Lost Memory
17 The Last Night
Notas iniciais
“Quando eu vi que havia caído por cima de você saí o mais rápido possível, apenas com o tornozelo dolorido, porém fiquei paralisada quando vi que você não estava se mexendo, com um grande corte na testa e muito pálido.
Sinceramente achei que você havia morrido, comecei a chorar desesperadamente e quando fui tentar te acordar Grimmjow me parou.”
–Não toque nele!- Gritou tão irritado que cheguei a ter medo dele, pensei de início que estava apenas brigando comigo, porém nem ele te tocava, se jogou ao meu lado e esticava a mão para mexer em você mas tinha receio que pudesse te machucar ainda mais.
Por um momento eu achava que ele fosse chorar, seus olhos chegaram a se encher de lágrimas e estava quase deixando de achar para ter certeza quando você começou a acordar, levantou uma mão para levar até a cabeça mas voltou a afastá-la, deveria estar doendo...
–O que aconteceu?- Perguntou meio desnorteado ainda, se esqueceu do que havia feito? De que quase morrera para me salvar? Tentou se apoiar no chão para se levantar, foi quando levou as mãos ao peito e voltou a cair, sua cor que começava a voltar sumiu de uma só vez , nos adiantamos para te segurar, meio desengonçados, e então desmaiou de vez.
“Grimmjow ligou pro seu pai desesperado, você foi para o hospital e depois descobrimos que você tinha fraturado duas costelas e que ficaria de cama por no mínimo um mês, como você não acordou mais naquele dia, eu e Grimmjow ficamos desesperados achando que com a queda havia batido muito forte a cabeça e perdido a memória...
Admito que foi a primeira vez que vi sua mãe tão zangada, ela parecia que daria uma surra em vocês, e em mim também, no dia seguinte àquele você acordou, nosso alívio foi tão grande quando soubemos que ainda se lembrava da gente... Renji foi te visitar no hospital quando soube de tudo e você sabe que quando esses dois se juntam nada de bom acontece... Eles quase caíram no tapa atrás do hospital, mas alguns enfermeiros que estavam passando conseguiram apartar a briga e eles foram proibidos de voltar naquele dia, porém Grimmjow conseguiu voltar e entrar pela janela, mesmo você estando no terceiro andar...
Eu estava feliz que você ficaria bem, mas isso durou apenas uma semana, foi quanto eu comecei a pensar em coisas desnecessárias novamente;”
“foi minha culpa”
“Ichigo não precisaria ter passado por isso se eu não existisse”
“Quero morrer”
Esse tipo de coisa deprimente... Eu era tão, alheia ao sentimento dos outros por mim, que preferia me machucar antes de me tocar que quem realmente estava causando problemas era minha má interpretação dos sentimentos das pessoas por mim.”
”Era uma noite de domingo. Eu decidi ir até o hospital, lhe fazer uma visita e me despedir, porém você estava dormindo aquela noite, e Grimmjow que não saía de seu lado em nenhum momento havia se encostado na cama e apagou, fiquei surpresa quando vi que ele não se deitou com você na cama...
Me aproximei de vocês e disse coisas como: “me desculpe” e “adeus” antes de ir embora, decidida finalmente a tirar minha própria vida.”
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Pov. Autora.
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Assim que Rukia se aproximou do ruivo e tocou sua mão Ichigo despertou, juntamente a Grimmjow que o seguiu ficando em silêncio, fingindo ainda dormir.
Ichigo Identificou quem estava no quarto quando a morena começou a falar, sentia pequenas e macias mãos tocarem seu rosto de leve, mechas e fios de cabelo roçarem suas bochechas e fazerem cocegas enquanto a testa da menina tocava a sua e suas lágrimas pingavam sobre o seu rosto.
A mão de Ichigo teve de apertar a do azul com força para impedir a si mesmo de não abraçar Rukia naquele momento, queria tanto que ela parasse com isso, que percebesse o quanto era importante para ele e todos a sua volta.
Mas apenas dizer algo não adiantaria de nada, aconteceria o mesmo que está acontecendo no momento, mesmo depois de tudo que Grimmjow disse, voltava a morena a tentar se auto castigar por coisas que nem sequer eram culpa sua.
–Me desculpe por todos os problemas, Ichigo.- Sentiu em seu rosto pequenas gotas que rolavam direto por sua bochecha, sentia que a qualquer momento acabaria machucando Grimmjow pelo tanto que apertava sua mão de raiva, tristeza, incompreensão. Queria tanto que Rukia entendesse que ela não causou problema algum, em nenhum momento...- Adeus.
Afastou-se do ruivo, e a passos lentos e arrastados saiu do quarto tentado conter mais de suas lágrimas, decidida a tirar a própria vida, porém, de um jeito que apenas a sorte diria se viveria ou morreria.
Dentro do quarto os meninos finalmente ousavam abrir os olhos, erguendo-se devagar, pensavam na situação, olhando distraídos para o teto ou para a parede, pensando no que poderiam fazer para Rukia finalmente cair na real, exatamente o que ela está tentando fazer agora era o que lhes causava problema.
–Vamos seguir ela.- Disse por fim Ichigo jogando o lençol para fora da cama e se virando para tentar se levantar, puxando a agulha com soro do braço e pondo as pernas finalmente para fora da cama, porém teve de parar e fazer força para não levar as mãos ao peito ao sentir a dor alucinante, não queria preocupar o azulado. Sentia-se enjoado, a dor era bem mais que incômoda e na verdade não queria se mexer, mas lutaria com tudo isso se fosse para salvar sua melhor amiga.
–Você não pode, nem deveria estar acordado!- Brigou Grimmjow se levantando de sua cadeira, virando-se para a porta, e já iria sair quando sentiu a mão do ruivo em seu ombro.
–Nem pense em ir atrás dela sozinho.- Murmurou sombriamente, encarando o namorado de um jeito que se recusasse leva-lo estaria cometendo a pior decisão de sua vida. Porém, Grimmjow não é de ser intimidado...
–Não adianta me olhar com essa cara, não vou te levar.- Ichigo bufou e abraçou o mais velho para impedí-lo de continuar.
–Vamos Grimmjow, eu já sei até o que fazer... Você não vai conseguir convencê-la sozinho, deixa eu tentar também...- Grimmjow o olhou pelo canto do olho, Ichigo parecia tão desesperado quanto ele para fazer algo, e por fim, não resistindo a ele, assim como todas as vezes, concordou dando um suspiro.Foi bem recompensado com um beijo por não mais discutir.- Por enquanto apenas siga ela.
–Certo patrão.- Ironizou se abaixando para que Ichigo subisse em suas costas. O ruivo ruborizou, se imaginar sendo carregado pela rua nas costas de Grimmjow era no minimo, estranho.
–Eu vou a pé, pode deixar.- Disse já tocando a maçaneta e a girando, mas parou e ficou ainda mais corado com as palavras do azul.
–Se não subir agora, vou te carregar no colo e não pense que estou brincando.- Seu sorriso realmente não era de alguém que estava brincando. Ichigo bufou e inflando um pouco as bochechas muito vermelhas subiu nas costas do outro.
–É bom que me dê muito chocolate depois disso tudo.- Fez de início uma careta mas riu logo depois, seu ruivo era único.
Saíram do quarto logo depois. De início tudo ocorreu bem, era fácil se esconder dos enfermeiros em um hospital tão grande, quando já estavam bem perto da saída de emergência quando um alarme soou e o nome do ruivo pôde ser ouvido sendo gritado ao longe.
–Não ousem sair por essa porta!- Gritou Isshin já se aproximando a passos longos mas ainda assim sem correr, tentando ao máximo ser ameaçador, sem sucesso. Ichigo apenas olhou para trás e pôs a língua para fora antes de passar pela porta como um jato, ouvindo as gargalhadas de Grimmjow abaixo de si.
Sair do hospital foi moleza, e também não demorou muito para ver a baixinha arrastar os pés tristemente pela rua, as mãos no bolso do longo e surrado casaco preto, uma calça jeans velha e um all star rasgados era o que usava e os cabelos tipicamente curtos batiam de forma desordenada nos ombros.
–Não deixe que ela nos veja, apenas continue seguindo ela...- Murmurou ao ouvido de Grimmjow enquanto deitava a cabeça no ombro do namorado. No inicio a adrenalina de fugir do hospital foi como um anestésico para a dor, mas agora Ichigo já começava a ficar doentiamente pálido, sentia dor, não conseguia mais esconder do azul. Grimmjow não mais aguentando aquilo parou, Ichigo sem entender o olhou interrogativamente.
–Descanse um pouco, eu sei que você está sentindo dor. Não se esforce tanto, eu concordei em te trazer, mas não vou ver você se matando e não fazer nada.- Disse decidido, evitando olhar para o ruivo que parecia incrédulo.
–Não ligue para mim agora Grimmjow, eu me preocupo comigo depois, a Rukia precisa de nós agora, ela é prioridade!- Brigou descendo das costas do mais velho que olhou feio para ele. Sua vontade era de dar um soco em Ichigo, mas se segurou.
–Se você não se preocupa com você, eu me preocupo. Então pare de show ou levo você de volta para o hospital!- Brigou quase gritando dando um passo em direção ao ruivo que recuou. — Você é minha prioridade.
Deu ênfase ao você passando as mãos no cabelo nervosamente, mordendo o lábio inferior quase ao ponto de se ferir, um costume que não foi esquecido ao longo do tempo, não o acalmava, era apenas automático. Estava tão perdido, de um lado Rukia tentava se matar, do outro Ichigo tentava se matar para salvar Rukia, era uma tortura psicológica quase insuportável.
Por outro lado Ichigo via que o que estava fazendo apenas machucava a Grimmjow, não ia resolver nada forçando seu próprio corpo desse jeito, forçando também ao namorado a suportar seu egoísmo.
–Grimm...- Chamou fazendo o outro se virar, abraçou-o de súbito, assustando o mais velho que o olhou sem entender.- Me desculpe por fazer você aturar meu egoísmo, mas nós não temos tempo agora... Eu estou bem, juro.- Mentira.- Precisamos impedir a Rukia que tome a pior decisão da vida dela, então por favor, me deixe ser egoísta só mais um pouquinho...
Grimmjow segurou o rosto do ruivo com as duas mãos e se abaixou até encostar sua testa na do outro, passava levemente o dedo polegar no curativo que levava na cabeça e franziu as sobrancelha fechando os olhos com força. A boca avermelhada pela mordida mostrava que se continuasse realmente se feriria.
Grimmjow não se perdoava, não queria se perdoar, culpava-se por não ter conseguido segurar o ruivo e Rukia. No momento, ficou em choque, três segundos que ficou paralisado pelo susto que levou ao ver o ruivo se jogando do prédio atrás de Rukia, poderiam ter resolvido tudo.
–G-Grimmjow... As pessoas estão olhando...- Disse o ruivo sentindo suas bochechas começarem a arder.
–Foda-se.- Riu finalmente, mesmo que não se perdoasse, nunca nem passou pela cabeça do ruivo culpá-lo, e isso era uma das coisas que amava nele. Aproximou ainda mais seu rosto de Ichigo, e beijou-o, um beijo não demorado mas que demonstrava o carinho e a preocupação que tinha com o namorado.
–Okay, okay! Já descansei o bastante, você se preocupa demais, vamos logo, nós ja até perdemos ela!
–Esse é o caminho da escola, ou ela está indo pra lá de novo, ou mora aqui perto. Se eu correr talvez ainda consigamos pegá-la.- Ichigo fez uma careta involuntária quando Grimmjow disse: "correr"... Mal andava, correr estava fora de cogitação, mesmo nas costas dele.
Vendo que o ruivo pensava de mais Grimmjow se adiantou, sem esperar o consentimento dele o azul puxou Ichigo para seu colo, Ichigo o olhou surpreso e ainda mais corado que antes. Quando Grimmjow começou a correr levou as mãos ao rosto, tentando se esconder para que não o reconhecessem. Céus, mataria Grimmjow quando isso tudo passasse.
–Eu tive uma ideia, apesar de não saber se vou conseguir fazer... Pelo menos não na casa dela.- Disse começando a tirar as mãos do rosto, Grimmjow o olhou sem entender e ele explicou.- Preciso ir até a escola, levar ela até a escola.
–A escola é perigosa à noite, mas comigo lá nada-...
–Você não vai estar lá, precisa ir até a antiga casa de Rukia chamar Byakuya. Ele precisa saber o que está acontecendo.
–Eu não vou deixar você ir sozinho com ela, já disse que é perigoso à noite!
–Ora Grimmjow pare com isso! Eu posso me defender, e pode ser que nada aconteça também. Você tem que me deixar fazer isso sozinho porque você tem que fazer utra coisa. — Grimmjow já ia voltar a reclamar mas o ruivo tapou sua boca antes que ele pudesse. — Já disse para não se preocupar, eu dou meu jeito se acontecer algo.
Essa teimosia de Ichigo ainda mataria Grimmjow de preocupação...
Não conseguia discutir com Ichigo, e sem ter o que falar mais suspirou.
–Acho que chegamos...- Disse ao ver Rukia entrando em um prédio.
–Chegamos? Não pensei que ela morasse tão perto da escola. Isso facilita muito as coisas...- Comentou olhando para o prédio velho e acabado.- Grimmjow, eu vou entrar e você vai buscar Byakuya.
–Ichigo... Pelo menos me espere para entrar na escola, não entrem sozinhos.
–Certo, conto com você!- Desceu colo de Grimmjow e já ia em direção ao prédio quando sentiu o azul lhe segurar e puxar para um beijo rápido, apenas um selinho antes de se virar, meramente um beijo de boa sorte muito bem entendido pelo ruivo que riu. Olhando o prédio de cima a baixo, ainda não acreditando que sua amiga morava nesse lugar caindo aos pedaços Ichigo entrou.
–Com licença. — Chamou. — Estou procurando uma pessoa que mora aqui...- O homem do balcão se virou para ele, tinha um cabelo ralo preso em um rabo de cavalo baixo, uma barba desgranhada que segurava pedaços de salgadinhos velhos e uma roupa bem apertada para um físico bem acima do ideal... Olhou de Ichigo de cima a baixo e por fim pegou um salgadinho em baixo da mesa.
–Qual o nome da pessoa? — O homem olhava o ruivo desconfiado, não era normal ver um cara com roupa de hospital andando por aí assim, Ichigo já iria responder quando o homem sem conseguir mais se segurar perguntou rindo.- Fugiu do hospital é?
Ichigo gelou, estava tão óbvio assim?
–Hm, não... é, é só que... Ah não te interessa! O nome dela é Rukia Kuchiki.- O homem não gostou nada da resposta mal criada, mas, sem querer perder mais seu tempo com Ichigo respondeu logo com indiferença.
–Segundo andar, porta 12.- Ichigo agradeceu e seguiu até a escada, tomando coragem para subir.
Na porta do quarto, parado meio ofegante ele bateu, sendo atendido por uma mulher alta de longos cabelos negros e frios olhos púrpuros, a cabeça levemente inclinada para cima lhe dava um ar de superioridade, e estufando o peito impaciente ela empurrou Ichigo para que saísse da frente e pudesse passar, descendo a passos pesados as escadas que rangiam.
Meio cambaleante Ichigo conseguiu se manter em pé, sentindo uma grande ânsia mas se manteve firme e entrou. Era um lugar bem pequeno. Uma sala com um sofá verde listrado carcomido e uma TV bem pequena, uma porta de canto e outra que dava bem a frente da de entrada, porta que parecia dar na cozinha já que tinha um fogão bem velho à frente.
Entrou meio desconfiado fechando a porta atrás de si, parado ao meio da sala, apurando bem os ouvidos para conseguir escutar o menor ruído possível. Mas o som não foi um pequeno ruído, foi um verdadeiro estrondo. Algo pesado caiu mais à frente, junto a sons metálicos de algo que parecia ser talheres caindo no chão.
Novamente o mesmo barulho, e agora vidro era o que fazia um som ruidoso que vinha da cozinha. Ichigo adiantou-se, tentando correr até a porta mas desistiu, escorando-se ao portal para que não caísse após uma tontura.
–Rukia!...- Chamou a garota que deu um pulo de susto. Sustentando na mão direita um revolver, e na outra o puxador da gaveta de um míni armário de cozinha.- O que pensa que está fazendo?!- Gritou assustado indo até ela e arrancando a arma de sua mão.
–Eu é quem pergunto! O que faz aqui?! Está machucado, foi internado mal faz uma semana!- Brigou indignada, mas lembrou-se do que estava prestes a fazer.- Você tem que ir embora, eu, eu vou testar minha sorte, ou no caso, azar, já disse para mim mesma que se não acontecer nada eu vou fugir e...
Antes que ela continuasse a falar Ichigo não suportando mais levantou a mão direita e segundos depois foi ouvido apenas um "tap" alto e logo após o silêncio.
Rukia levou a mão até a bochecha e incredulidade era transparecia pelo seu rosto sem ao menos forçar.
–Acha mesmo que vou deixar você fazer isso? Pare com isso, de... De fazer essas coisas! Pare de se trancar no seu próprio mundinho de dor e sofrimento! Eu não te salvei para que uma semana depois tentasse se matar novamente!
Ichigo abriu e revolver e estremeceu ao ver que se tivesse chegado um pouquinho antes, se tivesse demorado apenas um pouco, Rukia não mais estaria nesse mundo.
–Tente prestar atenção em mim, em Grimmjow, em Sojun-san e Byakuya. Eles, nós, nós estamos preocupados com você por estar fazendo essas coisas, se arriscando, tentando tirar a própria vida por não perceber que ao seu redor todos querem o seu bem.
Ichigo largou a arma e abraçou-a ternamente, as pernas vacilantes, e sem conseguir mais se aguentar desabou ainda agarrado à amiga, que esquecera totalmente das condições de Ichigo e lhe abraçou em resposta, chorando copiosamente na blusa brancas do maior.
–Dê aos outros uma chance de mostrarem seus sentimentos por você, e os retribua com um sorriso, um verdadeiro sorriso isso já bastaria para mim, e para todos que querem os seu bem, Rukia.
–Sim, sim... E-eu farei isso, Ichigo...- Murmurava, pedindo desculpas sem parar uma só vez. Ficaram minutos ali, com Rukia ainda deixando as lágrimas tomarem posse de seu lindo rosto enquanto Ichigo lhe afagava os cabelos brilhosos.
–Rukia, eu quero te mostrar uma coisa, mas, aqui não dá. Temos de ir à escola, preciso que você me ouça.
–Mas eu já...
–Me ouça de outro jeito.- Sorriu ternamente, afastando-se da menina e respirando profundamente antes de começar a se levantar, meio desajeitado e zonzo ele se manteve em pé e os dois desceram. Andando devagar até a escola que estava a apenas dois quarteirões adiante.
Caminhavam como se nada tivesse acontecido. Apesar de Ichigo chamar um pouco a atenção por estar ainda com a roupa branca de hospital, mas não estava prestando atenção neles, ele tinha mais com o que se preocupar, como se manter consciente sendo que a cada passo que dava lhe era uma nova pontada de dor.
O portão da escola como era de se imaginar estava trancado, e dando a volta eles chegaram até um local atrás do pátio, onde o muro começava a ser coberto por plantas, e atrás de algumas moitas era visível uma passagem, um buraco onde eles podiam passar com tranquilidade.
–Mato aula por aqui as vezes.- Confessou rindo arrancando um risinho da morena.
A porta que dava à escola estava aberta, alguém, antes de sair, provavelmente a deixou assim por descuido, ou então alguém que entrou e não fechou direito... E isso, por um acaso, acabou facilitando bastante as coisas para o casal de amigos.
–Vamos indo, Grimmjow não deve demorar para chegar.- Disse abrindo a porta, pegou na mão de Rukia e entrou.
De certo modo a escola realmente era assustadora a noite, e para piorar ainda mais as coisas podiam ouvir passos se aproximando, realmente tinha alguém na escola. Sentindo a mão de Rukia apertar mais a sua ele a olhou com um sorriso.
–Vai ficar tudo bem. Eu não vou sair daqui antes de te fazer me ouvir.
–Mas Ichigo...
–Ichigo-Chan... O que faz aqui a uma hora dessas?- Perguntou um cara que vinha em sua direção com um sorriso maldoso de orelha a orelha. Era de sua escola, impossivel negar, via esse cara com outros pela escola na maior parte do horário de aula. Rukia se escondeu atrás de Ichigo como pôde e tentava segurar a respiração, como estava um pouco escuro talvez não a percebessem.- Nunca te disseram que a escola é perigosa à noite?
–Olha, pra falar a verdade me disseram sim, mas você sabe né, eu não ouço ninguém.- Ironizou tentando manter o tom de voz normal, mas mesmo que conseguisse, a faixa em sua cabeça denunciava-o.
–Bem, isso é uma pena para você, e sorte para mi-... — O garoto que se aproximava foi brutalmente impedido de falar por um punho que bateu certeiro em seu rosto jogando-o para trás. Ichigo apenas sentira seus cabelos balançando pelo vácuo criado após a mão de alguém passar raspando por seu rosto.
–Eu disse para não entrar antes de eu chegar porra!- A voz atrás de si fez Ichigo estremecer. Olhou para trás suando nervosamente e com um sorriso que não enganava ninuém. Mas o sorriso sumiu ao ver a cara do mais velho, ele não estava apenas puto...
–Por que tanto estresse? Eu consigo andar pela escola sabia?- Disse emburrado.
Grimmjow suspirou.
–Essa escola é muito perigosa a noite, como o prédio abandonado é logo ao lado, muitos gangsters se reúnem lá, e as vezes entram aqui também. Você está machucado...E não conseguiria se defender e também defender à Rukia, por isso pedi para me esperar.
Ichigo ficou em silêncio, conseguir se defender era fato, mas do jeito que estava não conseuiria defender Rukia e isso sim seria um problema...
–Desculpe... Mas não aconteceu nada então está tudo bem. Agora vamos, conseguiu o que te pedi?
–Não vai demorar pra ele chegar...- Murmurou no ouvido de Ichigo depois de uma bufada, era impressionante como o ruivo era despreocupado.
–Ótimo.- Sorriu, se aproximou de Grimmjow e deu um beijo rápido antes de se separar e continuar a andar.
–E-está tudo bem, Ichigo?- Perguntou a morena se aproximando, só agora Grimmjow a havia visto.
–Sim.- Disse com um sorriso contagiante, fazendo a menina dar um suspiro aliviada.
A sala de musica tinha cadeiras acolchoadas, vários instrumentos em um palco revestido de madeira, onde majestosamente no meio reluzia um piano negro, tão bem lustrado que chegava a brilhar.
E como se um atraísse o outro, Ichigo se aproximou. Sem olhos para nada mais, caminhando mais adimirado que nunca ele seguia até o piano. A dor parecia ter dado trégua, e nem sequer pensava nela mais. Tudo o que lhe chamava a atenção era o reluzente instrumento a sua frente.
–É tudo o que eu preciso.
Comentou, segurando nos braços da morena e a arrastando para a primeira fila de cadeiras, sentando-a bem de frente para o instrumento e depois subiu ao palco, sentando-se à frente do piano ele levantando a tampa que protegia o teclado, o admirou por alguns segundos, lembrando-se daquele piano velho que sua mãe lhe ensinara a tocar naquela casa de campo, nem se compara a tal obra de arte a sua frente.
Pigarreou para coçar a garganta e pôs os dedos já posicionados onde queria em cada teclado.
–Sabe Rukia, eu quero que você ouça isso, que me ouça, e nunca mais pense em tirar a própria vida. Mesmo que tudo fique ruim um dia, como hoje, eu estarei lá, pois ontem foi a ultima noite que você passou sozinha.
Um lindo sorriso invadiu seu rosto, um sorriso gentil, e voltando sua atenção ao piano ele começou a melodia. Com os olhos fechados ele fazia seus dedos deslizarem pelo teclado, dançarem apenas sentindo o ritmo da musica, como se estivesse flutuando.
As lágrimas rolavam copiosamente em seu fino rosto, Rukia não se aguentava em si, lembrava-se que Ichigo tocou para ela uma vez, quando eram mais novos, uma melodia linda que agora voltava à memória.
Suas mãos fortemente agarradas ao grande casaco tremiam assim como todo seu corpo, e quando Rukia pensou que não podia ficar melhor.
Melhorou.
You come to me with your scars on your wrist
You tell me this will be the last night feeling like this
I just came to say goodbye
I didn't want you to see me cry, I'm fine
But I know it's a lie
.
This is the last night you'll spend alone
Look me in the eyes so I know you know
I'm everywhere you want me to be
The last night you'll spend alone
I'll wrap you in my arms and I won't let go
I'm everything
You need me to be
.
Sua doce voz ecoava por todo o lugar, até mesmo pelos corredores agora vazios, inundando toda a escola com o som melodioso do piano junto a voz de Ichigo que continuava em alto e bom som.
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Your parents say everything is your fault
But they don't know you like I know you
They don't know you at all
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A mente de Rukia parecia ter ascendido, esta música, quantas vezes ouviu esta música... Quantas vezes já chorou a ouvindo.
Sem se importar com nada se levantou de seu acento, e não se preocupando se sua voz sairia tão bonita quanto a de Ichigo sua boca se abriu e a musica fluiu de seus lábios antes mesmo que o ruivo pudesse recomeçar a cantar.
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I'm so sick of when they say
It's just a phase, you'll be o.k. you're fine
But I know it's a lie
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Ichigo não deixou de se surpreender quando Rukia começou a cantar antes mesmo de si, não esperava, mas mesmo assim sorriu quando ela voltou a se sentar agarrada às pernas chorando, finalmente a havia alcançado.
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This is the last night you'll spend alone
Look me in the eyes so I know you know
I'm everywhere you want me to be
The last night you'll spend alone
I'll wrap you in my arms and I won't let go
I'm everything
You need me to be
.
The last night you'll spend alone
I'll wrap you in my arms and I won't let go
I'm everything
You need me to be
The last night away from me...
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Tons graves e agudos, altos e baixos, cantada de um jeito tão lindo e sentimental. Ele não cantava apenas com a voz, era como se todo o seu corpo e principalmente sua alma o acompanha nessa melodia.
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The night is so long when everything's wrong
If you give me your hands I will help you hold on
Tonight...
Tonight...
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This is the last night you'll spend alone
Look me in the eyes so I know you know
I'm everywhere you want me to be
The last night you'll spend alone
I'll wrap you in my arms and I won't let go
I'm everything
You need me to be
.
I won't let you say goodbye
And I'll be your reason why
The last night away from me
Away from me...
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Mesmo com sua voz sumindo, aos poucos, continuou com o piano por alguns segundo antes de finalizar, voltando a fechar a tampa de teclado e se levantando, fazendo uma pequena reverencia, como se tivesse acabado de tocar em um concerto. Se ergueu virando-se para Rukia com o doce sorriso voltando à face.
Desceu do palco e se sentou na escada, mais cansado do que imaginou que ficaria.
Rukia correu até o ruivo, aos prantos sem conseguir se controlar, jogando-se nos braços de Ichigo que a abraçou de volta sem falar nada mais, apenas se deixava ouvir mais e mais desculpas da menina.
Grimmjow se aproximava lentamente dos dois, com um mini sorriso e as mãos levantadas em um aplauso não exagerado. já havia ficado surpreso quando o ruivo começou a tocar. Quando ele disse que tinha de vir até a escola não imaginou que fosse isso, nem que ele soubesse cantar, pelo menos não tão bem quanto cantou. Estava impressionado, admirado, e também curioso, afinal Ichigo ainda era uma caixinha de surpresas.
–Sua voz é ainda mais linda cantando.- Disse se aproximando e beijando a testa do menor que sorriu cansado.
Pela porta um tanto longe do palco vinha Byakuya, parecendo um pouco mais compreensivo, pelo menos o suficiente para levar Rukia para sua casa.
Ela se levantou secando as lágrimas nas mangas do casaco enquanto se afastava, batendo com as costas em Byakuya que deu um mínimo sorriso, segurando na mão da morena e a puxando para fora da sala, não antes não antes de dizer, sem emitir qualquer som, um obrigado apenas no movimentar dos lábios.
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Flash Back Off
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Pov. Ichigo.
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–Depois disso você desmaiou e Grimmjow levou você de volta para o hospital com uma febre de quase quarenta graus. Vocês dois ficaram de castigo, dado por sua mãe, onde não poderiam se ver por duas semanas. Eles acreditam até hoje que deu certo, eles não sabiam que Grimmjow entrava pela janela a noite, ficava algumas horas e depois ia embora. Pelo menos foi o que ele me contou na época.
Eu ri, isso era bem a cara dele
–Rukia, isso...
Ela colocou a mão na minha boca para me impedir de falar, ela ainda iria contar algo mais.
–Eu, por fim, voltei a morar com Byakuya-nii-sama e Sojun-sama, minha mãe achou por muito tempo que eu havia apenas desaparecido, e como não voltava para a casa dos Kuchiki não fazia ideia de que eu estava lá.- Dizia com desgosto, era uma relação, de pelo menos, 99,9 por cento de ódio entre elas, e mesmo agora
Rukia não a perdoara por tudo o que ela fez.
– Mas, a questão é: você me salvou, Ichigo. Você e Grimmjow me salvaram e tenho que urgentemente pedir desculpas a ele...
Ela deu uma pausa, afastando aos poucos a mão de minha boca, segurando de leve minha mão.
–Ichigo, me desculpe... Desculpe por não ter contado em todo esse tempo. Eu estive dez anos com você, sabendo que você queria saber de seu passado e mesmo assim não fiz nada para ajudar. Desculpe, mas eu tinha tanto medo, tanta vergonha... Eu fiquei com tanta raiva e ressentimento dele naquela época, eu não aguentava ver você sofrendo... E então acabei me forçando a esquecer o quanto ele me ajudou... Preciso muito pedir desculpas a ele, mesmo achando que ele não vá aceitar...
–Não ligue muito para isso, tenho certeza que ele não vai se importar se você pedir desculpas.- Dessa vez eu quem a segurei, puxando-a para mais um abraço. – Muito obrigado...
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