Meygo estava fria. Tão congelaste que eu poderia jurar que o mar estaria coberto por uma grossa camada de gelo.

Meygo estava totalmente escura, sem nenhuma luz. Mas por causa dos meus olhos que brilhavam intensamente, eu podia enxergar um pouco o caminho e as árvores que passava.

Eu não estava arrependida. Não queria voltar. Eu achei que assim que eu colocasse o pé em Meygo me arrependeria e correria de volta para casa. Mas não. Eu estava confiante e segura do que estava fazendo. Algo dentro de mim me fazia dar cada passo para mais e mais dentro de Meygo sem hesitar... Mesmo que eu não conheça a ilha. Não fazia ideia para onde estava indo, apenas andei sem pensar em nada, deixei meus pés me levarem.

Todos estavam tomando decisões por mim. E isso já estava me cansando. Eu estou com tanto ódio de todos, queria gritar e machucar alguém.

Parei com esse pensamento. Pisquei varias vezes e balancei a cabeça tentando espantar o pensamento.

Eu estou ficando louca. Estou fora de mim. Sou um perigo...

__ Que bom que veio. __ Virei-me para o lado e encarei Leviathan. Seus olhos estavam negros e seu rosto sujo de sangue. Meu estomago roncou com a visão de tanto sangue. Engoli em seco. __ Veio cedo. Esperava te ver daqui a quatro dias na lua cheia.

Não disse nada, apenas continuei a encará-lo focando no sangue.

Ele sorriu.

__ Venha comigo. Vou lhe dar o que precisa. __ Ele se virou e andou para dentro de Meygo desaparecendo na escuridão.

Sem nem hesitar corri para alcançá-lo.

__ Como sabe do que eu preciso? __ Perguntei andando ao seu lado.

__ Porque eu sinto. Você está fraca... __ Ele parou de repente. Virou a cabeça lentamente e me encarou com os olhos arregalados e banhados pela cor preta. Era uma imagem horrível, mas não me apavorei, já estava acostumada.

__ O que foi? __ Perguntei com a voz fraca.

Ele continuou a me encarar e se afastou dois passos. Depois deu um passo para frente novamente meio hesitante.

__ Mas que diabos é isso? __ Perguntou ele com a voz tão diabólica e grossa que me fez encolher e abaixar a cabeça.

__ Do que você está...

Ele chegou perto de mim tão rápido que tomei um susto. Ele estava totalmente colado em mim, e de repente começou a me cheirar como um cachorro desesperado.

__ O que você está fazendo? __ Perguntei sussurrando.

Ele segurou meus braços com força e continuou a me cheirar. E então se afastou bem lentamente encarando o céu. Segui seu olhar, mas não vi nada a não ser um céu escuro sem estrelas.

__ O que...

__ Anjo. __ Sua voz saiu tão fraca e assombrada. Olhei em volta, mas não vi nada ou ninguém.

__ Onde? Eu não vejo...

__ Você! __ Gritou ele me interrompendo. Arregalei os olhos e dei mais um passo para traz.

__ Eu não entendo...

__ Você tocou em um anjo! __ Sua voz era tão feroz, tão grossa e maligna. Senti um frio correr por minha espinha.

Me afastei mais e acabei encostando em uma árvore.

__ Como pode? __ Gritou ele.

__ Eu não faço ideia do que você está falando! __ Gritei de volta assustada. __ Eu não conheço ninguém... Sobrenatural a não ser você! __ E então balancei a cabeça e desviei os olhos para o chão escuro. __ Tirando as minhas amigas...

__ Então como explica esse cheiro? __ Gritou ele levantando as mãos para cima. __ Esse cheiro forte... Esse odor nojento... Conheço bem esse cheiro, é de um Anjo! Não negue!

__ Negar? __ Gritei. __ Não sei do que você está falando! Não sei quem é anjo e também não sinto cheiro nenhum! __ Dei alguns passos hesitantes para perto dele. __ Eu juro... Não sei de nada. As únicas pessoas com quem convivo são a minha família... Minhas amigas, e o pessoal da escola que por sinal eu nem tenho visto porque nem tenho ido à escola já há um tempo.

Ele não disse nada, apenas continuou a me encarar com raiva. Suas mãos estavam em punho.

__ Eu... Eu juro. Não conheço ninguém desse... Desse mundo Sobrenatural. __ Falei mais baixo. Eu estava um pouco desesperada e com medo, nunca vi Leviathan tão furioso e ameaçador... Parece que ele vai pular no meu pescoço e arrancar minha cabeça fora. E depois com certeza iria comer meu coração. __ Eu juro. __ Sussurrei novamente.

Ele fechou os olhos por alguns segundos e então virou a cabeça e olhou para o lado pensativo.

__ Você chegou perto de um anjo. __ Disse ele um pouco menos feroz, um pouco menos demoníaco. Abri a boca para falar, mas ele falou primeiro: __ Você pode não ter percebido, mas você chegou perto de um, e encostou-se nele ou nela com certeza, porque se não o cheiro não estaria tão forte assim.

Ele olhou para mim.

__ Porque veio? __ Perguntou ele com a voz grossa.

Antes dessa confusão repentina, ele parecia feliz em me ver aqui. Agora parece que nem tanto.

Dei de ombros e olhei para o chão.

__ Não quero mais ficar lá. __ Sussurrei. __ Já cansei de viver de mentiras e cansei de todos vocês tirarem partes da minha memória. Isso é decisão minha não de vocês. __ Levantei a cabeça e encarei-o com mais determinação e menos medo. __ Quero minhas lembranças de volta! Quero saber de tudo, quero saber do mundo que vim... Da vida que teria se não tivessem apagado minha memória... Eu quero...

Leviathan me interrompeu:

__ Você quer ser o que você realmente é. __ Olhei para ele e assenti. Sua expressão se suavizou e seus olhos bem lentamente voltaram ao violeta brilhante. __ Tudo bem... Vou lhe mostrar seu verdadeiro mundo minha querida. __ Então ele contorceu o rosto em uma careta de nojo misturado a raiva. __ Mas antes vamos desinfetá-la!

Dei um meio sorriso.

Ele começou a andar novamente para dentro da ilha. Caminhei um pouco atrás dele.

__ Então... Para onde exatamente estamos indo? __ Perguntei.

__ Para casa. __ Mesmo sem ver o seu rosto, eu sabia que ele estava sorrindo ao dizer isso.

__ Vai levar um tempo pra me acostumar a isso. __ Sussurrei. Leviathan riu um riso seco e sem vida. __ Onde é essa casa que você está falando?

__ Não é exatamente uma casa. __ Disse ele. __ É o meu esconderijo... Acha mesmo que eu deixaria uma casa, ou qualquer coisa do tipo, visível para os inimigos? __ Ele riu novamente. Parecia um monstro, mais do que já era, quando ria. __ Você verá.

Continuamos andando em silêncio incomodo por mais ou menos meia hora até chegar o meio da ilha onde ficava o famoso vulcão adormecido. Em qualquer lugar de qualquer praia era possível ver a ponta do vulcão o resto era rodeado pelas folhas verdes das varias árvores que tinha na ilha.

Leviathan parou de andar, e eu fui para seu lado.

Ele encarou a terra por longos segundos. Eu estava prestes a dizer alguma coisa, mas então ele estendeu a mão aberta e se agachou encostando a mão no chão e murmurando palavras em outra língua. Sua voz não estava normal, era demoníaca e muito grossa.

Sobrenatural.

E então tudo tremeu. Cai no chão e tentei me arrastar para perto de alguma árvore para me segurar. Isso era terremoto? Ou era Leviathan fazendo isso? A segunda opção era mais provável.

A voz de Leviathan ficou mais forte e mais alta. Um estranho eco rondava a ilha com sua voz, fazendo-me tremer de medo. Parecia que sua voz estava em todo o lugar da ilha, indo e vindo.

Senti minhas pernas sendo puxada. Agarrei-me mais forte a arvore tentando lutar contra esse puxão que ficava mais forte.

__ O que está acontecendo? __ Gritei. E então fui puxada mais uma vez com mais força. Meus braços se soltaram da arvore e fui arrastada para algum lugar.

E então fui puxada para baixo. Gritei enquanto caia em algum buraco escuro e fedendo a podridão. De repente perdi o ar ao bater as costas e a cabeça com força no chão. Tudo começou a girar mesmo no escuro. Lentamente me virei de lado ainda no chão... Mas tinha algo mais ali, algo grudento e viscoso, com cheiro de ferrugem e de decomposição misturado com o cheiro do mar. O cheiro era forte e fazia meus olhos arderem, mas não por causa da mudança de cor, pois meus olhos já estavam violetas.

O local estava muito mais escuro do que lá fora. Era quente ali dentro.

Minha boca salivou, meu corpo tremeu pelo desejo e minha barriga gritou desesperada. Sem nem pensar, virei-me de barriga para baixo e lambi o chão como uma louca desesperada.

O sangue não era fresco, e estava com um gosto um pouco podre misturado com a areia. Mas eu estava com fome já há um tempo, não conseguia para de lamber o chão. Isso era ridículo, mas eu precisava disso.

Uma risada sombria ecoou pelo local.

__ Ah Any. __ Sussurrou Leviathan. __ Não precisa comer as sobras minha querida. Você irá ter o melhor e o mais fresco, não precisa da sobra. __ Ele riu novamente.

Então me levantei e tropecei em alguma coisa caindo novamente. Quando tateei o chão, senti o sangue novamente, e mais uma coisa... Parecia papel, ou algo do tipo... Tateei novamente e encontrei algo parecido com grama, mas não era grama. Parecia... Cabelo. Desci mais a mão e então encostei em pequenas pedrinhas estranhas e lisas... Dentes.

Minha respiração acelerou e deixei escapar um gemido.

Continuei a tatear para ter certeza de que não fosse o que eu estava pensando, que fossem apenas coisas da minha imaginação.

Tateei mais para baixo e encontrei galhos de arvores... Ou não. Estavam frágeis e menos ásperos, e na verdade não pareciam exatamente galhos. Pareciam... Ossos.

Minha outra mão tateou ao lado do meu corpo... E encontrei dedos molhados com um liquido viscoso.

Com isso, me levantei abruptamente e andei para trás com o sapato grudando no chão por causa do sangue. Tropecei novamente e cai em algo que se partiu no meio. Mais ossos.

Minha respiração ficou mais rápida que o normal, eu estava em choque. Mas que diabos é esse lugar? O inferno?

Ouvi novamente a risada de Leviathan. E então ele estava atrás de mim me levantando e me puxando para trás.

Subimos uma pequena colina, eu tentava me equilibrar, mas acabava tropeçando e quase caia ao chão novamente se não fosse Leviathan me puxando de volta com força. O chão estava limpo dessa vez, era apenas areia agora.

__ Venha. __ Disse ele segurando meu braço e me puxando para o escuro. __ Vou te alimentar... E te limpar. __ Ele riu novamente.

Eu ainda estava em choque, minha respiração ainda rápida, minha cabeça girando e meu corpo cheio de dor por causa da queda.

__ Ah pare com essa cara de assustada! __ Disse Leviathan em tom sério. __ Não pode deixar que te vejam assim Any, você é filha de um dos demônios mais temidos e poderosos... Precisa ser forte e guerreira! Precisa ser fria!

__ O que... O que era aquele lugar? __ Perguntei tremendo e me encolhendo.

__ O fosso. __ Disse ele como se fosse à coisa mais normal do mundo. __ Eu te traria pela entrada na água como da ultima vez, mas ainda não está na hora, e também aquela entrada é só para os sereianos...

__ Fosso? __ Minha voz saiu tremida e fraca. Ele estava andando rápido demais e meu corpo estava doendo muito. Eu queria descansar um pouco... E queria comer. Tentei não pensar na ultima frase, mas eu estava muito curiosa.

__ Fosso, lixo, cemitério, cova, __ ele deu de ombros __ ou como você preferir chamar. Ali é onde jogam os restos depois que acaba, ou as sobras. __ Ele riu.

Um frio horrível, e ao mesmo tempo estranhamente bom, percorreu minha espinha.

__ Então, só entra os sereianos pela água? __ Quis saber.

Leviathan continuou a me puxar com força para dentro do túnel escuro.

__ Normalmente sim. A entrada é um túnel subterrâneo bem escondido e bem fundo. Mas os sereianos são os que mais usam. De vez em quando alguns demônios usam também quando pegam algum humano. __ Ele riu novamente.

Meu estomago roncou novamente.

__ Você esta fedendo muito, se você não fosse minha filha eu já teria te matado. __ Perguntou ele.

__ Achei que estaria feliz em me ver aqui. __ Leviathan me puxou forte quando tropecei e quase cai. Meu braço já estava doendo, mas estranhamente não me incomodava.

Leviathan ficou sério.

__ Nunca fico feliz. __ Respondeu ele amargamente. __ Mas finjo ser. __ E então voltou a rir. __ Gosto sim de te ver aqui, mas não com cheiro forte de Anjos __ Ele cuspiu a ultima palavra com nojo e apertou mais meu braço. __ Fico surpreso, como já disse, em te ver aqui. Você só iria voltar na próxima Lua Cheia.

__ Seria o dia em que recuperaria minhas lembranças? __ Perguntei com a voz mais elevada e a raiva já evidente.

__ Sim. Pelo menos as que eu tirei de você. __ Disse ele. __ Mas não posso fazer nada quanto às lembranças que outras pessoas tiraram de você.

Tentei me soltar de seu aperto com um puxou que fez parecer que me braço iria soltar de meu corpo.

__ Porque tirou minhas memórias? __ Perguntei brava.

__ Foi necessário. Você estava muito assustada, e a Lua iria tirar suas lembranças também, pelo menos no momento em que você colocasse os olhos nela. __ Explicou ele. __ Eu sabia que você ficaria louca se lembrasse de tudo. Veja bem, não sou um demônio tão ruim por querer que você lembrasse-se das coisas na hora certa ou pelo menos bem devagar, de um modo que não te deixasse tão apavorada. __ Ele deu um sorriso que eu sabia ser falso.

Leviathan continuou a me puxar. Parecia que estávamos andando a meia hora e não chegávamos a lugar nenhum. Eu não conseguia ver muita coisa, era tão escuro. De vez em quando meu outro braço esbarrava em uma parede bem áspera e um pouco molhada.

__ Pra onde estamos indo? __ Perguntei sem paciência.

__ Já disse. __ Respondeu ele secamente.

__ Mas...

__ Já estamos chegando. __ Disse ele me puxando mais rápido. __ Não seja impaciente, e pare de fazer drama. Haja como um verdadeiro Demônio que você é!

Abri a boca para responder, mas ele apertou mais o meu braço, e eu me calei.

Andamos por mais alguns minutos em silêncio, somente o som da minha respiração acelerada e o eco da caverna. E então, tudo clareou de repente. Sem enxergar nada, deixei Leviathan me puxar mais. Só que a cada passou eu caia no chão por não enxergar nada.

Comecei a ouvir murmúrios de todos os lados, alguns pertos outros longes.

A luz forte começou a diminuir e eu voltei a enxergar aos poucos. Vi vultos escuros e pontos brilhantes, e bem lentamente minha visão começava entrar em foco.

Os vultos eram pessoas. Todas vestidas de negro, algumas com roupas rasgadas e sujas, outras bem arrumadinhas usando roupas curtas ou sociais. Os olhos de todos eram negos, seus rostos eram sérios e assustadoramente sombrios. Os olhos negros eram dos estranhos que tinham pernas que estavam me cercando com curiosidade estampada em seus rostos sombrios.

Mas os olhos violetas eram dos estranhos com caudas.

Algumas estranhas criaturas a olhavam com os olhos violetas bem brilhantes. Eu podia ver os dentes pontudos com varias fileiras, como a boca de um tubarão. Elas tinham umas caudas de peixe de varias cores diferentes no lugar das pernas. Estavam sentadas nas pedras grandes e pequenas que cercavam um lindo lago azul brilhante. Todas pareciam curiosas também, algumas pareciam assustadas. O rosto de cada era sombrio como as das pessoas de olhos negros, mas havia algumas de olhos violetas com a expressão suave, parecia que algumas estavam com medo.

Mas quem estava assustada era eu. Minhas mãos começaram a suar ao olhar para todos ali. Minha cabeça começou a doer e meus olhos arderam com muita intensidade.

O cheiro do mar era bem forte ali dentro. O lugar era estenço e cercado por areias claras e um lago enorme onde estavam as criaturas com caudas. Tinha muitas pedras escuras grandes e pequenas. Muitas pessoas de preto estavam lá olhando para ela de cima a baixo. Em alguns lugares eu pude ver cabanas, casas e barracas. O que mais tinha era cabanas, e as casas ficavam no que até então eu achava ser as paredes que rodeavam o lugar. As casas estavam cravadas nas paredes, duas estavam com as luzes acesas, mas a maioria estava com as luzes apagadas. O lugar era iluminado por luzes amareladas, o que fazia parecer que era uma caverna abrigando sem tetos. Mas eu sabia que não era isso.

No meu lado esquerdo, a caverna se estendia para muito mais alem, e parecia ser muito iluminado para aquele lado. E no meu lado direito, tinha um túnel estenço que ficava próximo ao lago, o túnel ia além do que eu conseguia ver agora, a luz começava a se apagar até ficar completamente escura. Eu tinha certeza que lá pra dentro deveria ser um breu como no túnel do fosso.

As criaturas que me cercavam faziam parecer que o lugar estava ficando escuro, mesmo com a luz amarelada. Era tanto preto ao meu redor... Tirando o lago azul brilhante e as criaturas de caudas de peixe que estavam em volta ou dentro dele. Acho que aquela área do lago deveria ser a área mais iluminada.

As criaturas metade peixe irradiavam brilho.

__ Esses é seu povo Any. __ Sussurrou Leviathan bem próximo ao meu ouvido. Meu coração espancava meu peito, e eu não conseguia para de olhar em volta como uma louca. __ Esse é o nosso reino. Esses são nossos escravos. __ Continuou a sussurrar ele. Seu hálito fedia fortemente a sangue e algo podre.

Minha respiração estava acelerada.

Olhei para cima e vi uma abertura em forma de O bem no alto, onde dava para ver o céu escuro com poucas estrelas. Ficava bem em cima do lago. Era o cone do vulcão... Estávamos bem no centro do vulcão de Meygo.

Minha cabeça doeu mais forte e levei a mão na têmpora direita massageando bem devagar. Um estranho brilho passou pelos meus olhos me segando por breves segundos. Uma estranha sensação de déjà vu e reconhecimento me domou ao olhar para o topo do vulcão.

Eu já estive aqui.

Pelo canto do olho, vi uma criatura de cabelos brancos e compridos, que tapavam seus seios, sair do lago azul e pular para a pedra. Seus olhos cravaram em mim assim que me viu. Ela se arrastou um pouco pela pedra chegando mais perto para ver melhor.

E então se jogou na areia sem desviar seus olhos, e dez segundos depois sua parte peixe sumiu dando lugar as pernas pálidas. Ela estava totalmente nua, a única coisa que impedia seus seios de aparecerem era por causa do longo cabelo. Ela se ajoelhou e ficou de pé lentamente, deu dois passos para perto e parou encarando Leviathan. Sua postura era firme e segura, mas seus olhos banhavam de medo.

Ela abaixou a cabeça e falou:

__ É ela meu Lorde? __ Sua voz era firme e meiga, tão aveludada e doce que estranhamente me fez corar. Ela continuava com a cabeça baixa.

__ Sim Serena. __ Disse ele com a voz grossa e autoritária. Olhei para trás e encarei-o, seus olhos estavam pretos me encarando. __ Veio antes da hora. O que é melhor ainda. Quando chegar o dia, ela já estará um pouco acostumada com isso... E você ajudará em tudo! Tudo o que ela precisa você fará! __ Ele encarou a garota que ainda estava de cabeça baixa, mas com as mãos unidas em frente ao corpo e com os ombros encolhidos. Leviathan olhou em volta com o rosto sério e sombrio, ele era o mais assustador de todos aqui. __ Isso serve para todos vocês! __ Gritou ele. Ninguém parecia se atrever a olhar diretamente para ele. Todos baixavam a cabeça como se estivessem tentando se esconder e não serem notados, ou com medos de encarar o Demônio feroz.

Leviathan segurou meu braço e me arrastou para o lado esquerdo. O lado mais iluminado.

Enquanto ele me puxava, eu olhei para trás e encarei todos. Eu estava assustada antes, mas agora não. O medo passou rápido. Continuei a encará-los até virarmos no túnel iluminado e eles saírem da minha vista.

Uma estranha sensação de conforto me domou.

Eu me senti em casa.

Senti que estava no lugar certo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.