Lost In Time

19 Lost and stuck with him


Notas iniciais
Boa leitura.

_Está louco? Nunca que eu vou fazer isso. — ignoro Merlin e continuo caminhando pela cidadela até a casa que agora se tornou minha, mas ele continua me seguindo.
_Por favor, America. Eu imploro, faço tudo o que você quiser por um mês. — o olho desconfiada. — Por três meses. — aumenta a proposta, mas continuo em silêncio. — Tudo bem. Até que vá embora. Agora por favor, deixe com que ele fique na sua casa por alguns dias. — ele se joga aos meus pés, literalmente, se agarrando ao chão e me impedindo de me movimentar para qualquer um dos lados.
_Se eu aceitar, você me largará?
_Sim. Sim, claro. — ele se levanta e caminha ao meu lado.
_O que eu tenho que fazer?
_Hospedar Arthur durante os três dias do torneio.
_Que torneio?- ele me olha, como se fosse absurdo.
_Eu sei que não é daqui, mas você realmente precisa começar a prestar atenção nas coisas. — ri para si mesmo e o olho de cara feio. — Enfim, Arthur descobriu que todos deixam ele ganhar, então ele arranjou uma desculpa fajuta para visitar as fronteiras do Norte, só que ele estará aqui, competindo sem que ninguém saiba. — o olho sem entender porcaria nenhuma, mas só dá de ombros. — Quem sabe o que príncipes pensam? São todos loucos!
_E quando ele chega?- dou o braço a torcer.
_Daqui a cinco minutos. — responde rapidamente e sai correndo, me impedindo de reclamar qualquer coisa e se salvando de um provável tapa.
Faço o meu máximo para limpar e organizar a casa em cinco minutos, mas não faz muita diferença, pelo menos para um príncipe não faria. Com todo o luxo e a ostentação que está acostumado, vir para cá provavelmente será seu pior pesadelo. A casa é pequena, simples, um retângulo baixo, feito de pedras e madeiras, com uma mesa, uma cama, uma cortina no meio, separando em dois cômodos, e entulhos de sacos de trigo e cevada no canto. Nada glamoroso. Mas uma parte de mim fica feliz que ele passe por essa experiência, talvez porque queira provar para mim mesma de que Arthur não é o que pensei que fosse ou para rir de seu sofrimento por tudo o que ele fez Melin sofrer.
Ouço o barulho na porta e trato de abri-la. Merlin entra primeiro, como muitas vezes antes, depois vem o príncipe, em uma capa azul que o esconde completamente. Ele entra mais para o fundo do casebre, enquanto Merlin se posta ao meu lado, e o observamos.
_Meu senhor. — faço uma reverência e ele se vira para mim, retirando o capuz.
_Gwenevere. É muita bondade sua me deixar ficar em sua casa.
_Fico feliz em ajudar. — abro o sorriso mais falso e sinto a dor do piso de Merlin em meu pé.
_Comida. — ele sussurra.
_Vou preparar-lhes algo para comer. — anuncio, controlando minha irritação, e Arthur sorri em retorno.
_Não acredito que me meteu nisto!- ralho e piso em seu pé, assim como fez comigo, e me dirijo para a cozinha, dois passos ao lado de onde estava, ouvindo seus resmungos de dor. Não sei nem se isso poderia ser chamada de cozinha, é apenas um balcão cercado de vários armários cheios de suprimento, não tão cheios assim.
_Não pode esperar que eu fique aqui. — ouço a conversa baixa dos dois e me mexo desconfortável, fingindo nada ter ouvido.
_Temos que mantê-lo fora de vista. Gwen não dirá a ninguém que está aqui.
_E alguém acreditaria?- olho para os dois, irritada, mas eles não me notam.
_Não aguenta ficar sem sua cama e seus travesseiros?- Merlin zomba.
Não escutei a resposta, ou o resto da conversa, minha mente estava ocupada demais tentando lembrar todos os xingamentos possíveis para Arthur. Quem ele pensa que é para me ofender assim? Ele pode ser o príncipe, mais isso não significa nada, ele é meu hóspede e me deve respeito! Estava tão ocupada amaldiçoando enquanto cozinhava, que não havia nem mesmo percebido que éramos quatro na casa.
_E quem é esse?- pergunto ao estranhar o camponês parado no meio da sala.
_Esse é o William. Ele vai aparecer no lugar de Arthur. — O príncipe suspira, decepcionado e cansado. Pelo jeito seu novo cavalheiro não é bem do jeito que esperava, acho que ninguém esperava, William não inspira muita confiança. Suas costas são curvadas, o corpo é magro, o cabelo grande e desgrenhado. Digamos que ele não possua nada de nobre para aparentar nesse torneio.
Merlin, Arthur e eu, enfileirados, um ao lado do outro, simplesmente observando a beldade que nos foi apresentada. Eu não sei eles, mas estou me segurando para não rir.
_Ótimo. — Arthur murmura e Merlin joga um balde de água no homem, que começa a pular, como uma criança. Ele foi lavado, seco, cortei seu cabelo, Merlin trouxe roupas de Arthur para que pudesse vestir, e mesmo assim, ele simplesmente não conseguia parecer um Sir. As expressões de Arthur eram as melhores, por um momento realmente achei que ele fosse desistir.
_Imagine-se muito... arrogante!- Merlin sugere e William para de andar de um lado para o outro e pensa por um minuto, provavelmente pela primeira vez na noite. — Cavaleiros acham que são os melhores. — complementa.
_Não é arrogância. — Arthur intervém. — Ignore-o, é um idiota. Um cavaleiro deve comportar-se com honra e nobreza.
William levanta o ombro e começa a fazer sua melhor imitação de Arthur, e admito, realmente estava boa.
_Está melhor. Deve convencer todos de que nasceu em uma família nobre.
_Vá polir minha armadura, rapaz!- ordena para Merlin e sorrio de canto. Acho que ele finalmente conseguiu.

Merlin e William foram embora pouco tempo depois, me deixando sozinha com Arthur, que felizmente, estava com a boca ocupada demais comendo para dizer qualquer coisa. Comecei a varrer a casa, os três não foram tão comportados quanto imaginavam e deixaram uma grande quantidade de sujeira para trás.
_O dia foi longo, acho que vou dormir. — termina de beber seu copo de água e o deixa em cima da mesa, junto com o prato de comida praticamente intocado. — Esta é minha cama?- ele aponta para a minha cama e rapidamente se senta nela. Inspiro fundo, muito fundo, me controlando.
_É claro. Espero que fique confortável.
_Tenho certeza que ficarei. — olho ao redor, sem ter certeza de para onde irei. Pego um pano grande e fecho a cortina, me isolando completamente. Procuro algo minimamente confortável para se dormir e vejo os sacos de trigo jogados no chão. Me enrolo no pano e me deixo cair em minha cama improvisada de grãos.
_Boa noite Gwenevere.
_Boa noite Alteza.

Depois de acordar da pior dor nas costas que já tive em toda a minha vida, aguentei o resto do dia com o pensamento hilário de ver William tentando desesperadamente se portar como um nobre. Não me decepcionei. Por pouco ele não caiu do cavalo em todas as vezes que teve que montar. Todos o encaravam, segurando o riso, mas Arthur fez todos calarem a boca, vencendo todas as justas e fazendo com que todas as mulheres só soubessem falar de Sir William.
Começo a entender como as pessoas conseguem gostar de ago tão violento como isso. Homens montados em seus cavalos, lanças na mão, cavalgando em direção um do outro para se baterem e no fim só um resistirá na cela. No começo achei machista e estupidamente ridículo, mas acabei caindo nas graças, assim como todos os outros antes de mim. Madeira voava pelos ares quando encontrava o metal das armaduras, outros ficavam presos nas celas na hora de cair e eram rastejados pelos cavalos até que fossem travados, alguns nem ao menos se levantavam, e Gaius chegava logo para socorrê-los.
_Não está impressionada com Sir William?- ele, depois de socorrer seu último ferido, se senta ao meu lado na arquibancada, delirada.
_Eu o considero um porco arrogante. — respondo honesta e esse foi o fim de nossa longa conversa.

Arthur ganhou todas as justas, mas isso não o impediu de querer continuar e provar a si mesmo o que for que queira provar. O que significa que mais uma vez ele voltará para minha casa, e mais uma vez dormirei com a comida.
_As moças da corte estão muito impressionadas com William. — comento tentando fazer o silêncio tenso e constrangedor diminuir um pouco.
_Típico. — ri sozinho. — Não reconheceriam um verdadeiro cavaleiro nem se desse uma pancada na cabeça com uma lança. — rio aliviada, realmente tentando entender o que essas mulheres viram?
_Porque está fazendo isso?- me sento na sua frente, séria e verdadeiramente curiosa. Ele para para pensar por um momento.
_Temo que as pessoas me respeitem apenas pelo meu título.
_Não acho que seja verdade para todos. — retruco.
_Você me diria se fosse?
_Não. — ele sorri, provando seu ponto. — Quando compito como William, meu título não importa, não ganho tratamento especial. E se vencer esse torneio, será merecido, não porque deixaram que eu ganhasse. — o observo, alguma coisa gritando dentro de mim.
_Acho que eu vou... hum... trocar de roupa.- constrangido, ele sai do cômodo e suspiro, voltando a fazer o que estava fazendo antes.
_Gwenevere!- ouço sua voz e noto que estou atrás das cortinas, o que significa que ele não pode entrar ali em hipótese nenhuma, ou saberá onde tenho dormido. — Tem agulha em linha? Acho que rasguei essa...- ele para de falar enquanto tento desesperadamente tirar os sacos de trigo de sua visão, mas já era tarde demais.- É aqui que dorme? Onde está sua cama?
_Está dormindo nela. — hesito.
_Porque não disse algo?
_Como poderia? Você é o Príncipe Arthur! Além do mais, não me deu a chance. Simplesmente supôs que era sua. — reviro os olhos.
_Como poderia saber se não diz?
_Não precisa ser avisado para ajudar os outros. Não é uma criança. — perco o controle. Ele balança a cabeça, em concordância.
_Há algo mais que queira me dizer?- tenho a impressão de que é uma pergunta retórica, mas simplesmente não aguento mais. -Por favor, adoraria ouvir. — me incentiva.
_Não faz a menor ideia, faz?
_Do quê?
_Sobre como pode ser rude e arrogante. Esta é minha casa e é meu hóspede nela. Sei que está acostumado a quartos mais luxuosos. — quase acrescento um “eu também”, mas me contenho. — mas isso não é desculpa para ser tão mal educado. Alega que títulos não importam, mas se comporta como um príncipe e espera que eu o sirva como uma criada. Dizer isso não significa nada se suas ações o traem. O mataria dizer, por favor, e obrigada de vez em quando?- não consigo decifrar seu rosto, não sei se está ofendido, magoado ou com raiva. — Meu senhor. — acrescento.
_Há algo mais que queira acrescentar?
_Não. Acho que é isso. — respondo baixo, envergonhada e com a cabeça para baixo.
_Aprendeu isso com o seu ex namorado?- o olho sem entender a relevância disso para a discussão. Não o respondo, continuamos em silêncio. — Está certa. Você me convidou para a sua casa e me comportei de forma horrível.
_Não foi para se sentir mal.
_Sério?- ele ri de mim e ouso abrir o mínimo dos sorrisos.
_Talvez um pouco. — mudo de ideia.
_Não há desculpa. Vou compensá-la. Hoje à noite farei um jantar para você. — me espanto. -ele me empurra até a porta, sem muito esforço. — Dê uma volta ou faça o que garotas fazem a essa hora da tarde. Seu jantar estará pronto quando voltar. — ele fecha a porta e me deixa extasiada do lado de fora.
_Onde está Arthur?- Merlin aparece.
_Está fazendo um jantar para mim. — não deixo de esconder toda a minha surpresa.
_Arthur está cozinhando?- ele compartilha minha reação. — Não acho que vá receber sua casa de volta intacta. — comenta antes de correr para salvar o amigo.

Notas finais
Até mais