Lost In The Mirrors
2 Capítulo 1: What’s happening?
Notas iniciais
Estava escuro e silencioso, eu sentia meu corpo latejar, era como se eu tivesse corrido o dia inteiro. Estava exausto, havia cortes por todo o meu corpo, os quais ardiam com o suor. Eu estava perdido em um corredor sem fim com portas sem sentido. Ouço passos, seguidos por uma risada sínica que ecoava pelo lugar, os passos de repente param e eu olho para trás, apavorado. Com a respiração pesada e o corpo dolorido, procuro uma saída, qualquer passagem que me tire dali. Aquela risada... Estava ficando mais alta, no desespero eu abro uma porta qualquer para me esconder, neste instante algo sai de dentro do quarto e me atinge de raspão, deixando mais um arranhão.
Em um pulo me pego sentado em minha cama, suando frio. Olho em volta e reconheço meu quarto. Bom, pelo menos eu acho que é o meu quarto. Eu sou Kevin West, um advogado, ou melhor, um futuro advogado, tenho 21 anos e trabalho no escritório de advocacia da minha cidade. Sou um jovem normal com uma vida normal. Não. Não sou, eu era. Ontem eu acordei neste lugar, parece a minha casa, mas ao mesmo tempo é um lugar totalmente estranho, algo está diferente. E o que foi esse pesadelo? Talvez signifique algo... Aquele lugar é, de alguma forma, familiar. Me levanto e vou ao banheiro, preciso lavar o rosto. Mas quando chego e olho no espelho, lembro que não tenho um rosto para lavar. Olhando mais de perto percebo uma marca em pescoço, era um arranhão, levo minha mão até o machucado e o espelho revela outra marca, dessa vez em meu braço. Começo a me avaliar e noto que existem mais arranhões espalhados pelo meu corpo, mas onde.... O sonho. Não, não podia ser real. Mas como..?
Dirijo-me à cozinha para tomar meu café. Decidi deixar os machucados como estão, já que não tenho recursos suficientes para tratá-los. Com o café pronto e minha caneca em mãos, sento no banco alto e apoio meu café no balcão, normalmente eu coloco um guardanapo para não manchar o mármore, mas hoje isso não importava. No canto da minha visão periférica vejo meu radio e, lembrando da última vez, resolvo liga-lo, novamente, apenas estática. Mas... ouvindo com atenção percebo que não é estática, é um ruído mas algo está sendo dito, sim, esse radio estava funcionando mas eu não ouvia direito. Pensando bem, ontem eu também não ouvia, a música no parque, os adolescentes, eu os via cantando mas eles não emitiam som. Estaria eu parcialmente surdo? A cada momento que passava tudo ficava cada vez mais confuso. Decidi ligar a TV, precisava confirmar essa teoria. Ligo e, mais uma vez, apenas ruídos, sons que parecem palavras mas não fazem nenhum sentido. Teoria confirmada. Eu estou parcialmente surdo, mas por quê?
Saio de casa, não aguento aquele lugar, parece que não pertenço mais à ele. Aliás, parece que não pertenço a mais lugar algum. Cumprimento uma vizinha que passava, mas ela está usando um fone de ouvido, deve estar ouvindo música. Bom, pelo menos ela podia... Continuo a andar e chego novamente à praça, os adolescentes não estavam lá hoje, mas havia uma idosa sentada em um banquinho, falando sozinha. Sento-me ao seu lado.
– Bom dia senhora.
– Ah Davi, se você soubesse de tudo que eu fiz por você.. — lamentou-se
Ela parecia chorar.
– Senhora, está tudo bem?
– Se soubesse... — suspirou — se soubesse não teria partido.
Não sei dizer se ela não me ouve ou se simplesmente resolveu ignorar, então me levanto e continuo meu caminho.
O que será que houve com aquela senhora? Nem adianta pensar já que não tenho como descobrir. Vagando sem rumo chego a um mercado e resolvo comprar algo para beber, estava com a garganta seca. Para a minha sorte não havia muitas pessoas, fui até as geladeiras, mas não tinha água. Decido perguntar onde eu poderia encontrá-la e vou até um homem, o qual se encontrava arrumando as prateleiras.
– Com licença, senhor, você trabalha aqui, certo?
Nenhuma resposta. Tento de novo.
– Senhor? Sabe me dizer onde posso encontrar água?
Ele estava me escutando? Creio que não, então eu o cutuco e ele olha para a minha direção, mas não para mim, o homem olha além de mim. Ele não estava me vendo? Balanço minha mão na frente de seus olhos, mas ele apenas se vira e retorna ao trabalho. Como assim? Ninguém me ouve, e agora ninguém me vê também? O que foi que aconteceu?
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