Notas iniciais
Para aqueles que já viram a série, o começo, o meio o fim, vão ser diferentes... assim como haverá muitas cenas da série, muita coisa aqui não aconteceu na serie... e pra quem nunca viu, bem, nao faz muita diferença, MAS VEJAM! SUPER RECOMENDO! Boa leitura!

Dizem que o que não mata só nos deixa mais forte. Eu digo que não concordo. Prefiro continuar fraca, mas feliz, do que forte e despedaçada. Dizem que o amor te deixa fraco. Eu digo que não concordo. O amor é uma arma poderosa, que usada corretamente, cria maravilhas. E é assim que eu me confundo. De acordo com um dos ditados eu estaria, nesse momento, sofrendo, mas estaria forte. De acordo com o outro eu estaria fraca, pois não tenho amor.

Quando me inscrevi para seleção, eu tinha a certeza de que sairia dela com o coraçao consertado, que teria superado. Com um tempo eu eu percebi que eu estava certa, eu eu teria superado e seguido em frente. Eu via várias possibilidades para o meu futuro, menos essa.

Ponho o melhor sorriso no rosto e ando pelo salão. Todas as selecionadas estão aqui, várias famílias reais que não conheço. Todos esperando pelo anúncio da futura rainha de Illéa. E eu só queria adiar aquele momento para o resto da minha vida, mas não consegui. Maxon fez sua escolha e não fui eu.

Dizer que estou péssima é eufemismo. Desço do palanque e ando em direção de Celeste que está na multidão. As lágrimas começam a escorrer por minhas bochechas mas ela trata de seca-las.

_ Nada de choro hoje!- ela briga comigo- você vai voltar pra esse salão e vai mostrar para ele perdeu! Vai mostrar para ele que não está abalada- ela ordena e me empurra de volta para o centro da pista, onde os noivos dão a primeira dança.

Fico na primeira fila, com um sorriso brilhante e bato palmas no ritmo. Quando os outros começam a procurar por pares e se juntar aos dois, eu trato de achar o meu também. Aspen está de guarda do lado do palanque. Eu o vi antes do pronunciamento, mas depois de toda essa loucura, o perdi.

_Dança comigo?- eu peço e ele se vira para mim assustado. Parecia preso em seus próprios pensamentos tristes.

_Estou trabalhando Meri. Me desculpe.- ele responde sério.

_ Tenho certeza que Clarkson não vai brigar. Ele já conseguiu o que queria.- digo de cabeça baixo e o puxo para a pista de dança.

Aspen consegue ser um dançarino pior do que eu. Nossos pés se pisam quase que constantemente, mas a dor fisica me ajuda a esquecer o meu coraçao quebrado. Nos mexemos praticamente em silêncio. Olho para Maxon a todo momento, mas ele não retribui o meu olhar.

_ Tudo isso é culpa minha.- Aspen quebra o silêncio- É por minha causa que você não está com ele novamente.- eu tento contrariar, mas ele não me deixa dizer nada.- Se pudéssemos voltar no tempo, para que nada disso tivesse acontecido...- o interrompo com um abraço. Aspen acabou de me dar a mais brilhante das ideias. Eu nem tinha lembrado do que tinha acontecido. Já fazia tanto tempo e com tudo o que aconteceu Mikail saiu da minha mente muito rapido. Ele não entende o porque do abraço, mas corresponde.

_ Eu te amo Aspen!- eu praticamente grito e todos ao redor me olham estranho. Inclusive Maxon, que me lança um olhar de traição e raiva. — Você é demais! — eu beijo sua bochecha e saio correndo para fora do grande salão, deixando todos espantados com minha atitude.

Eu com certeza deveria ter lembrado que eu não sei o caminho até lá. Porque me perdi assim que botei os pés no jardim. Nem havia chegado na floresta e já não tinha ideia de onde ir. Tentei me lembrar por onde saí correndo, mas não foi de grande ajuda, então vou para qualquer lugar. Não tem mais como piorar.

Mesmo com o sol em seu ponto mais alto, as copas da árvores me deixam em um breu assustador. Acho que não senti tanto medo assim antes por causa da adrenalina. Ando lentamente tentando entender onde estou, com a esperança de que verei uma árvore marcante ou até mesmo Mikail me gritando em algum lugar, mas estou sozinha. Acho.

_ America! America!- uma voz masculina grita por mim algum lugar entre as árvores. Não consigo reconhecer a voz, está muito longe, então me escondo atrás de uma árvore e espero que a pessoa apareça.

Se estou com medo? Morrendo. Sozinha em uma floresta escura e abandonada, com folhas se mexendo em todos os lados e sons estranhos a toda hora. O homem não aparece e não diz mais nada. Depois de muito relutar comigo mesma, decido que já posso continuar o meu caminho. A cada barulho de galho quebrado, eu me viro para trás com medo. De quem foi a ideia de vir aqui mesmo? Continuo caminhando nas sombras, assim que ninguém me vê. Não funcionou.

Em uma das vezes que me virei para olhar para trás, sinto uma mão em meu ombro. Uma mão fria e que me causa arrepios. Tenho medo de virar e olhar o rosto do sujeito. Vai ver é um daqueles assassinos loucos de rosto deformado. Mas a curiosidade me venço e me viro lentamente. Sou imediatamente tomada pelo alivio que se transforma em raiva.

_ Seu idiota!- eu digo e começo a bater em seu braço- Você me assustou! Nunca mais faça isso!- termino emburrada.

_ Me desculpa, é que você saiu correndo e eu fiquei preocupado.- Aspen diz rindo de mim. Respiro fundo e tento recuperar o fôlego.- O que está fazendo aqui?- ele parece lembrar do motivo de estar ali.

_Preciso encontrar um amigo. Ele pode me ajudar a concertar isso tudo.- eu digo e ele me lança um olhar de interrogação.

_ Seu amigo mora no meio da floresta?

_ Ele não mora aqui. — Eu acho. Acrescendo mentalmente- Ele só trabalha aqui.

_ O que o coveiro pode fazer para te ajudar? Porque é dele que você vai precisar se continuar andando sozinha por aqui.- ele diz em um tom de preocupação e zombação.

_Mas eu não estou sozinha.- sorrio para ele.

_Não! Não,não,não! Não me mete em suas loucuras!- ele pede e balança as mãos em sinal negativo. Eu faço biquinho e lanço um olhar de cachorrinho pidão. Ele olha para o lado e bufa.

_ Não acredito que vou dizer isso, mas para onde vamos?

Me animo na hora e o abraço.

_Lembra do lugar que me encontrou aquela vez no ataque rebelde?- eu pergunto e ele assente.

_ Tem um alçapão escondido por perto. Vamos para lá.

Depois de muita relutância, Aspen me conduz por árvores e clareiras que parecem todas iguais. Não sei quanto tempo se passou, mas a festa ainda rola, porque ouço o alto som da música.

A escotilha está no mesmo lugar, dessa mais mais escondida do que as outras vezes, mas mesmo assim consigo enxerga-la. Ela não é de metal mesmo. Mesmo estando escuro, poucos raios de sol penetram entre as folhas e me permitem saber que é madeira. Aspen olha para o lugar chocado e sem palavras. Eu rio de sua distração.

_ O que... O que é isso?- ele me pergunta.

_ Um experimento. Clarkson os mantém aqui.- eu começo a explicar e ele fica mais confuso ainda.- Não posso dizer o que tem exatamente aqui em baixo, mas se tudo der certo, vai ficar sabendo de qualquer jeito.

Abro a portinhola e começo a descer quando noto que Aspen me segue.

_Você não pode vir comigo!- eu brigo com ele.

_ Porque não?

_Porque sim!- eu digo e ele não parece convencido.- Por favor Aspen. Eu preciso disso.- imploro e ele sobe as escadas novamente. Olho para baixo e mergulho na escuridão.

Me lembro das coordenadas que Mikail me disse da última vez, e em pouco tempo estou parada em frente ao seu escritório. A porta está fechada, mas consigo ver a luz pela fresta. Bato.

_Quem é?- uma voz pergunta antes mesmo de abrir.

_America.- eu respondo e em poucos segundos ele aparece na porta com um olhar de susto.

_Porque está aqui?- é a primeira coisa que ele me pergunta. Não o respondo.

_ Posso entrar?- pergunto e passo pela porta antes mesmo que ele me responda.

O quarto continua do mesmo jeito que antes. Exceto pela televisão no canto esquerdo. Dela, a festa é reproduzida. Olho para a imagem e vejo Celeste dançando com um príncipe qualquer, Maxon e Kriss conversam com a Rainha e uma mulher aparece na frente da câmera e diz coisas que não consigo ouvir.

_Eu vi o que aconteceu. Sinto muito.- ele começa a dizer e pede que eu me sente. — Quer conversar sobre isso?

Balanço a cabeça negativamente e permanecemos em silêncio.

_ Algum progresso com a máquina?- eu pergunto quebrando o silêncio.

_Alguns acreditam que enfim conseguimos, mas é pouco provável.- ele diz e abro um sorriso que não passa despercebido.- Porque está aqui mesmo?

_Foi o único lugar que consegui pensar que fosse estar sem ninguém. Não achei que fosse estar aqui.- eu digo. Não é totalmente mentira, eu realmente esperava que ele não estivesse aqui.

_Toda a equipe está no palácio.- ele começa a falar e eu me ilumino. Só preciso dar conta dele.- eu prefiro ficar.

Então eu começo a chorar. Não é falso, mas não é inteiramente verdadeiro. Ele se assusta e vai pegar água para mim, mancando o mais rápido que pode. Procuro alguma coisa que o faça ficar desacordado por um tempo, mas só encontro a cadeira que estou sentada. Cuidadosamente a levanto na minha cabeça e dou passos pequenos em direção a parede onde Mikail me prepara alguma coisa. Sim, você deve estar pensando, sério America? Você realmente vai jogar uma cadeira em um senhor de idade? Você pode mata-lo! Ë bem, eu não pensei nisso na hora.

_Então, o que vai fazer agora?- ele me pergunta antes de levar uma cadeirada nas costas e cair duro no chão. Me espanto com minha própria força. Fico um tempo o olhado com medo de que tenha o matado, mas assim que ouço sons indecifráveis, corro pelos túneis até a câmara.

Eu também não sabia ligar isso. Meu plano foi definitivamente genial. Olho para a quantidade de botões nos painéis ao redor da máquina e fico tonta. Tem tantas telas e tanta coisa para apertar que fico desorientada. Ouço os passos e os gemidos de dor de Mikail um pouco atrás de mim. Me apresso e corro em direção da máquina. Corro ao seu redor procurando por alguma coisa que me diga o que fazer.

_ Cade você botão? Vamos! Aparece!- eu praguejo e então ouço o barulho em uma das entradas. Mikael está encostado na parede, tentando se manter em pé de qualquer jeito. Seu rosto exala medo.

_Por favor não faça isso!- ele implora e tenta andar em minha direção, mas está muito longe e muito fraco para isso.- É suicídio!- ele grita mas eu não dou ouvidos. Pelo menos está vivo.

Atrás da máquina há um painel e um computador. Separados e menores do que todos os outros. Sou imediatamente atraída pelo botão vermelho e gigante que diz " não aperte, pode não funcionar".

O homem percebe meu campo de visão e o terror toma seu olhar. Ele arregala os olhos e não se mexe, esperando pelo meu primeiro passo. Quando me inclino para frente, Mikail corre, utilizando toda a sua força de vontade e esquecendo da dor, ele vem em minha direção. Mas antes que pudesse me alcançar, bato no botão vermelho e pulo para dentro das portas de vidro que se fecham com rapidez.

_Não faça isso! Você vai morrer!- ele grita desesperado enquanto bate no vidro tentando de alguma maneira o quebrar.- Não vai funcionar! Você vai morrer!- ele continha gritando, mas nada pode mudar o que acabei de fazer.

Enquanto caída no círculo fechado, imagino que acontecerá. Se funcionará. Penso nas possibilidades futuras, em Maxon, na minha família. Imagino o que cada um pensaria se não der certo. Não me importo muito se morrer hoje, perdi todas as minhas esperanças e expectativas, foi como se tivesse perdido a minha vida hoje mais cedo. Em uma tentativa mais do que desesperada de encontrar meu destino, cometi a maior das loucuras.

Primeiro ouço o som. Diferente de qualquer outra coisa que já ouvi. Parece um "pib" interminável, um chiado mais do que insuportável. Me encolho no chão e tampo os ouvidos com força, mas nada parece funcionar. Vejo Mikail se debatendo contra a parede, mas não o ouço. Antes que pudesse fechar os olhos, ele se afasta do vidro, sorri e sussurra, quase que impossível de se ouvir “Até daqui pouco”.Então veio a luz, e o cheiro de queimado. E a escuridão.

Notas finais
Espero que tenham gostado... eu nao consigo imaginar minha vida sem internet e celulares... mas o que voces fariam se isso acontecesse com voces? O que acham que vai acontecer com ela? Esse "velhinho"é um personagem super importante... que aparecera depois... se adivinharem quem é, digo o spoiler final pra quem acertar kkkk por favor nao acertem