exposta, foi que Sesshoumaru invadiu o closet prostrando-se atrás de seu corpo. Seus enormes braços a rodearam, suas mãos apoiavam na superfície lisa da madeira, impedindo que fizesse qualquer tipo de fuga.
— Inuyasha não abrirá a boca! – Garantiu ele. – Se ele fizer isso, eu o mato. – Seu grunhido se alastrou, soando por entre as paredes de madeira do closet.
— Como sabe que minha preocupação é essa?
— Porque este Sesshoumaru sabe tudo sobre sua Rin! – Afundou o nariz afilado nos fios escuros de seus cabelos, e ali ficou. Cheirando-a, como se sua vida dependesse daquilo. – Não irei lhe expor a nada doce Rin.
Sorriu de lado. Apenas ele conseguia ter o dom de arrancar-lhe um sorriso quando se sentia perdida o suficiente. Com um suspiro baixo, foi que Rin girou nos calcanhares ficando de frente para a montanha de músculos inclinada em sua direção. Notou que agora, assim como ela, Sesshoumaru estava devidamente vestido com sua habitual calça jeans e a camiseta de botões. Por pouco não soltara um suspiro de lamento, ela não se incomodaria de o ter vestindo apenas sua calça de moletom, muito pelo contrario. A visão de seu porte atlético visível aos seus olhos lhe agradava, e muito.
Decidida a por um ponto final naquela história, ela disse:
— Vamos acabar com isso de uma vez por todas!
Sesshoumaru admirou-a calado, apreciando sua coragem e determinação. Afastou-se brevemente, permitindo que Rin se movimentasse em liberdade. E como se adivinhasse seus pensamentos, ele a guiou para fora do quarto, enquanto atravessavam o corredor que os levariam para o escritório. Ele nem mesmo se deu ao trabalho de bater na porta anunciando sua chegada, Sesshoumaru girou a maçaneta e entrou sendo seguido por Rin. A pequena engoliu em seco quando olhou para a mesa do escritório e encontrou Inuyasha encarando o envelope pardo que tinha em mãos.
— Pensei que não viria... – Inuyasha resmungou, ainda com o cenho franzido.
— Não é de meu costume recuar. – Sesshoumaru o intimidou com o olhar. – Diga logo o que quer saber.
— Quero que me conte o que diabos está acontecendo. – Disse o obvio.
— Não sem antes ter a garantia de que irá manter essa maldita boca de latrina fechada. – Sesshoumaru rosnou.
Inuyasha sustentou o olhar e entortou levemente os lábios finos como se estivesse pensando no que acabara de ouvir, até que chegou a conclusão:
— É tão sério assim para estar me pedindo fidelidade irmãozinho?
Sesshoumaru cerrou os punhos, mas a delicada mão de sua menina sobre o seu braço o deteve antes que cometesse qualquer imprudência.
— Vai manter a boca fechada ou não? – O youkai procurou se controlar.
Inuyasha franziu o cenho diante do que assistia, então o assunto era realmente sério. O hanyou se perguntou inúmeras vezes o que diabos estava acontecendo. Havia algo de muito errado naquilo tudo, e pensando assim foi que ele decidiu ceder. Caso contrário sabia que seu meio-irmão viraria as costas para si e o deixaria sem saber de absolutamente nada.
— Tem a minha palavra. – Garantiu ele.
Sesshoumaru pensou por um instante antes de iniciar um novo dialogo, mudando o peso do corpo de uma perna para outra. Rin estava ansiosa ao seu lado, optou em deixar Sesshoumaru contar a Inuyasha sobre Suikotsu e as garotas brutalmente assassinadas.
— Lembra-se do noticiário? – Sesshoumaru perguntou de prontidão.
— Que noticiário? – Inuyasha inclinou-se sobre a mesa apoiando os cotovelos na madeira.
— Das garotas mortas. – Sesshoumaru refrescou-lhe a memória.
— Ah, sim! – Ele pareceu se lembrar. – O que isso tem a ver?
— O que tem em mãos irmãozinho é todo o tipo de informação sobre elas. – Meneou a cabeça em direção ao envelope pardo, depositado bem a frente de Inuyasha.
— E porque infernos você tem essas informações? – Coçou o topo de sua cabeça, ainda processando tudo o que sua cabeça conseguia absorver. – Você não me parece o tipo de pessoa que usa sua bondade para ajudar o próximo.
— Não quando o próximo é a minha garota.
Os olhos de Inuyasha foram de Sesshoumaru para Rin no mesmo instante e se ele já estava confuso o bastante com tudo aquilo, agora, diante da nova revelação ele estava muito mais. Procurava encaixar o quebra-cabeça, que até então faltavam infinitas peças. Onde Rin se encaixava naquela história? E foi então que tudo pareceu fazer sentido, mas é claro! Porque não pensara nisso antes?
— O que chamou a atenção de todos foi que as vitimas eram parecidas, e eu havia comentado que Rin se parecia com elas! – Lembrou-se do que dissera dias atrás.
Bingo! Ponto para Inuyasha. Os olhos dele estavam cravados em seu rosto, como se procurasse nele algum sinal de confirmação para as suas palavras.
— Que ligação você tem com a morte daquelas garotas? – Sem rodeios, ele perguntou.
Rin deixou-se encolher sob seu olhar. Havia chegado a hora! O momento que tanto queria adiar. Ela já havia se pegado pensando em como seria a reação dos parentes de Sesshoumaru quando descobrissem a verdade. E lá estava Inuyasha, sentado á sua frente olhando-a com olhos duvidosos.
— É-É isso o que estamos tentando explicar... – Sua voz quase falhara, quase. – N-Não é a elas que estão procurando, e sim a mim.
— Espere, isso está ficando cada vez mais confuso. Seja mais especifica. – Pediu Inuyasha, coçando mais uma vez sua cabeça.
— Não se faça de burro Inuyasha. – Sesshoumaru retrucou entre dentes.
Sua provocação apenas fez com que o mais novo soltasse um resmungo em resposta.
— Estou apenas tentando ajudá-los, seja lá na merda em que se meteram.
Como se Sesshoumaru precisasse da ajuda de seu patético meio-irmão. No entanto, o youkai não dissera isso em voz alta, mas pretendia.
— O assassino dessas jovens está atrás de mim! – Disse de uma única vez.
A atenção dos outros dois foi parar em sua direção. O que foi que ela acabara de dizer? Inuyasha encontrava-se sem reação, não imaginando que era esse o ponto que seu irmão queria chegar. Mas por quê? Porque diabos Rin tinha um assassino perseguindo-a? No que sua cunhada estava metida? E o pior, seu irmão agora estava fodidamente envolvido naquela merda toda.
— E porque ele estaria atrás de você? — Sua pergunta soou enfática demais.
— P-Porque... – Respirou fundo antes de dizer.
Já havia se exposto mesmo! Inuyasha já estava tão envolvido tanto quanto seu irmão mais velho. Então porque relutava tanto em dizer?
— Porque ele é meu ex-namorado, doente, louco e obsessivo.
Pronto! Estava feito. Havia conseguido enfim passar por cima de sua relutância e revelar á ele o que há tempos estava entalado em sua garganta como um maldito bolo. Viu quando seu cunhado abriu a boca para dizer algo, voltando a fechá-la em seguida. Era exatamente essa a reação que tanto fugia. Ele estava atônico, surpreso o bastante para formular alguma frase.
— Uau! – Foi tudo o que saiu de sua boca.
Sim, uau! Não havia muito que dizer quando havia literalmente jogado a bomba para o alto.
— Você tem um belo dedo podre Rin... – Um debochado riso escapou de si.
Sesshoumaru estreitou os olhos e trincou o maxilar quando o ouviu falar. Aquilo era algum tipo de indireta para si? Porque se fosse, Inuyasha era um homem morto!
— Obrigada.— Rin agradeceu, destilando ironia.
— Não, é sério! – Ele voltou a repetir, dessa vez sem o habitual tom de deboche na voz.
— Eu sei disso Inuyasha. Mas por favor, não me culpe de minhas escolhas erradas.
Rin cruzou os braços frente ao peito, incomodada com o rumo da conversa dando o assunto como encerrado. O hanyou remexeu-se em sua cadeira, desconfortável pela inesperada repreenda e Sesshoumaru admirou-a em silencio por ter enfrentado seu meio-irmão daquela forma.
— Então está fugindo dele! – Inuyasha voltou a falar.
Aquilo estava longe de ser uma pergunta, Rin sabia. Inuyasha afirmava com veemência enquanto as peças começavam a se encaixar em sua cabeça.
— E estão agora juntando qualquer tipo de informação que o incrimine... – Balançou o envelope pardo que tinha em mãos.
— Como você é esperto irmãozinho!— Sesshoumaru debochou, arrancando de Inuyasha um rosnado baixo.
O mais novo deu de ombros em relação à provocação por parte do mais velho. Com um rápido movimento de mãos, ele abriu o envelope pardo e passou a observar mais uma vez tudo o que tinha dentro do mesmo.
— Me coloquem a par de tudo.— Exigiu ele, sem tirar os olhos dos papeis.
A ordem lançada fez Sesshoumaru fechar o cenho. Como seu maldito meio-irmão ousava lhe ordenar algo? Ninguém ordenava e tampouco exigia algo de si.
— Já sabe mais do que o necessário.
— Eu quero ajudá-los Sesshoumaru! – Revelou. – Mas para isso preciso que me conte tudo o que está acontecendo.
É claro que Inuyasha iria exigir algo como aquilo. Já haviam contado metade de toda a sua história com Suikotsu, nada mais justo do que revelar o restante dela. Lançou um olhar cúmplice para Sesshoumaru, como se conversassem por meio dele. E então se pós a contar. Contou tudo, desde o seu envolvimento com ele até a invasão e a perseguição que sofreu. Contou o real motivo de ter se mudado de sua casa e que a história dos ratos não passava de uma mentira. Não que a considerasse como uma, já que Suikotsu não se passava de um rato. Um rato insistente e difícil de se livrar. Como uma praga. E Inuyasha apenas escutou, completamente em silencio.
— Uma segunda pessoa está envolvida? – Inuyasha indagou assim que terminou de escutar tudo.
— É o que nos leva a crer.
— E ainda não sabem quem é o maldito?
— Não descobrimos nada... – Rin lamentou. – São mais espertos do que pensamos.
— E agora estão investigando se existe algum buraco no caso das meninas mortas... – Coçou o queixo como se estivesse pensando.
Rin balançou a cabeça, em sinal de aquiescência.
— Quando pretendem ir à casa de shows? – Inuyasha lançou a pergunta para seu irmão.
— O mais rápido possível! – Respondeu o youkai de prontidão.
Inuyasha notou os punhos cerrados do irmão. Sua estrutura estava rígida, os ombros largos e fortes tensionados, o maxilar trincado. Nunca o vira desse jeito. Pela primeira vez podia dizer que Sesshoumaru estava perdendo a cabeça. Perdendo a cabeça por uma humana. Porque o conhecendo como conhecia, sabia que ele jamais se daria ao trabalho de ajudar alguém como estava fazendo com a pequena Rin.
— Estou disposto a acompanhá-los. – Inuyasha os surpreendeu.
Essa era a ultima coisa que imaginou ouvir saindo da boca de Inuyasha. Então ele realmente estava disposto em ajudá-los, pensou a pequena. Era impressão sua ou havia acabado de ganhar um novo cúmplice?
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