Lost Inside
35 35. Porque ela irá vir de entre os mortos.
Notas iniciais

— Está bem mesmo, Sakura? – Tsunade perguntou outra vez. Sakura não pode deixar de se aborrecer um pouco com isso. Essa pergunta vinha se repetindo mais que o habitual ultimamente, ela se sentia sufocada.
— Sim. – Repetiu, mal-humorada, a médica arqueou a sobrancelhas, meio surpresa com seu tom, fitou suas bochechas ligeiramente infladas e suspirou.
— Certo. E você diz, irei libera-la por hoje. Desde que prometa que irá comunicar se voltar a sentir qualquer coisa estranha novamente, seja sono ou outra coisa.
— Sim! – Sakura, desceu da maca e se apressou para sair do consultório, mal se despedindo.
— Espere!
— O quêêê?!
— Olhe como fala, garota. Enfim, soube sobre o Obon, você já decidiu se irá?
Sakura franziu um pouco a testa, com um pequeno beiço e deu de ombros.
— Não tenho motivo. – Tsunade arregalou os olhos, surpresa.
— Não? Como assim? Achei que iria adorar participar do Obon em Konoha, não está ansiosa sobre as lanternas e tal...
Sakura deu de ombros, com naturalidade.
— Não é como se eu pudesse vê-las, certo? – Ela se afastou da porta, indo embora calmamente. — Vou ficar em casa ouvindo a TV e comendo...
Sem saber o que responder, Tsunade ficou parada observando-a desaparecer no corredor do hospital.
¤
Ela podia sentir o cheiro de seda, temperos e agitação, as vozes ao redor de Sakura soavam ainda mais vibrantes que de costume. Em algum lugar dentro dela, sabia que esse dia não era estranho, ela também sentia uma profunda sensação de respeito.
Era tempo de se celebrar a visita dos ancestrais falecidos. Ela se perguntou se havia tido tal experiência com sua família.
— Você está muito quieta hoje. – Ino observou, Sakura ouviu-a caminhar até perto de si e em seguida o tilintar das xícaras de chá sendo pousadas na mesa. — Algo aconteceu?
Sakura negou, tateando a mesa cuidadosamente até encontrar o copo, o vapor atingiu seu rosto com um forte perfume de ervas calmantes antes de provar.
— Estou bem.
— Humm. – Ino estudou seu rosto cuidadosamente, um pouco inconformada de ela não parecer querer se abrir. Mesmo depois de Sakura ter mudado tanto, ela ainda havia sido muito honesta para Ino poder desvendá-la. Atualmente Sakura vinha agindo um tanto diferente desde que se recuperou daquelas crises de sono.
Ino se perguntava se aquilo mudou algo dentro dela. E tinha absoluta certeza de que alguém além de Sakura sabia responder, mas não o estava fazendo.
Sakura virou o rosto em direção a rua. A calçada estava muito movimentada desde que os preparativos para o Obon haviam começado. Ino recordou que precisava ir comprar os materiais para as lanternas antes que acabassem. Ela e a mãe gostavam de fazer a faxina em casa e no túmulo dos pais, preparar o altar e as flores para decorá-lo, sempre juntas.
Elas visitavam os túmulos dos amigos e conhecidos perdidos na guerra, dos pais de Sakura e o dela.
Sakura havia passado as últimas épocas de Obon em viagens ou reclusa para sua própria segurança, este era o primeiro de sua nova vida que ela de fato presenciaria.
— É uma época estranha para você? – Perguntou, Sakura pareceu se empertigar, surpresa com seu chute e encolheu os ombros, um pouco desconcertada.
— Eu posso sentir o cheiro do incenso... – Começou, o farfalhar do papel de seda, do bambu. Há uma sensação de agitação em torno, mas é diferente desta vez...
— Diferente como? De outros festivais?
— Hai...- Sakura afirmou, cuidadosamente. Como se temesse pisar num campo desconhecido e fazer estragos. — Não é como o Tabanata.
— Em que sentido?
— Como posso dizer... Há a mesma união entre as pessoas, eu posso sentir sua empolgação, mas de uma forma diferente, não ouço risadas, nem vozes altas, não sinto muito cheiro de comida, embora saiba que estão fazendo. É diferente, é...
— Respeitoso.
— Hai.
— No Tabanata celebramos muitas coisas, entre elas o amor e a união entre os que estão próximos de nós. O Obon é para nos fazer relembrar aqueles que perdemos. Iremos visitar seus túmulos e de certa forma, convidá-los a voltarem para casa conosco. Serão três dias de comemoração sim, mas de reflexão e homenagem também.
Sakura assentiu, devagar, assimilando suas palavras.
— Homenagem... – Ciciou, pensativa. Ino estendeu as mãos através da mesa e segurou as dela.
— Eu sei que pode ser desconfortável falar sobre isso. Mas tudo bem sobre visitarmos seus pais?
Sakura baixou os olhos, com uma expressão aflita. Uma vez ela havia perguntado sobre os pais, e não soubera lidar com a resposta. Ela ainda não sabia, mas sabia que chorar não era uma resposta.
Por que ela sabia que não choraria por que sentia falta deles, ela não lembrava de seus rostos, suas vozes ou de seu calor. Ela choraria porque não tinha pais como as outras pessoas ao seu redor, choraria porque tinha inveja de não ter pessoas ligadas a si pelo sangue, e sabia que isso era injusto pois, Ino, Naruto, Hinata, Sasuke, Karin, Tenten, Shikamaru, Tsunade, Kakashi e Shizune, as crianças todos eles a acolheram como se fosse de seu sangue, lutaram por ela, e se feriram por causa dela.
Ela sabia, que sobretudo, fugir dessa data agora não adiantaria, ano que vem ela estaria de volta. Valia a pena guardar esses sentimentos para mais um e nada fazer sobre isso?
Sakura tinha uma desconfortável sensação de desgosto quando pensava em si desta forma. Um vazio e uma solidão profundas e palpáveis pesavam sobre si. Outro dos milhares de sentimentos que vez ou outra revolviam sob o negro de suas memórias.
— Se os mortos vêm mesmo nos visitar... – Começou. — Eles não ficariam com raiva? De eu não os recordar?
— Oh, querida. – Ino apertou seus dedos, carinhosamente. — Eu tenho certeza que a única tristeza deles será não terem esperado um pouquinho mais por você. Quando for visita-los, eu espero que seja capaz de sentir todo o amor que tinham por você.
— E se eu não for?
— ...Ainda haverá muito amor para você aqui.
¤
Sasuke retornou para a vila depois de alguns dias em reunião com Orochimaru. E assim como na época em que se unira a ele, o tempo passado em sua companhia nunca podia ser agradável.
Interessante talvez fosse o adjetivo mais positivo que poderia encaixar na situação. Sasuke se unira a ele por quem ele era: Alguém com poder e conhecimento os quais não tinha medo de usar. Passara anos treinando com Orochimaru e também absorvendo seus conhecimentos em muitas áreas.
Talvez até tivesse aprendido mais não fosse sua muito focada e obsessiva busca por vingança. Revisitando os registros antigos do sannin, ele percebeu que havia ignorado uma enorme quantidade de conhecimentos que poderiam ser muito úteis mesmo agora.
Novamente, não podia simplesmente sentar e absorver tudo, tinha outro foco.
Sakura. E o que quer que tenha acontecido com ela, eles esperavam achar uma reposta em livros e pergaminhos antigos.
Orochimaru sabia o tipo de chakra que ela tinha agora, mas ninguém fazia ideia do real do que o chakra branco poderia se converter futuramente. Numa perspectiva mais aberta, poderia se tornar qualquer tipo de chakra, no entanto, será que havia algo mais nisso?
Aquela imagem não saía da mente de Sasuke. O cabelo negro, o poder estarrecedor, sua face vazia e pálida.
Aquilo não era Sakura, e aquilo ainda estava lá dentro dela. Talvez não houvesse como arrancar, mas havia como mantê-lo adormecido?
Ele notou, com um suspiro cansado que era justamente o Obon que estava acontecendo, e isso foi ainda mais chateador de se encarar.
O mundo dos vivos já estava pesando o suficiente em suas costas, ele não tinha energia para visitar túmulos e relembrar o peso dos mortos, ao menos não esse ano.
Ao chegar ao apartamento de Karin, ele já podia sentir o cheiro de incenso e suspirou, ela escancarou a porta antes mesmo que ele sequer batesse.
— Aí está você! Porque demorou tanto?! Já é quase hora de ir ao cemitério!
— Não posso ir, estou morto. – Respondeu, enquanto era arrastado para dentro.
— Ah, é? Pois acho que o cemitério é o lugar certo para o papai, não acham?! – Ela rebateu, rindo, Sasuke se deixou ser agarrado pelas crianças, que já estavam prontos para sair. — Como eu já esperava que você inventaria uma desculpa, fui até a sua casa e peguei roupas para você.
— Isso é conspiração. – Sasuke disse, antes de ser enfiado no banheiro.
— Ninguém liga. – Ela bateu a porta, deixando-o sozinho e foi gritar com os meninos.
Sasuke levou tanto tempo sob o chuveiro quanto podia. Vestiu algumas roupas leves. Uma escolha a se comemorar pois fazia uma tarde calorenta quando seguiam para o cemitério dos Uchiha. Shisui e ele limparam os túmulos dos parentes mais distantes do clã. Depois de tudo, Sasuke nas poucas vezes que se dedicou a tal tarefa, não via sentido em limpar e homenagear apenas a tumba dos pais.
Pessoas que ele pouco conviveu quando criança, até mesmo que não tenha nutrido simpatia, todas se foram na mesma sangrenta noite.
Eram todos o mesmo sangue sob seus pés.
Ele decididamente odiava essas datas, mas hoje, ele podia olhar além dos túmulos e ver mais que isso.
Os gêmeos ainda eram inocentes o suficiente para acharem a ideia de terem um grande cemitério só para eles algo muito legal e divertido. Iam lendo os nomes das lápides, deixando os incensos acesos e tudo mais. Compenetrado, Shisui varria e lavava sem nada a dizer.
— Hmm, acho que não preparei comida suficiente. – Karin comentou, cruzando os braços ao lado dele. — Espero que seus ancestrais não fiquem zangados...
Sasuke olhou para aquele entorno, silencioso e melancólico.
— Não tem problema, de qualquer forma, eu irei arcar com tudo.
Karin olhou para ele, suspirando.
— Pare com essa bobageira de carregar o ódio do mundo nas costas. – Remendou. — Você não é causador de todo ele.
Sasuke não achava que poderia mesmo que quisesse, mas a ira e revolta de seus ancestrais ele pretendia carregar consigo para sempre. Por que era um futuro limpo e brilhante que ele queria para os filhos deles e os dos seus amigos.
Mas seria realmente bom se ele pudesse carregar o ódio do mundo consigo para o outro mundo. Um futuro pacífico estaria realmente assegurado se isso acontecesse.
— Vai ficar para o resto do festival? – Ela indagou, ciente de que ele não se sentia confortável o suficiente para tal. Quando estavam casados e longe de Konoha, havia a desculpa de que não precisavam vir para esse lugar, bem como a de manter Sasuke rodeado pela família. Mas muitas das vezes ele estava em viajem.
Agora, ele poderia muito bem se enfiar dentro de casa para ficar se autodepreciando sem ser incomodado.
— Ainda não falei com o nanadaime, talvez ele tenha algo para mim.
— Humpf, sei...
Na verdade, ela duvidava, mas não daria a Sasuke a chance de se precaver e encontrar outra forma de ficar entocado em casa.
Após a oração, eles deixaram o cemitério já pela hora do anoitecer, o caminho através dos bairros residenciais já estava todo pontuado pelas pequenas fogueiras e lanternas em frente as casas, deixando os mais novos ansiosos para chegarem em casa e fazerem o mesmo.
Os gêmeos quase incendiaram a frente do apartamento na tentativa de ascender uma pequena fogueira, e Shisui ofereceu a lanterna para o pai pendurar.
— Tudo bem fazermos isso aqui em vez da casa no distrito?
— O único problema seria o lugar todo pegar fogo por causa dos seus irmãos...- Sasuke baixou os braços após pendurar a lanterna com o símbolo do clã e ficou olhando-a. — Não se preocupe, farei isso quando voltar para a casa.
— Hm, então você vai?
— Querem que eu fique?
— Não é bem isso. Achei que visitaria Sakura-san.
— Ah...- Sasuke não pode deixar de se sentir ligeiramente constrangido. Já era tão natural assim para seus filhos a proximidade dele para com Sakura? Ou talvez ele apenas via sua preocupação para com ela como a mesma que o resto dos amigos demonstrava? — Certamente... Eu pretendia vê-la em algum momento.
— Seria bom. – Shisui concluiu, enquanto varria a sujeira criada pelos irmãos em torno da fogueira. — Falei com o pessoal hoje, pelo o que Inojin disse, Sakura-san não estava se sentindo bem sobre visitar o túmulo dos pais... Parece que ela ainda não se lembra deles...
Sasuke assentiu, ainda fitando a lanterna. Por um momento considerou que Sakura teria sorte em não se lembrar dos pais, da saudade que certamente sentiria dos dias com eles, mas ao relembrar hoje. Ele sentiu que se tivesse de esquecer tudo pelo que passou, os nomes, os dias alegres e tristes, a convivência, o que sobraria dentro dele... Além de um vazio ainda maior que o da perda?
Ele esperava que ela não chorasse novamente, ela havia amadurecido muito desde a primeira vez que compreendeu o que havia perdido, porém o conflito dentro dela talvez só tivesse crescido também.
Sasuke afagou a cabeça do filho.
— Irei verifica-la, embora eu não ache que possa fazer muito...
— Não tem problema, vamos todos nos encontrar para assistir o Obon Dori* mais tarde.
Sasuke não sabia se se sentia menosprezado quanto a capacidade de alegrar Sakura, ou se achava ele os amigos confiantes demais. Mas se eles realmente acreditavam que podiam animá-la, não havia o que fazer.
Só torcer para ela não estiver num humor como o de Sasuke para desejar apenas ficar reclusa consigo mesma.
— Entendo. Divirtam-se.
— Não irá assistir?
— Verei as coisas no escritório do Hokage primeiro.
— Certo.
Sasuke se despediu dos meninos e partiu. Sabia que era praticamente certo encontrar Naruto trabalhando feito louco num dia como esse, só não contava que ele estaria acompanhado de Momoe num momento assim.
Momoe já praticamente andava e ensaiava as primeiras palavras. Sasuke tinha certeza que a bagunça sobre a mesa de trabalho do nanadaime tinha mais a ver com um bebê descontrolado que com o excesso de trabalho.
— Você apareceu! Achei que não sairia da toca da serpente tão cedo! – Naruto disse, gargalhando enquanto a filha caminhava sobre a mesa indo em direção a uma queda sem qualquer temor.
Era mesmo filha dele. Corajosa e cabeça oca.
— Mo-Momoe! – Naruto exclamou, se jogando sobre a mesa para agarra-la, puxou-a para o colo, suspirando exausto. — Você vai me matar, Sasuke ela vai me matar.
— Se ela for capaz, faz sentido Hinata ter mandado ela...
— Engraçadinho. Hinata está ocupada com o Obon, os Hyuuga são muito estritos com essas datas, e era Hanabi que cuidava disso antes...
— Entendo. Os outros dois?
— Ah, Himawari está na cola da mãe, já Boruto, desapareceu com os amigos... Me restou ficar com essa monstrinha aqui... Ah, vá se danar, Kurama!
Alguém algum dia se acostumaria com Naruto falando com, tecnicamente, o próprio estomago?
Momoe era a única se divertindo ali.
— E quanto a você? Descobriu algo importante?
Naruto ainda torcia que tudo não passasse de um susto. Considerando o quanto o chakra de Sakura estivera instável naqueles dias, torcia que a cena bizarra que Sasuke e Shizune relataram fosse apenas um efeito estranho do chakra, algo momentâneo. Mas Sasuke estava muito impressionado e insistindo em buscar respostas.
Porém, por mais que procurassem, o caso de Sakura era muito específico. Nem mesmo Orochimaru sabia tanto que não fosse a base de intuição e observação, eles não tinham nenhuma base concreta para se firmar no que concernia ao estado de Sakura.
— Não. Existem milhares de processos, rituais, jutsos e conhecimentos acerca dos usos do chakra, de vários tipos de chakra, outras formas de tentar criar chakra artificial e claro, muito sobre o chakra das Bijuus, porém nada que se assemelhe a ela. – Sasuke admitiu, ainda desgostoso.
— Entendo... Bem, Kurama me disse algo antes que talvez faça sentido.
— O quê?
— Que talvez seja cedo demais para buscar respostas sobre as mudanças em Sakura. Eu posso estar certo e aquilo ter sido um outro efeito estranho da adaptação dela a intensidade do fluxo de chakra, ou vocês podem estar certos e ela estar mudando de outra forma. O que não muda a possibilidade de tudo isso ainda estar no começo e ser cedo demais para dimensionar.
Sasuke balançou a cabeça, ponderando.
— Mas se a mudança só estiver começando... Como saberemos quando irá acabar... Ou como?
Quem e o quê será Sakura ao fim desse novo ciclo?
Essa nova pergunta poderia ser ainda mais difícil e temível de se responder.
Ambos se limitaram a dividir um clima de profunda reflexão e ansiedade sobre o futuro.
Momoe estava com fome e começou a reclamar. Ela tinha a sorte de não precisar dar a mínima para as aflições dos adultos.
— Não posso sair por muito tempo, que tal irmos comer algo no festival e procurar Sakura?
— Soube que ela não estava se sentindo bem?
Naruto assentiu, com ar desconsolado. Ele gostaria tanto de poder estar com Sakura hoje ao máximo. Ele compartilhava um pouco desse sentimento dela.
Havia visto inúmeros obons sem poder compartilhar do mesmo sentimento coletivo. Ele foi o menino desprezado e sem família viva ou morta. Demorou muito para ele saber quem era, e quem poderia homenagear, para ter um lar para voltar, um lugar para ir oferecer suas orações. Ele perdeu pessoas importantes também, amigos, um sensei a quem facilmente poderia chamar pai, um avô e irmãos do caminho ninja.
Sakura ainda estava aprendendo a compreender a morte, mesmo tendo estado entre os mortos por tanto tempo. Ele gostaria que ela jamais precisasse encarar essas coisas outra vez, mas encarar os mistérios e dores da morte, também era parte de estar vivo.
Ela foi uma lápide por doze anos, hoje ela caminharia entre elas, viva, e com um longo caminho a atravessar aqui com eles.
Se ela puder compreender o Obon por essa perspectiva, já valeria a pena.
— Quando chegou, foi ao cemitério da sua família? – Perguntou, Sasuke assentiu, enquanto demonstrava uma invejável habilidade para segurar bebês. Momoe era o tipo inquieto, havia pedido o colo dele até conseguir, enquanto caminhavam pelas ruas.
Ou Sasuke tinha um talento estranho, ou era sua aura calma envolvendo a menina, ou, Naruto realmente esperava que não fosse sua filha caindo de encantos pela fuça desse Uchiha ainda em tão tenra idade.
Era irritante como mesmo agora Sasuke ainda atraía a atenção feminina. Muitas mulheres voltaram seus olhos para Naruto quando se tornou herói de guerra e Hokage, mas o nome de sua esposa tinha seu peso e invocava respeito.
Já a notícia do divórcio do Uchiha se espalhara tão rápido, e a prova de que a vaga de senhora Uchiha atraía a atenção podia ser percebia mesmo agora.
— O que diabo veem em você, afinal?
— Hn?
— Tch, nada.
Sasuke tinha apenas duas coisas contra Momoe, os olhos azuis dela davam-no arrepios, era como segurar um Naruto no colo, e ela parecia ser movida a algum tipo de bateria, balbuciava o tempo todo. Seria faladeira que nem o pai.
De resto, ela era toda Hinata, até um pouco fofa... Mas Sasuke ainda preferia seus filhos quando bebês. Os gêmeos só se tornaram terríveis depois de um pouco mais velhos. Suas crianças foram todas muito calmas, embora Karin insistisse que eram geniosas.
O centro de Konoha borbulhava de pessoas, embora ele pudesse dizer que o frio noturno parecesse diminuir os níveis de agitação e falatório. Ele quase poderia se sentir confortável.
— Papa! – Ouviu a voz de Sakuya, e olhou ao redor, vendo-a surgir entre a multidão correndo, Sasuke devolveu Momoe para o pai antes que um conflito se instaura-se, se curvou e catou a filha no colo, que ainda o encarou desconfiada e mandou um olhar estreito para Momoe. Naruto abraçou o bebê, e deu um passo, longe.
Uchihas, esse olhar assassino também era hereditário?
— Onde estão seus irmãos? – Sasuke indagou, momentaneamente refletindo se tinha trago algum dinheiro consigo, pois não duvidava que ela iria o fazer comprar qualquer coisa pelo caminho.
— Eu não seeeei!
— Como não sabe? Se perdeu deles?
— Uhum!
— E como me achou?
— Hihihi. – Ela riu, travessa, balançando as pernas. — Eu senti seu chakra, papai!
Sasuke franziu a testa, e Naruto riu.
— Ara, ara, ela não é só Uchiha afinal.
Sasuke suspirou, concordando e sorrindo um pouco.
— Tem razão.
— Papai! Estou com fomeeee! Vai me deixar morrendo de fomeee?!
Até onde ele sabia, chantagem emocional não era uma característica do seu clã, seria coisa de Uzumaki?
Olhou para Naruto, e teve absoluta certeza.
— Que foi?
¤
Em geral, Sakura podia sentir um pouco da energia do ambiente, caso se concentrasse, não havia bem como ser capaz de sentir o tempo todo, era algo mais como a ligeira sensação de que havia algo sempre ao seu redor. Tal qual a consciência do sol, quando era dia, do fluxo de ar até mesmo da energia elétrica.
Nesse lugar em especial, ela podia sentir a energia que fluía através da natureza, porém, envolta numa aura um pouco espessa, pesada e aflitiva.
A aflição, nesse lugar, também era estranha, não algo que lhe roubava a respiração gradativamente, e punha seu coração a ponto de se desfazer dentro do peito. Era uma aflição... Baixa, como algo transparente, mas que ainda está lá, algo leve, mas palpável e até viscoso.
O cemitério era viscoso, era assim que ela conseguia definir.
Então Sakura inicialmente achara apenas incômodo, mas aos poucos, aquela viscosidade melancólica, que arrodeava o vazio que sentia dentro de si quando tinha o conhecimento de que estava diante dos túmulos dos pais parecia apenas crescer e crescer, ao redor desse vazio, como quando você deixa uma vasilha dentro da água, e essa água se agita e começa a subir...
De onde ela tirou essa comparação? Era um tipo de afogamento? Havia se afogado em algum momento de sua antiga vida, havia visto uma vasilha boiando na água até ser engolida por ela?
A viscosidade foi se acercando cada vez mais daquele vazio. Um vazio vexatório, um vazio que parecia ecoar “você nunca será normal”, que parecia avisá-la cada vez mais alto que ela não poderia se comparar a nenhuma outra pessoa enquanto não pudesse sentir mais do que empatia por aqueles estranhos.
E quando ela percebeu, estava ela e somente ela dentro daquele buraco onde aquela gosma solitária e começava a descer e preencher tudo, e a afoga-la dentro.
Por um momento, sentir aquele vazio ser preenchido soou como alívio, e então se tornou algo pesado, perguntas boiando para dentro e fora dela.
A visita que fez com Ino mais cedo havia sido curta o suficiente para que ela não chegasse a ser invadida por esse desespero. Sakura fugiu da companhia e refez o caminho até o cemitério sozinha, na tentativa de obrigar-se a si mesma a reconhecer algo.
A expectativa de Ino havia a deixado tensa demais, e ela se forçou a fazer perguntas sobre os pais que não estava realmente afim de saber.
Agora, sozinha em meio a escuridão, ouvindo ao longe, bem distante os sinais de vida humana que interagia na vila. Sakura ficou desesperada, no escuro dentro de si e no escuro da noite.
Se afastou dos túmulos, quase chegando a tropeçar em outros, imediatamente se sentiu envergonhada e mal, por estar perturbando outros que supostamente descansavam ali também ou mesmo que estivessem despertos durante o Obon, observando-a como a criatura desprezível, e vazia.
Sakura se afastou dali, o mais rápido que podia, pequenos obstáculos surgiam pelo caminho, e ela ia aos tropeços, quase cedendo ao desejo instintivo de virar-se numa bola e se esconder lá dentro até desaparecer, mas quanto mais o vazio viscoso a engolia, mais ela afundava, até seus sentidos começarem a afundar também. Galhos arranharam seu rosto enganchavam eu seu kimono.
Ela já estava chorando, lutando para esconder o chakra dentro de si, desesperadamente torcendo para ninguém vir procura-la. Até que ela caiu sentada no chão, e cobriu o rosto quando sentiu passos na grama.
Atacou com os cabelos, usando a maior parte para se esconder da visão do estranho.
— Vá embora. – Pediu. — Por favor.
— Dá última vez que você me pediu isso, eu fiz.
Sakura abriu os olhos, chocada e baixou as mãos.
Ele se aproximou mais e ela, em silêncio, se concentrou na energia dentro dele até que quase pudesse enxergar uma silhueta azulada a estender-lhe a mão. Sua cabeça e olhos doeram tanto em seguida que Sakura se encolheu com a resolução de que jamais enxergaria novamente, qualquer tentativa de algo próximo a isso a machucaria muito mais do que já fora machucada.
Mas no momento era a vergonha da sua própria frieza que a fazia desejar desaparecer da visão daquele humano.
— E então você desapareceu por doze anos.
— Eu devia desaparecer agora.
— Bem, talvez, mas não precisa fazer isso sozinha, nunca precisou. Venha, vamos sumir juntos.
Sakura moveu a cabeça em sua direção, não havia como enxergar, apenas a escuridão onde quer que seus olhos procurassem, mas firme voz dele continuava a afirmar que aquela mão ainda estava estendida.
Ela ergueu a dela, tateando o ar até encontrar a dele que ajudou-a se levantar de entre as flores.
— Hah, você não tinha amadurecido mais? Me parece que ainda continua uma chorona.
— Pra-pra onde vamos? – Ela indagou, sentindo-se acanhada quando sentiu seus dedos limparem suas lágrimas tão zelosamente, o cheiro de cigarro se misturava com o perfume dele e apesar de um pouco forte ainda, sentia-se reconfortante.
— E o lugar importa quando se desaparece?
Eles começaram a caminhar, Sakura parou quando sentiu uma muito suave sensação de algo tocar sua pele. E sabia bem lá no fundo, mesmo se não lembrasse, que era a luz da luz surgindo lá em cima.
Que lástima, como alguém poderia se lembrar do toque da lua e não do amor de seus pais?
— Está uma lua bonita. – Ele disse. — É uma rara lua bonita.
— Rara?
— Sim, esta tem um arco ao redor, um halo de luz, é muito bonito. Como se a lua tivesse sido coroada.
— Como uma princesa?
— Sim, como uma princesa, como você.
— Oh...- Ela tateou a cabeça, tentando se recordar se ainda havia uma coroa lá. Ele riu e logo a tiara pousou em sua cabeça.
— Quase quebrei a cara tropeçando nisso aí.
— Perdão!
— Sua sorte é que gosto de você. Ou sua coroa iria virar mercadoria.
— Gostar de mim?
— Hum? É claro.
Sakura baixou a cabeça, pensativa, ele continuou falando sobre a lua, e o bosque e o cemitério a noite, com sua voz atrativa que lhe fez sentir vontade de ouvi-lo cantar.
Gostar.
O que era gostar de alguém?
Ela achava que sabia o que era amar pela quantidade de pessoas que havia em sua vida... Mas como alguém poderia amar se não ama seus pais que morreram lhe esperando?
A diferença entre gostar e amar, qual seria realmente?
Uma vez disseram-lhe que gostar era algo passageiro ou direcionado a uma pessoa ou objeto importante, mas não tanto. O quanto era tanto, o que separava o gostar do amar, esse eterno amar?
Ela podia pensar em dezenas de coisas que gostava, mas não conseguia pensar em ficar sem elas ou enjoar delas, então na verdade as amava?
E quanto aos pais que diziam que ela amava? Sakura não se recordava deles nem mesmo o suficiente para se sentir triste de verdade, talvez ela só gostasse deles?
— Você gosta de mim?
— Hum? Gosto...
— Então quando você não me gostar mais, não nos veremos?
— Eeeh? De onde tirou isso? Por que eu deixaria de gostar de você?
— Mas gostar não é sempre passageiro...?
— Bem...
— Até que não deseje mais tanto ver, provar ou sentir, até que nem mesmo sinta saudade ou deseje estar perto com frequência, até que vire uma lembrança distante e que mal se possa lembrar... E não se sentir mal por isso... Isso não é gostar?
— Bem... Existe muitas formas de gostar de algo.
— Sim? Então é como amar?
— De certa forma sim. Amar é algo muito mais... Profundo... Alguns dizem que é abstrato, embora eu não concorde...?
Sakura havia ficado ligeiramente animada quando ele citou “abstração” pois até onde ela mesma entendia, muitas coisas que ela entendia ficavam nesse tal campo da abstração. Ela não perdera só a visão. Mas se ser abstrato não era o suficiente e ela só entendia dessa forma, então isso não a tornava inepta? Naturalmente inepta?
A ideia a desanimou a afligiu outra vez.
— Por que... não concordaria?
— Porque torna o amor impalpável e muito utópico, daí as pessoas desejam algo perfeitamente perfeito, e isso não existe para os humanos.
— Só para os humanos?
— Qualquer coisa que envolva sentimentos é imperfeita, sentimentos não tem forma, não tem cor e não tem textura, porque você pode sentir através de milhares de formas. Quando você sente raiva e ela parece tão dura e afiada que poderia quebrar coisas com ela e ainda assim, você fere sua mão, os sentimentos são uma extensão confusa daquilo que sentimos fisicamente...
Ele pegou sua mão e levou-a ao próprio peito. Sakura franziu a testa, não deixando de se concentrar nas batidas de seu coração.
— Por exemplo, as pessoas acham que esse músculo que bombeia sangue é capaz de guardar sentimentos e emoções, de ter espaço para pessoas, de secar e murchar ou se tornar pedra e gelo. Mesmo que saibamos que tudo o que ele faz é bombear sangue e que se ele para, nós morremos, podemos jurar que ele bate mais feliz quando está perto de quem gostamos ou amamos, que ele pode pular pela boca quando você se assusta, que ele pode se partir ao meio quando alguém nos fere justamente nesses sentimentos.
— Sentimentos...- Sakura levou a mão ao peito, ainda se sentia viscoso lá dentro.
Mas era só um músculo. Talvez um músculo com um buraco?
— E quando não se sente nada? E quando tudo o que parece é... Que não passa de um músculo? Quando você diz que os sentimentos tornam os humanos imperfeitos, é porque na natureza não existem animais com sentimentos.
— Eu acho que eles têm, só não são como os nossos, eles são mais puros, muito menos abstratos que os nossos. Sentem raiva e medo, mas de uma forma muito mais definida e concreta. Os humanos são uma mistura de sentimentos os quais não dá para desassociar completamente.
— Então eu sou um animal?
— Eu não me referia só aos animais, a natureza em si é perfeita, ela não desperdiça nada, bem, você já leu sobre isso mais do que eu, sem dúvida. Eu não acho que você é um animal, e honestamente, você não acha que é um animal, você se acha outra coisa, uma coisa ruim. É por isso que estava chorando e querendo ficar só, num dia melancólico como esse.
Sakura se afastou dele, esfregando os dedos, aflita. Ele puxou seu pulso suavemente e voltaram a andar.
— E você não deve se achar um animal por isso. Ao contrário, você está sendo muito humana, especialmente hoje.
— Hoje...
— Hoje é um dia para se pensar naqueles que já morreram, significa que embora seja um dia para se honrar e agradecer, nem todos estão prontos para isso. Ai-chan não veio para a aldeia, ela detesta dias como esse, porque perdeu os pais, ela simplesmente não quer ser lembrada deles.
— E você?
— Eu acho natural, antinatural é pais enterrarem seus filhos. Como os seus tiveram que fazer... Mas veja, se não se lembra deles, eu tenho certeza que está tudo bem mesmo assim.
— Não está! É... É... Vazio... É viscoso... Todos querem que eu sinta algo, mas...
— Sente-se mal pelo o que eles passaram?
— Sim! Por que eu não lembro deles? E se eu não os amava? Se eu só gostava?
— Tem filhos que nem sequer gostam dos pais, haha. Você não tem que se sentir mal por isso. Quando você abdicou disso... Pode que não foi uma decisão sensata dada a situação... Mas eu pelo que conheci de você, tenho certeza que você a tomaria de qualquer forma. Se seus pais te amavam, mesmo que você não os amasse tanto, eles te esperaram por muito tempo, isso não significa que te conheciam bem?
— A mim?
— Se te conheciam tão bem a ponto de sentirem sua falta até morrer, tenho certeza que sabiam que lá no fundo, você era a garota que tomaria essa decisão. Eles devem saber agora. Eles devem saber o sacrifício que você fez, se eles sabem, eles compreendem e se eles te amam, eles vão estar orgulhosos de você agora.
— Continua não sendo justo.
— Tem razão. A vida dos humanos é cheia disso, é tão injusto que você não lembre de tantas pessoas que te amaram... Mas não é mais injusto do que o mundo e outras pessoas tenham te forçado a seguir por esse caminho...- Com um suspiro ele afagou sua cabeça. — O mundo é essa coisa distorcida, Sakura, as coisas ruins parecem físicas e duras enquanto as boas parecem abstratas e tão suaves que você não tem certeza se são reais, mas nem tudo precisa seguir essa regra, às vezes se inverte. Você pode não ter vindo aqui hoje com a absoluta certeza de que ama seus pais, mas você veio, você sentiu o dever de estar aqui sozinha com eles. Isso é algo, e isso é palpável. — Tocando sua bochecha ele completou. — Para mim, isso pode ser amor.
Sakura refletiu por um longo momento, questões ainda rodavam em mente e ela ainda se sentia flutuando num mar viscoso mas...
Se ela se sentia vazia, e isso tinha um motivo, então não queria dizer que ela fosse vazia, sim?
Desde que tudo tivesse um motivo, desde que ela pudesse continuar puxando a linha, segurando outras mãos, ouvindo outras palavras...
Ela nunca estaria tão vazia quanto... Aquela pessoa desejava que ela fosse.
Sakura abraçou o homem bem forte e inspirou seu perfume e nicotina.
— Hmmm, você cheira a... a....- Ela franziu a testa, e ele esfregou suas costas gentilmente. — Você cheira à melancolia, Bichura-san.
As mãos dele congelaram em torno dela.
“— Você cheira à melancolia, Bichura. – Ela afirmou, com um olhar afiado e meio cínico até. Como se tivesse o flagrado. — Pode até tentar disfarçar com esse seu sorrisinho preguiçoso e olhos de gato, com essas suas músicas de coração partido que você diz que é sobre outras pessoas... Bichura, Bichura... Quem foi que partiu seu coração?
— A dra. acha mesmo que meu coração foi partido, ou só deseja uma companhia?
Ela fez careta e levou um gole de saquê para a boca, respirou fundo em seguida.
— Tem razão. A melancólica sou eu, devo estar contaminando as pessoas.
— Soou ainda mais melancólica assim...
— Tsc, dane-se.
— Respondendo sua pergunta... Eu nunca tive meu coração partido... Mas uma vez uma velha adivinha me disse, que eu carregaria o peso daqueles que eu quebrasse...
— Pft... Isso parece conversa de charlatã.
Ele também riu e concordou
— Mas...- Ela suspirou, voltando a mirar o nada com olhos profundamente tristes. — Ao menos isso seria justo...”.
Naquela época, ele não mencionou que a adivinha também dissera que quando seu coração fosse partido, se sentiria tão... Realizado, que nem seria capaz de chorar.
Ele não se importou com a falta de sentido naquilo, era ainda bem novo e, quem diabos se sentiria feliz de ser rechaçado?
Nesse exato momento do presente, Bichura entendeu duas coisas:
Que era capaz de se apaixonar rápido e profundamente assim como provocou amores, mesmo que passageiros.
E o que era estar feliz de ser rechaçado antes mesmo de ter a chance de investir. E isso pela segunda vez.
Sakura Haruno era especial nas duas formas em que a conheceu.
Especialmente triste e incrédula antes, e mesmo tão amarga, ela foi encantadora o suficiente para cativar.
Especialmente pura e carinhosa agora, mesmo tão ingênua e tendo sofrido tanto. Ela seguia lutando pela vida, pelo direito de sentir emoções, só que desta vez não pedindo por elas, mas arrebatando-as para si como uma força da natureza onde quer que passasse.
Ela talvez não fosse mais humana, pois ao menos para ele, ela era absolutamente perfeita, abstrata e palpavelmente.
— Quer ir ao festival ou voltar para casa?
— Oh? Nós não íamos sumir?
— E ser preso por sequestrar a honorável princesa de Konoha?
Ela inflou as bochechas, chateada.
— Bichura-saaan!
Bichura levou-a para despedir-se dos pais mais uma vez e ascendeu outro cigarro enquanto caminhavam, ela ia a frente, bem mais segura de seus passos.
Embora tivesse se sentindo um pouco mal por não ter tentando avisar do paradeiro dela para seus amigos, resolveu apenas seguir aquela força da natureza por enquanto.
Sendo poderosa como ela era... Sabia que não demorariam a localiza-la por si mesmos.
Especialmente esta noite, Sakura brilhava como se tivesse um frio halo de luz em torno de si, ainda estava um pouco abatida sobre os pais, mas não perdeu seu brilho, e ao amanhecer, brilharia como o sol novamente.
¤
— Sakuraaa! Onde você andava?! – Ino gritou em meio a multidão. Sasuke e Naruto se viraram procurando-as em meio às pessoas.
Sakura surgiu, parecia desgrenhada, o que deixou ambos alarmados o suficiente para se aproximarem com pressa.
Ino se alternava entre limpar as bochechas sujas de terra dela e grasnar.
Naruto meneou a cabeça, como se também lidasse com um dos filhos e Sasuke voltou a atenção para a pessoa que a acompanhava.
— Você está de volta na vila. – Naruto disse. — Algo que eu deva me preocupar?
Bichura puxou o cigarro da boca e levantou o queixo, expulsando a fumaça para cima lentamente, baixou os olhos bicolores e fitou Sakura por um momento longo o suficiente para deixar Sasuke desconfortável e irritado.
— Não, não por hoje...
¤
— Há muitas pessoas, pai. Não deveríamos esperar...?
— Tch.. – Estalando a língua ele deu as costas, não se importava com civis, a morte deles seria ainda uma distração útil, mas poderia acabar distraindo seus planos também. — Ao fim desta noite, a aldeia vai amanhecer vermelha. Se preparem, este é o último ataque...
— Sim, pai.
— Vamos cravar uma espada no coração da aldeia da Folha. Pegar o que é nosso e cuidar para que não se esqueçam de quem é a Akatsuki.
A Akatsuki que ele reviverá.
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