Lost Memory

9 Fiz uma merda!


Notas iniciais
Bem, era para eu ter postado ontem mas realmente não deu tempo de editar e corrigir, então aqui está para vocês meus queridos :) Estou muito feliz por mais uma recomendação, dessa vez da Skyller Sutter! Obrigado sua linda, e a todos que estão curtindo tanto a historia. Sem mais delongas :p está aqui para vocês o capítulo 8.2 de Lost Memory! Boa leitura.

–Primeiro me conte o que aconteceu.- Falou calmamente e sentou-se no sofá jogando a cabeça para trás e passando a mão nos cabelos que já tinham alguns fios grisalhos.

–Simples, quando eu falei que briguei com Renji, Yuzu pirou! Deu piti aqui na sala e Karin gritou com ela, depois disso você chegou. Agora o que está acontecendo nessa casa?!- Ele olhou-me dos pés a cabeça e depois de alguns segundos perguntou:

–Por que você brigou com Renji?- Eu senti minhas bochechas arderem por lembrar do que tinha acontecido. Olhei para ele com uma cara de: "Eu preciso mesmo dizer?" e ele fez que sim com a cabeça. Agora quem suspirou fui eu.

Sentei-me no sofá de frente para ele e comecei a contar tudo o que havia acontecido no café, pulando as partes mais íntimas entre mim e Grimmjow, mas mesmo assim quando mencionava seu nome meu pai fazia uma cara azeda.

No final ele deu um novo suspiro, curvando-se sobre o próprio corpo e massageando sua têmpora, como se dissesse: "Porra, o melhor amigo do meu filho e gay e ele nem sabia!" Mas não era bem isso, eu o interpretei totalmente errado.

Abriu a boca várias vezes, buscando as palavras certas para falar algo, apesar de que palavras para dizer a um filho que praticamente virou gay é foda.

–Ichigo eu... Eu com certeza devia ter te contado isso antes, me desculpe mas... Antes tarde do que nunca!- Isso estava me assustando. Do que ele iria falar?

Será que Renji havia feito algo comigo antes?- Apesar de isso já parecer um tanto óbvio, Renji é, e sempre foi apaixonado por você, Ichigo. Isso dura mais que dez anos. — Eu quase dei um enfarte, literalmente. Uma coisa é eu ter acabado de descobrir que meu melhor amigo gosta de mim, uma coisa totalmente diferente é descobrir que meu pai já sabia disso!

–Puta que pariu!- Não aguentei, tive de gritar.- Você sabia disso a mais de dez anos e nunca me disse nada velho idiota?!

–Ichigo eu...

–Eu o caralho! Sabia que já me troquei na frente daquele tarado?!... Você não sabe... Não sabe o que poderia ter acontecido!!- Eu poderia ter gritado mais, brigado mais com ele por ser tão irresponssável, mas algo me veio a mente, mais de dez anos... A dez anos eu conheci o Grimmjow, então meu pai também deve saber algo sobre ele! Não é?...

–E Grimmjow? O que Grimmjow sei lá das quantas tem a ver comigo?!- Essa pergunta o fez alargar de leve os olhos, mas logo voltou ao normal, bufando e se levantando.

–Nunca ouvi falar de alguém com nome mais estranho...- Falou tão naturalmente que realmente não parecia estar mentindo, mas com certeza ainda tinha algo por trás daquelas palavras...- Sinceramente Ichigo, naquele dia foi a primeira vez que ouvi o nome daquele cara.

Não podia acreditar no quão cara de pau conseguia ser, era obvio que o conhecia, mesmo fingindo estava na cara que conhecia aquele demônio do Grimmjow.Odeio isso mas parece que ficarei no escuro por mais algum tempo...

Subi para meu quarto e tomei um banho, troquei de roupa colocando um casaco bem quente já que o inverno estava chegando, e depois desci novamente.

–Vou sair.- Avisei vagamente, e antes que ele pudesse dizer algo bati a porta. Tinha que me resolver seriamente com Renji, e o momento para isso era agora.
Segui até a casa dele com as mãos no bolso e o capuz na cabeça, inspirando o ar gelado da noite e aspirando pela boca e narinas.

O vento frio causava-me calafrios indesejados, quase escorreguei no chão umas duas vezes, mas apesar disso tudo ainda adoro esse clima frio denominado inverno

Quando cheguei em frente a sua porta fiquei encarando a campainha, tentando decidir se apertava ou não. Aaah eu não consigo apertar esse maldito e barulhento botão!

–Você poderia se apertar sozinho, sabia?- Perguntei para a campainha, bom que ela não respondeu.

Toda a minha coragem de falar com esse maldito ruivo que tinha me dado nos nervos, tinha sumido completamente. Havia saído decidido de casa, falar com ele sobre isso, que o velho finalmente havia me dito o que ele sentia por mim. Mas a confiança que havia conseguido antes desapareceu.

Novamente olhei para a campainha, pronto para fazer uni duni tê, mas antes que eu pudesse ao menos levantar a mão a porta se abriu.

Saindo dela estava um Renji descalço, de calça moletom preta e o tórax tatuado totalmente nu, alguns pingos de água escorriam pelo corpo bem distribuído. O cabelo estava solto e também molhado, caindo por sobre os ombros e deixando algumas mechas e fios rebeldes em seu rosto, o que o deixava ainda mais... Sexy?...

Senti minhas bochechas arderem violentamente ao olhar para aquele corpo, corpo que já vi e re-vi milhares de vezes, mas que nunca, pelo menos não até agora, tinha percebido o quão era bonito.

Porra, até meus olhos viraram gays!

Espera, como ele não estava morrendo de frio?!

–Ichigo? O-o que faz aqui?- Fui forçado a olhar fixamente para seu rosto e deixar de lado seus cabelos que havia de alguma forma me hipnotizado. E tive de colocar rápido a mão na boca para não deixar escapar uma risada de louco no meio de um condomínio de luxo, isso seria constrangedor de mais para alguém que tem tanta vergonha de tudo como eu.

–Sua cara está horrivel...- Me curvei pondo a outra mão na barriga que começou a doer com minha risada abafada.- Pff... Parece pior que hoje a tarde, hahaha...

–Ichigo!- Bradou e quando o olhei novamente e percebi que estava corado também.- O que faz aqui? Pensei que não quisesse mais me ver...

Eu me forcei a parar de rir, e quando lembrei de o quão a conversa era séria fui parando aos poucos, dei um suspiro e puxei bem o ar para falar.

–Eu preciso conversar uma coisa séria com você.- Ele engoliu o seco e começou a suar.- Posso entrar?

Deu um passo para trás e fez sinal para que eu entrasse fechando a porta logo depois. Me conduziu até a sala da casa já bem conhecida por mim e quando chegamos joguei-me no sofá vendo-o fazer o mesmo. Ainda apreensivo evitava me olhar, bufei e estalei os dedos na frente de seu rosto chamando sua atenção e quando me encarou lhe dei um sorriso.

–Hey, não fique com essa cara okay? Eu vim aqui falar uma coisa com você mas não se preocupe...- Ele ficou mais aliviado, deu um suspiro e olhou-me com o mesmo sorriso que sempre dava, agora entendo aquele sorriso, é o sorriso de uma pessoa que tem o amor não correspondido. Me sinto uma pessoa horrivel...

–Isso não pode ser adiado?- Perguntou juntando as mãos como se rezasse para que eu dissesse sim.

–Não, idiota. Trabalhamos juntos lembra?- Ele ficou alguns segundos processando lentamente o que eu havia acabado de falar, e depois deu mais um sorriso de "Ah, é mesmo.".- Se não fosse agora seria amanhã.

–É parece que sim.- Riu fazendo-me rir também. Quando tudo passou o clima tenso voltou a pairar pelo ar, iria começar a falar mas ele me cortou.- Me desculpe! Eu agi como um idiota, briguei atoa, falei coisas desnecessárias e estou realmente arrependido por isso!

Eu fiquei alguns segundos processando o que ele falou e após isso tudo eu sorri para ele. Como é difícil, como lhe diria, como explicaria que eu não gosto dele do mesmo jeito que ele gosta de mim? Esse sentimento de culpa era maçante, era pesado e torturante, eu queria inventar outra coisa para discutir com ele, mas esse assunto viria a tona novamente algum dia, era agora ou nunca...

–Obrigado Renji... Você tirou um grande peso das minhas costas, mas não era totalmente sobre isso que queria falar com você...- Vamos Ichigo, pense, pense no que vai dizer a ele... Ah!- Renji, você me ama?

Seus olhos dobraram de tamanho e sua boca se abriu, sua cor sumiu parcialmente e eu o vi estremecer. Oh céus, parece que escolhi a pior pergunta a se fazer...

–Ichi-... O que? Eu sei que hoje eu fiz... Aquilo. Mas!...

Como é enrolado para falar, deuses! Vamos Renji tente formar uma frase inteira! Eu só fiz uma simples, ou não tão simples assim, pergunta!

Ele engoliu a saliva e fechou os olhos, dobrando-se sobre o próprio corpo e apoiando a cabeça nas mãos, rindo um pouco. Certo isso estava me assustando, ele estava parecendo um psicopata! Mas depois disso ele curvou-se de volta e olhou-me com um sorriso amarelo.

–Sim.-Senti minhas próprias bochechas arderem, e dessa vez eu quem fui forçado a desviar o olhar. Como sou idiota, claro que ele responderia que sim, Ichigo burro, agora ficou ainda mais dificil acertar as coisas com ele!- Porém, Ichigo. Sei que não tenho chances com você, nunca tive afinal.

Lembro que era sobre isso que eles estavam falando cedo, então é verdade que eu deixei mesmo o Renji para ficar com o Grimmjow... Mas tinha uma coisa que estava me intrigando, Renji também falou que Grimmjow levou o namorado, que no caso seria eu, até quase morte... Tudo bem que eu sofri um acidente a dez anos, mas isso realmente tinha sido por causa dele? E por que ele sumiu? Por que não manteve mais contato? Aaah... Tantas coisas, vim para resolver uma coisa e resolvi! Mas novas perguntas tinham se formado em minha cabeça...

–Mas eu ainda quero ter a sua amizade, será que você aceita?

–Ta' brincando? É claro! Você é meu melhor amigo a mais de dez anos! Acha que vou ficar sem falar com você pelo resto da vida só por termos pagado mais um mico?!- Ele ficou um pouco corado e abaixou a cabeça.- Aquilo foi só mais um ocorrido para por na memória, foi apenas um beijo na frente de todos os clientes frequentes do café, pff, Coisa boba! Porém, nunca-mais-faça-isso!

Avisei pausadamente olhando-o sério, ele apenas balançou a cabeça positivamente.

Eu antes deveria estar, como sempre, fazendo uma careta assustadora. Mas dei o melhor de mim para sorrir, de dei a ele o melhor sorriso que pude levantando-me. Pus as mãos em seu ombro e levei minha testa até a sua deixando minha boca afastada o bastante para que não acontecesse nenhum acidente.

–Me desculpe por não corresponde aos seus sentimentos Renji, é só que...- Eu estou amando aquele chato, idiota e psicótico do Grimmjow...- Não dá para ser você.

Ele me olhou por alguns segundos e depois deu um sorriso, afastando minha testa da dele, pegando em minhas bochechas com suas mãos e as apertando me forçando a fazer um biquinho, céus que criancice!

–Está tudo bem, eu já me conformei com isso.- Ele sorriu e me soltou levantando-se também e me acompanhando até a porta, mas não antes de eu forçá-lo a vestir um casaco. Quando saímos ele fechou a porta e se encostou na mesma, pondo as mãos no bolso e soltando ar gélido pela boca.- Sabe, eu nunca tive chances mesmo, posso continuar me conformando com a idéia de ser apenas seu amigo.- Ele cruzou os braços na frente do corpo e sorriu.

Me despedi e andei um pouco pelo bairro antes de voltar para casa.

Agora eu realmente escorreguei e caí de bunda no chão, saco!

Entrei bem devagar percebendo que já era tarde, não tinha reparado que havia andando mais do que "um pouco" no bairro. Todas as luzes de casa estavam apagadas, incluindo a sala por onde eu entrava agora na surdina. De repente o abajur ao lado da poltrona se acende e sentado no estofado estava meu pai com uma cara assustadora.

Eu levei um puto susto e acabei caindo de bunda no chão, de novo.

–Onde esteve?- Eu realmente não sabia do que ele estava suspeitando, ou por que parecia tão bravo, era estranho ver meu pai assim, eu me acostumei a vê-lo como um bobo alegre a muito tempo, ver ele com uma cara tão séria era no mínimo preocupante.

Ainda estava com raiva dele por não ter dito que Renji gostava de mim, e tinha certeza que a minha cara demonstrava isso, mas eu o chamaria de trouxa se tivesse medo da cara feia de seu próprio filho.

–Acho que não preciso dizer, não é? Afinal todos sabem de tudo sobre mim, menos eu é claro.- Ironizei dando um sorriso cínico, o que provocou-o a fazer uma careta ainda mais horrivel.

–Não ouse falar assim com seu pai! Onde esteve?!

–Não lhe devo satisfações, pai.- Dei ênfase ao "pai".- Como você pôde?! Como conseguiu esconder uma coisa tão importante de mim por tanto tempo?! Eu perdi minha confiança em você!... Imagino o que mais pode estar escondendo de mim...- Confessei já de saco cheio de tanto segredinho, ele parece ter ficado um pouco chocado de início mas logo voltou a carranca de antes, agora já vermelho de raiva.

–Não escondo nada de você por querer, eu apenas... Não importa! Eu sou seu pai, e sou eu quem não lhe deve dar satisfações. E enquanto você estiver na minha casa, debaixo do meu teto você fará o que eu mando e obedecerá as minhas regras, agora eu exijo que me diga onde esteve!

–Debaixo do seu teto hein...- Tive uma idéia louca, mas que por enquanto valia a pena tentar. Virei as costas evitando seus protestos e quando senti que agarraria meu braço girei e pulei no segundo degrau da escada lançando a ele um olhar de quem diz "que coisa feia!" e depois subi ignorando-o totalmente.

Por incrível que pareça ele me esperou na sala, então pude fazer minha mala tranquilamente. Soquei roupas dentro de uma mochila velha e por fim pus o retrato de minha mãe junto ao velho idiota e minhas irmãs abraçando-me, era uma foto um tanto fofinha...

Quando desci, meu pai estava sentado ao braço do sofá com os braços cruzados e uma perna em cima da outra, ainda com aquela carranca horrível na cara. Eu como o "ótimo" filho que sou o ignorei novamente e já ia saindo porta a fora quando ele gritou:

–Onde pensa que vai Kurosaki Ichigo?!- Eu dei mais alguns passos e finalmente girei para olha-lo com nenhum vestígio de sorriso, afinal por que diabos eu iria sorrir? Eu acabei de brigar com meu pai e estava prestes a sair de casa!

–Ora, o senhor não disse que tenho que obedecê-lo enquanto estiver debaixo de seu teto?- Ele ficou sem entender por um momento. Eu estendi as mãos para o céu estrelado.- Veja bem, não tem teto nenhum em cima da minha cabeça. Ou a idade está lhe prejudicando a visão?- Perguntei com escárnio vendo-o ficar vermelho de raiva.

Eu ouvi um som sair de sua boca, algo como um ganido misturado com um rosnar de Pitbull e depois bateu a porta com tanta força que o som se estendeu por quase todo o condomínio, eu não pude evitar e ri, apesar de saber que fiz uma grande merda era inevitável não rir depois de ganhar uma briga com meu pai esse tipo de felicidade poucas pessoas tem.

Certo, agora tinha um problema. Onde ficaria? Eu saí de casa sem nenhum planejamento, acho que até mesmo um adolescente bobinho que pensa em fugir de casa planeja todos os seus passos antes de sair. Bem, eu não sou mais um adolescente e nem sou bobinho. Apenas desprevenido...

Sentei-me em um dos bancos vazios da pracinha do condomínio e me estiquei, jogando a cabeça para trás e colocando as mãos no bolso para esquentar. Agora eu teria que pensar no que fazer.

Eu poderia ir para a casa da Rukia! Ou não... O irmão dela nunca deixaria. Eu também poderia ficar com Chad mas apenas lhe causaria problemas, Ishida nem pensar! Não conseguiria aguentar suas manias nem por dois dias... Inoue está fora de cogitação, ela já está casada, e também fora do país em lua de mel... Mas não quero falar sobre isso agora.

Eu poderia ir para a casa de Grimmjow!... Só que nunca! Eu prefiro dormir na rua a ir para a casa dele!

No final sobrou Renji, sei que fizemos as pazes mas não estou com vontade, e nem com a cara de pau de pedir a ele para ficar em sua casa por tempo indeterminado depois de cedo ter falado que nunca mais queria olhá-lo na cara... Mas era minha ultima opção no momento.

Levantei-me um pouco relutante do banco e caminhei até a casa de Renji sem muito entusiasmo. Sei que ele não diria não, ou pelo menos eu acho e também espero. Mas mesmo assim ainda sinto-me embaraçado por pedir-lhe depois do que aconteceu.

Quando cheguei a frente de sua casa respirei bem fundo e toquei a campainha, não demorou muito ele veio atender, oh céus... Deu vontade de dar meia volta e sair correndo gritando mil desculpas.

Seus olhos estavam levemente inchados, com manchas em baixo deles, que brilhavam bem mais que o normal. E as bochechas rosadas denunciavam claramente que havia acabado de sair de uma crise de choro... E pelo jeito que me olhou tava prestes a começar outro...

–Ren...

Não pude terminar de falar pois ele bateu a porta em minha cara, filho de uma... Boa mãe!

–Renji!?- Chamei indignado e preocupado batendo na porta frenéticamente. O medo de que fizesse alguma merda era enorme, e a culpa me consumiria depois por saber que eu, mesmo que indiretamente, causei a ele um acidente. Mas ele logo tratou de responder.

–Desculpa! Desculpa! Eu já irei abrir, espere só um minuto...- Sua voz era trêmula e abafada, tive uma breve impressão de que está encostado sobre a porta com a mão na boca evitando soltar algum soluço involuntário.

Suspirei, sentando-me ao lado da porta deixei a mochila de lado e mais uma vez pus as mãos no bolso, estava com frio, muito frio... As nuvens já começavam a tomar conta do céu antes abarrotado de estrelas multicoloridas, deixavam um clima monótono no ar, e os pequenos flocos que já começavam a cair anunciavam que o inverno finalmente havia chegado.

A cada respiração um novo bafo gelado saía de minha boca, e a cada minuto que se passava eu me encolhia mais.

–Um minuto hein...- Resmunguei abaixando a cabeça e pondo-as entre as pernas. Não demorou muito a porta se abriu, o ouvi dar algumas passadas antes de levantar a cabeça, vendo-o a minha frente tampando totalmente minha visão das poucas estrelas. Seu rosto estava diferente, seus olhos menos inchados e chorosos, suas bochechas agora estavam na coloração normal e estampado embaixo de seu nariz estava um sorriso amarelo totalmente desagradável, pelo menos na minha opinião.

Ele estendeu a mão para que eu me levantar e eu a segurei. Abri a boca para perguntar-lhe se estava bem mas ele me interrompeu descaradamente, o que deixou bem mais que óbvio que não queria tocar neste assunto.

–O que faz aqui? Pensei que tinha ido para casa.

–Eu briguei com meu pai... Longa história. Será que... Eu poderia ficar aqui por algum tempo?- Perguntei pegando minha mochila e me encostando na parede, sentindo o gelado passar pela roupa me fazendo estremecer e arrepiar.

–É claro que pode.- O tinha visto ficar de inicio surpreso, mas depois sorriu, agora de verdade, e falou como se fosse uma coisa extremamente normal e do tipo: "precisa perguntar?".- Agora vamos entrar, está muito frio aqui fora. Vou preparar um chocolate quente para nós.

–Certo, obrigado... E me desculpe.- Ele ficou estático por no máximo dois segundos e depois voltou a andar. Depois que eu entrei ele fechou a porta.
Ficamos sentados a mesa conversando enquanto eu tomava meu chocolate quente, aproveitando cada gole para esquentar totalmente meu corpo e quando eu terminei ele me disse para subir.

Sua casa tinha apenas dois quarto, o dele e de seus pais que vinham as vezes, eles trabalham fora do país e vem visitar Renji as vezes, como em feriados e seu aniversário, sempre lhe dando dinheiro para poder se manter. Lembro que uma vez ele me disse, que quando começou a morar sozinho dava festas e festas em casa, mas que depois se cansou de tanta gente bagunçando sua vida e escolheu a dedo quem gostaria que ficasse perto dele, e que no caso são as mesmas pessoas na qual eu prefiro manter por perto. Com exceção de Grimmjow para ele...

O desentendimento deles de mais cedo me lembrou uma briga de gato de rua. Igual aos que ficam me chateando embaixo da janela a noite.

Escovei os dentes e já ia me aconchegando no sofá quando ele falou:

–O que está fazendo?

–Indo me deitar?- Dãã!

–De jeito nenhum, pode ficar no meu quarto. Eu ficarei no de meus pais, de jeito nenhum que te deixaria dormir no sofá!- Eu quis protestar, dizer que não poderia, afinal o quarto é dele e eu era o intruso, mas antes de eu falar qualquer coisa ele se trancou no banheiro.

Eu dei de ombros e o ignorei totalmente. Me deitei no sofá e não demorou muito para eu apagar definitivamente para o mundo.

[Ponto de vista do Renji]

Já conheci muitas pessoas teimosas mas eu tenho que admitir e afirmar que esse ruivo ganha de lavada de todos!

Quando eu saí do banheiro após terminar minha higiene lá estava ele dormindo tranquilamente no sofá, ressonando como um gatinho. Eu bufei e me aproximei, primeiro levando sua mochila para meu quarto, depois voltei e o peguei no colo, vendo-o se agarrar a meu casaco e sorrir, e nesse momento eu tive uma grande vontade de matar aquele desgraçado de cabelo azul, esconder seus restos e dizer a Ichigo que ele sumiu, apenas para ficar com ele...

O coloquei na cama e antes que pudesse me afastar acabei tropeçando... Para meu azar, ou sorte, meu rosto ficou bem perto do seu, a ponto de nossas respirações se misturarem e sua boca não roçava na minha por milímetros de distância.

Sentia meu coração bater a mil, minha bochecha arder, e para realmente meu azar comecei a ficar excitado.

"Ele com certeza está dormindo pesado." Eu pensei.

"Não faria mal nenhum apenas um beijinho." Pensei novamente.

Meu rosto se aproximou mais do seu, minha boca finalmente tocou a sua, um segundo, cinco segundos, dez segundos, vinte segundos... Minha língua se encontrou com a sua no primeiro segundo, e no quinto para minha surpresa ele retribuiu.

Nossas línguas dançavam em nossas bocas em uma coreografia quase perfeita, como se já tivéssemos feito isso várias vezes, o que era impossível.

No vigésimo segundo eu me separei dele, com medo de que pudesse acordar com falta de ar. Levantei-me da cama e fiquei observando-o por alguns segundos, vendo sua respiração irregular e suas bochechas rosadas, sua boca antes aberta procurando ar contraiu-se em um l argo sorriso o que me fez sorrir de igual. Pelo menos por alguns segundos, antes de ver sua boca se abrir e sua doce voz sair abafada.

–Grimmjow...

Foi o que eu ouvi, ele o chamou em seus sonhos...

Minha vontade de matar aquele cara de cabelo azul foi ainda maior agora.

–Maldito homem que me roubou este anjo...

Notas finais
Bem é isso, dessa vez ficou bem grande neh? kkkkk Enfim, digam o que acharam, deem suas opiniões e se acharem algum erro culpem a Yuna :) Kisses da Yuki~~* Ciao~