Notas iniciais
Espero que gostem...
Boa leitura!

O inverno era a época do ano que eu mais amava. O frio era atraente e encantador, e eu sabia que não era mais gelado do que o meu interior. Geralmente, a época do ano em que a neve caía com mais intensidade era no Natal, o qual passava todos os anos em Hogwarts. Não possuía ninguém em casa, então não me interessava voltar para lá esses dias. A mansão continuava sombria e desagradável, eu jamais havia mudado a decoração desde o "Aniversário Macabro".

Acabei por denominar meu aniversário de 17 anos de Macabro, afinal, todos os incidentes daquela noite culminam no pior episódio da minha vida. Não que eu culpe o destino por isso, pouco me importa, desde pequena aprendi a restringir minhas emoções. Nada me agradava naquela casa, muito menos em Hogwarts. Somente o frio, e talvez por esse motivo, eu vivia nos jardins, próximo à orla da Floresta, a qual virou minha casa.

Não me importava as superstições dos alunos quanto ao que vivia lá, e eu sempre amei o perigo, não era pra menos eu ser uma Comensal. Carregar a maldita Marca Negra tinha suas vantagens, mas fazia isso meramente sem importância, não dava a mínima se o Lorde me matasse a qualquer momento caso descobrisse a traição, ou se a Ordem não quisesse mais meus serviços. Muito menos me importava com a sua guerra, não era minha afinal, mas no fundo, eu sabia que tudo isso era apenas pelo propósito de ainda haver uma parte quente em mim, aquela que amava, mesmo que eu quisesse me desfazer dela, afinal, era tudo o que me prendia aqui. Ela tinha nome, sobrenome e olhos lindos e penetrantes: Sirius Black.

Aquela maldita festa de encontro de alunos passados, nunca me enturmei antigamente, não o farei agora. Então todos estavam na parte de dentro, enquanto eu andava pela propriedade.

Eu senti o frio alastrar pela minha espinha, enquanto se tornava cada vez mais intenso. A sensação não me era estranha, eu sabia, reconhecia, me lembrava da última vez.

Então eu vi, a criatura negra aproximando-se. Eu sentia minhas entranhas revirando-se, como se estivessem sido arrancadas, o frio gélido tomando de conta de meu ser. Cada gota de meu sangue congelava. No fundo, eu aceitava a morte de bom grado e o beijo daquela criatura seria em troca de minha gratidão. Nesse momento, pouco me importava o que os outros achavam, se precisavam de minhas informações ou não, eu via um fim para tudo ali.

O dementador aproximou-se cada vez mais, congelando meu interior, não que houvesse algo a congelar, curvou-se levemente, enquanto suas mãos ósseas passavam pela parte de trás de minha cabeça, como um apoio. Era uma espécie de ritual para sugar minha alma, minhas boas lembranças.

O fato era que eu não as possuía.

A criatura aproximou-se, como que esforçando-se para achar algum vestígio de felicidade, contudo, morreria de fome assim. Mas o que eu não esperava era que mesmo não sugando nenhuma felicidade, eu tivesse de reviver minhas memórias. As piores memórias... E os próximos segundos foram os mais agonizantes de minha vida.

Ela afastou-se, enquanto ouvia o barulho atrás de nós, eu não sabia que alguém aproximava-se, não me interessava e pouco me importava. Aonde estava a sucção de minha alma? Por que nem nisso eu tinha sorte?

Então eu vi o vulto prateado, não reconheci o animal, estava fraca, cansada. Foi como reviver meu próprio filme de terror, o filme da minha vida. O vulto de cabelos negros aproximava-se de mim, enquanto curvava-se, e eu vi aqueles olhos, os olhos que tanto amava. E, apesar de não haver nenhum sentimento bom, eu sentia a pequena chama, o pequeno calor dentro de mim. Ainda havia esperança, só não acreditava nela...

Sirius sentou-me, apoiando-me em seu tronco, enquanto acariciava meus cabelos.

- Por que você tem que sempre ser diferente de todos? Acho que é por isso que sempre volto para você, sempre te procuro. Amo desafios, amo sua personalidade... — Sirius encarou meus olhos, profundamente, como se enxergasse minha alma e sussurrou próximo aos meus lábios. — Eu amo você...

- Não devia fazer isso... Começar isso. É errado... — Sirius aproximou-se, selando nossos lábios e interrompendo minha fala. O calor que eu sentia era mais que uma chama de esperança agora, eu o amava e sempre soube.

Não importava meu irmão, meus pais... Eu queria esquecer, e agora possuía motivos.

Notas finais
Espero que tenham gostado... Foi apenas um devaneio que tive um dia qualquer, ouvindo uma música.
Enfim, beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!