Lost Inside
21 Porque é perceptível.
Notas iniciais

— Sa-To-Ru-Kun! – Sakura ronronou, apertando a bola de pelos contra si, o gato soltou um baixo gemido, esganiçado.
— Sakura-chan, assim ele não respira – Falou Kakashi.
— Hum?
— Isso são roupas para aparecer a esta hora, mocinha? – brincou Kiba.
— Ela estava tirando um cochilo, chegou antes do amanhecer com Amane e resolvemos traze-la logo, então ficou repondo o sono num dos quartos. – Kakashi comentou, delicadamente tirando o gato dela e deixando-o fugir, o que foi inútil. Uma mecha o inteceptou antes que chegasse à porta do corredor e o trouxe de volta ao sufocante carinho dos braços dela. – Pobre animal...
— Hum?
— Nada, vou te levar até a cozinha e Ino vai cuidar de você.
— Estou com fomeeee.
— Vamos – ele a guiu pela mão, mas ela continuou levando o gato embaixo do outro braço.
Sasuke soltou o ar o mais baixo que pode, e pensou que foi um maldito descuido de Ino, deixar Sakrua transitando assim na frente de homens.
Eram todos amigos, mas não era certo deixa-la se acostumar. Ela era bonita demais para que qualquer homem pensasse ou aceitasse de cara, suas singularidades.
Não que ele pudesse criticar alguém...
Deus, ele era o pior.
Logo Ino veio a passo ligeiro e muito irritada, puxando Sakura pela mão.
— Mas que diabos, que diabos! Onde já se viu uma dama andar assim huh?! E ainda por cima uma princesa?! Quer se tornar alguma exibicionista?!
O tom dela era tão severo e indginado que mesmo não sabendo o que bulhufas ela queria dizer, Sakura teve certeza que era algo muito mal e sacudiu a cabeça em negação.
— Nããããooo!
— Não seja tão má com ela, Ino – pediu Sai, compadecido.
— Saaaai...- Sakura chamou já querendo uma “barra de saia” para se esconder.
— Que Sai o que! Você cale a boca, branquelo! Vamos! Tem que por algo decente e arrumar esta cara lavada! E solte o pobre animal!
Satoru-kun miou, em total concordância para a última parte.
A campainha tocou e Kakashi foi atender, dando entrada para Lee e Tenten.
— Ohayo!
— Ohayo.
— Oh, estão todos aqui!
— Lee, andou sumido, amigo – disse Chouji.
— Ah, estava treinando Metal Lee ultimamente.
— Hey, porque não trouxe o garoto?
— Ele foi ficar com os avós, haha.
— Onde estão as meninas? – disse Tenten.
— Na cozinha, é por ali.
— Oh, que bela casa hein, Kakashi-san? Bem que Gai-sensei o chamava de playboy.
— Gai? Que cruel da parte dele, é ele quem vive viajando de terma em terma.
— Hahaha, verdade.
Ela seguiu para a cozinha levando algum prato, e Lee trazia uma pequena sacola preta que deixou sobre a mesinha ao se sentar.
Logo a TV foi ligada e eles se entreteram num jogo de dois grandes times, Sasuke nem sabia quem eram, mas torceu logo para o de vermelho, eles ao menos pareciam ter uma estratégia.
— E tente se comportar, e não bagunce o cabelo em menos de dois segundos. – Ino disse, retornando, Sakura a seguia saltitante em um par de sapatilhas de saltos quadrados e pouco altos. Vestia uma blusa vermelha de mangas curtas e barra para dentro do short azul escuro de cintura alta e justa com duas carreiras de botões dourados. O cabelo estava para o alto quase como uma serpente agora, porque a loira o prendera num rabo de cavalo que provavelmente não duraria muito mesmo, a fita vermelha não parecia que daria conta de conter tanto cabelo.
— Sakura...onde está o gato?- Kakashi, indagou, preocupado com o bichano.
— Ele escapou dela – Ino disse. – Depois que ela tentou dar banho nele!
— Sakura...
— Mas tomar banho é gostoso, porque Satoru-kun não gosta?
— Gatos não gostam muito de água, eles preferem tomar banho de seu próprio jeito.
— Eh? Como?
— Eles se labem até ficarem limpinhos –A loira deu de ombros indo para a cozinha – Tenten? Onde está meu bolo?!
Sakura franziu o cenho e lambeu o pulso.
— Não tem graça...
— Apenas gatos gostam, é da natureza deles.
— Oh.
— Hey, você continua cheia de curiosidade hein menina? – Lee declarou, bem humorado, ele se levantou pegando o saco.
— Lee!
— Yo!
— Você trouxe algo pra mim?
— Oh, que adivinhona, haha, trouxe sim – Ele mexeu no saco e tirou um grande pirulito branco e verde de dentro, oferecendo a ela. – Esse é especial, você vai gostar.
— Oh?!
— Esse sim você pode lamber, haha.
— Huh? Sakura-chan está trapaceando? Ela não gosta de doces.- Falou Himawari, as crianças voltaram provavelmente após serem expulsas.
— Tio Lee, assim não é justo! – disse Chouchou – Eu também quero.
— Hai hai, tem pra todo mundo, só não esqueçam de escovar os dentes ou as mães de vocês me matam.- Assim ele distribuiu mais um bocado de pirulitos enormes entre eles.
— Desde quando você gosta de doces?! – Boruto indagou, idignado em ver Sakura lamber o doce com tanta vontade.
— Esse é diferente, é de limão! – Riu Lee.
— Limão?!
— Azedinhoooo – Sakura exclamou, adorando.
— Ah...
— Ela não sente o doce, mas o azedo...- Lee lembrou.
— Boa tacada, Lee, agora saia da frente, queremos ver o jogo.- Falou Kiba.
— É!
Ele voltou a se sentar e as crianças foram exibir seus doces apenas para que as mães soubessem que não passariam fome até o almoço, posto que elas se recusaram a dar nem que fosse uns petiscos.
— Só podia ser o Lee. – disse Tenten.
— Se me vier com cáries arranco seus dentes, garoto – Ino intimou Inojin que assentiu, rindo. – Humpf, e até você?!
— Azedinhooo.
— Fala sério...
— Você tem é que tomar um café decente, e não ficar comendo besteiras – Karui, repreendeu.
— Ela acha de acordar já perto do almoço...- Hinata pegou uma bandeja pequena e logo juntou um café amargo com algumas bolachas salagadas e bolinhos – As vezes me preocupa que ela não ingira muito açúcar, e sim sal, pode aumentar a pressão dela.
— Infelismente já está, mas podemos equilibrar com bastante massa e... talvez mais pirulitos de limão – Ino riu.
— Presumo que o fato de ela se curar rápida ainda seja um risco, ela pode acabar ocultando os próprios sintomas de qualquer problema – Karin comentou, pensativa.
— Infelismente sim, ela pode acabar ocultando alguma doença severa, por isso faz check-ups todo santo mês.
— Hum.
— Agora vamos falar de algo interessante? – falou Tenten – Só eu notei aquele beeeelo vaso de flores na sala do Kakashi?
— Oh! Eu estou com isso encucado desde que cheguei! – Ino declarou.
— Será um toque da empregada ou...
— Um toque feminino?!
— Kakashi se arranjando com alguém? Hmmm, preciso saber! Fofocas fofocas!
— Mas por que ele seria tão discreto? Não é um crime namorar!
— Velhos são assim mesmo...
— Então ela também é velha?
— Ora, ele não namoraria alguém tão nova! Trata todas nós como filhas.
— Talvez não sejamos o tipo dele! Hahaha!
— Bobagem, Kakashi é velho, ele não perderia tempo se aventurando apenas, esta pessoa pode vir a se tornar a futura senhora Kakashi!
— Precisamos de mais informação, eu olhei a casa toda, mas além do vaso não vi nada.
— Ela com certeza é ninja também!
— Mas não dá pra montar guarda aqui né?
— Na porta do prédio?
— Não exagera, Ino...
— Tá tá...
— Precisamos de um espião!
— Mas quem poderia ficar aqui o tempo todo sem levantar suspeitas? Kakashi obviamente evitaria trazer tal pessoa.
— Sim, mas ainda poderia deixar algo escapar em frente alguém que, aparentemente não percebesse...
— Mas quem?
— Sa-To-Ru-Kuuuun! – Exclamou Sakura, capturando o gato nos braços mais uma vez.
Elas a fitaram com olhos estreitos.
— Oh...- Começou Ino.
— Ino! Não!
— Eu acho que ela serve...- Karin, disse.
Droga, elas falaram tanto, que até ela ficou curiosa.
— Não tem como deixar Sakura com ele! – Murmurou Temari.
— Kakashi a trata como uma filha, não vai ter diferença!
— Mas ela nunca conseguiria descobrir algo!
— Que bobagem! Sakura percebe coisas que nem nós percebemos! Claro que ela vai saber se o Hatake estará suspirando de amores por aí! Só pode não saber como interpretar, e é aí que nós entramos!
— Ino...
— Já está dedicido, nem faremos sorteio, ela fica com Kakashi!
— Ele vai perceber!
— Forjamos então!
— Ino! Isso é trapaça!
— Cedo ou tarde todos terão que cuidar um pouco dela, não tem problemaaa!
— Argh!
— Não acredito que vou participar disso!
— Sakura, você quer ficar morando um pouco com o Kakashi-sensei e o gato?
— Haaaai!
— E você vai nos dizer que algo estranho acontecer né?
— Estranho?
— Tipo se o sensei ficar falando ao telefone muito gentil, ou mesmo suspirando por aí...
— Ela não entende isso, Ino!
— Um dia vai ter que entender!
— Aaargh!
— Suspirando...? – Sakura indagou, pensativa
— Tudo bem, não se preocupe – Falou Hinata.
— Só espero que isso dê certo.
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— “Quem quizer fazer o que ele faz...— Sakura cantou, segurando as paras dianteiras do bichano e o fazendo andar sobre as traseiras —...E imitar todo o jeitão de um gato viver”
— “É bicho, vem no embalo que um gato tem
De outra maneira não convém”.
Mangetsu cantou com ela. Recordando o desenho em que a canção tocara. Era um filme sobre gatos arruaceiros que ele adorava ver.
— “...Todo mundo, todo mundo, quer a vida que um gato tem!”
— Ownt, você ainda lembra desse desenho velho, Inojin via quando ainda era bebê – Ino comentou.
— Boruto também – Hinata lembrou, bem humorada.
— Ora do almoço, pessoal – a loira anunciou.
— Até que enfim – brincou Kiba.
— Não reclame, seu cachorro.
Eles foram se levantando e se dirigindo para lá, Sasuke suspirou, percebendo que o Dobe estava realmente atulhado de serviço para até então, não ter chego.
Percebia que Boruto estava mau humorado e Himawari um pouco cabisbaixa.
Ele se levantou, e sentiu novamente, ânsia de se livrar da maldita tipóia.
— Que-Quem é? – Sakura preferiu, assustada.
— Sakura? O que foi? – Kakashi indagou, se abaixando, ela se levantou, completamente transtornada encarando a direção em que o Uchiha estava, o rabo de cavalo se moveu , traçando uma linha entre os dois.
— Quem é você?
— Huh?
— Querida, como assim? É apenas o Sasuke – Ino falou.
— Não é... Era mais não é mais... é diferente é estranho... Onde está o Sasuke?
— O que foi? – Karin indagou, vindo até, ele, ele moveu a cabeça sem entender mas completamente incomodado com o olhar de Sakura.
Ela parecia realmente não reconhecê-lo, atenta a seus movimentos, e completamente na defensiva, o muro que traçou entre eles parecia ve-lo como ameaça até para as crianças.
— Eu não sei, eu não fiz nada.
Sakura levou as mãos aos ouvidos.
— Mas não é! Não é!
— Porque você acha que não é o Sasuke? Sasuke estava aqui o tempo todo, querida.
— Não é! Não é! – assim ela seguiu direto para os quartos sem destapar os ouvidos.
— Sakura?! Sakura?!
— Mas o que diabos... Você tem certeza que não fez nada? – disse Tenten.
— Eu estava sentado aqui desde que ela acordou, nem cheguei perto – ele respondeu, irritado.
— Ela não tem contato com você a meses, talvez algum detalhe em seu chakra tenha mudado? – disse Lee.
— Mas ela teria percebido assim que chegou à sala! – contrapôs Sai.
— O que mudou em você para ela estranhar? Se nem pode te ver?!
Eles o encararam e isso já estava...
— O braço! – Exclamou Mangetsu – Sasuke-dono agora tem um braço novo!
— Mas não faz sentido, ela nem pode ve-lo... – Lembrou, Shisui.
— Só saberemos perguntando pra ela – Shikamaru declarou.
— Vamos, Hinata. – Ino chamou-a.
As duas seguiram para o quarto, e encontraram Sakura escondida de baixo dos lençóis.
— Sakura...
— Assustadooor! – ela choramingou, escondendo-se, as duas olharam para trás e deram com o Uchiha.
— Oh, espere lá fora!
Ele ignorou. Hinata seguiu até a cama e entrou embaixo da coberta até achar Sakura.
— Sakura-chan, o que foi? Sasuke-san é o mesmo de sempre, porque não reconhece?
— Não é! Não é!
— O que tem de diferente nele? É o chakra?!
— É o mesmo chakra! É a mesma voz, mas é outro.
— Porque tem outro? O que tem de diferente nesse? – Ino indagou.
— Ele se move diferente...
— Huh?!
— Matei! – Exclamou Shikamaru, Sasuke se virou o encarando.
— Como?
— Seu chakra é o mesmo mas se move diferente, seus passos soam diferentes, eu não sinto mais como era antes. – Sakura balbuciou, perturbada e ameçando chorar.
— Por quê?
— Eu não seeei, não é ele!
— Ah.
— É o mesmo Sasuke, Sakura, você só não reconhece porque ele mudou um pouco quando você viajou – O Nara disse.
— Como ela pode ter percebido?
— Sasuke, depois que você perdeu o braço, obviamente teve que aprender a lidar com isso, lutar sem ele, se mover e fazer tudo sem ele.
— Claro...
— E claro que não tem como você se mover da mesma maneira que se movia antes, agora, você recuperou o braço e está voltando a agir como antes, seus modos estão se readequando, seu chakra agora se espalha para o outro braço.
— Hn.
— Sakura sente chakras, e ouve muito bem, é possível pra ela, traçar padrões que a ajudem a reconher ambientes e pessoas, sem os olhos, todos os outros sentidos se aguçaram, ela se acostumou a você, quando você tem uma forma diferente de concentrar o equilíbrio de seu eixo corporal.
— Huh?
— Você se movia, com base no seu braço inteiro, tanto para lutar quanto para caminhar normalmente, o lado esquerdo, em que perdeu o braço é o que você menos faz uso, da cintura para cima, afinal, apenas sua perna esquerda tinha utilidade.
— Eu entendi, agora que ele tem o braço, seu eixo corporal parou de se centrar para a direita e vai voltar ao centro – Hinata concluiu.
— O que já está mudando sua forma de andar e de se mover, você está usando um padrão de movimentos, que Sakura não reconhece, agora você é “normal”, e ela não entende isso, afinal, ficou fora todo o tempo da sua cirúrgia.
— Maldição...
— O seu chakra agora não se concentra mais apenas no braço direito, o esquerdo também, e como ela pode sentir seu chakra e forma...
— Você é outro Sasuke que ela não está acostumada.
— E como diabos ela vai se convencer? Não posso apenas arrancar o maldito braço para ela.
— Hinata, Ino, venham, ele tem que conversar com ela.
— Huh?!
— Você tem que convencê-la e faze-la se entender, apenas você.
— Ah...?
— Eu não sei se isso é o melhor...- Ino disse. – Talvez ela só precise de um tempo.
— Ela precisa sentir que é o mesmo Sasuke, se não, vai ficar na defensiva com ele.
— Mas...
Shikamaru puxou as duas para fora do quarto e fechou a porta.
— Não seja rude com ela! – Ino ainda reclamou.
Sasuke se voltou para frente, sem a mínima ideia de como fazer isto.
Só sabia que não se sentia bem sendo um completo estranho agora.
E a última coisa que queria era que ela sentisse medo.
Sentou na beira da cama e puxou a coberta um pouco, logo, foi impedido por uma mecha.
— Sakura...
Ela se encolheu mais.
— É apenas eu, Sakura.
— Não é...
— Você ouviu o Shikamaru, eu apenas ganhei um membro novo, que você não conhece.
— Mas... mas...
Ele aproveitou seu vacilo, e puxou a coberta, descobrindo sua cabeça, ela se sentou, enervada, as mãos se tocando, demonstrando ansiedade.
Sasuke tirou a tipóia, e bem como sabia, não sentiu falta dela, conseguia mover o braço facilmente. Pegou a mão dela com o outro e levou ao rosto.
— Sinta você mesma.
Relutante, e realmente espantada, ela deslizou os dedos pela face dele, enquanto fazia o mesmo pela própria.
— Sasuke.
— Sa-Sasuke...- ela repetiu, incerta.
— O mesmo.
— O mesmo...?
Sakura desceu a mão pelo pescoço dele, até o peito reconhecendo as calmas batidas do coração.
Moveu-a para a direita, setindo o ombro e o braço que já conhecia. Desceu até a palma, e sentiu os dedos longos envolverem os seus.
— Tem diferença?
— Ainda não.
Ela estava realmente desconfiada dele.
— Hn, a diferença está apenas aqui – declarou, pegando a mão dela com a outra palma, Sakura soltou o ar, surpresa.
— Oh! Oh, Ooooh! Tem outro, tem outro...
— Sim, agora tem outro.
— Como? Coomooo?
— Quando você foi para Iwagakure, eu fui para o hospital.
— Hospital? Sasuke estava doente?
— Não, eu fui receber esse braço, que a Tsunade fez para mim.
— Pra você?
— Sim.
— Um presente?
— Quase isso.
— Oh...
— Quando você chegou, eu já o tinha recebido, e estou me acostumando com ele, também é estranho pra mim.
— Sasukeee, está estranho! Eu gostava antes, eu podia sentir você tão fácil.
Isso era meio ofensivo, pra um ninja como ele...
— Bom, algumas coisas mudam, você pode se acostumar.
— Eu posso tirar de novo?
— Melhor não.
— Mas por quê? Eu prefiro antes.
— Porque vai doer muito.
— Oh...
— Já está bem encaixado – ele suspirou, erguendo a manga da camisa, desatou a faixa que envolvia o braço todo, e a fez tocar a pele.
— Oh – ela exclamou – É de verdade, achei que fosse como uma boneca, a gente pode tirar e colocar os bracinhos, as perninhas, a cabeça...
— Mas não é, é tão real que sente dor... Não faça! – ela ia morder.
Sakura se conformou em tocar cada centimentro de pele, sentir os dedos, até mesmo a pulsação das veias, e pareceu fascinada com a cicatriz onde a prótese se únia com ele.
Ela estava tão maravilhada, e ele tão distraído em deixa-la explorar e ter certeza que quando se deu conta, ela estava em seu colo. Como se ele fosse um casaco, usou seus braços para envolver a si mesma, e comparou o tamanho das mãos.
— É igualzinho...
— É...
— Vai poder bater no Naruto com os dois.
— Isso será ótimo.
— E vai poder comer.
— Eu já sabia fazer isso.
— E vai poder abraçar...
— Também fazia isso.
— Mas vai poder fazer completamente, e beeem apertado – ela disse, abraçando-se com ele como se ele fosse um boneco.
Sasuke suspirou, e sentiu profundamente seu perfume.
Apertou os braços em volta dela.
Não se viu perturbado pelos sonhos que teve, embora temesse que uma situação dessas pudesse acarretar tais pensamentos.
Apenas sentiu uma calorosa necessidade de envolvê-la assim, e se perguntou: Quando ele realmente a abraçara?
Não se recordava, sabia que nunca.
E era realmente bom.
— Sasuke não vai mudar mais, né? – ela pediu, manhosa.
— Vou tentar, mas é natural que as pessoas mudem com o tempo.
— Eu também?
— Você também.
— Mas vai ser bom, não é?
— Vai.
— Hum.
Ela tinha um traseiro macio...
— Vamos.- ele disse, impelindo-a a se levantar. – Temos que ir comer.
— Haai!
Ele apanhou a tipóia.
— Sasuke vai poder plantar bananeira né?
— Aa.
— E vai poder carregar um moooonte de sacolas.
Isso eram pretensões de fazê-lo virar empregado?
Ele o enfaixou novamente, sentindo-se também, mais leve.
Eles saíram do quarto com ela brincando ao seu redor, vendo mil e uma serventias para seu braço novo.
Se ela caísse em sua casa no sorteio de hoje, estaria encrencado posto que, ela movai seu braço mais que a própria fisioterapia exigia. Tão fascinada que chegava a ser desconcertante, nem mesmo as crianças que nasceram e conhecendo assim ficaram tão estranhas com o membro novo, e Sakuya já havia previsto o mesmo que Sakura: Agora ele poderia abraça-las completamente.
— Se torce-lo assim, vai quebrá-lo...- Suspirou. Ela fez um “Hum” enquanto o puxava e retorcia e de alguma forma caiu sentada e quase o levou junto. – Você...- Pegou-a com o outro braço, sentindo o novo latejar um pouco.
— Gomene, Sasuke.
— Está cada dia mais estabanada.
Ela inclinou a cabeça, não muito certa do que isto significava, mas, sabia que gostara de ouvir, a voz dele lhe agradava.
Sentiu o toque de seus dedos novos no queixo, impelindo-a a levanta-lo e o fez, curiosa.
— Hum?
— Sua tez... É tão macia...
— Oh? – O polegar dele roçou seus lábios, e ela não poderia assistir o fascínio em seus olhos negros ao sentirem-nos e encara-los.
— É... é melhor você ir comer, agora.
— Oh? Sim! Vamos comer!
— Vá.
— Mas e você? – Sasuke afastou a mão de sua tez, dando as costas e soltando o ar de uma vez.
— Eu vou logo, apenas... apenas vá.
— Mas...- ela moveu a mão, um pouco incerta, alcançando sua manga e puxou – Eu quero que você vá.- pediu num leve muxoxo.
Ele respirou profundamente, e se deixou seu puxando de volta para estar em frente ela, os olhos esperando, ansiosos e manhosos, as bochechas rosadas como se soubesse que pedia algo que não querer.
E de certa forma, era exatamente isso.
— Tudo bem.
— Sasuke não está com fome?
— Não é isso.
— Então o que?
— Estou... Com preguiça.
— Eh? Como alguém fica com preguiça de comer?!
Se era estranho até para ela, ele já podia considerar esta a coisa mais estúpida do ano.
— Esqueça, vamos.
— Haai – ela voltou a puxar seu braço, mas de repente, voltou e beijou-o, no canto da boca, ele pode sentir facilmente o contorno se seus lábios contra os dos próprios e recuou a cabeça encarando-a estupefato e afetado.
— Você...?
— Pro Sasuke esquecer a preguiçaaaa! – Cantarolou ela – Himawari disse que beijinhos expulsam a preguiça e trazem energiaaaa! Agora vamos comeeeer! – Ela correu dobrando o corredor e chegando a sala.
Sasuke levou a mão ao rosto, empurrando o cabelo para cima, longe dos olhos.
Não existia preguiça.
Mas algo definitivamente precisava ser expulso de dentro ele.
Antes que alguém percebesse.
Ele não sabia que já era tarde para isso.
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