Lost Memories

1 Lembranças


Notas iniciais
Oi, pessoas!
Esperamos que gostem dessa história... E falem sua opinião, porque é muito importante pra gente saber o que vocês estão achando.
Boa Leitura e aproveitem!!!

“Tínhamos seis anos. Estávamos lá eu e você brincando no parque, correndo entre as árvores, pulando as raízes, desviando dos galhos baixos. Eu ria enquanto corria, você tentava me alcançar, suas roupas estavam sujas e achava que as minhas não estavam diferentes. Estava em vantagem, uns três metros, continuamos a correr até chegar numa clareira, quando tropecei em um galho e acabei caído por cima do meu pé, fechei os olhos com a dor e logo quando os abri você estava se abaixando do meu lado. Não tinha como você me carregar no colo, apesar de eu ser magra, você não era consideravelmente forte, você me ajudou a levantar, pegou meu braço e colocou em volta do seu pescoço e sua outra mão segurou minha cintura. Meu pé doía, mas não reclamei muito pois não queria te preocupar mais, assim fomos de encontro com nossas mães, que estavam conversando, até nos verem. Minha mãe veio correndo até nós e me pegou no colo, você veio atrás, perguntando se eu ia ficar bem, minha mãe falou que sim. Ela me colocou sentada no banco, enquanto procurava na bolsa térmica, que tinha trazido para fazermos um piquenique, um saquinho de gelo. Sua mãe brincava com meus cabelos e você acariciava minha mão , minha mãe colocou o gelo em meu tornozelo e eu fiquei o resto do piquenique no banco com você ao meu lado. Logo depois disso tive que ir ao hospital para ver o que teríamos que fazem com o meu pé.”

“Estavam todos cantando, conversando, comendo, rindo, surfando, molhando os pés ou tomando sol. Seu pai disse que como você já tinha 10 anos, estava na hora de te ensinar a surfar. Na areia você estava indo bem, então seu pai decidiu que já era a hora de enfrentar o mar. Depois de muitas ondas terem te derrubado, você conseguiu pegar uma onda, bem nesse momento sua mãe tirou uma foto, mas você tão preocupado em fazer pose para a foto, acabou se desequilibrando e caiu, mas esse foi seu último caldo daquele dia. Quando saiu do mar, veio correndo até onde eu estava sentada, e quando chegou bagunçou seu cabelo, respingando água em mim e no meu livro, você começou a rir. Eu me levantei pronta para correr atrás de você pelo seu crime, você não perdeu tempo e saiu correndo e antes de ganhar velocidade você acabou esbarrando no seu pai e caiu. Eu já estava com um pouco de velocidade e tropecei em você, caindo do seu lado, com minhas pernas em cima das suas, sua mãe com a câmera na mão não perdeu tempo e tirou uma fotografia nossa naquela posição, o que eu mais gostei quando a vi foi que estávamos com um sorriso tão verdadeiro em nossos rostos, que por dias eu a carreguei para aonde quer que eu fosse.”

“Você tinha uma conexão inexplicável com a água, como se um fosse feito para o outro. Qualquer coisa envolvendo a água você se saia bem. Por isso não me admira você ser um nadador excepcional, um medalhista. Mas teve certo momento na escola em que você começou a se envolver com pessoas que não deviam, te mostraram as ilusões da vida, nadadores e nadadoras que queriam só vencer, sem treinos e sem esforço, lhe apresentaram ao caminho mais fácil, o caminho errado, eu sei que você foi firme da primeira vez em que lhe falaram o que você deveria fazer, mas depois começou a ficar receoso, inseguro, nas competições você não estava quase subindo ao pódio, e acabou se entregando a tentação, isso acabou com você. Óbvio que naquele amistoso você ganhou, mas não transmitia felicidade. Eu fingi não notar e lhe dei os parabéns, eu não sabia o que estava acontecendo, você estava andando mais com seus novos amigos, não ligava muito para os velhos. Você me levou lá para fora e fomos caminhando para casa. Estávamos perto da minha rua quando você pegou minha mão e me levou três ruas para frente, onde se encontrava o parque, o mesmo em que eu torci meu tornozelo há nove anos, o parque que sempre vamos para caminhar ou desabafar algo um para o outro. E eu tinha 100% de certeza que não íamos só caminhar, você queria falar algo. Paramos no banco próximo a clareira. Você primeiro foi preparando o terreno falando de como decaiu na natação, começou a ficar inseguro e não devia ter ganhado essa prova. Você usou doping. No momento eu não falei nada, estava em estado de choque, eu queria esmurrar sua cara, mas isso não ia adiantar, não dá para mudar o passado, mas conseguimos escrever o futuro. Não lhe dei um sermão, somente lhe adverti, você assentia de cabeça baixa. Me falou que não queria parar de nadar, já que tem uma punição para isso, mas você não achava certo o que tinha feito. Lhe disse que essa prova só tinha sido um amistoso, mas desse dia em diante não era para você usar nem que fosse um treino. Você me prometeu isso em troca lhe dei o meu silêncio. Depois de um tempo em silêncio, você começou a falar, ainda me lembro muito bem das palavras que saíram da sua boca e as que saíram da minha, ‘isso aqui está parecendo um grupo de apoio de um livro...’ te interrompi lhe perguntando desde quando você lia, ‘tá bem, igual a um filme que eu vi, e nele um carinha perguntou quais eram os medos das pessoas que estavam ali, um deles falou que era ser esquecido. Eu tenho o mesmo medo dele, mas não de ser esquecido e sim de esquecer o que eu quero, o que eu desejo, o que eu penso, o que eu sou. E você, qual o seu medo?’ Processei o que você falou, e antes de eu poder controlar minha boca ela teve vontade própria e falou: ‘tenho medo do amor, de eu pensar que é a pessoa certa para meu futuro, mas quando estiver grávida ou quando disser que o amo ele partir, tenho medo do que aconteceu com minha mãe aconteça comigo.’ Ficamos um tempo em silêncio, mais uma vez, cada um perdido no seu próprio pensamento. Até que você interrompeu meus pensamentos dizendo ‘Se eu me esquecer de alguma coisa, de quem eu sou, qualquer coisa, você vai me ajudar a lembrar, assim como se acontecer à mesma coisa que aconteceu a sua mãe com você, eu caço o desgraçado. Promete?’ Eu só assenti com a cabeça. Levantamos-nos e fomos caminhando cada um para a sua devida casa, cada um pensando no que acabamos de prometer.”

“A formatura ia se aproximando cada dia que passava, a agitação e a angustia dos formandos ia aumentando, saber que no próximo ano estaríamos numa faculdade ou trabalhando, alguns iríamos ver, outros não teríamos mais notícias. Preparar os ternos e os vestidos, tirar foto, decidir o local, a música, a decoração, quem vai com quem, mas do que adianta essas coisas se não passar de ano? Em pleno fim de semana, o sol brilhava lá fora no céu azul, todos buscavam alguma maneira de se refrescar. O barulho da caneta no papel era o único som que havia no seu quarto, até que ele parou, você falou pela centésima vez que desistia e eu te expliquei de novo, mesmo assim você não estava conseguindo resolver. Fiquei te explicando até tarde da noite, quando você finalmente entendeu. Guardamos tudo, você ligou a TV, e me puxou junto com você para deitar na cama. Estava passando uma série, começamos a vê-la, mas eu estava tão cansada que logo fechei os olhos e dormi.”

“Estávamos nos despedindo no aeroporto, eu tinha me mudado para o outro lado do país para cursar a faculdade já fazia cinco anos, eu tinha me formado e você veio para a cerimônia, e trouxe junto sua namorada, que você tinha conhecido na faculdade. Ela era ruiva, cabelos longos e cacheados, possuía olhos verdes intensos, com uma altura média e um peso proporcional a sua altura, tinha um estilo despojado, mas moderno, ela estava formada em artes. Vocês estavam juntos há quase dois anos e meio, e só naquela semana eu recebi a notícia, não sabia se ficava triste por você não ter me contado ou ficava feliz por vocês. Mas tudo bem, já tínhamos 22 e estávamos formados: você agora era um biólogo e eu arquiteta. Cada um foi por um caminho, cada um fez sua escolha, e agora mais uma vez estávamos dizendo adeus. Até quando eu não sabia, só não contava que nos reencontraríamos de uma maneira nada agradável. Quando o avião se ergueu no ar eu pensei: agora quem foi embora foi você Cabeça de Alga.”

Notas finais
E aí, o que acharam?
Até o próximo... Bjss