Notas iniciais
Mais um capitulo pra vcs.. e esse é bem... Bom, espero que vcs gostem! bjs!

Havia varias viaturas paradas em frente à Heartland e também havia umas dez ou vinte pessoas, homens e mulheres que morava em ranchos vizinhos de Heartland. Estava noite e deveria ser mais ou menos oito horas, as pessoas que estavam na entrada de Heartland, murmurando umas com as outras, estavam com panos em seus ombros ou casacos bem pesados. Estava muito frio.

Eu podia ver o ar saindo da boca das pessoas e da minha. Mas eu não estava com um pingo de frio.

Tentei passar entre as várias viaturas e as pessoas que assim que me viam me lançavam olhares de pena e começavam a cochichar uma com a outra. Como, pelo visto, estava muito complicado passar entre as pessoas e entre os carros que estavam praticamente fechando a passagem de Heartland, então desci do cavalo segurando as rédeas dele na frente, enquanto passava puxando Espartano, empurrava as pessoas que insistem em ficar na minha frente como se realmente não quisessem que eu entrasse no meu próprio rancho. Algumas pessoas murmuravam para que eu ficasse aqui fora perto da viatura.

Será que Jackson aprontou de novo? Seria a quinta vez esse ano que uma viatura aparece aqui em casa trazendo ele pra casa por dirigir bêbado ou por comprar briga em algum bar. Mas o problema é que dessa vez não é só uma viatura, são varias. Mais ou menos oito viaturas. Todas com as luzes vermelhas e azuis piscando. Dois policiais estavam em frete ao portão de grade branca de Heartland. Havia apenas uma viatura bem em gente de casa e um policial encostado do lado da viatura. Alguma coisa deve ter acontecido, e pelo visto uma coisa grave. Será que é algo que Rikki fez? Ela já roubou uma loja no shopping uma vez ano passado, ela fez por diversão, mas foi acabou sendo pega. Shofy é inocente demais e jamais fez alguma coisa ruim, Bridgit é um bebe ainda praticamente, e Justin e Max também jamais fizeram algo de ruim e Loh ela é certinha demais e nunca fez nada de ilegal ou ruim... Então, o que poderia ter acontecido pra ter tantas viaturas e policias em frente a minha casa?

Será que eu fiquei tanto tempo assim fora e Jeniffer e vovô ficaram preocupados a ponto de fazer escândalo e trazer varias viaturas pra cá? Que ridículo! Isso só aconteceu uma vez há dois anos, foi no dia seguinte em que Fredd decidiu ir embora e eu, por ainda não saber exatamente o motivo de ele partir, fui atrás procurá-lo porque achava que ele poderia estar precisando de ajuda. Então sumi o dia todo, Jeniffer e o vovô chamaram a policia que me encontrou as quatro e pouca da manhã dentro da floresta dormindo.

Eu não fiquei fora tanto tempo, sai de Heartland assim que cheguei da escola, 12:00. Sai da clareira eram seis e pouca, só que de lá pra cá, e vice e verso, leva mais ou menos uma hora e meia, mesmo com Espartano correndo a toda velocidade. Mas dessa vez eu voltei cavalgando lentamente.

Assim que cheguei ao portão, os dois policias encostaram o ombro um no outro bloqueando a minha passagem.

__ Não pode passar senhorita. __ Avisou-me um dos policias que estava em frente ao portão que levava pra dentro de Heartland.

Ele me deu um leve empurrão no ombro quando tentei passar novamente.

__ Eu vou passar sim senhor! __ Disse em tom grosseira.__ Essa é minha casa e se eu quiser, eu entro! Agora saia da minha frente!

Empurrei com as duas mãos os dois guardas e abri os portões, passei com Espartano e fechei os portões lançando um olhar frio para os dois policiais.

Montei em Espartano e adentrei em direção a casa. Heartland era uma propriedade bem extensa, de modo que a casa ficava bem afastada dos portões de entrada de Heartland. Da casa andando até o portão de entrada leve mais ou menos sete minutos.

O policial que estava encostado na viatura em frente da casa, olhou pra mim.

__ A senhorita deve ser Any Armstrog, certo? __ Perguntou ele.

Amarrei Espartano na coluna de casa.

__ Sim sou eu. __ Disse. __ O que está acontecendo?

__ É melhor a senhorita entrar. __ Ele gesticulou para a porta de casa. __ O Delegado e o Detetive estão lá dentro conversando com sua família. Ele irá lhe explicar o que está acontecendo.

Olhei pra porta de casa entreaberta. Podia ouvi o murmuro do pessoal lá dentro e... Choro?

Entrei em casa.

__ Any!__ Exclamou Jeniffer levantando do sofá e me abraçando. __ Ah querida, que bom que você está aqui... Estávamos esperando você voltar. __ Lágrimas desciam de seu rosto.

Jeniffer não me largou enquanto meus olhos davam uma olhada na sala. No nosso sofá estavam Shofy, Justin e Loh que também choravam descontroladamente. Lex estava sentado no braço do sofá ao lado de Shofy acariciando suas costas. Bridgit não estava na sala, Rikki estava sentada na escada, que levava para os quartos, escondendo o rosto nos braços, dava para ver que estava chorando também. Jackson estava encostado na parede de braços cruzados com a cabeça jogada para trás olhando pro teto com a cara fechada, mas não estava chorando. Vovô conversava em um canto da sala com o Delegado Flowrs e o Detetive Boss.

__ O-o que ta acontecendo aqui? __ meu coração estava começando a acelerar. __ Olha, se isso tudo foi porque eu sumi o dia todo... Eu posso explicar, eu fui...

__ Cala a boca sua idiota! __ gritou Rikki da escada, ela levantou seu rosto que estava todo vermelho e manchado de maquiagem pelas lágrimas. Jeniffer se virou para Rikki surpresa, mas antes que pudesse falar alguma coisa, Rikki a impediu.__ Isso aqui não tem nada haver com você sua estúpida. Mas é claro que você teria que pensar que tinha algo haver com você não é! __ A cada palavra ela caminhava lentamente até mim. __ Porque, claro, tudo tem que girar em torno da Any, tudo é Any, todas as coisas a que acontece gira em torno da Any... Porque Any é a melhor, Porque Any é a perfeitinha, educadinha e a esperta, Porque Any...

__ Já chega Rikki! __ Gritou vovô. Rikki e eu estávamos uma de frente pra outra, seus olhos vidrados no meu soltando faísca. O ódio era bem visível em seus olhos.

Vovô chegou perto e segurou com força o braço esquerdo de Rikki puxando-a para a cozinha. Ela tentou se soltar, mas vovô a segurou pelo outro braço também e a puxou com mais força para dentro da cozinha.

__ Eu te odeio! Eu Te O-D-E-I-O! __ Gritou ela segundos antes de ser puxada.

Pisquei para espantar as lágrimas.

__ O que está acontecendo? __ Perguntei olhando pra todos.

__ Senhorita Any porque não se senta? Então poderemos conversar com calma. __ Disse o Detetive Boss.__ Se você preferi podemos conversar a sós...

__ Não. __ Falei. __ Diz logo, o que está acontecendo!

Ele suspirou e olhou por um segundo para seu pequeno bloquinho em suas mãos. Depois olhou para Jeniffer que estava ao meu lado segurando meus ombros com firmeza como se a qualquer momento eu pudesse cair. Meu coração já estava a mil por horas.

Levou alguns minutos para que o Detetive começasse a falar.

Ele suspirou novamente.

__ Lamentamos informar que Fredd Armstrong foi encontrado hoje morto na beira da praia de Meygo. No laudo aparenta que ele se afogou, e que, de acordo com a fisionomia que se encontrava quando achado hoje, estava na água por um bom tempo... Bom, alguns adolescentes que estavam brincando próxima a praia viram o corpo e ligaram para a delegacia. Levamos algumas horas para identificar o corpo porque ele estava com a cara surrada como se tivesse levado vários socos... __ Ele deu uma pausa e olhou novamente para Jeniffer ao meu lado, ela estava às prantos, mas assentiu para que o Detetive continuasse. Eu já não queria ouvir mais nada, aquele pequena felicidade que eu senti hoje na clareira, e que não sentia a muito tempo, voou para longe. __ E também estava com o corpo totalmente mutilado. Seu coração foi arrancado fora brutalmente deixando um buraco no seu peito no local onde o coração fora arrancado. No laudo também consta que Fredd foi torturado pouco antes de ser morto, provavelmente jogaram-no na água e ficou lá por dias, provavelmente meses, até que seu corpo fosse arrastado para a areia da praia.

A essa altura eu estava tremendo como louca, mas não era por causa do frio. Meu coração parecia que havia parado e uma dor insuportável percorria todo o meu corpo. Eu queria correr, sumir, voltar para aquela clareira e ficar apenas na companhia da rosa. Eu queria dormi agora mesmo e flutuar para outro mundo, simplesmente sair daqui e ir para um lugar feliz onde todos estão em paz... Onde ninguém morre.

__ O corpo foi levado para o Hospital do sul do centro. __ Continuou o Detetive. Ele suspirou e olhou por trás do ombro, para o Delegado. __ Estamos procurando alguma evidencia do assassino. Sabe se seu pai tinha algum inimigo? Sabe se ele brigava com alguém no trabalho? __ O Detetive olhou para seu bloquinho e leu algo. __ Ele trabalhava como cirurgião no Hospital perto da praça do centro, certo?! Talvez ele possa ter feito algum cliente insatisfeito que possa ter uma mente um pouco caótica e querer vingança ou algo desse tipo. Sabe de alguma coisa senhorita Any?

Eu não conseguia responder... Não conseguia achar a minha voz.

__ Any? __ Jeniffer sacudiu meus ombros.

Livrei-me de suas mãos e fiquei de frente para o Detetive.

__ A que horas encontraram ele? __ Perguntei com a voz tremula.

__ Ás quatro da tarde. __ Disse o Detetive.

__ E o que esses adolescentes estavam fazendo em Meygo? __ Minha voz se alterou. __ Ninguém vai pra Meygo! Todos têm medo dessa praia, é um lugar onde ninguém se atreve ai. __ Olhei para o delegado. __ Você sabe muito bem o porquê Delegado Flowrs. Há três anos, vários corpos apareciam em Meygo mortos de uma só vez, a praia ficou conhecida como uma praga depois disso! Todos tinham medo dela, varias pessoas que pisavam lá desapareciam! Então, que diabos esses garotos estariam fazendo lá? __ Gritei.

Não podia mais conter as lágrimas. Elas escorriam quente por meu rosto. Não importa se eu passei a odiar Fredd por ter ido embora, se passei a detestá-lo mais que tudo nesse mundo porque ele não quis ficar com agente... Passei apenas dois anos odiando ele, e quinze anos o amei como meu pai. Dói saber que ele morreu do mesmo jeito que doeu saber que ele tinha ido embora. Jamais quis esse destino pra ele, mesmo com aquele ódio todo. Apesar de negar isso várias vezes pra mim mesma, lá no fundo eu sempre quis encontrá-lo e enfrentá-lo pra perguntar por que ele não ficou com agente, porque ele preferiu ficar longe. Tudo bem que ele estava magoado e com raiva, com ódio de Jeniffer, todos nós ficamos, mas sempre quis saber por que ele achou necessidade de ir embora a uma noite sem que ninguém soubesse e nunca mais voltar, nem mesmo da noticias a ninguém. Ninguém sabia de seu paradeiro. Acho que o ódio dele ia muito além do que eu pensava.

O Delegado apenas olhou pra mim e balançou a cabeça para os lados.

__ Já fizemos essa pergunta para eles senhorita. __ Disse ele. __ São jovens e estavam apenas se divertindo vendo quem é mais corajoso de pisar na praia. Foi o que disseram.

__ Foi o que disseram. __ Repeti suas palavras sem emoção nenhum olhando fixamente para o Delegado e o Detetive. __ Isso não faz... Sentido. Quer dizer, ninguém, ninguém mesmo, vai praquela praia!

O Detetive e o Delegado se entreolharam.

__ Sabemos disso e estamos investigando isso melhor senhorita Any. Um dos garotos que estava com o grupinho...

Eu o interrompi.

__ Você nem precisa continuar... Um deles desapareceu não é? __ Perguntei já sabendo a resposta. Balancei a cabeça e encostei-me à parede. Minhas pernas estavam bambas e eu precisava de me apoiar em algum lugar ou em alguma coisa.

Ouvi um deles suspirar.

__ Sim. Um deles desapareceu. Foi um dos meninos que foram atrás de ajuda. Os outros disseram que ele correu pra chamar alguém, e disseram que não vira mais ele. Não o viram nem sair da praia... Disseram que...

__ Simplesmente desapareceu. __ Completei sua frase.

__ O que mais eles disseram? Viram alguma coisa? __ Perguntou Justin que havia ficado em silêncio assim como o resto do pessoal.

Ouvi mais um choro vindo da cozinha. Rikki.

__ Eles estão na delegacia agora para fazermos mais perguntas e o depoimento. Mas sim, eles responderam algumas perguntas: Disseram que não viram nada, que acharam o corpo sem vida na margem do rio e só tinham eles na praia... Como eu disse, disseram que estavam desafiando uns aos outros a entrarem na praia. Brincadeiras idiotas de adolescentes. __ Disse ele simplesmente. __ Perguntei se tinha algo estranho, se eles perceberam algo estranho e disseram apenas que a praia na hora estava com um cheiro de sangue. Provavelmente do cadáver que deveria estar lá há um tempo.

Meu estomago embrulhou e eu me lembrei do homem dos olhos violetas com sangue na boca, e também do forte cheiro de sangue que estava no meu quarto aquela noite.

__ Podemos falar com esses jovens? __ Ouvi Jeniffer perguntar.

__ Sim claro, passe amanhã na delegacia. Eles vão voltar amanhã também junto com os pais para assinar uns documentos. __ Disse o Delegado Flowrs.

Fechei os olhos com força, minha cabeça pendeu para trás encostando-se à parede. Sabia quem estava do meu lado. Ainda com os olhos fechados escorreguei até o chão e encostei minha cabeça em sua perna, em seu jeans surrado escuro. Senti Jackson se remexer para mais perto de mim de modo que encostei meu ombro em sua perna também.

Eu tinha uma breve noção de que Jeniffer fazia perguntas para o Detetive e para o Delegado, às vezes Justin também fazia algumas perguntas e voltava a chorar, mas eu não ouvia nada. Não queria ouvir nada. Shofy subiu para seu quarto ainda chorando. Rikki também passou por nós de cabeça erguida, mas não olhou para ninguém na sala apenas subiu para o seu quarto. Loh estava ao lado de Jeniffer segurando seus ombros como antes Jeniffer tinha feito comigo. As duas choravam muito.

Levantei-me e subi para meu quarto segurando a mão de Jackson e o levando comigo. Não queria ficar sozinha e apesar de ser reservado e não demonstrar muitos sentimentos a maior parte do tempo, eu sabia que ele também não queria ficar só.

Entramos no quarto e fomos direto para a cama, ele se deitou ao meu lado me puxando para mais perto de si e me abraçando.

Ficamos em silêncio por bastante tempo apenas ouvindo a respiração um do outro e o meu choro descontrolado. Quando parei de chorar, fiquei apenas olhando para a mão de Jackson que estava segurando a minha. Eu sentia o aperto não muito forte de sua mão sob a minha, ele estava nervoso. Ele não precisava falar, ou chorar, para eu saber no que estava pensando, até porque eu sabia que ele não iria falar nada porque Jackson sempre foi reservado, quieto e misterioso. Jamais se abria para ninguém, nem mesmo para mim. Todo o seu jeitinho era misterioso, seu sorriso era misterioso, seus olhos verdes esmeraldas era misterioso, seu jeito de andar com confiança, firmeza e com um jeito de superioridade era misterioso também. Jackson nunca deixava de me surpreender todos os dias, ele é o Bad Boy da casa. Mas muitos de seus atos não se comparam com um Bad Boy, como eu disse Jackson sempre me surpreendia com algum ato que eu jamais esperava dele. Ele sempre foi de ficar quietinho e na dele, sempre com seus pensamentos e calado pro mundo, mas eu sabia que ele observava, era quietinho, mas atento a tudo e a todos por perto. Jackson e eu sempre fomos unidos desde que éramos bebes, amamo-nos tanto que somos os mais unidos dentre os outros, não precisamos falar quando estamos tristes, pois um ou outro sabe que estamos sem ao menos abrir a boca. Não precisamos dizer quando queremos a companhia um do outro, apenas sabemos sem ao menos pedi. Sabemos quando um precisa do outro sem dizer nada... Apenas sabemos, apenas sentimos. Sempre foi assim. Sei como animar Jackson quando ele precisa assim como ele sabe como me animar quando preciso, também sei que se ele está muito calado o dia todo é porque não quer conversar sobre nada, algo aconteceu só que ele não vai falar, e é ai que eu sempre o chamo pra dormi comigo, ou então vou pro quarto dele (uma coisa que é um pouco rara). Mesmo felizes ou tristes eu e ele sempre brincamos um com o outro e fazemos piadas malucas um sobre o outro. Jackson ama implicar com Justin, vive fazendo piada das coisas que Justin gosta de colecionar e das notas dele, como Justin está no ultimo ano, Jackson não perde a chance de jogar praga para ele nos dias de provas. Eles não são como cão e gato, mas vivem implicando um com outro e no final saem rindo. Rikki também implica muito com o Justin, mas da parte dela já é por maldade mesmo. Jackson implica com todos, mas seu foco mesmo é mais no Justin, e às vezes até mesmo na Rikki que nunca se defende e sempre sai rindo.

Jackson não é tímido, ele não gosta de mentiras e sempre que mentem ele simplesmente não perdoa, não importa que mentira for, não importa o grau de mentira que for. Ele também não gosta de namorar, ele agarra uma garota por mais ou menos um mês – ou até mesmo por dias – e depois simplesmente para com tudo. Ele só namorou uma vez quando estava no ensino médio, acho que foi há quatro anos quando estava no primeiro ano, ele parecia ter gostado muito da garota no inicio, mas depois de seis meses eles terminaram porque Jackson não gostava mais dela. Simplesmente parou de gostar dela de um dia para o outro, e eu nunca entendi isso. E nunca perguntei o porque. Jackson se divertia mais com as motos, ele trabalha na Oficina do Boo há um ano, e ele adora aquele lugar. Nunca disse isso, mas eu sabia que ele adorava ficar lá. Ele gosta de concertar as motos, mexer em peças e ficar sujo de graxa, já fui varias vezes visitar ele no trabalho para levar um lanche ou só passar e da um oi, ele fica lindo no uniforme: Blusa sem manga branca que era bem justa em seu abdome (e vivia cheia de graxa), calça azul marinha de Brin com listras vermelhas nas laterais e com um bordado com o logotipo da oficina, que era uma moto preta com o nome logo abaixo: “Oficina do Boo” em vermelho e azul escuro. Ele trabalha apenas na parte da manhã em dias de semana e Sábado trabalhava na parte da noite, certas vezes quando Boo (o dono da oficina que por sinal é bem simpático e brincalhão) precisava, Jackson acabava tendo de trabalhar de manhã e de tarde, não é sempre, mas acaba acontecendo uma ou duas vezes por semana.

__ O que você acha que aconteceu? __ Perguntei ainda olhando para nossas mãos.

Ele suspirou e eu senti ele se aconchegar pra mais perto de mim.

__ Não sei Any. Não faço à menor ideia... Você tem razão, é estranho os adolescentes estarem na praia, mas não acho que tenha sido eles. __ Falou. __ Também é estranho Fredd estar na praia, quer dizer, o que ele estaria fazendo lá antes de ser morto, ou melhor, quem o estaria prendendo, porque eu acredito que ele estava sendo mantido preso em algum lugar por lá.

Levantei um pouco a cabeça e olhei em seus olhos.

__ Acha que ele foi sequestrado? Mantido preso esses anos todos? __ Questionei.

__ Talvez, não tenho certeza. Mas é uma possibilidade.

__ Que tipo de pessoa faria isso? Que tipo de psicopata você acha que pegou Fredd?

__ Não sei Any. Nunca soube de nenhum inimigo que Fredd possa ter tido. Com os clientes no hospital ele sempre foi muito bom, atencioso e cuidadoso, ele era um ótimo cirurgião e ninguém jamais morreu em nenhuma cirurgia feita por ele. Pelo menos não que eu saiba.

Ele tinha razão, Fredd era um ótimo cirurgião, sempre amigo dos clientes e ninguém jamais morreu em nenhuma cirurgia que ele fez. Todos adoravam Fredd e seu jeito. Ele era um pouco brincalhão e divertido, sempre de bom humor com as pessoas, sempre trazia presentes assim que chegava do trabalho para agente quando éramos crianças. Para Rikki um kit infantil de maquiagem, para mim um chapéu de Cowboy, para Justin um livro, para Shofy um diário, para Jackson jogos de tabuleiro ou carrinhos, e para Loh casinhas de boneca pequenas.

Lembro de ele brincar de cavalinho comigo quando tinha cinco anos de idade, já que a mamãe não me deixava montar em nenhum cavalo de verdade, eu tive que me contentar com as costas de Fredd. Lembro de ele brincar muito com Jackson e Rikki também, a brincadeira favorita dos dois era o pega-pega, Jackson e Rikki viviam correndo pela casa gritando, Jackson amava correr e Rikki amava soltar seus gritinhos finos. Justin desde pequeno gostava de livros, então Fredd sempre trazia de presente pra ele um livro, e quando chegava à noite sempre lia pra ele dormi. Shofy sempre foi a tímida e quieta da casa, a mais comportada de todas, então papai brincava de mímica com ela, e ela amava. Loh também era a comportada, mas de longe era a mais tímida. Ela gostava de brincar de casinha com Fredd e com Jeniffer juntos.

Fredd podia chegar cansado e tarde do trabalho, mas jamais dispensava uma farra com os filhos. Sempre que chegava, todos nós caiamos em cima dele empurrando-o pro chão, ele nos fazia cócegas e sempre fingia que era um monstro que iria nos devorar, então todos nós saiamos correndo e ele corria atrás para tentar nos pegar. Quando a noite chegava, ele passava em cada um de nossos quartos para dar boa noite e apagar a luz. Nós o chamávamos de Paizão.

Mas tudo isso fora quando éramos crianças. Tudo já passou. Crescemos. Tudo acabou.

Jackson beijou o topo da minha cabeça e apertou mais a minha mão. Fiz o mesmo.

__ Dorme um pouco. __ Diz ele em voz baixa, um sussurro rouco.

__ Não estou com sono.

__ Nem eu.

Ele soltou minha mão e acariciou meu braço.

Equilibrei-me com o cotovelo na cama para olhá-lo melhor. Eu podia ver em seus olhos as duvidas. Duvidas que até eu tinha. Varias perguntas sem respostas, varias perguntas com respostas que não se encaixam... Respostas falsas. Mentiras. Tudo sem sentido.

Curvei-me e lhe dei um beijo demorado na bochecha.

__ Amo você. __ Disse simplesmente.

Algo mudou em seus olhos. Dor? Paixão? Angustia? Alivio? Como sempre, ele era indecifrável. Misterioso. E as vazes até confuso.

Ele me puxou de volta para perto. Ficamos a centímetros de distancia, nossos rostos quase se tocando. Ele esticou seu rosto para mais perto e sussurrou em meu ouvido.

__ Any... Eu te amo mais que tudo nesse mundo. __ Sua voz rouca me provocou arrepios.

O que era isso? Porque meu coração martelava como se fosse explodir? Eu não sabia. Ou talvez, até poderia saber. Mas eu não queria pensar nisso, não podia me permitir pensar nisso.

Nos olhamos por mais algum tempo sem nem ao menos piscar, sem nem desviar os olhos. Ele beijou o alto da minha testa demoradamente e eu fechei os olhos desfrutando da sensação de seus lábios na minha pele, e então me puxou para seu peito.

Eu me sentia tranquila, segura, confortável, amada. Só Jackson despertava esses sentimentos em mim. Só ele conseguia com que eu dormisse mesmo não estando com sono, mesmo não querendo dormi. Mas acabei dormindo e pela primeira vez em muito tempo, sem nenhum sonho bom ou ruim.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Porfavor comentem o que acharam! bs!