Lost Memory
4 Dormi na Casa de um Gostoso Psicótico!
Notas iniciais
–Grimmjow...- Consegui chamar entre os gemidos, erguendo-me até quase me sentar e pegando em seus cabelos o puxei novamente para minha boca beijando-o e começando uma nova batalha entre línguas e mesmo quando o ar se faltou eu continuei segurando-o, indo até seu pescoço e fazendo a ele o mesmo que fizera comigo — posso considerar isso um tipo de vingança? — e subindo até sua orelha puxei forças da alma para dizer aquilo.- Eu quero...- Murmurei em seu ouvido enquanto mordia o lóbulo enquanto tomava ainda mais coragem para falar o resto.- Me come...- Com a voz mais sensual que eu consegui sussurrei em um tom quase inaudível voltando a beijá-lo esperando sua reação. Ele desvencilhou-se de beijo e voltou seu caminho ao meu pescoço indo até minha orelha novamente e sussurrou com uma voz extremamente sexy.
–Não.- Não?! Como assim não?! Viado escroto filho de uma puta! Você que veio para cima de mim que nem gato no cio e agora me diz "não" quando peço pra você me comer?! Vai pra puta que pariu!
–Não?! Por que não?!- Eu gritei empurrando-o e tentando me levantar mas minhas pernas falharam e eu caí de bunda no chão, tinha algo errado...
Ele se levantou e sentou-se no sofá, puxando um maço de cigarros de trás do estofado e acendendo um, cruzando as pernas e soltando uma fumaça sufocante pela boca.
–Não, simples assim.- O cu dele que é tão simples assim!! Me levantei novamente e tive que me segurar no sofá para não cair novamente, tinha com certeza algo errado, agora me sentia tonto...- Você não se lembra de mim Ichigo? Realmente não se lembra de mim?!
–Não faço idéia de quem você seja?!... O que colocou naquele café?- Ele me drogou, só pode! Foi o que pensei antes de ver sua cara de confuso, pus a mão na cabeça e me escorei melhor no sofá para conseguir ficar em pé, minhas pernas estavam bambas, me sentia tonto e a dor de cabeça era de matar...
–Do que está falando? Não coloquei nada no café.- Não, imagina! Mas se isso fosse verdade, então por que me sentia tão mal?
–Ichigo, está tudo bem?- Ele perguntou colocando o cigarro no cinzeiro e se levantando.
–Não chegue perto de mim!- Gritei tacando uma almofada nele e voltando a me escorar no sofá.- Seu louco! Eu nunca o vi em toda a minha vida!- Queria sair dali de novo, arrependido por tudo o que aconteceu, por não ter parado, e por ter me deixado levar, ter me deixado ser seduzido por ele. Estava com raiva de mim por ter gostado de seus toques, e ter pensado no que mais poderia acontecer naquela noite. Mas agora esse louco psicótico me drogou e sabe-se lá o que ele pode fazer comigo agora.
–Me diga o que está sentindo porra!- Queria tanto mandá-lo ir tomar no cu e sair correndo dali, mas não consigo nem me manter em pé direito, ainda mais correr. Ele jogou a almofada que havia tacado nele de volta ao sofá e começou a vir na minha direção, o que me provocou um arrepio na espinha.
–Eu ja disse para não chegar... Perto de mim...- Tentar me afastar dele foi com certeza uma péssima idéia, uma nova tontura e tudo ficou escuro por alguns segundos, e quando recobrei os sentido pude sentir seu calor em meu corpo e suas mãos segurando-me fortemente.- O que vai fazer comigo?...- Perguntei vendo-o franzir o cenho e olhar-me de cara feia apertando-me contra seu corpo mais forte que antes, doeu mas eu absolutamente não diria nada.
–Ja falei que não vou fazer nada, caralho!- Bradou e eu estremeci por causa do volume de sua voz, minha cabeça pulsou de dor e eu soltei um suspiro. Apesar de seu corpo ser quente, sua mão estava fria e ela em minha testa provou um grande alívio na dor, mas ele se afastou rápido segurando-me ainda mais forte e me levando para o que parecia ser o quarto.- Está ardendo em febre! Como conseguiu chegar a esse ponto?- E eu lá vou saber? Por causa da chuva talvez, ou eu já estava e a chuva apenas intensificou os sintomas.
Eu levantei a cabeça olhando-o no rosto e conseguia enxergar mesmo que com dificuldade, certa apreensão, pensativo, preocupado e até mesmo frustrado.
–Eu ainda não acredito, que não se lembra de mim Ichigo...- Até pode ser que o conhecesse, ou conheci, pelo menos antes de "aquilo" acontecer.
–Me desculpe, mas... Ah dez anos eu sofri um acidente e, perdi uma parte das minhas memórias.- Ele parece ter ficado completamente chocado, e quase me deixou cair o que resultou em um mini ataque cardíaco vindo de mim, mas ele me segurou novamente, mais firme que antes, e desta vez parecia estar me abraçando, escondendo seu rosto na curva de meu pescoço.
–Eu... Eu sei que não vai se lembrar disso mas... Estou de volta, Ichigo.- Algo atingiu meu peito como uma facada, meu corpo pareceu ter lembrado de algo, mas meu cérebro não conseguia processar nada mais. Minha consciência quase implorava para eu lhe dizer algo, mas mais nada saía de minha boca, estava tão cansado... Meu corpo inteiro doía, e eu queria apenas dormir, e foi exatamente o que fiz, simplesmente apaguei;
Acordei assustado sem saber, não me lembrava do que havia sonhado, apenas borrões incoerentes passavam por minha cabeça. Levantei da cama e dei graças aos deuses por agora estar devidamente vestido, calça de moletom preta e outra blusa branca larga, queria não comentar mas um friozinho em minhas partes íntimas denunciavam que eu estava sem cueca...
Não acreditava que tinha mesmo dormido na casa daquele cara, e falando no diabo, me pergunto onde ele está agora... Comecei a andar pela casa procurando por ele, de madrugada eu realmente não havia reparado, mas na sala no canto havia um lindo e reluzente piano de cauda tradicional de madeira preto, um banquinho solitário a sua frente e nada mais em volta deixando-o apenas como o grande destaque, me deu uma grande vontade de tocá-lo mas estava totalmente fora de questão, não sei tocar piano!
Um ruído perto da cozinha me fez ir até lá mas não o via, olhando em todos os lados ouvi o ruído novamente e um arrepio correu minha espinha em pensar que poderia ser um rato, mas seria uma puta sacanagem um apartamento desse calibre ter ratos! Aproximei-me da parte de trás do balcão e me surpreendo ao ver um gatinho branco de patinhas pretas e olhos bicolores de azul e verde.
–Hey... Como eu não o vi de madrugada?- Me perguntava pegando o gatinho no colo e vendo-o e acomodar em meus braços.- Devia estar dormindo não é? Seu dono é horrível sabia? Saiu e nos deixou aqui sozinhos, se pudesse te levava pra minha casa.- Conversava com ele enquanto fazia carinho, procurando ainda por algo que indicasse onde aquele idiota foi e algum tempo depois vi um bilhete em cima da mesa de centro na sala.
–Fui trabalhar, deixei o café da manhã para você na cozinha, suas roupas já estão secas e sua febre abaixou pela manhã. Quando for sair deixe a chave reserva em baixo do tapete... Obs: sei que gosta desse tipo de animal e caso tenha visto o gato não pense em levá-lo... Mas que filho da puta!- Xinguei no final olhando para o gatinho que havia dormido em meu colo, como ele sabia que amava gatos?! Desgraça de homem estranho! Gostoso... Mas estranho!
Por favor senhor, assim que eu cruzar esta porta não me deixe encontrar este homem nunca mais!
Soltei o gatinho e voltei ao quarto pegando minhas roupas e as vestindo, voltei a cozinha e tomei meu café não demorando para sair daquela maldita casa, como havia pedido coloquei a chave embaixo do tapete e fui para o elevador e apertei o botão para o térreo, nem parecia que estávamos no décimo terceiro andar; quando já ia sair prédio a fora ouvi a recepcionista me chamar, e sem entender apontei para mim mesmo para saber se era comigo e ela assentiu. Me aproximando do balcão a olhava dos pés a cabeça, baixinha cabelos ruivos e olhos verdes, e o que me chamou a atenção era o quanto parecia com medo, será que eu estava com uma cara tão feia assim?
–Sim?
–Sr. Kurosaki, o Sr. Jaeguerjack deixou esta quantia em dinheiro para que pudesse ir para casa. E disse que se não aceita um não, e se mesmo assim o senhor não quiser q-que é para e-eu ligar para e-ele vir a-aqui... Por favor não me olhe assim...- Ela começou a gaguejar no final enquanto pegava um envelope em baixo da bancada, e quando terminou de falar eu pude ver algumas lágrimas em seus olhos, céus, aquele homem me deixava com raiva até mesmo longe! Não preciso me olhar em um espelho para saber que minha cara estava carrancuda, como se tivesse pronto para matar alguém, o que a recepcionista achou que fosse ela. Desgraça de homem gostoso e possessivo que me deixa louco!
Eu peguei o envelope da mão trêmula da recepcionista e tirei apenas uma pequena quantidade para o ônibus, não daria, mesmo, o gostinho de vitória àquele psicótico de cabelo azul!
–Mas...
–Mas nada moça!- A interrompi jogando o envelope no balcão e saí. Como não fazia a mínima idéia de onde poderia ser o ponto de ônibus eu pe'rguntei ao manobrista que atendeu Grimmjow na madrugada, explicou-me onde era e eu finalmente fui embora, o ônibus não demorou e em minutos já estava em casa.
Como sou bem prevenido e conheço meu povo, abri a porta e pulei para o lado, vendo apenas um vulto passar a minha frente como uma bala...
–Boooom dia Ichigo!!- Esse era meu pai retardado. Entrei em casa o ignorando totalmente, estava bem, era sempre assim afinal e depois de um tempo você acaba se acostumando.
–No caso seria boa tarde velho.- Corrigiu Karin levando os hashis a boca novamente, agora que ela falou nem sabia da hora...- Ichi-nii você ficou aonde? Na Rukia? Ou na Orihime?- Mas hein?
–Karin-chan! Não fale assim, pode ter sido na Tatsuki-chan também!- Mas o que essas meninas estão falando?!
–Ah Yuzu também pode ter sido no Renji.
–Ou no Uryuu-san...- Não pode ser que elas estavam pensando em...
–Hey! Quando foi que vocês ficaram tão pervertidas? Não dormi na casa de nenhum deles, foi um outro amigo, vocês não conhecem.
–Ah fala quem é!- Pediu Yuzu. Céus como eu falaria para elas que dormi na casa de um completo desconhecido de nome estranho?- Ele era bonito?- Por alguma razão senti um certo desconforto, desconforte desconhecido totalmente por mim.
–Sim...- Falei meio que sem querer, ah agora foda-se já comecei a falar mesmo.- O nome dele era Grimmjow Jae- alguma coisa.- Falei dando de ombros e ouvi um barulho na porta, era meu pai idiota caindo novamente, tudo bem cair quando se pula para chutar o filho, mas cair tropeçando em uma formiga também não dá né?!
–Grimm...- Começou Karin mas ela gemeu um "ai" e voltou a ficar quieta com uma careta um tanto assustada, na verdade todos os três aparentavam espanto e por um segundo eu tive a curiosidade para saber o por que do susto, mas só em pensar no nome complicado desse homem já era de se espantar então apenas fiquei quieto. Sem falar mais nada voltei à sala e subi as escadas para tomar um delicioso e desejado banho quente, era domingo, não teria trabalho, dia inteiro livre, dia que irei tirar para dormir.
[Pov 3ª pessoa]
–Papai...- Chamou Yuzu olhando tristemente para o homem que se sentava ao chão coçando a nuca nervosamente.- Ele voltou, o que... O que faremos agora?
–Não podemos fazer mais nada.- Falou Karin comendo mais um pouco de seu almoço, com um olhar triste encarando um ponto insignificante em seu prato.- Eles já se encontram, o que mais podemos fazer?
–Não se engane Karin, e também não duvide de seu pai.- Tinha o olhar determinado, levantando-se do chão e indo até a mesa sentando-se ao lado de suas filhas e voltando a comer seu almoço. Se tinha algo, no caso alguém que Isshin Kurosaki odiava era este homem, este homem gostoso de olhos e cabelos azuis que se atreveu a mexer com sua família.
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