Lost Souls (Tyllory)
2 1. Mallory
Mallory's POV
Meu nome é Allison, mas a maioria das pessoas me conhecem como Mallory. Mentira. Elas não me conhecem merda nenhuma. Dificilmente elas querem saber a porra do meu nome. Mas, no meu trabalho, quando perguntam por educação ou por algum tipo de interessezinho escroto, eu digo Mallory.
Não quero nenhum filho da puta me chamando pela droga de nome que a vaca da minha mãe me deu. Eu gosto e pretendo continuar gostando dele. Por isso não o deixo ir para a boca de qualquer idiota.
Então, basicamente, a única que sabe meu real nome é Rachel. Ela é minha colega de trabalho, se é que posso falar assim. E, além disso é o mais próximo que posso ter de uma amiga. Ela é minha vizinha. Mora em uma casinha toda fodida ao lado da minha, que é umas três vezes pior que a dela. Mas, o que podemos fazer? Anda tão difícil fazer algum dinheiro nessa porra de cidade.
Além do meu nome, eu também minto sobre minha idade. Ninguém está se fodendo muito para documentos e toda essa merda, então eu apenas preciso dizer e era verdade. Para todas as circunstâncias eu tenho 21 anos. Eu preciso ser maior de idade para trabalhar no que eu trabalho, o que meus reais e fodidos 17 anos não me proporcionam. Então... É isso.
Moro em Detroit. Sim, a merda da cidade do automóvel. Eu sei, isso parece demais e essa porra toda... Mas não é. A cidade está fodida, e a maior parte das pessoas também. Tirando alguns riquinhos filhos da puta, que trabalham na industria automobilística ou em grandes escritórios de advogados de merda. Quase ninguém aqui tem dinheiro para comprar a porra de um carro novo e a tal da justiça não existe nessa vida de merda. Então, não entendo direito qual é o objetivo dessa porra toda, mas foda-se. Tenho mais o que fazer da vida. Como, por exemplo, arrumar dinheiro pra pagar a merda de aluguel que já está atrasado a uns fodidos meses.
Sou uma vadiazinha. Sim, é isso mesmo. Sou uma stripper. Trabalho, com a Rachel, na porra do FoxballClub. O stripp-club mais famoso dessa cidade ferrada. Aquela merda que arranca a maior parte do nosso faturamento quando nos coloca pra dançar naqueles canos filhos da puta e fazer outras coisas imagináveis ou não. Mas eu tenho meus limites. Praticamente nasci dentro dessa merda.
Minha mãe trabalhava lá, então, digamos que eu conheço o dono daquela pocilga desde sempre. Por isso, já tenho, a algum tempo, alguns acordos muito bem fechados com ele. Não chupo ninguém, não faço nada sem a porra da camisinha, não deixo nada entrar na merda do meu rabo. N-a-d-a. Os clientes que não gostam das minhas exigências é que se fodam. Não deixo nenhum filho da puta beijar minha boca ou fazer sexo oral em mim. Não quero a merda da saliva desses escrotos dentro de mim. Então, basicamente, eu os deixo me ver dançar na merda do cano, faço um strip-tease, os deixo olhar pro meu corpo feito idiotas cretinhos e babões que são. E posso bater uma ou deixar que eles me comam, mas sempre com a porra da camisinha. Fim. Isso é o que eu faço na bosta do meu grande e enriquecedor trabalho.
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Agora estou na casa da Rachel, ela me pediu para olhar as crianças enquanto ela ia ao médico. Sim, ela tem dois filhos gêmeos. Julie e Mark. Se é que eu tenho algum tipo de sentimento, com certeza, é por eles. São amáveis e inocentes. Ainda não foram contaminados pela maldade do mundo e pelo egoísmo. Ainda.
Sentada, olhando pra eles, lembrei da minha infância, que foi curta pra porra. Assim como eles, eu era filha de uma stripper. Minha mãe era nova demais quando eu nasci e ainda era nova demais quando morreu. Uma overdose de drogas, foi o que o médico disse para Rachel, que me acompanhou até a merda do hospital quando minha mãe foi levada pra lá as pressas
Daquele dia em diante duas coisas aconteceram em minha vida. Prometi para mim mesma que nunca usaria drogas, a não ser que quisesse morrer. E Rachel cuidou de mim como uma irmã mais velha, e foi mais ou menos isso mesmo que ela se tornou pra mim. Ela me sustentou por anos com seu próprio trabalho, até o dia que eu disse que ela não teria mais que trabalhar dobrado por mim e comecei a trabalhar na mesma merda de lugar que ela.
Voltando minha mente para o presente, observei novamente meus sobrinhos brincando com brinquedos velhos. Eu, sinceramente, espero que eles tenham mais sorte que eu na vida.
Olho para a merda do relógio digital velho na parede. Rachel já devia estar chegando. Eu ia ter que sair correndo para não me atrasar pra porra do serviço. Não podia me dar ao luxo de perder dinheiro. Além dos meses de aluguel atrasado, daqui a algumas semanas seria o aniversário dos gêmeos e eu, como a merda de madrinha e tia que era tinha comprar um presentinho fodido que fosse.
Rachel abriu a porta da sala e eu me levantei da merda de sofá que estava sentada, dando um beijo nas crianças. Andei em direção a porta.
– Alli, meu amor, muito obrigada por ficar com as crianças. O médico atrasou um pouco... Foi uma merda. – ela bufou ao me dar um abraço.
– Não se preocupe, são todos uns merdas mesmo. Vou correr. Não posse me atrasar hoje. Tenho que fazer a porra de um dinheiro. – eu ri, soltado-me do abraço. Rachel curvou os lábios em um pequeno sorriso e, me olhando, afagou minha bochecha.
– Vá, querida. Cuide-se. Nos vemos amanhã. – ela me disse.
– Ok. – atravessei a porta e, em poucos passos rápidos, abri a porta da minha casa fodida. Entrei correndo, indo direto para o banheiro e juntando todas as merdas que eu precisava para trabalhar em uma mochila velha pra caralho que eu sempre levava.
De casa corro até o ponto de ônibus. E não é que o puto passou assim que cheguei! Isso é sinal de sorte, pensei. Como se essa merda de palavra realmente existisse na minha vida fodida.
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Chego na FoxballClub e vou direto pra sala em que as stripper podiam trocar de roupa e deixar suas coisinhas de merda.
Tiro meus jeans justos e velhos e depois minha calcinha azul de algodão com uma carinha feliz na bunda. Sim, isso é escroto. Mas, foda-se. Coloco a porra de uma calcinha fio dental preto, uma meia arrastão e uma micro saia xadrez por cima. Tiro o moletom cinza velho e meu sutiã preto liso e colo adesivos pretos em formato de “x” na merda dos meus dois seios. E enfio todas as roupas na mochila e coloco as porras das sandália plataformas de salto alto.
Hoje é sexta-feira, e pela milésima vez estou nessa porra pra ganhar algum dinheiro. Quem sabe a sorte não queira entrar nessa minha vida fodida essa noite?
Foda-se. Ela não vai.
Notas finais
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