Lost In The Mirrors

10 Capítulo 9: Finally


Notas iniciais
Oi, nos encontramos novamente. É com pesar que anuncio o último capitulo.. Vocês pediram, aqui está. Foi dolorido escrever e sentir que acabou. Bom, já deixei vocês com dúvidas por muito tempo, chegou a hora. Sem mais delongas, eu lhes digo uma última vez: Aproveitem e espero que gostem ;)

Estou fraco.. Ellen está brincando de me fazer sangrar.. Também já me queimou e quebrou alguns ossos meus, como os dos dedos.. Um por um, sem nenhuma pressa.. Ela se diverte.. Nesse momento está olhando em uma caixa, em busca de um novo instrumento de tortura.. Ela usou até um grampeador que encontrou em uma das gavetas.. Papel.. Sim, ela usou papel.. Criativa.. E outras coisas..

– Olha o que temos aqui! – ela diz animada

Em sua mão há uma daquelas facas elétricas de cortar carne. Deve ter pego na cozinha. Merda...

– Eu poderia esfolar você com isso. Sim, sim! – sua risada me da enjoo

– Você não cansa..?

– Eu? Ah, eu poderia fazer isso pra sempre! Mas.. espera. Eu posso! – há muita satisfação em sua voz

Ela liga a coisa e vem em minha direção. Está coberta de sangue, combinando com seu cabelo. Meu sangue.. Ela para. Há algo em seu rosto. É.. medo? Ela olha em volta, procurando o que? Está nervosa. O que houve?

– Quem está aí?! – ela grita – Pare com isso agora!

É bom ver ela desesperada ao invés de mim, ao menos uma vez.

– Como você conseguiu fazer isso?! Saia da minha cabeça! – ela cai de joelhos – Saia!!

Sua expressão é de dor. Seja quem for, está fazendo o que ela fez comigo.

– Provando do próprio veneno? – digo sorrindo

– Você! Você está fazendo isso?? Pare agora!! – aponta para mim

Está vermelha, em sofrimento, com ódio. Eu apenas aproveito.

– Pare!!!

Com forças tiradas do desespero, ela levanta com a serra na mão.

– Fique longe dele!! – alguém a atinge pelas costas

Ela cai para o lado.

– Stevie!! – não acredito – Você está vivo!! Onde esteve?? Muito obrigado!!

– Explico no caminho. – ele diz enquanto corta as cordas as quais me amarram e que deixaram marcas profundas, cortes.

– Você voltou!! – eu o abraço

– Nunca deixaria você aqui! – ele sorri – Vamos antes que ela.. Onde ela está? Venha!

Corremos pelos corredores escuros do escritório. Eu não tenho forças...

– Kevin! – ele me levanta e me ajuda a continuar – Precisamos sair daqui.

– Como você me achou?

– Do mesmo jeito que ela sempre o encontrava. Me desculpe por sumir nesses dias, eu estava aprendendo uma coisa.

– Tudo bem. Você me salvou, Stevie.

Chegamos às escadas. Descendo.

– Depois do ocorrido na minha casa, eu não aguentava mais essa maluca te machucando. Enquanto você estava desmaiado, eu pensei em um jeito de te ajudar, mas precisa começar o mais rápido possível. – ele tenta me explicar, ofegante – Antes de conhecer você, encontrei um senhor, morto há um bom tempo, muito inteligente. Ele me disse que, quando morremos, temos toda a capacidade do cérebro para ser usada, basta aprender. Com isso, temos habilidades sobre-humanas.

– Espera. – eu sussurro

Paramos. Silêncio.

– Pensei ter escutado algo. Vamos. Por favor continue.

– Bom, aquele dia, quando ela nos atacou, eu lembrei do que o senhor me disse e entendi, era isso que ela estava fazendo. Ela aprendeu. Se eu aprendesse poderia te ajudar.

– E funcionou. Muito obrigado.

– Não agradeça. Apenas ande, precisamos sair daqui.

Chegamos ao primeiro piso e avistamos a porta. Nada além da mesa em U da recepção no centro, plantas e cadeiras.

– Venha! – Stevie me puxa – Finalme.. Não.

– Trancada?

– Trancada. Ellen nos trancou aqui.

– Não consigo mais correr..

– Há alguma enfermaria aqui?

– Final do corredor – aponto para o outro lado do saguão

– Venha – ele passa meu braço por cima de seu ombro

Onde ela está? Não deve ter saído do prédio, ela não desistiria assim. Andamos o mais rápido possível. Se demorar demais, daqui a pouco será 3:29.. Alcançamos a enfermaria e Stevie começa a procurar nos armários, sento na cama hospitalar, tudo dói. Ele pega tudo o que acha suficiente e começa a fazer curativos nos machucados mais sérios. Joga álcool em alguns, dói muito, mas além de não ter forças, já senti coisa pior. Enquanto trata, observa. Sua expressão é de pena, como se, apenas olhando, sentisse as dores que senti. Ele termina e me dá água para beber.

– Ouviu isso?

– O que? – realmente não ouvi

– Passos.

Espiamos o corredor através da porta. Nada.

– Acho que foi aqui em cima. – sussurro

– Ela está vindo.

– Tenho uma ideia. Aqui. – pego um frasco de um líquido anestésico o qual estava em cima da mesa – Eu vou atraí-la e você a tranquilizará. Pegue esta seringa.

– Tem certeza? Eu posso ir lá e-

– Eu faço isso. Ela talvez não venha por você.

– Ok.. Cuidado.

Voltamos para o salão principal e Stevie entra debaixo da mesa da recepção. Eu fico na entrada para o corredor. Vemos a porta das escadas se abrir devagar, ela sai e a fecha com calma. É a minha deixa. Saio e começo a andar pelos cantos, fingindo tentar fugir discretamente, para o lado oposto. Vou em direção aos elevadores. Sei que não estão ligados. Ellen me vê e anda abaixada, silenciosamente. Ela passa em frente a mesa, Stevie sai, cauteloso, e a agarra, enfiando a seringa em seu pescoço.

– O que... – sua expressão é de surpresa

– Stevie, a faca.

Há uma faca, a maior que ela já arranjou, em sua mão. Stevie a pega e vem para o meu lado.

– Você... Eu vou acabar com você! – ela diz agonizando no chão

– Por que você não me perdoa de uma vez e vamos todos para o além?

– Você matou a minha mãe! E eu!

– Eu não queria ter feito isso! Nunca quis que isso acontecesse!

– Eu perdi meu pai! E você me tirou a minha mãe! – seus olhos se enchem de lágrimas

– Pelo menos você conheceu seu pai!!

– O-o que? – ela parece mais surpresa

– Eu nunca conheci meu pai! E ele também não teve a chance de ver o filho! Quando eu nasci ele já tinha morrido!!

– Eu.. Você.. Você me-

– Eu cometi um erro terrível. Pelo qual eu nunca vou me perdoar. Mas posso fazer com que essa situação tenha um lado bom.

– Bom?

– Você não quer vê-los? Sua mãe e seu pai.

– S-sim.. – ela baixa a guarda

– Ambos morreram, estão no lugar para onde vamos se você o fizer. Precisa me perdoar para sair daqui, assim como eu preciso do seu perdão.

– E-eu..

– Pare com isso. Acabou. O que seus pais iam querer? O que iam pensar de tudo que você fez comigo?

– Eles.. Eu não sei... – ela segura a cabeça

– Acabou, Ellen.

Ela chora. Stevie está sério, atento. Eu dou um passo devagar, ele segura meu braço, com uma expressão de desaprovação acerca da minha escolha. Aceno com a cabeça, ele hesita, mas me deixa ir. Me aproximo com calma, ela está de joelhos, com as mãos nos cabelos e a cabeça baixa. Me abaixo, coloco a mão em seu ombro, ela me olha. Pela primeira vez, sinto pena. Vejo uma jovem indefesa, abatida, perdida..

– Vá encontrá-los. – falo calma e suavemente

– Eu.. – volta a abaixar a cabeça – Eu perdoo você...

Que alívio.. Acabou... Me levanto e a ajudo a levantar, está fraca. Então, Ellen começa a flutuar e uma luz cresce dento dela. Aos poucos, ela some. Seus olhos param em mim, assustados. Eu sorrio, no intuito de confortá-la.

– Você está livre. – afirmo

E ela se vai, em uma fumaça de luz subindo ao céu.

– Kevin, está tudo bem agora. – ele me diz, sorrindo

Eu suspiro.. Nem acredito que finalmente acabou... Não sinto meus pés tocarem o chão. É a minha vez. Espera.

– Stevie! E você? Não posso deixa-lo aqui.

– Eu já vou. Preciso me entender com um velho ex-amigo.

Sim, seu cachorro. Seu rosto se ilumina com a luz proveniente de mim.

– Te vejo do outro lado, amigo. — piscando, ele sorri

– Espero por você. Adeus, Stevie.

– Adeus, Kevin.

Notas finais
The end. Sim, acabou. Espero realmente ter agradado. Foi muito bom escrever essa história, sentirei falta. E obrigada à todos vocês, lindos leitores. Agradecimentos especiais para a Turminha (eles saberão quando lerem) e a todos fora dela que me incentivaram a continuar e me fizeram chegar até aqui. É triste dizer tchau.. Foi uma ótima experiência, mas não sei se vou escrever outra. Quem sabe. Não nos vemos no prox cap, mas até mais! ^-^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!