Lost Wings

1 Era uma vez...


Notas iniciais
Estou repostando esta fanfic que escrevi em 2014 como um presente para minha querida Alicia.

Gostaria de agradecer a todos que inspiraram os personagens desta história.

Boa leitura!

Naquela manhã de primavera, a luz do sol estava mais fraca e as pequenas sílfides brincavam no ar por cima do jardim da Sra. Olívia. O jardim da velhinha era magnífico, tinha uma variação de flores interessante, de Tulipas a Margaridas.
Em uma parte do jardim, as rosas se abriam, e em uma delas revelava-se uma pequena fada bocejando e se esticando; uma fada com um brilho rosado fraco, mas que nem sempre foi assim.

∙ALGUNS ANOS ANTES∙

A tempestade piorava a cada minuto e Alicia tinha sido atingida por um pingo de chuva. Eles parecem ser inofensivos, mas para quem tem dez centímetros de altura pode não ser algo bom.

Alicia estava caída no chão, havia rolado pra debaixo de uma planta o que a ajudou um pouco contra a chuva. Assim que recuperou a consciência viu algo grande olhando para ela, bom digamos que noventa centímetros eram algo grande comparado a altura dela. Era um gnomo gordinho, ele a pegou com cuidado e a encarou de perto.

— Ballidag o que você está fazendo?! Está perigoso aqui, temos que ir!

Gobe gritou por conta do barulho.

— Eu achei uma fada caída na terra!

Disse se aproximando do outro gnomo.

— Que seja! Temos que sair daqui! Levaremos ela pro refúgio, tem fadas abrigadas lá também.

Gobe retrucou puxando Ballidag para dentro da floresta.

Assim que entraram na floresta avistaram luzes alaranjadas que caíam como estrelas cadentes. Eram pontinhos pequenos que iam se apagando conforme caíam entre as árvores. Os gnomos continuavam a correr e a tempestade ia diminuindo por algum motivo. Ballidag estava tão assustado com a situação que tropeçou, deixou a pequena fada cair e ela ficou ali, caída no chão frio entre as folhas.

O gnomo estava distraído demais para lembrar que estava com a fada e a deixou escapar da mão; Alicia mais uma vez estava na terra. Ela tentou se levantar, no entanto foi uma tentativa em vão. De repente uma luz alaranjada começou a se aproximar enquanto as outras luzes estavam caindo e se apagando, mas essa luz não era como as outras, ainda estava acessa e tinha uma forma familiar.

— Você está bem?!

Era uma fada também, Alicia ficou aliviada.

— Si... Sim... Quem é você?

Sua voz saiu fraca, ela estava machucada, não estava raciocinando bem, pois sabia que era uma salamandra só pelo seu brilho; elas estavam em guerra com as sílfides. Ela não sabia ao certo o porquê disso tudo e nem quem era o "lado ruim".

— Meu nome é Paradis, eu caí e segui seu brilho.

Ela olhou para Alicia analisando seus arranhões.

— Você está machucada, venha! Eu vou te ajudar.

Falou segurando Alicia e pondo sua mão no pescoço. Andou com ela até um buraco de uma árvore que parecia seguro e a deitou no chão.

— O que está acontecendo lá em cima?

Alicia disse com a voz ainda fraca.

— Estamos perdendo a guerra. Sabe, nós não somos más, nós só queremos conviver junto com as outras fadas em harmonia, estamos cansadas do cheiro de enxofre, da lava quente que pode nos matar a qualquer hora...

— Mas as sílfides sempre conviveram em paz conosco.

— Elas têm medo de nós, porque somos fortes, elas têm medo de perder o título de "superiores".

Alicia percebeu um ferimento no ombro da fada que brilhava um pouco menos agora.

— Você também está ferida.

Alicia comentou olhando fixamente para o ferimento.

— Ah sim. Não é nada, salamandras são fortes.

Retirou um vidrinho de algum lugar da roupa que usava e esticou a mão para entregar a Alicia.

— Tome, você vai ficar melhor, vai dar um jeito nos seus arranhões.

— Não obrigada, você deve estar precisando mais, olha o tamanho do seu ferimento.

Disse Alicia apontando para o corte.

— Eu vou beber também, tem o suficiente para duas, só beba primeiro, eu me preocupo com as outras fadas.

Paradis sorriu convencendo Alicia a tomar o que tinha no vidrinho.

Escolha errada.

Alicia desmaiou, não tinha nada que curasse ou fizesse alguém melhorar naquele vidrinho, havia apenas um líquido que fazia qualquer um que tomasse adormecer. E Paradis não era qualquer salamandra, era a rainha delas e faria qualquer coisa para sobreviver.

E ela sabia um feitiço capaz de deixá-la mais forte e se recuperar daquele ferimento mortal causado pela rainha das sílfides, mas para isso ela precisaria de algo muito poderoso e de extrema importância: as asas de uma fada e ela achou um par fácil de obter no meio da floresta.

***

Agora aquele brilho rosado e forte havia diminuído, pois suas asas haviam sido arrancadas e ela não lembrava quem havia feito isso, ela tinha apenas pequenas lembranças do pingo de chuva, do gnomo gordinho, das fadas caindo e da luz alaranjada que nunca iam sair da sua cabeça.
Ela não vivia mais com as fadas que moravam nas árvores, pois tinha sido rejeitada por alguns medrosos que pensavam que ela tivesse adquirido algo contagioso, uma doença, que fizesse uma fada perder as asas. Ou que ela não fosse uma fada, fosse alguma criatura disfarçada tentando se encaixar e tirar proveito do reino. Todos bobos, pensava.

Alicia levantou-se e viu a velhinha gentil sair da casa para cuidar das flores como sempre fazia pela manhã. A Sra. Olívia gostava mesmo das flores, ela era viúva e se apegou as flores que havia plantado no jardim. Alicia, sempre que podia, olhava pela janela admirando a vida da senhora, e tudo que os humanos faziam.
Ela desceu pelo caule da flor quase caindo no chão e saiu correndo antes que a doce velhinha jogasse a água nas plantas. Logo em seguida seguiu para a árvore do jardim, onde havia uma casinha de criança que não tinha sido utilizada há muito tempo pelos netos da Sra. Olívia.
Era uma casinha de madeira embaixo da árvore, havia uma pequena varanda e algumas pinturas na porta, desenhos de flores feitas por crianças. Ela gostava de ficar lá quando a velhinha saía para cuidar das flores, lá dentro havia brinquedos velhos, mas divertidos para uma fada de dez centímetros que não se atrevia a entrar naquela floresta desde o ocorrido.

Notas finais
Obrigada por ler, adicione à sua biblioteca para acompanhar, tem apenas 10 capítulos.