Louca Obsessão
3 Aniversário
Notas iniciais
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3. Aniversário
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Lá estava ele, em cima da mesa de jantar embrulhado por um papel decorado. O presente de aniversário de Inuyasha – seu vizinho – jazia sobre a mesa de madeira da sala.
Suspirou cansada. A semana se passou rápido e não demorou para que sábado chegasse. A noite em breve chegaria e logo estaria comemorando o aniversário de seu vizinho arrogante. Não queria participar daquela celebração, mas sabia que se não fosse, Izayoi viria até sua casa buscá-la. Então, como fugiria disso?
Pensando dessa forma, teve que comprar o presente de Inuyasha. Como poderia aparecer no aniversário do mesmo com as mãos vazias? Fazer tal coisa era extremamente chato e mal educado. Então a contra gosto, saiu de seu refugio mais uma vez para se expor para a sociedade.
Comprar seu presente foi algo extremamente complicado, não o conhecia o bastante para saber seus gostos, então de inicio não sabia que compraria á ele. Por fim comprou uma camiseta polo branca, esperava que ele realmente gostasse. Da ultima vez que o viu no mercado, notou que o mesmo usava uma camiseta polo, então julgou que ele pudesse gostar desse tipo de coisa.
–“Se ele não gostar, depois ele troca por algo que realmente goste! Eu já fiz minha parte.” – Foi o que a pequena pensou.
Suspirou novamente. Fitou o presente pela ultima vez e caminhou em direção ao seu quarto no andar de cima.
Depositou sobre sua cama a roupa que usaria na festa. Separou uma calça jeans e uma blusa verde água coberta por paetês da mesma cor. Aproveitou o momento e foi em busca do sapato que colocaria. Em meio a tantos sapatos decidiu usar seu Pipitu fechado de cor preta.
Colocou o sapato ao pé da cama e virou-se para ir até o banheiro. Despiu-se e entrou no chuveiro, seus longos cabelos negros clamavam para serem lavados.
Em cerca de trinta minutos já estava de banho tomado. Enrolou-se em sua toalha felpuda e caminhou até seu quarto, algumas gotas escorreram de seu corpo e atingiram o chão.
Secou-se rapidamente e vestiu sua roupa intima. Ajeitou melhor a toalha em sua cabeça e hidratou seu corpo com um de seus cremes cheirosos e em seguida borrifou um pouco de perfume na região do pescoço e dos braços. Esperou secar para assim começar a se vestir.
Vestiu a roupa que separou de inicio e caminhou até o banheiro mais uma vez para terminar de arrumar-se. Escovou os dentes, secou os cabelos e maquiou-se.
Voltou para seu quarto, calçou seus sapatos pretos e colocou um bracelete verde água com uma pequena pedra de Drusa em suas pontas. Colocou pequenos brincos da mesma cor do bracelete e um anel grande como conjunto. E estava pronta, pronta para a inesperada festa de seu vizinho.
Pegou seu celular, sua chave de casa e colocou-os em sua pequena bolsa de mão preta. De seu quarto pôde ouvir algumas risadas altas vindo da casa de Izayoi, tudo indicava que a festa já havia começado. E antes que a mãe de Inuyasha viesse tocar sua campainha, achou que já estava na hora de ir para lá.
Desceu as escadas e antes de ir conferiu se toda a casa já estava trancada. Pegou o presente do hanyou sobre a mesa de madeira e saiu pela porta da frente. Trancou a porta logo que saiu e rumou até o portão de sua casa. Sabia que se saísse daquele portão não voltaria atrás de sua decisão.
Colocou os pés na calçada de pedregulhos e puxou o portão para fechá-lo, conferiu de que estava trancado e caminhou para a casa ao lado.
Pela primeira vez desde que chegara, iria entrar na casa de um de seus vizinhos. Aquilo a deixava nervosa, não sabia que tipos de pessoas encontraria lá dentro. Suspirou. De qualquer forma teria que ir naquela festa, se não fosse por vontade própria, iria forçadamente. Rin sabia disso.
Com as mãos trêmulas, as pernas bambas e a respiração ofegante a pequena criou coragem para tocar a campainha.
–Pois não? – Escutou uma voz feminina sair da campainha eletrônica. Parecia ser Izayoi.
–É a Rin! – Foi tudo o que dissera.
–Oh! – Escutou um murmúrio baixo. – Já irei abrir querida. – Anunciou.
Como havia pensado, era realmente sua gentil vizinha. Em poucos segundos Izayoi se encontrava abrindo o portão para si. O portão fechado de ferro se movimentou e lá estava ela, vestindo um finíssimo vestido rendado.
–Estou tão contente que veio Rin! – Ela lhe abraçou fortemente.
A pequena sentiu-se esmagada pelo abraço de Izayoi, mas aqueles braços finos eram tão acolhedores. Sentiu-se ser abraçada por sua mãe, a sensação era parecida.
Retribuiu o abraço envolvendo o corpo de Izayoi com seus braços. Pela primeira vez desde que chegara, sentiu-se segura naquele lugar. E pela primeira vez não se sentiu sozinha...
O abraço fora desfeito, mas Rin não se importaria de passar a festa toda abraçada com Izayoi. Izayoi transmitia uma tranquilidade, uma segurança que há tempos não sentia. Não sabia o porquê, mas aquela mulher diante de si se mostrava cada vez mais sua amiga. Tinha uma estranha sensação de que poderia confiar nela...
–Vamos entrar querida? – Ela lhe sorriu. O sorriso mais doce que já vira, depois do sorriso de sua mãe, claro.
Rin movimentou a cabeça em sinal de afirmação. A doce mulher afastou-se para que Rin entrasse, e assim que a pequena colocou os pés para dentro de sua casa Izayoi empurrou o portão para fechá-lo.
A pequena seguiu a dona da casa e não deixou de observar o lugar. Um quintal grande com boa parte dele coberto por um ralo gramado, coqueiros altos e flores coloridas. Seu interior era belíssimo, constatou.
Ela guiou-a em direção a porta de entrada – uma bonita porta de madeira bruta inteira trabalhada em tons mais claros e escuros.
–Fique a vontade Rin. – Izayoi lhe sorriu enquanto abria a porta e dava passagem para a pequena adentrar o interior da residência.
–Com licença. – Limpou seus pés no tapete de entrada.
Assim que entrou ficou encantada com a decoração luxuosa do ambiente. Aquela sala era belíssima. Não sabia dizer o que mais chamava atenção naquele local, mas a grande mesa de jantar provavelmente era o atrativo da noite, principalmente com tantos canapés diferenciados sobre ela.
Era uma mesa grande e branca, com cadeiras estofadas que mais se pareciam com poltronas aconchegantes. Sob a mesa havia um tapete persa a qual os pés da mesa refletiam suas formas e cores diferenciadas. No teto um grandioso lustre de cristal fora colocado de maneira que centralizasse a grande mesa branca.
No mesmo ambiente havia uma pequena sala com um conjunto de sofás escuros. Algumas pessoas estavam sentadas sobre o mesmo enquanto vez ou outra comentavam o que se passava na enorme televisão de Led.
Alguns quadros de fotografias estavam espalhados sobre alguns pequenos moveis de decoração e as cortinas longas dançavam com o vento que adentrava pelas janelas abertas. Não pôde deixar de notar na lareira próximo a mesa de jantar e em alguns enfeites de cristais em volta da mesma.
Só parou de observar a casa de Izayoi quando avistou Inuyasha no centro da sala em volta de algumas pessoas que aparentavam ter a mesma idade que ele. O hanyou notou a presença da nova visitante, de inicio estranhou, mas assim que viu sua mãe junto á Rin não teve duvidas de que sua mãe havia aprontado novamente.
Fez um sinal á todos pedindo que esperassem e caminhou até a porta de entrada.
–Olá Rin! – Cumprimentou assim que se aproximou.
–Olá, boa noite. – Ela o cumprimentou enquanto se dirigiu para abraçá-lo. – Parabéns Inuyasha, muitas felicidades, muitos anos de vida... – O parabenizou em meio ao abraço.
–Obrigado! – O hanyou agradeceu desfazendo-se do abraço de sua vizinha.
–É apenas uma lembrança, mas eu espero que você goste Inuyasha. – Entregou á ele o embrulho que tinha em mãos.
–Minha querida, não precisava! – Izayoi os interrompeu.
Inuyasha olhou para sua mãe, da forma como ela falava parecia que o presente era dela.
Abriu o embrulho com certa rapidez e sorriu com o presente que ganhara de Rin.
–Como sabia que eu gostava disso? – Ele sorriu surpreso.
Esticou sua camiseta e a colocou em frente ao corpo, pelo jeito havia gostado do que ganhara.
–Quando nos conhecemos você estava usando uma camiseta polo então... Eu pensei que pudesse gostar!
Sorriu aliviada. Só os Deuses sabiam o quanto havia demorado em escolher algum presente para Inuyasha, já que não o conhecia muito bem. Estava aliviada e feliz ao mesmo tempo em saber que o mesmo havia gostado do presente.
–Obrigado Rin! – Inuyasha agradeceu mais uma vez.
Rin meneou a cabeça de maneira educada e logo um silencio surgiu entre eles.
–Querida, está com fome? – Izayoi perguntou para quebrar o silencio que surgira.
–Estou be... – Não conseguiu terminar sua frase devido à interrupção de sua vizinha.
–Você precisa provar meus canapés, são os melhores. – Izayoi enlaçou os pequenos braços de Rin e sorriu gentilmente a ela enquanto a puxava para longe da entrada de sua casa.
–Acredite, são os melhores que já comi. – Inuyasha sussurrou para ela antes que Izayoi a afastasse do aniversariante.
Foi arrastada em direção à mesa de jantar e ficou tonta de ver tanta variedade de comida. Ficou imaginando se Izayoi a usaria como cobaia para provar tudo o que fizera para aquela noite, estava receosa com relação a isso.
–Oh, prove este. – A viu pegar um canapé com um pequeno guardanapo e lhe entregar empolgada. Mal havia chegado e Izayoi já estava a empanturrando de comida.
–Obrigada. – Segurou o guardanapo e levou o canapé em direção aos pequenos lábios rosados.
–E então? – Ela perguntou animada.
Rin por um momento parou para degustar o sabor do canapé e sorriu para sua vizinha. Inuyasha dizia a verdade, os canapés de Izayoi eram os melhores que já provara.
–São deliciosos! – Rin lhe sorriu e enfiou o restante do canapé em sua boca.
–Que bom que gostou querida. – Izayoi pegou um pequeno prato enquanto demonstrava sua felicidade. — Venha, prove estes também! – Passou a colocar os canapés no prato que segurava.
Rin arregalou seus olhos, era impressão sua ou Izayoi queria que engordasse? Aos poucos o pequeno prato ganhava mais e mais volume, mal cabiam no pequeno recipiente e ainda assim sua vizinha insistia em colocar mais canapés.
Pensou que se dissesse á ela para parar de servi-la, poderia magoá-la já que Izayoi a tratava tão carinhosamente. Não sabia como diria a ela que aquela quantidade que colocava era mais que o suficiente. Suspirou aliviada quando alguém se aproximou de Izayoi e chamou sua atenção.
–Izayoi...
Uma voz doce e suave se pronunciou próximo a ela. Diante de si estava uma jovem que aparentava ter a mesma idade que si, a mesma possuía uma pele clara, longos cabelos negros e belíssimos olhos azuis.
–Kagome, aconteceu algo? – Izayoi se dirigiu a ela.
Então a jovem se chamava Kagome.
–Precisamos da sua ajuda. – Ela fez uma expressão de desespero. — Seu adorável filho fez uma bagunça na cozinha com as garrafas de cerveja. – A jovem revelou.
–Inuyasha quebrou as garrafas? – Ela piscou sem entender. — Ele se cortou? – Seus olhos se arregalaram em desespero.
–Não, graças a Deus. – Kagome a tranquilizou. — Mas acabou derramando as cervejas no chão e literalmente lavou a cozinha inteirinha.
–... – Izayoi suspirou aliviada com o que escutara. – Menos mal, não se preocupe já irei dar um jeito nisso! – Izayoi piscou um de seus olhos.
–Eu irei ajudá-la. – Kagome sorriu.
–De jeito nenhum, não se preocupe com isso Kagome. Ao invés de me ajudar, porque não faz companhia para a Rin enquanto eu dou um jeito naquela bagunça?
Izayoi virou-se e encarou a pequena ao seu lado, entregou o prato a ela e lhe sorriu.
–Querida, está é Kagome. Kagome é minha nora, namora com Inuyasha. – Izayoi a apresentou.
–Prazer em conhecê-la Kagome. – Rin a cumprimentou.
–Já ouvi falar de você. – Kagome arqueou as sobrancelhas tentando se lembrar de onde a conhecia.
Rin se surpreendeu. Era justamente por isso que não queria se envolver com as pessoas. Nunca havia visto Kagome e ela já sabia de sua existência... Quantas mais pessoas sabiam sobre ela? Aquilo era uma ameaça para si.
Kagome notou que Rin estava tremula, o prato que segurava balançava levemente. Kagome não foi a única a notar tal reação por parte da pequena, Izayoi também percebeu.
–Ela é nossa vizinha nova, comentei sobre ela. – Izayoi tentou quebrar aquele clima. A senhora Taishou não entendia o porquê da pequena estar daquela forma.
–Ah sim! – Kagome lhe sorriu. – Eu sabia que havia escutado sobre você em algum lugar, prazer em conhecê-la Rin. – Kagome lhe lançou um sorriso gentil.
De certa forma Rin conseguiu controlar o corpo tremulo, havia se acalmado.
–O prazer é meu. – Tentou disfarçar seu nervosismo.
–Minha querida, você não se importa se eu for correndo limpar aquela cozinha não? – Izayoi lhe perguntou.
–Não, claro que não. – Rin balançou a cabeça. – Posso ajudá-la se quiser. – Se ofereceu.
–Já disse que não precisam se preocupar, eu agradeço. – Izayoi as tranquilizou. – Terminarei isso rápido! – E dizendo isso se afastou logo em seguida.
Izayoi as deixou sozinhas enquanto se dirigia para a cozinha. A jovem de olhos azuis lhe sorriu gentilmente e logo se colocou a falar.
–Ela é sempre assim! – Kagome abafou uma risada. – Sempre me ofereço para ajudá-la, mas ela nunca aceita. Estou até acostumada.
–Ela parece ser uma boa pessoa! – Rin sorriu do jeito de sua vizinha.
–Ela é! Depois de minha mãe, Izayoi é a mulher mais doce que conheço.
Pensando dessa forma, Kagome tinha razão. Sua vizinha era doce, carinhosa e seu jeito a tornava acolhedora. Rin gostava de Izayoi, seus gestos lembravam sua mãe, mas não podia se permitir se aproximar muito das pessoas. Seu medo a impedia de se socializar, a impedia de se aproximar até mesmo de Izayoi.
Fitou o prato que tinha em mãos e levou um canapé em direção aos lábios. Enquanto mastigava, alguém se aproximava. Ergueu os olhos castanhos para fitar a bela mulher que se aproximou de Kagome. Linda, era como a definia. Pele clara, olhos grandes e escuros, nariz fino e lábios volumosos. Seus longos cabelos castanhos estavam presos por um alto rabo de cavalo e seu vestido de alça fina chamava a atenção pela cor degrade de preto e rosa.
–Kagome, não aguento mais aquele pervertido! – Resmungou ela assim que se aproximara.
Os olhos escuros da jovem fitaram Rin por um momento e logo se voltaram novamente para Kagome.
–O que Miroku fez dessa vez, Sango? – Kagome segurou uma risada, já imaginando o que havia acontecido.
–O de sempre! – Sango revirou os olhos com a lembrança do que o outro havia lhe feito. – Ele nunca irá mudar, já cheguei nessa conclusão.
–Eu também penso da mesma forma. – Era inútil tentar mudar o amigo nessa altura do campeonato. – Ah sim Sango, está é Rin! – Kagome a apresentou. – Ela é a nova vizinha de Inuyasha.
–Prazer em conhecê-la, me desculpe não ter a cumprimentado antes. – Sango desculpou-se.
–O prazer é meu! – Rin sorriu gentilmente. – Enquanto a isso, não se preocupe.
Rin compreendia. Sango parecia tão atordoada com algo que acabou não ligando pelo fato de ter sido ignorada e por não ter sido cumprimentada de imediato.
–Escute Rin, preciso alertá-la sobre algo. Como é nova por aqui, creio que ainda não sabe. – Sango falou seriamente. – Está vendo aquele cara? – Perguntou ela assim que se posicionara ao lado de Rin. Apontou para um homem alto de cabelos curtos presos por um baixo rabo de cavalo.
–Aquele de camiseta roxa? – A pequena arqueou as sobrancelhas em sinal de confusão. Não estava entendendo aonde a amiga de Kagome queria chegar.
–Sim, ele mesmo! Tome cuidado com ele. – Sango segurou seus ombros e a obrigou a fitar seu rosto. – Ele é um pervertido demoníaco. – Os olhos de Sango demonstravam raiva. – Não se aproxime dele e se estiver perto, não deixe suas belas nádegas ao alcance daquelas mãos habilidosas.
Rin piscou os olhos. Agora parecia entender o porquê da revolta de Sango. Aquele homem a acariciou e era evidente nas expressões de Sango o quanto ela estava nervosa.
–Ce... Certo! – Rin a obedeceria, até porque não gostaria de ser apalpada por um desconhecido qualquer.
–Não ignore o conselho de Sango, Rin. – Kagome as interrompeu. – Miroku realmente têm esse péssimo habito quando encontra alguma mulher bonita.
–Não sei como ainda consigo gostar daquele pervertido! – Sango suspirou em forma de lamentação. – Tantos homens nesse mundo, e eu fui me apaixonar pelo mais tarado de todos eles!
–Nós não escolhemos por quem nos apaixonamos. – Kagome a lembrou.
–Sim. Eu sou um exemplo perfeito disso! – Sango suspirou novamente. – Vou pegar algo para beber e já volto. – Sorriu para as duas e se afastou logo em seguida deixando-as sozinhas novamente.
–Sango têm algum tipo de relacionamento com esse tal de Miroku? – Rin não conseguiu deixar de perguntar.
–Sim, eles namoram. – Kagome lhe respondeu. – Sango é uma mulher de respeito, e uma coisa que ela odeia é que Miroku faça esse tipo de coisa em publico.
–humn... – Aquilo era uma surpresa. Não imaginava que ambos possuíssem esse tipo de relacionamento.
–Mas ela odeia mais ainda o fato dele flertar outras mulheres e até mesmo apalpá-las. Ele sempre foi assim, desde quando estudávamos juntos. – Kagome lamentou pela desgraça da amiga.
–Isso é um problema! – Rin levou um canapé em direção aos lábios.
Fitou Kagome e notou que ela observava algo. Seguiu seu olhar e notou o que tanto prendia a atenção de Kagome. O mesmo rapaz que se chamava Miroku caminhava até elas á passos lentos.
Rin sentiu-se envergonhada pelos olhos escuros de Miroku estar fixos em si.
–Kagome, onde está Sango? – Ele perguntou assim que se aproximou.
–Ela disse que iria pegar algo para beber e que logo voltaria.
–Ah! – Miroku continuou fitando Rin. – E você minha linda, quem é? Não a conheço ainda. – Piscou um de seus olhos para Rin. – Me chamo Miroku, é um prazer conhecê-la doçura.
Não diria que já o conhecia e que já estava ciente de sua fama. Pobre Sango. Não era nada fácil ter um namorado que flertava com a primeira que encontrasse. Imaginava o quanto ela deveria ser insegura em relação á Miroku. Parecia que a qualquer momento Miroku iria colocar lindos pares de chifres em sua cabeça e com certeza esse pensamento a atormentava.
Rin mordeu seu lábio inferior e antes que pudesse dizer algo Inuyasha a interrompeu com sua inesperada aproximação.
–Minha vizinha. – Ele disse enquanto rodeava os ombros de Kagome com um de seus braços e a puxava para mais perto de si. – Rin, cuidado com ele! – Inuyasha fez um movimento com a cabeça referindo-se á Miroku.
–Já a avisei sobre isso, não se preocupe. – Kagome lhe sorriu.
Miroku pareceu ignorar os comentários de seus amigos.
–Não sabia que tinha uma vizinha dessas Inuyasha! – Miroku o fitou de maneira magoada. – Você não é meu amigo? Porque não me contou algo tão importante como isso? – Miroku fingiu estar profundamente magoado.
–Contar o que? – A voz feminina fizera Miroku tremer.
Todos fitaram a dona daquela voz que chegara naquele momento e provavelmente pegara a conversa pela metade.
–Bem... – Miroku vacilou por um momento. – Na realidade não é algo tão importante assim... – Sorriu amarelo.
Sango estreitou os olhos desconfiando de seu namorado, mas sua expressão se suavizou quando o mesmo tocara seu rosto de maneira gentil.
A sensação de estar segurando uma vela lhe tomou. Apenas Rin se encontrava ali, sendo ignorada enquanto ambos os casais demonstravam seus afetos entre si.
Naquele exato momento seu celular tocou, e isso era a desculpa perfeita para afastar-se por um momento dos casais apaixonados. Tirou seu celular de dentro de sua bolsa e atravessou a sala em direção à porta de entrada. Abriu-a saindo para o quintal e a fechou lentamente atrás de si.
Antes que pudesse atender, olhou para o visor com a intenção de saber quem estava ligando. E seu coração parou por um momento quando viu que se tratava de um numero restrito. Apertou na tela o teclado vermelho a fim de ignorar aquela ligação.
Sentiu um frio na barriga, sua respiração ficou ofegante e suas mãos ficaram tremulas novamente. Fechou os olhos com força tentando manter a calma, mas não pareceu funcionar quando novamente seu celular voltou a tocar. Não ficou surpresa em saber que o mesmo numero estava ligando.
Olhou para os lados e decidiu caminhar para um lugar afastado da casa. Não queria que os outros convidados a vissem dessa forma. E também não queria que notassem seu comportamento em não atender ao telefone, provavelmente a achariam estranha em não dar atenção para o aparelho que insistia em tocar.
Notou que ao lado da casa havia um longo corredor que dava para os fundos da mesma. Decidiu ir para lá já que todos se encontravam presentes na sala, e o quanto se afastasse daquela movimentação melhor seria. Tomou cuidado para não torcer o pé já que suas pernas se encontravam bambas.
Se a pessoa que ligava para ela fosse realmente quem estava pensando que era, não sabia como ele havia conseguiu seu novo numero já que havia mudado e apenas sua família e poucos amigos tinham o conhecimento sobre ele. Não poderia julgar quem estava lhe ligando, mas também não arriscaria descobrir.
Seguiu pelo corredor escuro e chegou aos fundos da residência. Como havia imaginado, não haveria ninguém naquele lugar. Todos os convidados de Inuyasha pareciam se divertir junto a ele na sala de sua casa.
Observou o lugar onde se encontrava, próximo a si havia uma parte coberta. Não soube dizer exatamente o que era pela escuridão do lugar, mas arriscou imaginar ser onde ficava a churrasqueira. A única coisa que reconheceu realmente foi à piscina iluminada á alguns metros de si. A iluminação da piscina a tornava ainda mais bonita.
Caminhou até ela por ser o único lugar onde havia energia elétrica e há poucos passos da piscina escutou seu celular tocar mais uma vez. Engoliu em seco ao notar que novamente aquele número insistia em ligar.
Fitou demoradamente o aparelho em mãos e o deixou tocar. Suspirou com a insistência da bendita pessoa.
–Não vai atender? — Quando havia pensado em encerrar aquela chamada, assustou-se com a voz que surgira em meio à escuridão.
E foi então que o viu. Sentado em uma das cadeiras reclináveis á beira da piscina.
Seus olhos se encontraram. Pela pouca iluminação conseguir fitar a cor daqueles olhos. Olhos âmbares, tão belos e ao mesmo tempo tão parecidos com os olhos de Inuyasha, mas quem estava diante de si estava longe de ser igual á ele. Sua expressão era fria, diferente da expressão do emburrado aniversariante. Os cabelos longos também possuíam a mesma tonalidade prateada.
Seu celular parou de tocar, mas naquela altura do campeonato já havia até se esquecido dele.
Os olhos e os cabelos não foram às únicas coisas que Rin reparou. O porte físico daquele youkai era algo surpreendente... Ombros e costas muito largas, fazendo conjunto com braços aparentemente musculosos e apesar da camisa social branca, seu contorno muscular era bastante evidente.
O rosto daquele youkai também era belíssimo, com todo o significado da palavra. Era dono de uma pele tão pálida quanto seus cabelos, um nariz comprido, porém não tão fino; duas listras proeminentes em suas bochechas e uma meia lua sobre a testa.
Rin engoliu seco com aquela visão. Tudo aquilo em conjunto era simplesmente difícil de passar despercebido.
Sobressaltou-se com o barulho de seu aparelho. Seu olhar baixou para o mesmo e mais uma vez o numero restrito aparecia no visor.
–Estou me irritando com esse maldito barulho, desde que saiu pela porta este celular não parou de tocar um minuto. – Sua voz era grossa, sexy e ao mesmo tempo autoritária.
Mas o que mais a surpreendeu foi o fato dele saber que havia recebido ligações desde que sairá da sala. A surpresa logo havia sumido quando se lembrou de que ele era um youkai e que por isso era dono de uma audição privilegiada.
–Desculpe! – Foi tudo o que Rin pode lhe responder.
O youkai fitou-a durante o silencio que se seguiu e a pequena Rin não tirou os olhos do aparelho em mãos.
–Porque não volta para junto dos outros convidados? – Ele perguntou.
Rin pareceu pensar por um momento o que lhe responder, não poderia revelar que estava ali porque não estava a fim de segurar vela.
–A casa está muito cheia, decidi tomar um ar. – O que não era mentira.
Aproximou do youkai sentado com passos lentos, ele pareceu não se importar com a sua aproximação.
–Parece que temos algo em comum... – Ele voltou a fitar a piscina iluminada.
A pequena sorriu em resposta. Aproximou-se mais dele e parou em pé ao seu lado. Ele voltou-se para ela e observou cada movimento que fizera.
Com a proximidade Rin pode notar melhor os traços do youkai. Ele era ainda mais belo de perto. Fitaram-se durante um tempo e a pequena corou pelos olhos atentos do youkai estar mirando-a de cima abaixo.
–Meu nome é Rin Himura. – Se apresentou. – Como se chama? – Tentou recriar um diálogo com aquele homem, já que parecia que ele não falaria tão cedo caso não perguntasse algo á ele.
–Sesshoumaru Taishou. – Ele lhe respondeu.
Ah, então esse era o seu nome...
–É um prazer conhecê-lo. – Curvou-se em forma de cumprimento.
O youkai nada disse, apenas acenou com a cabeça para continuar a fitá-la.
Olhando-o mais de perto, Sesshoumaru parecia ser mais forte que anteriormente. Ou seria que o achava grande devido ao fato de ser tão miúda e pequenina? Próximos um do outro eram evidentes suas diferenças de tamanhos.
Rin caminhou a passos lentos em direção à cadeira reclinável vazia ao lado de Sesshoumaru e sentou sobre a mesma. Já havia ficado muito tempo em pé e seus sapatos de salto estavam matando-a.
Apoiou suas pequeninas mãos sobre seus joelhos e passou a observar a piscina, não notou estar sendo observada pelo homem ao seu lado. Uma rajada de vento atingiu-lhe levando seu cheiro adocicado em direção ao youkai. Sesshoumaru inspirou seu cheiro doce e entre abriu seus lábios em sinal de adoração.
Como aquela pequena humana poderia ter um cheiro tão doce? Seu cheiro combinava com sua personalidade. Sesshoumaru continuou a fitá-la em silencio até que o celular da mesma voltou a tocar.
Rin segurou firmemente o aparelho que tinha em mãos e mais uma vez não o atendeu. Sesshoumaru observou atentamente suas reações perante a insistente ligação e ele pode sentir que seu doce cheiro havia mudado. Rin emanava cheiro de medo e isso o fez arquear suas sobrancelhas.
Nada escapava dos atentos olhos daquele youkai e aquela estranha humana o intrigava cada vez mais.
–Não vai atender? – Sesshoumaru lhe fez novamente a mesma pergunta. – Pela insistência parece ser importante.
Seus olhos âmbares se dirigiram para seu celular e depois voltaram em direção para a dona do mesmo.
Rin apenas balançou a cabeça em sinal de negação e tentou ao máximo não demonstrar seus abalos emocionais na frente de Sesshoumaru. Clamou mentalmente para que suas mãos não tremessem e suas pernas não bambeassem.
A mudança de comportamento de Rin era devido aquele irritante aparelho, na realidade, á quem estava ligando. E isso despertou certo interesse por parte do youkai.
–Quem está ligando? – Ele perguntou.
–Hã? – Ela murmurou algo inaudível. – Não sei, o numero é restrito e não quero atender. – Confessou ela.
Sesshoumaru pareceu compreendê-la. A impressão que tinha era que Rin estava fugindo de alguém, mas não se sabia quem. E pelas suas reações com o barulhento toque, cada vez ficava mais claro de que isso era verdade.
Sesshoumaru não a conhecia, mas aquilo instigou seu interesse.
–Se não atender, continuarão ligando. – Disse calmamente.
Rin apenas balançou a cabeça de um lado para outro, indicando mais uma vez que não atenderia.
–Se quiser posso acabar logo com isso... – Sesshoumaru sugeriu.
Os olhos castanhos foram em sua direção. A pequena entre abriu os lábios e parecia pensar na sugestão do youkai á sua frente.
Antes que pudesse responder, seu celular tocou pela milésima vez tirando-a de sua linha de raciocínio. Engoliu em seco e mordeu o lábio inferior logo em seguida.
Sesshoumaru estendeu sua mão e esperou que Rin lhe entregasse o aparelho barulhento, e com as mãos tremulas a pequena entregou seu celular para o youkai ao seu lado.
Seus dedos se tocaram e fora nesse momento que notara o quanto era miúda perto de Sesshoumaru. Sesshoumaru era dono de mãos grandes e dedos longos enquanto as suas eram pequenas e seus dedos eram delicadamente curtos.
Sem enrolar, o youkai atendeu seu celular assim que o mesmo chegara a suas mãos.
–Pois não? Quem está falando? – Perguntou assim que atendeu.
Prendeu a respiração quando o viu atender. Seu nervosismo de agora não se comparava com o nervosismo de momentos atrás.
–Gostaria de falar com quem? – Sesshoumaru perguntou mais uma vez enquanto não tirava seus olhos sobre a jovem ao seu lado.
A ansiedade nos olhos de Rin era evidente e Sesshoumaru sabia disso. Não demorou para que a ligação fosse encerrada.
–Era um homem. – Começou ele.
Rin prendeu a respiração novamente com a revelação. Suas suspeitas pareciam estar certas...
–Ele... Di... Disse qu... Quem era? – Gaguejou devido ao seu nervosismo e amaldiçoou-se em pensamentos por demonstrar a Sesshoumaru mais uma de suas fraquezas.
–Não. Disse que havia ligado errado, que era engano. – Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas. – Creio que não voltara a ligar mais.
Assim esperava, foi o que Rin pensou.
Sesshoumaru lhe estendeu o aparelho, entregando-o de volta. Mais relaxada por saber que as ligações não continuariam, Rin alcançou seu celular e mais uma vez sentiu seus dedos tocarem as mãos do youkai ao seu lado.
Suas bochechas ficaram quentes e automaticamente coraram.
–Obrigada... – Murmurou baixo, agradecendo-o pelo grande ato que fizera.
Sesshoumaru apenas balançou sua cabeça, aceitando de bom grado o agradecimento da pequena. Notou que seu cheiro mudou novamente, a pequena não transmitia mais cheiro de medo. Seu cheiro adocicado aos poucos se normalizava.
–Está fugindo de alguém? – Ele perguntou enquanto seus olhos observavam cada reação de seu corpo.
Aquela pergunta à fez engasgar. Rin tossiu algumas vezes tentando voltar a respirar novamente. Estava tão obvio assim? Sim, ela estava fugindo. E fazia isso pelo seu próprio bem, mas ninguém precisava saber disso não é mesmo? Um estranho que acabara de conhecer como Sesshoumaru não precisava saber desse detalhe.
–Não! – Respondeu assim que voltou a respirar. – De onde tirou isso? – Tentou parecer convincente, algo difícil já que nada passava despercebido aos olhos daquele youkai.
Sesshoumaru arqueou suas sobrancelhas não acreditando em suas palavras. Rin o intrigava, ela escondia algo e Sesshoumaru sabia disso.
Notando que os atentos olhos do youkai a fitavam como se procurassem alguma resposta para suas perguntas não respondidas, a jovem desviou seu olhar observando algum ponto interessante na piscina á sua frente.
Antes que ele lhe pudesse fazer mais alguma pergunta, um barulho próximo o interrompeu. A porta dos fundos foi aberta rapidamente e dela uma radiante Izayoi surgiu.
–Eu sabia que encontraria você aqui Sesshoumaru, mas não sabia que estava em companhia de nossa nova vizinha! – Ela riu docemente enquanto se aproximava de ambos.
–Vizinha? – Murmurou para si mesmo.
Sesshoumaru voltou a fitá-la e Rin desvirou o olhar mais uma vez. Izayoi notou o constrangimento estampado no rosto de sua nova vizinha e agora amiga. Um estalo surgir em sua mente acompanhado de um sorriso sobre os lábios. Aquele tipo de situação estava obvia demais e seu sorriso apenas aumentou diante do que acabara de presenciar.
–Vim chamá-los porque logo cortaremos o bolo. – Ela disse enquanto seu sorriso continuava intacto. – E Sesshoumaru, aniversários acontecem uma vez ao ano, então não deixe de parabenizar seu irmão. – O aconselhou.
Irmãos? Por isso que se pareciam tanto, mas é claro! Como não chegara nessa conclusão antes? Inuyasha e Sesshoumaru eram irmãos!
–Meio-irmão. – Ele a corrigiu.
Sesshoumaru pareceu incomodado por isso. Pelo desprezo em seu tom de voz, julgou que ele e Inuyasha não se davam bem.
Izayoi revirou os olhos diante da teimosia do filho. Sim, filho. Sesshoumaru poderia não ser seu filho biológico, mas o criou com o mesmo carinho que criou Inuyasha. O considerava seu filho, mesmo que não o fosse.
–Venham, vamos! – Izayoi os incentivou a se levantar.
Muito a contra gosto, Sesshoumaru levantou-se. Sabia que Izayoi não o deixaria em paz caso ele não fizesse as coisas ao seu modo. Rin fez o mesmo, levantou-se lentamente e ficou de pé ao lado do youkai. A diferença de altura entre eles era evidente.
Izayoi sorriu satisfeita e em seguida passou a caminhar para o interior da residência sendo seguida por Sesshoumaru e Rin. A pequena suspirou aliviada. A interrupção de sua doce vizinha não havia sido incomoda, na realidade lhe salvara.
Mal sabia quais outras perguntas Sesshoumaru poderia lhe fazer. E se as fizesse como fugir daqueles olhos que pareciam ver seus segredos mais profundos? Mas não se deixaria levar pela beleza de seu vizinho e muito menos por aqueles belíssimos olhos âmbares.
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