Lost Inside
17 Não a deixe ser adorável.
Notas iniciais

“Dois meses”.
Sasuke se desapoiou do tronco e seguiu em frente, finalmente saindo da floresta e indo na direção dos grandes portões da Folha.
Havia passado as últimas oito semanas viajando em busca de pistas de Shin ou qualquer outro suspeito.
Não fora algo como uma missão ou um pedido de Naruto, porque mesmo eles não se falando, nem querendo se falar, ainda podiam se entender por um olhar, e quando Sasuke mostrou que ia, o Uzumaki deu apenas de ombros.
Ainda era difícil para os dois, palavras que os magoaram mutuamente foram soltas, as ações e consequências também aguilhoaram.
E provavelmente permaneceriam por um bom tempo. As descobertas daquele momento assombravam, imagens que voltavam como pesadelos.
Ele decidiu que se afastar era também necessário, para si e para os outros, ainda que uma parte de si, considerava injusto posto que também se afastava da família, a qual estava em tanto perigo quanto o resto da aldeia, talvez mais.
Mas, outra parte concordava com Naruto e o lembrava que talvez fosse sempre egoísta em se tratando dos seus laços com o time 7. Nunca havia pesado em sua consciência quando se afastava antes, mas agora veio a reclamação por se afastar de casa, como se tivesse o direito a tal, quando fora sempre ele, aquele que ia embora e dava as costas ao lar.
Caminhou sem muita pressa pela aldeia, mesmo que quisesse ir logo pra casa, antes tinha de chegar ao Hokage, se relatar e era justamente essa parte que incomodava.
Ao chegar diante da porta, ele bateu rapidamente antes de entrar mas só deparou-se com Shikamaru parado perto da janela com um pergaminho aberto em mãos.
– ah? É você.
– Hn, onde...
– Numa reunião, com o conselho de clãs.
Sasuke não pode deixar de pensar naquilo, não havia ficado muito tempo, depois que Kazekage partiu levando Sakura com uma grande escolta ele não se demorou a ir atrás de qualquer pista de Shin.
Então não sabia exatamente como as outras autoridades da aldeia reagiram ao ataque. E refletindo isso agora, percebeu que a decisão de Naruto talvez não fora abrupta demais ou mau planejada, não sabiam como o conselho reagiria então mandar Sakura para outro lugar podia ser a melhor solução até que tudo se acalmasse.
Ela provavelmente já estava na guarda de outro dos amigos deles, estudando e reconhecendo o mundo.
– Muito ruim?
– Como já prevíamos, querem exila-la.
– Exilar? Que inferno...
– Não exatamente, exilar, mas a proposta era que ela fosse mantida num lugar distante e isolado, sob segurança e em paz.
– Hn, Naruto...
– Ficou uma fera, mas nem ele poderia negar que era uma boa opção mesmo que injusta.
– Sim... – Sasuke sacudiu a cabeça e seguiu até a mesa deixando o pergaminho lá – Aqui está o relatório.
– Claro, bom descanso.
– Hn, com que ela está agora?
– Huh?
– Sakura, está na casa de quem? – as sobrancelhas do Nara se unirão por um momento, e então ele pareceu entender.
– Ah... ela... ainda está em Suna.
– Huh?
– Ainda em Suna, e está bem por lá, embora eu ache que o fim dessa viajem vá ser decidido depois dessa reunião com o conselho, Gaara não relatou qualquer incidente grave e em termos de segurança, a aldeia da areia é uma das melhores.
– Hn...- ele não pode dizer muito mais, apenas deu de ombros e saiu. Competia internamente com o incômodo de saber que ela não estaria sob sua supervisão ou sequer de Naruto.
Ele nunca foi capaz de acreditar que houvessem outros que pudessem protegê-la melhor, principalmente ele. Mas em contraste com esse incômodo havia também certo alívio, ele não parava de imaginar, durante a viajem, a possibilidade dos selos serem perturbados outra vez e ninguém poder pará-la, e não estar lá nem para isso e nem pra proteger seus filhos.
Procurou sentir alivio, afinal, se ela estava distante, as crianças estavam seguras. Ainda sim... Sasuke não entendeu porque nem isso apagara o lado incomodado. Realmente... ele estava tão acostumado quanto Naruto, à ser o protetor dela.
Isso quando estavam perto.
Por que ele sabia que estando longe, pensar dessa maneira, era uma ideia hipócrita.
Agora sabia.
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– Ela tem que voltar – Naruto disse, com um suspiro e quase se podia achar que ele estava relutante com a ideia. Mas Sasuke o conhecia bem, era longe disso, porém o que mais sabia era que ele amadurecera e então se havia algo o fazendo não querer trazer Sakura de volta, definitivamente não se tratava de ser culpa dela.
– Gaara vai mandá-la? – disse Shikamaru.
– Não, e eu não confiaria em nenhum outro para isso, então vou mandar alguém daqui, além do mais, ele é Kazekage, não pode ficar se ausentando da aldeia.
– Entendo... então o conselho.
– É irônico não? Eles praticamente queriam que eu a expulsasse daqui como uma praga, então quando achei que comeriam meu fígado, apenas me criticaram sobre a decisão de mandá-la pra Suna e isso ainda a dois meses! Agora, agora querem mais ainda, tsc.
– Estão te pressionando? Pra trazê-la de volta? Diga que a maioria é velha e vou entender que ficaram senis de vez ao mesmo tempo – Sasuke disse.
– Quem me dera!
– Então...
– É óbvio, eles veem Sakura como um perigo, porém um perigo cuja origem é de Konoha, eles não querem arriscar que ela caia nas mãos de outra aldeia – suspirou Shikamaru.
– O que quer dizer?
Ele cruzou os braços, encarando o chão enquanto juntava as peças.
– A era da caça aos Bijuus se extinguiu depois do fim da quarta guerra, as aldeias finalmente entenderam que são seres vivos pensantes e racionais e devem ter sua liberdade, mas principalmente, que usá-los como armas não é mais viável e as consequências podem ser devastadoras, mas... Quase vinte anos depois eis que surge Uma nova arma, um Bijuu criado pelo homem, um método que se bem estudado pode ser sim aplicado, desde que com planejamento, afinal quanto tempo esse cara já não devia ter Sakura na mira? Ela batia com mais que perfeição aos métodos usados tanto que eu já nem sei se ela era adequada ao processo ou se ele foi criado pra ela, de todo modo, anos depois surge um novo Bijuu e a luta de dois meses atrás não pode ser esquecida, Konoha agora tem dois Bijuus, a Kyuubi e também o Senbi, uma criação de alguém que não sabemos quem é, mas a qual poderíamos nos beneficiar...
Naruto bateu na mesa com força. Olhando-os indignados.
– Sakura nunca vai ser usada como uma arma! Nunca!
– Eu sei, Naruto, mas haverá lá fora, sempre alguém que duvide, ora, se mesmo aqui tem velhos pensando isso! Imagine lá fora, deve haver até quem suspeite que nós mesmos estamos por trás do processo, Naruto, que Sakura se voluntariou e não podemos culpá-los, estão alvoroçados com a ideia de novas guerras sim, muitas aldeias ainda demoraram muito pra se reestabelecer e alguns países menores ficaram ás minguas, ninguém quer correr o risco de uma nova guerra estourar, e se for, todos querem estar adiantados. Sakura não é uma arma pra nós, mas há quem pense diferente lá fora, e muitos têm influência, como Gaara, e infelizmente, muitos aqui ainda recordam a ajuda que Suna deu á Orochimaru quando atacou a vila, a morte do Sandaime e tudo mais, Gaara também não foi flor que se cheire na época, e eles estão temendo que volte a não ser, com Sakura em mãos, quando ele próprio já não tem mais Shukaku pra usar como trunfo para a Vila da Areia.
– Tsc...
– Mas apenas pegá-la de volta e enfiá-la aqui não vai ser de grande ajuda, percebe que se acalmar o Conselho e a Vila, vamos incitar desconfiança no resto da aliança? Gaara pode achar que já era mesmo hora de pegarmos ela de volta, posto que foi um favor, mas ele também pode indagar o porque e terá de ter a resposta, pois aceitou correr o risco e merece que tudo seja explanado com transparência – Sasuke disse. Shikamaru assentiu, com uma careta que indicava que já sentia dor de cabeça com tudo isso. Naruto soltou um suspiro, recostando as costas na cadeira.
– Jamais mentiria para Gaara, eu sei que ele entenderia meus pontos.
– Claro que sim, mas não poderia exigir que ele mudasse os dele, querendo ou não, ele sofre tanta pressão quanto você para por a aldeia dele em primeiro lugar.
– Sim...
– Que temos que dar uma resposta formal aos outros Kages não é novidade, e já estou trabalhando nisso – o Nara comentou – eu acho melhor que nós mesmos mandemos um comunicado antes que os deles cheguem, quando trouxemos Sakura, apenas nos ativemos a anunciar sua volta à vida, o resto, mesmo que todos já saibam do Senbi, não foi oficializado, e isso faz diferença, devemos mostrar boa vontade em explicar as coisas antes que nos tomem de má forma, assim enquanto trabalhamos nisso, vamos primeiro acalmar os ânimos aqui em casa, e trazer Sakura de volta.
– Tem razão.
– Acho que não vamos poder evitar uma reunião de Kages, Naruto... O tópico principal, vai ter que ser a Sakura e o que faremos com ela e por ela, a partir de agora.
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Ah, como ele destetava a areia.
Sasuke estreitou a vista tentando evitar os grãos de entrarem em seus olhos, o vento quase os fazia saírem voando como ridículas folhas.
– Péssima hora pra uma tempestade de areia – disse Kiba e Akamaru latiu em concordância pra logo ficar tossindo com a areia na boca – Hey, cuidado amiga-... argh! Bleh! Acho que engoli um insetoooo!
Sasuke voltou a atenção para a frente, ignorando a tosse dos dois. Percebeu que a ninja médica que lhe mandaram também ficou calada. Tão pouco a conhecia, mas ela parecia ter a sua mesma idade, seus cabelos eram de um roxo claro em corte médio e repicado, os olhos castanho-dourados e mantinha os lábios tingidos de vinho.
Ela não os conhecia e não forçara nenhuma conversa, então ele tão pouco tinha do que reclamar, mesmo que lhe fosse estranho que lhe sorrisse tão fácil e com gentileza.
Cerca de meia hora depois, a tempestade passou, e chegaram a temer que ela os tivesse tirado da rota, mas após subirem uma grande duna depararam-se com os muros da aldeia.
– Até que enfim... – suspirou a moça.
– Primeira vez em Suna? – Kiba indagou, e ela negou, sorrindo.
– Não, mas já nem lembrava como pode ser difícil.
– Verdade... – Os três apressaram o passo pra saírem logo de sob o sol escaldante.
Como Sasuke havia concluído, Naruto não confiava em ninguém além de si mesmo ou o Uchiha, a total segurança de Sakura. E os dois entraram em mais um acordo mútuo e não verbal de que nada seria feito a ela.
Sua missão era exclusivamente levá-la de volta pra casa, caso qualquer eventualidade se acometesse ele devia cuidar de levar isso ao conhecimento da aldeia de onde estivesse.
Ele não mentiria pra si mesmo que ficaria parado observando e esperando ajuda, mas se conteria.
Um selo de Cinco elementos não era exatamente um grande mistério.
As portas se abriram de forma estreita apenas para que passassem, o calor era escaldante e já seguindo, Sasuke tirou a capa que parecia a ponto de pegar fogo, a brisa veio quente como o ar que escapa de um bolo recém saído do forno. Era sufocante.
Percebeu que era encarando e rebateu o olhar da mulher com o cenho arqueado.
– Hn? – ela piscou, surpreendida e sorriu, desconcertada.
– Hh! Erm... nada de mais.
Sasuke deu de ombros, mau humorado com o calor.
– Aí estão vocês – disse Kankuro, vindo até eles com um sorriso amistoso.
– Yo! Que clima refrescante hein?
– Pra que que fiquem alegres, digo que está bem ameno, na verdade.
– Nossa! Ajudou muito!
Eles seguiram até a residência do Kage. Lá dentro, o calor não amenizou tanto, mas quando saíram da sala de entrada, fora brindados com o ar frio atingindo-os com um sopro que até os deixou tontos.
– Melhor ficarem aqui um pouco, às vezes alguém desmaia com a mudança súbita de temperatura.
– Ah, eu tombaria satisfeito – Kiba disse, sentando-se no tapete ao lado do cão que rolou ganindo deliciado. Sasuke se recostou na parede, sentindo uma certa tontura mas achando o frio mais que bem vindo.
Percebeu que embora ainda rústica e meio inóspita, a aldeia também se desenvolvera, e era algo visível uma vez dentro de seus espaços.
– Vamos lá? – disse Kankuro achando graça das caras aliviadas.
– Tudo bem, como a Sakura vai?
– Sakura vai bem, acho que vou leva-los direto pra ela, Gaara ainda está por chegar para o almoço, afinal, como Tsunade-hime recomendou, nós demos o máximo de espaço a ela e ela também sofreu um pouco com o calor, então a deixamos a maior parte do tempo aqui.
– Ela gosta de sol, ela continuou gostando?
– Sim, sim, a levamos pra um passeio todo começo de manhã e fim de tarde, de fato, as vezes é difícil distraí-la e ela também ficou muito arisca no começo, mas com o tempo, se acostumou com a maioria e já tem seus preferidos – riu-se ele – É engraçado, tem dias que ela está bem agitada e não para quieta, noutros, ignora todo mundo.
– Verdade, como foi a recepção e ela? O chakra chama muita atenção.
– Sim, mas ela aprendeu bem a ocultá-lo, poucas vezes deixou-o a tona ou pareceu perto de se zangar, mas Gaara queria que sobre tudo, a estadia dela aqui fosse secreta, então criamos um pequeno boato para o povo, oficialmente, ninguém sabe que ela está aqui.
– Huh? Sério?!
– Sim.
Eles seguiram para fora da sala andando por largos corredores um pouco mais frios, numa curva, Sasuke e Kankuro tombaram com três crianças que corriam as pressas. O garoto devia ter altura e idade de Shisui, travestia roupas pretas e acinzentadas comuns na aldeia, seu rosto trazia tinta o os traços lembravam Kankuro mais ainda por conta disso, sua expressão no entanto, pairava entre o entediado e mau humorado.
– Shinki! Crianças! Parem de correr por aqui!
– Só estamos brincando tioooo! – disse a garotinha de cerca de sete anos, seus cabelos eram loiros e escuros e os olhos verde água, na boca aberta e sorridente faltavam um bom número de dentes.
– Vão brincar em outro lugar! Shinki!
– Já vou, já vou – o mais velho proferiu entediado e se afastando seguido pela menina o outro garotinho, bem pouco maior e com fios ruivos adornando a cabeça enquanto zombava.
– Tsc, fedelhos – Kankuro resmungou – Por isso eu prefiro o Shikadai, é quieto e não tenho que ver muito.
– Grande tio, você é – disse Kiba.
– É o mais próximo que quero crianças perto de mim, haha.
Eles chegaram ao fim do corredor diante de amplas portas de pesada madeira. Kankuro as abriu e adentrou, o primeiro cheiro que sentia-se era de incenso calmante. O som, foi de água corrente e boa parte do lugar estava na semi escuridão o ponto mais iluminado, ficava do outro lado de uma piscina escura e longa cuja numa das pontas havia uma pequena fonte de onde vinha o som da água mantendo-a corrente. A névoa do incenso tomava o ar o que tornava a atmosfera um pouco surreal.
Do outro lado haviam grandes portas de bambu vazado abertas, mostrando o pequeno tatame onde haviam uma mezinha, o incenso queimando e almofadas, pelo chão tinha uma marionete de brinquedo, peças de madeira em formas diferentes e uma bandeja com guloseimas e chá. Atrás deles, um biombo em cores quentes e desenhos de uma paisagem, a cada lado dele, um grande abajur iluminava o espaço.
E recostada numa das almofadas, soprando uma flauta de brinquedo e conversando algo com a ovelha de pelúcia, ela.
Primeiramente, pareceu que o incenso fazia mais que relaxá-los, devia ser alucinógeno também, mas era mesmo Sakura, as madeixas movendo-se com graça e até preguiça, eram inconfundíveis.
Ela porém, trajava um kimono de alto padrão, ou partes dele (porque, definitivamente, faltava pano), em seu corpo o tecido era branco e uma faixa vermelha fazia um laço graúdo abaixo do busto que estava muito bem confortável sem apertos e decotado, a abertura nas pernas deixava-as mais amostra do que o necessário, brancas e roliças. E por cima, a parte do sobretudo em tons frios de rosa e roxo com bordados florais e riscas em amarelo, as mangas largas ocultando os braços.
Kankuro olhou em volta, parecendo procurar mais alguém.
– Onde Hakuto está? Com Midori?
Sakura se sentou voltando a atenção para eles.
– Oh? Tem alguém aqui? – indagou profundamente interessada, os lábios formando o um O, mas o que mais assustava era que a atenção estava tão perfeitamente posta sobre eles que parecia que os via.
– Olá, Sakura! Se divertindo? Temos sim, lembra do que Hakuto conversou com você ontem?
Ela piscou e então ouviram o som de outra porta se abrindo na lateral e uma mulher apareceu ao vê-los, ela pareceu intimidada, era mais velha e pelo ar, uma empregada, que Kankuro dispensou e tranquilizou com um aceno. Ela assentiu e fechou novamente a porta sem nem entrar e quando voltaram a atenção para Sakura, foi meio inevitável recuar.
Ela já não estava no tatame do outro lado da piscina mas já na parte em que eles estavam com a água pouco atrás de si e parecia encara-los.
Ela ergueu as mãos e inclinou a cabeça para o lado, juntando-as fazendo um som baixo e sorrindo apertando os olhos com uma alegria genuína e surreal.
Foi um vislumbre de um passado tão distante que Sasuke não estava pronto para ver.
Ele podia ouvi-la claramente.
“Sasuke-kun?!”
– Que boooom – ela disse, no entanto – Quer dizer que eu vou pra casa logo? – indagou com a voz doce.
– Vai sim, Naruto mandou te buscar.
– Neee? Naruto? Mas ele não veio?
– Ele não pode vir dessa vez mas está ansioso pra te ver de novo, hey, você lembra de mim? E do Akamaru?
– Akamaru? Akamaru grande ou pequeno? – Akamaru se aproximou dela e ela logo agarrou sua cabeça abraçando cheia de afeto – Akamaru graaande – concluiu – Akamaru ainda tem cheiro de casa...e de areia.
– Eeeeh? Já disseram que ele cheirava a coisas piores, isso é bom.
Sakura soltou o cão e veio até eles abraçando a ninja médica de uma vez, ela era mais alta mas não impediu-a de cheirar seu pescoço como se abraçasse alguém muito querido.
– Nee, ainda tem cheiro de casa, cheiro das árvores, do musgo e de lar – proferiu, mais do que alegre, a mulher os fitou, apreensiva e tentou relaxar.
– Ah... arigato?
Sakura a soltou e ficou tocando os dedos uns nos outros, sorrindo.
– Eu vou pra casa logo? Vou ter todo mundo?
– Vai sim, estava com saudades?
– Eu gosto daqui, Hakuto-san canta pra mim, brinca comigo e me leva pra sentir o sol, mas eu ainda quero ir pra casa e Gaara disse que ia falar com todo mundo, mas aí vocês disseram que vinham me buscar, e eu fiquei tão feliz.
– Ficou?
– Haaai – ela apertou olhos tamanha a alegria em seu sorriso – Porque significa que sentiram falta de mim, como eu senti de vocês, né?
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– Aí você junta assim, e vai encaixando assim, até formar uma pirâmide – Sakura explicava, enquanto amontoava os blocos de madeira e diferentes mas que iam formando exatamente a tal pirâmide.
– Oh, que incrível! – Kiba disse, e ela assentiu, muito alegre, ele riu junto ao cão e Amane, a ninja médica sorriu docemente.
– Ela está bom humor hoje, isso é bom – disse Gaara, Sasuke assentiu, estavam um pouco afastados apenas observando a interação.
Sasuke tinha certeza e sabia que os outros perceberiam quando chegasse, ela estava muito mais... sensível.
De uma forma boa, parecia mais receptiva e muito, muito articulada, antes falava de maneira mais automática, tinha longos momentos de silêncio, perdendo-se em si, e ficando calada ou fria.
Agora ela parecia tão amorosa como era aos doze anos de idade mesmo que estivesse longe dessa idade mental, ele chutaria a mesma idade de Sakuya e o triplo de inocência.
Sakuya era bem arteira quando queria e de uma astúcia que nem Izuna nem Shisui eram capazes juntos.
O sorriso dela só o fez se sentir tão idiota comparado ao primeiro sorriso de sua filha, Sakuya sim sorrira pouco depois do nascimento, enquanto Izuna tinha uma caretinha meio azeda e Shisui, sempre uma expressão mais austera.
– Foi muito arisca?
– No começo sim, ela ainda parecia lembrar do clima ruim que houve naqueles dias, e ficou bem amuada, o clima aqui também a deixou de mau humor, então tentamos deixa-la aqui dentro mais tempo e sair sempre que o sol estivesse ameno, deu certo.
– Hn, sobre esconder sua estadia aqui, deu certo?
– Bastante, eu recebo muitos visitantes aqui então não poderia simplesmente fechar as portas, agora quem veio acha que a presença ilustre que me faz manter a segurança alta é de uma princesa de um país distante ou uma sacerdotisa famosa, fiz questão de deixar os boatos bem incertos assim, mesmo quem achar que é Sakura mesmo, vai bater com as outras teorias.
Sasuke não pode negar que era uma ideia e tanto.
– Por isso as...
– Roupas? É coisa de Hakuto, ela achou que precisavam de um bom “disfarce”.
– Hn.
– Ironicamente, os boatos ainda atraíram a atenção de criminosos, tem sempre alguém querendo ganhar dinheiro sequestrando uma pessoa famosa, e a mentira ficou tão boa que tivemos duas tentativas de invasão – Gaara parecia atém bem humorado.
– Chegaram nela?
– Não, não eram lá um grande desafio mesmo que houvessem furado a segurança.
– Devem ter ficado decepcionados...
– Não, pelo bem do disfarce, continuaram achando que estavam atrás de alguém valioso, o que não é mentira, em certo ponto.
– Hn.
– Vão ficar até depois do almoço?
– Melhor sim, e também esperar o sol ficar mais ameno, sei que podemos chegar em menos de três dias se apressamos o passo.
– Sim, mas ela é bem sensível ao calor, talvez se fizessem paradas por alguns dos oásis possam deixar a viajem mais confortável mesmo que mais longa, a noite fica realmente frio, e estamos numa época em que o calor fica difícil até pra quem é daqui.
Sasuke ponderou a ideia, haviam mesmo alguns oásis e eles pararam em um para tomar água, mas os outros poderiam dar-lhes um desvio significativo em perda de tempo.
– Olá – saudou-os uma mulher, se aproximando deles com um sorriso repleto de doçura, ela era loira como Temari mas os fios eram ondulosos e os olhos castanhos, usava um vestido simples mas de boa qualidade e levava em volta de si uma manta que continha um bebê de cerca de três ou quatro meses. – Me desculpe ter sumido, fui trocar Midori – explicou.
Gaara assentiu com um leve sorriso.
– Tudo bem.
– Ah olá, Sou Hakuto – ela apresentou-se.
– Uchiha Sasuke.
– Hakuto é minha esposa – Gaara explicou e levou a mão para toca a cabeça do bebê que permanecia sonolento – E essa é Midori nossa filha mais nova.
O Uchiha não pode deixar de piscar muito surpreso, havia ouvido apenas boatos sobre o casamento do Kazekage e nunca o viu como alguém que pudesse ter esse tipo de laço afetivo, mas ali estava ele, dando um sorriso discreto mas cheio de significado para a moça que já parecia um total oposto dele, doce e gentil e a criança que só lhe puxara os fios ruivos.
– Entendo...
– É a caçula de quantos? – indagou Kiba de onde estava. – Três ou quatro?
– Quatro, agora são quatro.
– Parabéns!
– Arigatô – agradeceram.
– Devem ter cruzado com Shinki, Ayato e Ayaka por aí, estão sempre correndo, eles não largam o mais velho e isso meio que o aborrece...
Isso Sasuke entendia, Shisui ficava irado quando os três irmãos simplesmente resolviam passar o dia a lhe encher a paciência, pedir coisas e o ficarem seguindo, mas no fundo ele bem se orgulhava, pois o faziam justamente por que o viam como o melhor irmão que poderiam ter. O admiravam.
– Cruzamos sim, belos garotos.
– E encrenqueiros, mas Sakura gosta deles, não é Sakura? – Hakuto disse, indo até o tatame e se sentando, Sakura engatinhou até ela largando de acarinhar o pelo de Akamaru que não evitou grunhir em desamparo.
– Midori está aqui?
– Está sim, mas está cheia de sono trocou a fralda e mamou.
Hakuto pousou sua mão na cabeça da bebê deixando-a apalpar e sorrir muito alegre.
– Ooh, tão macia, Midori? Midori? Seu nariz é tão pequeno Midori...
– É sim, não é?
– Sua bochecha é tão macia, parece uma nuvem.
– Nuvem? – a jovem mulher riu – Como sabe que nuvens são assim?
– Eu não sei, mas se nuvens podem ser tocadas devem ser macias como a bochecha da Midori, oh eu tenho que ir pra casa, posso levar Midori?
– Acho que eu sentiria muita falta dela.
– Então posso levar você?
– Aí as crianças sentiriam minha falta.
– Oh, oh posso levar as crianças também.
– Se continuarmos nisso, a aldeia inteira terá de se mudar.
– E não pode? Eu quero todos perto. – Hakuto lhe dedicou um olhar cheio de carinho e compreensão.
– Sei que sim, isso é muito gentil, mas como já conversamos, você pode nos visitar e nós podemos visitá-la, eventualmente.
– Sim?
– Sim.
Logo a mesma empregada de antes surgiu anunciando a refeição e todos seguiram para uma sala de jantar abaixo de um solário de vidro escuro, que garantia uma iluminação sóbria.
– Vou levar Midori para dormir e procurar as crianças – Hakuto disse, saindo com a criança já em sono profundo.
– Sakura, não suba na mesa – Gaara disse, enquanto olhava um jornal casualmente, mas ela ignorou, já tinha um pé apoiado na cadeira, e as mãos na mesa, e já ia com o joelho pra também apoiar.
– “Sakura, não suba na mesa” – imitou Kankuro, assim que chegou, ele pegou a Haruno pela cintura e a pôs no lugar, bufando – Você não tem autoridade mesmo? – encarou o irmão.
Gaara deu de ombros, sem entender.
– Sou Kazekage.
– Tsc! Você não tem o mínimo controle com as crianças! Elas fazem o que querem graças a deus que são filhos da Hakuto e ela, ironicamente, consegue assustar mais com a voz mansa que você com essa cara feia.
– É um talento de mãe, eu presumo...
– Você é que não tem talento de pai! Hey, você já vai pra onde?! – indagou, já vendo Sakura escapulir por outra porta, ela parou com uma das mãos na parede e escondeu os lábios sob a manga do kimono dando uma risadinha sapeca e encabulada.
– Vou procurar as crianças pra ajudar Hakutoooo – e dito isso, começou a correr toda destrambelhada sumindo no corredor.
– Mas que diabos...
– Ela sabe andar por aqui tudo já, acho que conhece melhor que a gente – Gaara disse – Alguém sempre a traz de volta.
– Isso depois de tropeçar em algo?! Eu gosto mais quando ela ignora todo mundo, já disse que Shikadai é meu sobrinho favorito?
– Ele é quieto e você o vê pouco, sim, já disse.
– Prontinho – Hakuto disse, ao entrar – Mas não acho as crianças... onde está Sakura?
– Considere procurá-la também...
– Que? Tiro os olhos dela um minuto... ela está bem agitada hoje...
– Mandei Akamaru segui-la – Kiba disse.
– Oh, que bom, isso pode evitar acidentes, ela tropeçou em algo vez ou outra mesmo que já tenha decorado todos os corredores.
– Isso é estranho, ela geralmente andava com segurança os fios praticamente previam seu caminho. – Sasuke disse.
– E preveem, quando ela está andando, mas está sempre querendo correr toda estabanada...
– Huh?
– Se fosse só correr facilitaria...- Kankuro resmungou, Hakuto riu um pouco amarelo. E logo ouviram o som do latido de Akamaru em saudação ao retornar.
– Não a deixou tropeçar certo? – Kiba indagou. E ele latiu, parecendo orgulhoso e se voltou para trás.
Sakura saiu do corredor vindo com as mãos juntas novamente escondendo a boca mas com um olhar meio baixo.
– Eu fui procurar as crianças...
– Oh, e encontrou?
– Hai... estavam fazendo de novo.
– Eh? Oh, querida...
– Estou sendo compreensiva, mas é hora do almoço, né?
Só então notaram as madeixas alongadas sumindo para o corredor, elas se arrastavam retornando até o redor de Sakura.
– Me soooooltaaa! – ouviram ressoar junto a gargalhadas.
E e foi quando três tentáculos retornaram cada um enlaçando uma das crianças, quem gargalhava era a menininha e quem gritava e esperneava era o garoto enquanto que o mais velho lutava em silencio com uma careta mais que emburrada.
– Manhêêêê! Manda ela soltaaaaar!
– Faz cócegaaaas.
– O que fizeram dessa vez, treinando aqui dentro de novo? Sabem que Sakura não gosta.
– Mas é só treino! – o mais velho reclamou – Seremos ninjas! Mande ela nos soltar, me sinto uma marionete!
– realmente parece uma, é meio vergonhoso não? Quando você próprio deixa de ser o titeriteiro e vira marionete? – Kankuro disse, com a mão no queixo e um sorriso provocativo. O rapaz bufou. E Sakura os trouxe para perto, abraçando-os de uma vez.
– Eu não gosto que briguem...
– Mas não é brigaaaaa! – exclamaram eles.
– Nós só estávamos brincando, Sakurinhaaa – disse a menina a abraçando – Sakurinha não gosta de brigas, hehe, nem mama nem papa são preocupados assim, é engraçado.
– Inconveniente – corrigiu Shiki, o mais velho.
– Chatoooo! – reclamou o outro e enrubesceu quando Sakura o beijou na cabeça fazendo uma cara tão comovente quanto a de um gatinho abandonado.
– Tudo bem tudo bem, já que a Sakura vai embora hoje, acho que não precisam mais se preocupar com isso – Hakuto disse, meio que por alto, enquanto ajudava uma das empregadas a organizar a comida na mesa.
– Eeeeh? Mas já? – Ayaka disse.
Sakura finalmente os pusera no chão, com cuidado e delicadeza, e uma das madeixas chegando a afagar a cabeça dos meninos como uma mão carinhosa, eles faziam grandes caretas emburradas, mas não foi difícil ver, também ficaram incomodados com a notícia.
– Mas já? – disse Kankuro – Não sabe contar o tempo? Sakura está aqui a dois meses, ela tem uma casa também, onde sentem falta dela.
– Mas-mas-mas...- a menina choramingou indo pro colo do pai – A gente vai se ver de novo?
– Claro que sim.
– E quando?
– Isso ainda não dá pra dizer.
– Então eu posso ir com ela?!
– Muito engraçado, vocês estão de plano? Uma pede pera levar e a outra pra ficar, hum, muito suspeito...- Hakuto disse.
E parecia verdade pela forma como a menina desviou o rosto, sem graça...
– Já disse pra não ficar fazendo essas coisas, Sakura tende a levar algumas á sério e fica triste, assim como quando prometeram-lhe uma cerejeira...
– Eu só não queria que ela ficasse triste!
– Eu sei, mas não podemos fazer promessas que não sabemos que podemos cumprir, isso magoa muito mais.
– Hai...
– Agora vamos comer! Midori já está dormindo, e Sakura também vai, querendo ou não, tirar um cochilo antes de partir assim fica mais disposta.
– Eu não estou com sono...
– Vai ficar quando comer bastante.- ela rebateu, doce mas firme.
Ela era realmente muito doce, mas capaz de grande firmeza, Sasuke imaginou que dar conta de quatro crianças e casada com umm home importante, ela se via sabendo que tinha de ter muito controle das situações.
Sakura não a questionava mas era capaz de ignorar dois homens grandes. Mesmo que pudesse bater neles, ela tinha uma mente muito singular e nova, a tendência era obedecer quem lhe inspirasse autoridade e confiança.
E só Hakuto parecia ter essa rédea. Era uma mãe para os cinco.
A ideia de Sakura ter se tornado caprichosa e imperativa não lhe parecia muito agradável de primeira, mas ela parecia estar mais para hiperativa.
Pelo menos em alguns momentos, esperava.
Uma criança não podia ter controle de tudo, e se todos ao redor a mimassem era pior. O problema era que todo mundo queria mima-la e quando voltasse, e não tomasse cuidado, ela faria de todos gato e sapato.
Só faltava...
Depois do almoço, Hakuto mandara os quatro em fila e bem comportados de volta a sala onde Sakura estava antes, fez todos se acomodarem, deixou música suave tocar de uma caixinha e ficou cantarolando e contando histórias até que dormissem.
– Hakuto-san quando eu me casar, espero ter seu controle – disse Amane. Hakuto sorriu, não cheia de orgulho mas de afeto, acarinhando as cabeças da filha e de Sakura sobre almofadas.
– Não sei se é exatamente controle, acho que os cerco demais.
– Com o que?
– Com amor, Sakura não gostou muito de mim, no começo, mas acho que falei tanto que ela simplesmente se acostumou, e assimilou as crianças também, eu acho que sou muito afetada e não consigo ver ninguém solitário, então quando Gaara dizia que podia ser perigoso e que ela estava mau humorada, eu simplesmente não podia ignorar, ela só estava com medo de ficar sozinha noutro lugar estranho, com medo de a machucarem de novo, não quero ser intrometida nem maldosa, mas acho que não tem formula melhor pra deixa-la feliz, que cerca-la de tudo e todos, ficava tão amuadinha quando lembrava de casa, ela queria voltar mas disse que estava com medo, Gaara disse que ela não podia lembrar que machucou alguém aquele dia...
– E não podia, depois que acordou no hospital, ela não lembrava, eu estava lá.
– Ela é sensível, ela não vê, mas enxerga de outras formas em outros sentidos, muito melhor que as pessoas normais, ela sentiu a tensão, sentiu que era por causa dela, e mesmo sem saber por que, presumiu que estivessem zangadas e ficou muito triste consigo mesma, vou conversar com Temari assim que puder, por telefone mesmo, a moral de Sakura é sensível à forma que agem ao redor dela, se continuarem fazendo-a sentir que é uma ameaça ela vai ficar se escondendo e se reprimindo, até que possa ser uma ameaça para si mesma.
– Entendo. – Amane concluiu que deveria repassar isso á Tsunade, embora estivesse ali em prol mais da segurança dos dois ninjas posto que Sakura podia se curar facilmente de um ataque comum, ela percebeu que poderia fazer muito mais.
Sabia que as pessoas na vila estavam relutantes e receosas, pessoas importantes que deviam estar ao lado dela.
Em compensação ao que um dia fora para a Sakura de antigamente, ela deveria ao menos tentar dar luz para aqueles ao redor dela.
As duas frequentaram a academia na mesma época e foram até da mesma turma, porém, longe de serem amigas ou mesmo colegas.
Amane mesmo entrando para medicina ninja por pura afinidade, não deixou de invejar que aquele menina que de bom só tinha o cérebro e cabelos bonitos, houvesse conseguido chegar a ser a pupila da lendária sannin. E por isso, mesmo em eventuais cruzadas pelo corredor hospitalar nunca fez nada para ser próxima.
Agora via que invejara um poder que só trouxe desgraça. Sakura sucedera e superara a mestra a tal ponto que fora escolhida a dedo para ter a vida destruída.
O mundo era tão cruel, que Amane se perguntou por que diabos passara a vida toda sendo cruel também, apenas por quê? Um cargo? Uma fama lendária? Até mesmo uma velha paixonite de infância?
O mundo era tão mais colorido que isso, e as pessoas continuavam tentando pinta-lo de negro, e pior, tentando tingir as vistas de quem só queria encher tudo de mais cor.
– Vou falar com Tsunade-sama.
– Oh?
– Você com certeza ajudou muito no desenvolvimento de Sakura, acho que foi uma ótima viajem, talvez conhecer novas pessoas e lidar com tipos diferentes ajude Sakura a desenvolver seu próprio lado emocional, ela era muito mais apática antes, agora até sua mente parece ter encontrando um bom ritmo para girar mesmo que as vezes precise ignorar o exterior pra por tudo em ordem, tenho certeza que vão ficar muito felizes em ver quão vivaz ela ficou.
– Oh, e um pouco traquinas...
– A vida não teria tanta graça se não fosse assim.;. – riram-se.
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– É, parece que agora deu trégua – Kiba disse, olhando para o céu, a irradiação estava mais amena e haviam mais nuvens cobrindo o sol.
– Vamos agora – Sasuke declarou.
– Sakura! Sem pressa! – Hakuto gritou logo atrás e ele só viu a mulher passar correndo para fora.
Ela parou e começou a pular na areia aquecida.
– Está quente, quenteee!
Sasuke suspirou, já a inçando pelas cochas e sentando-a no ombro.
– Tonta – resmungou.
Ela ainda estava descalça e provavelmente viajaria naquelas roupas mesmo.
– Hum? Quem é? – ele deu de ombros.
– Sasuke.
– Sasuke?!
– Aa.
– Sasuke. – afirmou, abraçando sua cabeça, ela cheirava a essência floral e sua pele estava úmida e fria, o que fazia suas cochas parecerem ainda mais macias. Sasuke deu a volta e caminhou até a sombra do prédio, pondo-a no chão.
– Não seja apressada, vamos calce isso – Hakuto pediu, fazendo-a calças um par de sapatilhas simples e passando uma bolsa para Amane, não era muito volumosa mas a cabeça da ovelha de pelúcia escapava de uma das aberturas. – Agora, o que conversamos, nada de sair andando por aí, e sem desobedecer.
– Hun!
– Foi ótimo tê-la aqui, Sakura, e vamos torcer pra que possa vir outra vez certo? – disse Gaara.
– Hai.
– Oh, chega disso, não sou boa com essas coisas – Hakuto pediu, já com os olhos marejados, abraçou Sakura firmemente – Onegai, seja feliz e cercada de amor.
Por que para ela, Sakura devia ter sido aquela que cercara a todos com afeição, agora era ela quem precisava e o merecia.
– Suba aqui, Akamaru vai levar você super rápido – Kiba disse, instruindo-a a montar o cão.
– Oh, oh?
– Sim, e segure firme, certo.
– Hai!
Depois de mais despedidas, eles saíram da aldeia por uma via mais discreta, evitando as pessoas que saiam de casa com mais frequência naquele horário.
Logo estavam cruzando as dunas com rapidez.
Cavalgar sobre o cão manteve Sakura perfeitamente distraída, e conversando com ele como se pudesse entender seus latidos em resposta. E às vezes Kiba traduzia algo para ela.
Quando fizeram a primeira parada, já era noite avançada, e o vento ameaçava se transformar noutra tempestade. Kiba armou rapidamente uma barraca mas foi preciso muita adulação pra fazer Sakura querer entrar, ela queria correr nas dunas.
Amane ficou lá dentro com ela, distraindo-a com algum jogo ou conversa e os dois sentaram ao redor, cobrindo-se com as capas.
Querendo ao máximo evitar o sol escaldante, cochilaram apenas algumas horas, e voltaram a partir.
Com sorte, já ao meio dia chegaram a um dos pequenos oásis, apenas uma fonte de água fresca e cristalina rodeada de alguns coqueiros e rala vegetação.
Sasuke se abaixou colhendo a água na mão em concha e levando ao rosto e depois derramando um pouco na nuca.
Olhou para o outro lado vendo Sakura caminhar pela parte rasa com as vestes levantadas para não molhar a barra os fios se alinhando com a direção do vento como uma bandeirola alongada e vistosa.
– Cuidado pra não escorregar – Amane disse, suavemente e não querendo tirar sua distração antes da hora.
Sasuke se levantou olhando em volta e Kiba já dividia um onigiri com Akamaru.
– Dobramos a velocidade e chegamos amanhã pela manhã, o que acha? – ofertou ele. Sasuke assentiu.
– Desde que ela não se agite, o ritmo pode deixá-la com birra.
– Haha, que cruel, pelo menos você sabe lidar bem com crianças. ontem quando a mandou ficar quieta e dormir ela ficou.
Sasuke deu de ombros, sabendo que em parte era verdade, as crianças geralmente o obedeciam de primeira, mesmo que admitisse que era um pouco mole com Sakuya. Ele não se importaria de deixar Sakura brincar a vontade mas ela não podia simplesmente sair correndo onde quisesse, e com o poder que tinha, torna-la mimada era extremamente perigoso.
Esperava que Naruto e os outros entendessem isso.
– A faça comer logo, não faremos mais paradas – disse para Amane que assentiu.
E como previsto, ao amanhecer, eles estavam cruzando os portões de Konoha.
E também, para uma época que prometia turbulência e quem sabe, ao se olhar o brilho que os olhos de Sakura obtinham apenas em ouvir, sentir, e cheirar o lar. Uma época de doçura e uma primavera agradável de ver como suas bochechas coradas e seu sorriso resplandescente também estavam vindo.
Ela nunca pareceu tão cativante, tanto que fazia o peito apertar de uma forma estranha.
Mas principalmente, perigosamente, muito boa.
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