Lost Souls
2 Capítulo 01
Notas iniciais
‘’ Eu não consigo mais dormir, pois quando fecho os olhos , todos os meus pecados estão diante de mim , mostrando meus demônios ‘’ – Dixie Consart
Cidade de Angie , França . 20.12.2020
Adeus.
Aquela era a palavra que martelava a tanto tempo minha cabeça . Durante tantos anos me peguei pensando se era hora de Dizer Adeus, e agora a hora havia chegado. Eu sabia exatamente o que fazer esta noite .
Olhei todo o local, memorizando cada pequeno detalhe . Depois fechei os olhos, sentindo o vento bater em minha pele pálida.
Uma noite diferente . Isso era o que meu subconsciente gritava .
Realmente, concordei comigo mesma . A noite parecia mais acolhedora , mais quente , mais viva . Apesar do fraco vento que marcava presença, eu podia sentir o calor invadindo cada pedaço do meu corpo . Por um momento imaginei as estrelas dançando uma música lenta , aproveitando a fraca luz da lua .
Imaginei também que um dia me juntaria a elas, que elas me receberiam com todo o amor que eu precisava .
Parei de imaginar , de pensar. Tudo agora estava congelado .
A última respiração, tão funda , tão única . Abri meus olhos, e em seguida estiquei meus braços , tão abertos, tão livres .
Como se já tivesse ensaiado , como se já tivesse feito antes . Meu corpo vai para frente e tudo começa a passar em câmera lenta .
Durante a queda , eu podia jurar que vi alguém . Mesmo tão longe, consegui ver o terror, medo e confusão em seu rosto, porém consegui ver mais além . Vi a maneira como seus olhos azuis mortos me olhavam : Em desespero total .
Mas a imagem dessa pessoa desaparece com o impacto da água em meu corpo . Uma dor insuportável me invade por longos segundos , mas logo tudo acabar .
Sinto essa nova sensação me invadir, uma sensação de alivio . Eu estava partindo dessa para uma melhor — Ou pior — Eu ainda não saberia dizer.
Tudo exatamente como eu planejei . Eu podia me imaginar na beira no mar , olhando as ondas chegando e tocando em meus pés . Mas isso foi retirado de mim rapidamente, como se eu não tivesse mais o direito sobre essas falsas lembranças.
[...]
Senti meus pulmões puxarem todo o ar existente no local, abri meus olhos rapidamente e minhas mãos se firmaram na superfície macia ao qual meu me encontrava , apertando fortemente o local. Eu estava em total desespero, a sensação se igualava a acordar de um terrível pesado real.
Demorou alguns segundos para que eu me recupera-se da falta de ar e do susto . Olhei para o lado direito , as paredes estavam cobertas por aquelas sombras que me levaram a tentar suicídio, elas continuavam presentes .
Elas pareciam olhar para mim, pareciam rir do meu desespero e da minha tentativa falha de chegar ao paraíso infernal . Quase como uma grande piada .
– Senhorita Consart ? – Meu sobrenome soou como um apelo por resposta vindo do lado esquerdo da sala .
Não respondi, apenas fechei os olhos com força sentindo as lágrimas salgadas descerem pelo meu rosto, elas eram tão pesadas. Meu plano tinha falhado, eu não tinha conseguido alcançar meus objetivos .
– Senhorita Consart. – A voz repetiu – A senhorita sabe onde se encontra ?
Virei furiosa e vi um rapaz jovem em roupas totalmente brancas .
– Era para eu me encontrar no inferno neste momento – Gritei e o vi arregalar os seus olhos verdes .
Talvez ele esperasse ou reação, ou não .
O rapaz concordou , anotou algo em sua prancheta e saiu fechando a porta calmamente .
Soluços vieram com força , a respiração faltava , tudo a minha volta girava .
Eu queria gritar , talvez assim toda minha frustação fosse embora .
– Eu lhe garanto que não . – Me assustei com a voz que soou em meu ouvido e abri os olhos .
Abri a boca e fiquei paralisada, eu reconhecia aqueles olhos azuis mortos , vazios .
– Quem é você ? – Minha voz não saiu firme como desejei, entregando assim a confusão que eu sentia .
– Alguém que precisa da sua ajuda . – Ele diz simplesmente .
Fico ainda mais confusa , balanço a cabeça negativamente .
– As sombras ... Tenho respostas para elas .
Abri a boca surpresa , curiosa .
– Um aviso, uma preparação para sua nova vida . – Ele se vira para a única janela do quarto.
– Nova vida ? – Tento me levantar, mas agora percebo que estou ligara a alguns equipamentos .
– Irá começar a ver a verdade nesse mundo mentiroso. Enxergará o que somente o espelho revela no silêncio da noite . Terá que salvar para ser perdoada – Fecho os olhos a cada palavra e quando os abro, o dono dos olhos azuis mortos não está mais presente .
Por alguma razão inexplicável , sinto como se algo estivesse errado, uma falta , uma necessidade e curiosidade de saber mais sobre esse menino .
Deito-me novamente e olho para o teto, algumas lágrimas descem .
Vários pensamentos sobre quem ele seria, sobre o que exatamente ele estava se referindo .
As sombras eram apenas sinais ? Eu conseguiria ver a verdade nesse mundo ?
Era tudo exatamente estranho, mas do tipo de estranho que eu estava acostumada . Já que praticamente minha vida toda fora estranha .
[....]
3 Dias após a tentativa de suicídio . 23.12.2020. Cidade de Angie , França .
‘’ A sensação que ainda predomina em meu corpo é a confusão.
Perguntas ainda martelam minha mente , os seus olhos ainda presentes em minha memória . Ele me causou tudo isso, toda essa confusão e falta .
Dr. Adam ainda pergunta o motivo de eu ter tentando me suicidar. A verdade é que nenhum deles nunca entenderia o motivo da minha escolha . Nenhum deles saberia o peso dos pecados – Por mais que eu ainda não os tenha entendido – E acima de tudo, nunca saberiam o peso e o medo que as sombras me causam . Ainda mais quando invadem meus sonhos, invadem minha vida e a transformam dela sua diversão pessoal e para mim , o Inferno moderno ‘’
Dr. Adam olhava atentamente minha carta , suspirava de vez em quando e relia a carta novamente .
– Sabe o nome dele ? – Seus lábios finamente falaram alguma coisa desde pegou minha carta.
Balancei a cabeça negativamente. Eu estava cansada de estar a uma hora de frente aquele Doutor. Só se faziam 3 dias e eu estava farta de tudo .
Ele suspirou novamente e olhou para o velho relógio que se encontrava no seu consultório .
– Está liberada, uma enfermeira estará esperando em seu quarto para dar o seu remédio . – Ele diz e me entrega a carta .
Me levanto sem falar nada , pego a carta e saio em passos rápidos .
Lembro- me apenas de deitar em minha cama desconfortável , virada para a janela , vendo aquele tempo fechado e cinzento . Logo a enfermeira aplica um remédio ao qual eu desconhecia e apago completamente .
[....]
Acordo sentindo-me completamente entranha, como se meu corpo não pertencesse mais a mim . Levanto-me devagar e caminho pelo corredor. Havia algo errado, as luzes piscavam freneticamente , as paredes estavam sujas e logo notei corpos espalhados por toda a clinica . Me espantei e procurei apoio . Logo uma sombra apareceu e apontava para frente, uma curiosidade me tomou e segui em frente . Uma após a outra indicando-me o caminho da saída .
Eu estava livre , era inacreditável como a primeira vez que elas me ajudavam .
– Me ajude . – Aquela voz conhecida falou , e então imagens de seus olhos invadiram minha mente .
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